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19.4.09

Sugestão de hino para o Ibero

Fiz um hino para o Ibero, que acham? Não há vídeo da Horta para ninguém que dá uma trabalheira de fazer doer os ossos, por isso desenrasquem-se karaoke-style. E eu a pensar que o raio da música era simples... Há lá no meio umas rimas cruzadas que são lixadas! Props, Xutos.



A carga pronta e metida no porta-couves
Goodbye to all my loves que me vou
Par’ó Ibero
É preciso é dar gás
A portagem foi lá atrás

A carga pronta e metida no porta-couves
Goodbye to all my loves que me vou
Par’ó Ibero
Viagem nocturna na estrada nacional
Não anda nada mal esta onde vou
Eu acelero

Ô ô ô
E às Vespas bi-colores
Ô ô ô
Agarram-lhes os motores
Mas eu meto seis por cento
No meu barrote brutal
Barrote brutal
(repete)

Com a certeza de ter sempr’um lugar
Para poder montar a minha tenda
No Ibero
Vou encontrar uma GS num barracão
O gajo diz que não está p’ra venda
Eu desespero

Ô ô ô
É preciso é dar gás
Ô ô ô
A nacional foi lá atrás
Ouvem-se os berros “Ximbora!”
Vamos é ver se não chove
No “Ib” zero-nove
No “Ib” zero-nove
Vou ao “Ib” zero-nove
É o “Ib” zero-nove

17.4.09

10 anos de PX

Abril de 1999. O preço baixou de 120 contos para os 110 e o negócio foi feito. A minha assucatada GTR tinha acabado de ser substituída por uma PX125E de 1987 com 43.000 no marcador, direitinha e pronta a rolar.

Dez anos e 90.000 quilómetros depois é chegada a altura de parar e contemplar todas as viagens e aventuras, os sítios e as pessoas, os sustos e as avarias, os quilómetros e as estradas, as paisagens e as emoções, o amor e a liberdade. Obrigado, srs. Piaggio e D'Ascanio. Obrigado aos que me ajudaram e rolaram comigo. Obrigado, PX.













Os próximos 10 anos já começaram.

16.4.09

Cinquentinhas para os lados de Barcelos

Já me esquecia!... No âmbito do Projecto Monopólio do Café visitei a 1ª Concentração de Motorizadas de 50cc da Associação Cultural MotoCavaquinhos, que possui não um, não dois mas três sites diferentes. Os interessados neste tipo de veículos poderão não considerar o seu tempo como totalmente desperdiçado ao visualizarem as restantes fotos aqui, ou aqui em magnífico slideshow. [Edit:links do Flickr estão mortos]




15.4.09

A evolução do azul-cueca

Nestes difíceis tempos económicos que atravessamos é possível observar os efeitos da crise em variados níveis, incluindo no fenómeno azul-cueca. Muitos Vespistas não têm cash flow suficiente para revestir por completo uma large frame no malfadado tom, o que resulta numa cuequificação parcial:


Mas não desesperemos pois já surge gota no fundo do depósito. Os sinais da retoma económica começam a exibir-se, tal como o desaparecimento dos classificados da Super dos 6000 euros, indicação clara da sua venda após longo período de exposição pública. Com a economia de boa saúde os Vespistas poderão novamente restourar as suas Sprinters sem poupar no azul-cueca, e calçá-las com o melhor pneu de faixa branca que o dinheiro pode comprar, o Sava MC22 Elegance.


Este pináculo da tecnologia Eslovénia não só tem faixa branca, a companheira espiritual do azul-cueca, mas também ostenta um piso de carácter bastante desportivo: já não é necessário gastar tempo e dinheiro a meter g'anda barrote no motor quando podemos ter pneus que enganam os outros a pensar que temos g'anda barrote no motor. Outra vantagem é o facto deste MC22 existir apenas em medidas métricas e não na habitual configuração 3.50x10", o que distrairá o engenheiro da inspecção o suficiente para não notar os números de quadro martelados. Além disso, o raio do pneu chama-se "Elegance". Quem é que no seu perfeito juízo não quererá montar uns pneus de faixa branca "Elegance" na sua Sprinter azul-cueca com acessórios cromados?

Esta futura omnipresença do azul-cueca que assim se adivinha terá efeitos na cena scooterista nacional e nos próprios scooteristas. Da mesma maneira que o homo sapiens irá evoluir até se parecer com uma espécie albina de extra-terrestres pegajosos com longos dedos e cérebros pulsantes, também o scooterista evoluirá para um formato novo e inesperado:
  • a sua pele absorverá os pigmentos da tinta azul-cueca acabando por adquirir a mesma tonalidade;
  • para contrabalançar a pele azul, o vestuário usado será predominantemente branco para sustentar o efeito "pneu de faixa branca";
  • a procura insaciável por scooters cada vez mais exclusivas obrigará a LML a comprar uns moldes Piaggio no eBay e uns contentores de motores de cortador de relva a 4 tempos para assim poder lançar reproduções da GS150 a 1.499 euros;
  • finalmente, depois de 96% do parque scooterista se ter afogado no tsunami azul-cueca, os scooteristas em busca de status ver-se-ão obrigados a transitar para a segunda cor mais berrante da lista, o amarelo.
Estou certo que estas transições evolucionárias serão aparentes daqui a 4 ou 5 gerações; no entanto, graças ao super-computador também utilizado para modelar pneus de scooters clássicas, foi possível à Horta revelar já hoje uma simulação gráfica daquilo com que se parecerá um scooterista nacional típico no ano 2109:


Não é necessário um doutoramento em genética evolucionista para concluir que todos terão então que actualizar a sua tatuagem indicadora de status:



13.4.09

"Projects of shit" - Google vs. Horta

Vocês costumam ler a tradução Inglesa da Horta? (é só clicar na bandeirinha aqui do lado esquerdo) Eu faço isso de vez em quando, é um entretenimento saudável e limpo. Numa dessas ocasiões, deleitava-me eu com os escritos da Horta transformados digitalmente na língua do Bardo, reparei que o Google referia-se aos meus projectos como "projects of shit". :-O



Não é segredo que o omnipresente Google tem como meta a dominação mundial, tal e qual como a Horta. Assim, quando o Google começa a sabotar os meus projectos com uma nefasta campanha de difamação nos seus servidores de tradução, é sinal que estão preocupados com a concorrência da Horta. Bring it, bitches!

Tanto o Projecto Olhos Azuis como o Projecto Yankee estão a avançar, e talvez dêem fruto nos meses vindouros. Outro projecto, Monopólio do Café de seu nome de código, também os segue de perto. Enquanto as engrenagens giram dei um saltinho até ao Bunker e tirei o pó ao Guetoformer: a tampa de rectificador transparente número 00001 está pronta e seguirá em breve para a Capital para ser testada. Tens uma destas, Google? Bem me parecia que não...

10.4.09

Mais uma Ape-arição

Título fracote para uma posta fracote? Talvez. Não é fácil arranjar 5 postas seguidas com Apes, sabem?



Tenho um vizinho que rola em Ape - já chegou a ter dois, estacionados lado a lado - e que está neste momento a renovar o seu prático triciclo à base de pincel e tinta de alumínio. Permanecerei atento aos resultados finais para os partilhar convosco, na esperança de vermos como é que aquele mata-vacas fica depois de cromado. Enquanto este foguete metalizado não está pronto resta-nos apenas especular acerca da qualidade do resultado, na certeza que cairá algures entre o Ape mais xunga de sempre e o Ape mais cool de sempre.

9.4.09

Usar e abusar

O bom velho Ape 50. Lembro-me sempre da história do meu irmão que estava a fazer o exame de condução da carta de carro quando um Ape 50 faz uma curva apertada mesmo à frente dele, inclina-se perigosamente, abre-se a porta do passageiro e começa a cair uma velhota de lá de dentro. Juro que sim.

O Ape 50, esse portentoso menir de granito do cromeleque do transporte popular lusitano, pode ser usado...


Via o congelado Portugueses ao Volante

(g'anda nível, ó yeah!) ... ou abusado. É preciso reparar o diferencial? Não há problema, chefe. Põem-se aqui umas botijas de gás a segurar e um tubo de alumínio para ter a certeza que não tomba, isto trabalha-se aqui que é uma maravilha. É claro que há sempre uma garrafa de cerveja por perto (vêem-na?): álcool, reparações mecânicas e veículos em equilíbrio precário são um trio inseparável. A questão importante que se coloca aqui é: "mine" ou terço de litro?


Arquivos da Horta, ano de 2002

E para finalizar em beleza, nada melhor que uma visita rápida ao tag Ape 50 no Portugueses ao Volante, que insistem em tratar o bicho como "AP50". Podia ser pior, podiam insistir em "Áper"... ou "Áper 50 125 Veloce Sport"... Ok, eu calo-me.

8.4.09

O cavalheiro do Ape antigo

Eu não estou obcecado com Apes, isto é apenas um ciclo como o ciclo Carina. Exacto, é isso, um ciclo eheh. Pois.

Costumo ver este cavalheiro na feira da Vandoma, sentado a relaxar dentro do seu vetusto veículo, num lugar com uma bela vista para o rio e a margem oposta. Sempre acompanhado pelo jornal quando está Sol...


...e também quando está tempo mau. Nesses dias mais cinzentos o rádio faz companhia adicional e ajuda a começar o fim de semana de maneira relaxada e informada. Bem pensado.



7.4.09

Apes em Valongo

Quando pensamos em Apes vêm-nos à mente (à minha, pelo menos) imagens de máquinas muito antigas encalhadas em museus ou colecções, ou então de um velho e coçado Ape 50 ainda a serviço de algum agricultor idoso. Não existe uma terceira situação. Ou existe?

O Município de Valongo tem uma frota de Apes que anda na rua a fazer aquelas manutencões que as Câmaras Municipais têm que fazer. Já tinha visto um Ape 50 vulgar com as cores da dita entidade municipal mas fiquei surpreendido quando apanhei estas duas máquinas pertencentes à mesma frota. Não só são dos "grandes" com "volante", mas também aparentam estar novos e acabados de entrar ao serviço.

Ambos têm uma antena no tejadilho, será que é para um rádio CB? Um rádio CB teria montes de pinta, aí uns 600% mais que os intercomunicadores do Lidl... Vou manter-me atento a mais avistamentos destes gigantes da estrada e vou telefonar para a Câmara daqui a uns 10 anos a perguntar por leilões de Apes usados. Sweet.


(peço perdão pela mancha esquisita na foto, é o que dá usar máquinas fotográficas dos anos 60)

6.4.09

Segundas oportunidades

Há um monte de anos atrás acompanhei um amigo na sua viagem para ir inspeccionar um Ape antigo que estava à venda numa terriola esquecida. Bom estado geral, pequena avaria de motor, preço redondo. Por lá ficou.

Uma década depois acompanhei o mesmo amigo na mesma viagem com propósito idêntico. Ao longo dos anos o pequeno Ape continuou avariado, mudou de mãos, degradou-se, foi parar à sucata e foi resgatado duma morte inglória. Continua a dormir ao relento, à venda por pouco dinheiro, tentando corajosamente manter um pouco da sua dignidade de tempos passados.

Tanto o Ape como o meu amigo tiveram a sua segunda oportunidade. Provavelmente desperdiçada.



3.4.09

Com câmaras Antero à vontade eu acelero

Descobri recentemente (até que enfim aleluia!) a causa duma sucessão de furos deveras desconcertante que teve lugar durante o início do ano. Acho que furei mais nos últimos 6 meses que nos 6 anos antecedentes! O meu pneu Sava B14 sofria de algum tipo de herpes gangrenoso num dos flancos interiores que eventualmente furava as câmaras. Este pneu semi-novo, graças a este defeito de fabrico invulgar, foi assim relegado para funções meramente artísticas.

Eu ia ilustrar esta posta com aquela fotografia duma Sprint (?) azul-cueca com um atrelado azul-cueca que estava à venda nos classificados do costume, vocês viram-na? Ia photoshopar uma pilha de câmaras de ar no atrelado e lamentar-me acerca da necessidade de adquirir tal veículo para poder transportar a minha quota semanal de câmaras mas, misericordiosamente, não consegui re-encontrar a dantesca ilustração nas internétes.

Armado com um Sava B14 novo e decidido a colocar todas estas problemáticas pneumáticas à venda no OLX, procedi então à aquisição duma câmara de ar com o mais elevado nível de qualidade que é humanamente possível incorporar numa rodela toroidal de borracha, a câmara Antero.


As câmaras de ar Antero, como indicado na etiqueta dot-matrix-retro-chic, são armazenadas e/ou fabricadas na cave, como fino champanhe, para proporcionarem o máximo de sabor e frescura ao sortudo proprietário, ou seja, eu (parte-se do princípio que a cave das Indústrias Antero não inunda, claro). Assim, equipado com um pneu Eslovénio que está apenas um degrau abaixo do modelo Elegance disponível em gloriosa versão faixa branca, e com uma câmara de ar Antero armazenada e/ou fabricada num espaço fresco e afastado da luz solar directa, estou convencido que não furarei mais.

2.4.09

150... ... ... Sprint.

Julgava eu que a era dos mecânicos cegos a colocarem distintivos com luvas de boxe durante terramotos já tinha acabado... Aparentemente estava enganado, como me acontece amiúde, porque a malta continua a espremer toda a latitude e nuances espaciais possíveis duma tarefa simples como colocar os distintivos certos na posição certa, que é única, exacta e imutável. Ou não. Aparentemente este cavalheiro aproveitou (alguma da?) a furação já existente o que pode ter parecido uma boa ideia na altura mas que, digamo-lo com frontalidade, gerou resultados desastrosos.



1.4.09

Número redondo

Há alguns meses atrás surgiu no OLX um anúncio tão aterrorizante que eu saltei o protocolo habitual de postagem na Horta e apanhei imediatamente uma monumental bebedeira destinada a matar todos os neurónios relacionados com tão terrível memória. E funcionou.

Para meu desarranjo estomacal o dito anúncio regressou em força, como um zombie putrefacto que reaparece na sequela para aterrorizar um acampamento remoto à beira dum lago idílico povoado por adolescentes loiras em fato de banho, depois de ter sido aparentemente triturado no fim do primeiro filme pelas hélices duma lancha rápida pilotada por adolescentes loiras em fato de banho. Relutantemente agradeço ao Richards o "favor" de me enviar o link para o anúncio original, que me pôs a gritar como uma adolescente loira em fato de banho num filme de zombies.



O novo anúncio decide não mencionar o preço (o meu almoço agradece) o que poderá ser uma tentativa de compensar uma hipotética má reacção causada pelo belo número redondo de 10.000 mocas. A julgar pela tendência corrente do mercado que dita saldos de 30%, o valor real deve rondar os 7.000 euros o que já inclui o IRS (Imposto de Roubo do Stander).

Um esforço sobre-humano da minha parte para não me debruçar sobre os critérios de restauro ou de bom gosto utilizados foi, surpreendentemente, bem sucedido. Eu deveria ter pesquisado para me certificar que a VNL "gt 125" não tem guiador de Sprint mas não consegui: a combinação azul-cueca/ faixa branca/ jante cromada roubou-me a vontade de viver. O raio da Vespa parece uma scooter dos desenhos animados.

"Bart, se tivéssemos 10.000 dólares seríamos milionários." - Homer Simpson



27.3.09

Vai um recorde?

6.000 euros por uma Sprint?!!! É verdade que tem documentos, o que é um extra bastante raro, e também é verdade que está completamente restaurada em comparação com o restauro normal que se fica pelos 40% de completamento, mas... 6.000 euros? Consigo comprar meia PX com 6.000 euros!



Mesmo assim este "classico" [sic] é uma pechincha quando comparado com a Sprint de 8.500 euros. Podemos poupar 2.500 euros que, convenhamos, é uma bela maquia que poderá ser canalizada para a aquisição de algo que valha 2.500 euros: uma PK torta, uns documentos de Rally, um cabeçote de BBB ou algo valioso do género.

Às tantas, como também é de Setúbal, é possível que se trate da mesma máquina (a não ser que haja algo esquisito na água de Setúbal). Se for esse o caso a queda do preço atingiu os 30% em 5 meses o que, quando comparado com a Super dos 6.000 euros cujo preço demorou 12 meses a descer 25%, é um autêntico saldo. Pechincha!

26.3.09

Horta @ NexxNet

Apenas uma posta rápida para registar o aparecimento da Horta no site da Nexx, em relação à visita que eu lhes fiz. (se estiverem interessados no X30 está aqui uma apresentação feita por uns americanos)



25.3.09

The sound of barrote

Depois de todas as queixas relativas à banda sonora do vídeo dos treinos cronometrados da última Resistência de Abrantes, eis agora o vídeo dos treinos livres com esplendoroso som de motor. Estiquei o volume ao máximo por isso não quero queixas: não gosta, põe na borda do prato.

(não se esqueçam que no dia 4 há Resistência de 6 horas em Leiria)



24.3.09

Poser

Tenho recebido muitos pedidos dos leitores da Horta para explicar o que significa ser um poser. Bem, isso não é exactamente verdade, ninguém me pediu nada disso; no entanto é uma bonita maneira de começar uma posta. A veracidade dos factos não me é importante porque eu faço tudo por uma piada barata (o meu capacete cheira a chulé) e, além disso, a Horta é só fumo e espelhos. Fumo, espelhos e uma procura insaciável por protagonismo oco.

Voltando ao não-assunto em questão, este é o aspecto dum poser. Pode ser geralmente observado em cima duma mota alemã com pneus de asfalto e metade do catálogo da Touratech. O seu olhar de surpresa deve-se ao facto de ainda não ter caçado uma única garina apesar de estar em cima duma mota alemã com metade do catálogo da Touratech.

Desculpa lá LTB, tudo por uma piada barata.



23.3.09

23 de Março de 2009

Neste dia 23 de Março de 2009 a Horta deu o primeiro passo em não um, mas dois projectos do caraças. Daqueles mesmo para meter nojo. E tudo isto antes do pequeno almoço- hell yeah! Não me perguntem do que se trata porque eu não gosto de matar amigos.


Projecto Olhos Azuis - luz verde
Projecto Yankee -
luz verde


Materiais alternativos II: em busca do barrote

Agora que a Vespa de madeira é uma celebridade mundial, é então chegada a altura de colocar a pergunta mais importante de todas: tem barrote ou não? Rumores iniciais apontavam para um motor de "bn1" como sendo o propulsor escolhido. Não contentes com tão magra informação, os espiões infiltrados da Horta puseram escutas em telefones, assaltaram escritórios, arrombaram cofres e agrediram inocentes tentando descobrir as especificações do bicho. Afinal não era necessário pois há um folheto:


As especificações parecem consistentes com uma Vespa do início da década de 50 à primeira vista. Alega-se uma potência de 5cv às 4850 rpm, mas atenção que estes são cavalos de madeira com uma eficiência díspar da dos comuns cavalos de aço. A distância entre eixos superior em 40mm aos números de Pontedera é a primeira indicação de que uma máquina feroz se esconde sob o pacato exterior de celulose: esta distância extra sugere uma ciclística vocacionada para provas de arranque ou de velocidade, que sejam disputadas em linha recta - provas com curvas exigiriam uma distância entre eixos menor para aumentar a manobrabilidade. O diminuto volume do depósito, apenas 2.5 litros, corrobora a minha teoria "drag racer". O comprimento total ainda apresenta 20mm adicionais, mas isso deverá ser causado pela abundância de camadas de verniz.

Continuando a inspecção da lista de características, podemos constatar que a Vespa Daniela é construída com pau-rosa, ébano, faia, pau-cetim, jatobá, tacula, efizélia, sucupira, panga-panga e sicómoro. Ora o pau-rosa é muito utilizado na indústria da perfumaria sendo um dos ingredientes do Channel nº5; o ébano é uma madeira escura e rara, utilizada na marcenaria de luxo; a faia é rica em polifenóis de origem vegetal que inibem o ataque às plantas por herbívoros vertebrados ou invertebrados e também por microorganismos patogénicos; a madeira de pau-cetim é clara, com aspecto agradável e resistência mecânica de valor médio; o jatobá é utilizado por indígenas da Amazónia para curar diarreia, tosse, bronquite, problemas de estômago e fungos nos pés; a tacula é uma árvore Angolana cuja madeira tem veios de carmesim brilhante; a efizélia é uma madeira elegante que envelhece graciosamente; a sucupira tem uma secagem lenta com riscos de deformação e de abertura de fendas mínimos; a panga-panga tem uma tensão de rotura alta de 173 N/mm^2; e, finalmente, o sicómoro produz figos de qualidade inferior.

Podemos assim concluir que a Vespa Daniela é bem cheirosa, luxuosa, agradável, brilhante, graciosa, robusta, resistente a microorganismos patogénicos e curadora de micoses. Um veículo notável, sem dúvida, especialmente se não formos grandes apreciadores de figos e se analisarmos cuidadosamente as características da madeira panga-panga:


Esta madeira Africana encontra-se disponível em barrotes de 105mm, uma medida deveras impressionante quando comparada com um pistão de 200cc que dificilmente quebra a barreira dos 60mm! Sem dúvida nenhuma que a Vespa Daniela manda barrote. Mas por qual razão é que a ficha técnica lista um barrote de 54mm e uma velocidade máxima de 55km/h, ambos valores modestos e tranquilos? Tendo em conta que este tipo noticia uma velocidade máxima de 75km/h e uma capacidade do depósito dupla da da ficha, estou convencido que existe uma nefasta campanha de desinformação destinada a esconder a verdadeira performance deste meteoro de madeira. Entrevistas indicam um período de construção de 8 meses mas os anéis da madeira visíveis no avental revelam uma idade de 8 anos! Mais uma discrepância inexplicável.

Apesar deste esforço criminoso para manter em segredo a verdadeira essência do barrote, existe uma prova simples e incontestável que poderia pôr tudo a nu: um bom picanço à moda antiga. É certo que a Vespa Daniela, estando inserida numa categoria muito particular de scooters vintage realizadas em materiais alternativos, dificilmente arranjaria um competidor equiparado. Dificilmente mas não impossivelmente, pois o adversário ideal para uma Vespa de madeira é... a Lambretta de cartão (daqui)!


Estou convencido que a Lambretta teria a vantagem em provas lentas e sinuosas. Possuidora de baixo peso que lhe proporciona uma relação peso/potência invejável, despojada de balons para maior ventilação e calçada com uns pneus slick, a ágil Lambretta de cartão seria um enorme desafio para a massiva Vespa nesta situação. No entanto, o baixo peso da discípula de Innocenti torná-la-ia instável a altas velocidades ao passo que a pesada Vespa, com a sua longa distância entre eixos, ofereceria estabilidade e facilidade de controlo. Além disso o pistão de cartão da Lambretta não aguentaria as temperaturas elevadas da competição enquanto que o barrote de 105mm de pura madeira panga-panga, pouco susceptível ao ataque de fungos e insectos xilófagos, daria a proverbial ratada na Lambretta.

Temos barrote!