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20.12.13

Horta salva Lambrettista

Ora então amodes que a minha zona privada começou a vibrar e era o meu telemóvel celular telefónico não-inteligente que indicava uma conexão oral sem fios iminente. O pequeno ecrã indicava "Rui Heinkel". A conversa, se a memória não me falha, foi algo do género:

-'Tou, Bóber? Epá, fónix, agarrei. G'anda charuto, 'tou farto de Lambrettas, são quase tão más quanto as Heinkel, era mandar tudo prá fundição!
-Caro colega, muito me apraz ouvi-lo. Tenha a bondade de se acalmar e explique-me claramente, por obséquio, a natureza concreta das suas dificuldades mecânicas.
-Epá, g'anda charuto, foi um parafuso qualquer que se descravou do ventilador e aquilo roçou no cárter e bloqueou tudo e 'tá tudo mamado e preciso de um ventilador para a LI!
-Caro colega, permita-me tranquilizá-lo pois creio poder ser de serviço ao distinto cavalheiro nesta ocasião. Está localizado no Bunker um caixote contendo peças variadas de LI no qual se encontra - possuo uma certeza inabalável neste aspecto - um ventilador adequado ao dito modelo que poderá recolocar o meu amigo na estrada sem demoras.
-Fónix Bóber, és o gajo mais fixe à face da Terra. Vou-te dar uma camisola nos anos e um chouriço no Natal. Digo-te com toda a sinceridade que não somos dignos de partilhar este planeta contigo. Fónix.
-Caro coelga, muito me honra com tão calorosas palavras. Terei todo o gosto em recebê-lo no Bunker quando mais lhe aprouver.

E lá fomos, e lá estava o caixote, e lá estava o ventilador de LI.

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-Fónix, num dá, este é de 57 pólos e eu preciso de um de 59 pólos.
-Caro colega, permita-me expressar a minha concordância total com a sua opinião que coloca as Lambrettas na categoria de "g'anda charuto". Com sua permissão, sugiro deslocarmo-nos ao meu domicílio onde repousa um veículo de características iguais ao seu que poderá servir como dador temporário de ventilador de 59 pólos. Terei todo o gosto em lhe ceder tal peça a prazo indeterminado e sem compensação monetária.
-Fónix Bob, és do caraças. Pá, fónix mesmo. Já me viram este gajo? Que senhor. És um senhor, Bob, um senhor!

E foi assim que o Rui Heinkel se entreteu a remover um ventilador emprestado na sua roupa pipi do trabalho enquanto eu não fazia nada. Não sei qual será o destino do meu ventilador já que se trata de um homem que avariou Lambrettas, Vespas e Heinkels (várias vezes), e que ficou sem gasolina e sem bateria simultaneamente na Honda à vinda do Bunker.

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19.1.09

A Lambretta dos 10 contos

Costumo ser bastante reservado acerca da minha humilde colecção de scooters, que mantenho afastada dos olhares do grande público. Comprei-as quando eram baratas e abundantes mas essa é uma época completamente esquecida; os preços altos são uma constante na actualidade, o que faria incidir uma luz bastante estranha no meu estábulo se este fosse apresentado publicamente. Além disso, o véu de mistério propositado fará a minha colecção parecer maior do que é. :-)

Abro esta excepção para vos tentar educar um pouco na história do scooterismo nacional, criar algum contexto histórico na evolução do coleccionismo de scooters clássicas, e proporcionar uma âncora de sanidade nestes mares tempestuosos de preços loucos. Esta é a minha Lambretta LI150 série 3 que comprei por 10 contos, com documentos, para oferecer a um amigo como prenda de aniversário. Passado algum tempo ele deu-ma de volta, o que dá uma média de 5 contos por cada entrada de LI150s3 na minha frota, eheheh.


Sim, é verdade. Há não muitos anos atrás as scooters eram baratas. Para os novatos pode ser difícil de acreditar, habituados como estão a um preço mínimo de 1000 euros por qualquer monte de lixo minimamente semelhante a uma Sprint. Antigamente eu podia sair de casa ao Sábado de manhã com 40 contos no bolso, andar 30 quilómetros em qualquer direcção, e vir almoçar a casa com uma Sprint a andar. Os preços não estão loucos agora, estão é parvos! Antigamente é que os preços eram loucos.

Num destes passeios de Sábado de manhã fui dar a um garageiro daqueles com o chão em terra batida e o calendário da mulher nua na parede. Na sua arrecadação tinha lá isto parado. Falei com o dono: "quer vender? isto está aqui parado a apodrecer, pode ser quanto é que você quer dar, olhe que tal 10 contos, pode ser leve lá isso." Surreal, não é? Durante vários anos tive uma regra de não comprar scooter nenhuma que custasse mais de 50 contos, e enchi a garagem. O que é que se compra hoje com 50 contos? É claro que estes preços nunca se poderiam manter num mercado justo e livre, mas daí até à especulação descarada que começa a aparecer é um longo caminho.

Esta LI não tem os balons: estavam no pintor a ser refrescados quando, infelizmente, o homem morreu e se perderam. Em compensação veio com uma tampa de guiador e conta-kms suplente. Depois dumas horas à volta dela, até chegou a pegar e tudo. E depois duma limpeza, até deixou de meter nojo. Mais ou menos. Ei, é uma Lambretta de 10 contos!...

Por isso, enquanto vocês analisam os classificados à procura de algo minimamente decente por menos de 2000 euros, lembrem-se que eu:

a) comprei uma Lambretta por 10 contos,
b) dei uma Lambretta a um amigo;
c) recebi uma Lambretta de graça.

E é por isso que eu sou o Bob.

28.8.08

"Vamos ver se pega..."

O SS passou pela sede da Horta para realizar a inspecção bob-rigatória, e receber a benção. A sua LI150 com escape big-bore passou sem grandes dificuldades, e já anda a largar peças entre o Porto e Vila do Conde. Dizem os rumores que se vai arrastar até ao Camping... [snicker]

Parabéns pelo restauro, Sérgio!