28.1.07

Dia 10 - um balde de água fria

O dia 10 prometia ser um bom dia. O plano era lavar os meus carters imundos e Master Blasterizá-los para um nível de elegância e atracção sexual nunca antes imaginado na cena scooterista nacional e, quiçá, ibérica.



Estava eu embrenhado em tão imunda tarefa, apunhalando a grossa e estaladiça crosta de terra e óleo endurecida por anos de cozimento lento, que nem reparei na chuvada diluviana que entretanto se abatia sobre a Invicta. Ora o meu local de trabalho, afectuosamente conhecido pelo Bunker, é a cave do meu tio. E a dita cave tem historial de inundações. Que acontecem no Inverno. Durante chuvadas como aquela. Já estão a ver que isto vai meter água, né?

De repente, uma das tampas de saneamento faz um gorgolejar premonitório muito marado, estilo grrrrógl-glrrrrógrgl-rrrrrgl-órrrgl, que me chamou a atenção. Espreitei lá para dentro a tempo de ver a água a subir com vontade pela abertura e a espalhar-se calmamente pelo chão limpo de cimento que tanto me custou a varrer. Inundação total. Corri pelas escadas acima a gritar como uma menina: "Tio! Tio! A cave está a inundar!". Já se tinham chamado os serviços municipalizados, mas mais 300 pessoas também tiveram a mesma ideia, por isso aquilo ficou com um palmo de água durante 2 ou 3 dias. Felizmente eu tinha previsto a situação e não tinha nada pousado no chão, tudo em prateleiras. "Tio, eu julgava que o tio me tinha dito que a cave já não inundava..." - "Pois, a última vez que ela inundou foi... Deixa ver... No Inverno passado." - "Aaahhhh... Ok...". E assim ficaram suspensas as operações durante alguns dias.

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