9.8.08

A crise da gota

Eu tenho uma maneira de calcular a autonomia da reserva na PX: a partir do momento em que a luz da reserva já não se apaga num arranque em 1ª, ainda tenho 35 kms de gasolina. Ontem, já com o nível baixo, fiz as contas e calculei que ficaria sem gota quando o conta-quilómetros mostrasse 55 nas dezenas e unidades. Talvez tenha sido do pára-arranca na Baixa, mas fiquei sem gota aos 51, quatro mil metros antes do previsto. Não foi um problema pois os soluços apareceram 50 metros antes duma bomba, onde entrei já com o motor a desligar-se. Eu fico sempre sem gasolina 50 metros antes duma bomba- são muitos anos a virar frangos.

Procedi então ao abastecimento total do depósito. Foi de costa a costa, dos cascos até à rolha, de vapores até à bordinha, dos 0 aos 100. 11.41 euros. Novo recorde. (para os curiosos, são 7.8 litros, capacidade útil do depósito da PX).

Quando comecei a andar de Vespa nos anos 70 (cof cof) na minha GTR, punha 500 escudos de cada vez, que me davam para 90 e poucos quilómetros. Rapidamente mudei para quantias mais avultadas, para não estar sempre a parar na bomba: 800 e 900 escudos. Veio o Euro, e abastecimentos de 5 euros tornaram-se a norma. Logo a seguir, 6. Depois, 7. E 8. 9 euros. 10! Está toda a gente a passar-se com o preço da gota, na TV não se fala de mais nada. 10 euros e já sobra espaço! E agora, o novo recorde: 11.41 euros. Ou o meu depósito está a esticar (o que é pouco provável, pois a PX não tem problemas estruturais assim tão graves), ou o custo dos combustíveis está fora de controlo.

Como webmaster dum blog que orbita à volta de veículos consumidores de combustíveis fósseis, creio que sou obrigado a pronunciar-me sobre a dita crise de preços. É verdade que o pico da crise já passou, e a coisa deixou de ter interesse há já algumas semanas. Não disse nada na altura porque detesto modas: se todos o fazem, então eu não quero. Por alguma razão não fui ver o Titanic.



Este é a minha opinião, que possui exactamente a sua validade, nem mais, nem menos: os combustíveis não estão caros, os combustíveis são caros. Habituem-se! Se os carros andassem a platina, ninguém se queixaria do preço desse metal raro! Em substituição, todos se queixariam da inexistência de combustíveis e transportes alternativos. Porque não o mesmo com a gasolina?

A gasolina não deveria baixar de preço, nunca. Se subiu, não desce. É a maneira do povo apreender o conceito de combustível não-renovável. É a maneira de lhes chamar a atenção, pela carteira onde dói. Os preços elevados irão causar grandes agitações sociais e económicas? Sem dúvida. Mas quanto mais cedo, melhor. Se deixarmos estas agitações para mais tarde, vai tudo parecer um grande flashback Mad-Maxiano. Gasolina cara, já!