31.10.16

Rui Heinkel, venha buscar a sua prenda

Parece que o Rui Heinkel faz anos, por isso fiz-lhe uma prenda. Como é patente a sua inclinação pouco saudável por scooters germânicas de índole náutica, decidi-me por uma interpretação "retro" de um reclame com o logótipo Heinkel antigo.

retro Heinkel logo sign

A madeira do fundo é de um caixote de fruta que encontrei na rua e as letras foram feitas em contraplacado que o Aki estava a deitar fora.  Montes de pedigree, portanto. O aspecto envelhecido não é para dar classe, é mesmo para disfarçar os defeitos.

retro Heinkel logo sign

É incontornável, no entanto, que o blógue do Rui Heinkel tem 38 postas dedicadas à Lambretta mas apenas 24 dedicadas à Heinkel. Talvez deva antes ser Rui Lambretta...

Imagem via Scooterlounge
    

25.10.16

70 anos da Vespa no AutoClássico

O Sam ofereceu-me um convite para a exposição AutoClássico - a maior do género na Península Ibérica, aparentemente - e, como não me importo de passar uma manhã inteira a olhar gratuitamente para maquinaria antiga, pus-me a caminho. Este ano o evento apresentou-se com um sub-tema que nos toca a todos, os 70 anos da Vespa. Tal era fácil de constatar à entrada.

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

Nem tanto noutros sítios. (aquela Vespa solitária em cima ficou rapidamente acompanhada por uma mão cheia de outras, mas desconfio que muitas mais ficaram à porta por não saberem que poderiam estacionar ali)

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

Lá dentro encontrava-se um pequeno recinto com uma selecção variada de Vespas. Algumas restauradas, outras modificadas, várias em estado de uso regular.

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

Esta era a secção das "antigas", com uma ACMA vermelha e um projecto nacional roda 10" meio rat.

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

E mais um molho delas. Deixei de prestar muita atenção quando vi a Sprint com frisos de GL; esse tipo de coisas vai contra a minha religião.

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

E um OVNI.

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

Salpicados pelo resto da exposição estavam mais alguns artigos Vespistas isolados. Um restauro jeitosito...

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

...restauros comerciais de linha de montagem...

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

...e tralha (muito pouca) variada.

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

70 anos Vespa @ AutoClássico Exponor

Foi uma cena assim nem aquece nem arrefece. Mas eu entusiasmo-me com dificuldade.
  

10.10.16

Balão contra escape

Tenho recebido muitas mensagens de leitores a perguntar-me "Bob, o que acontece quando se enfia um balão de festa num escape duma PX de 87?" *

Como a minha existência é totalmente dedicada ao cumprimento integral e absoluto de todos os caprichos e ânsias dos meus caros leitores*, fui descobrir a resposta. Antes da revelação, tentem adivinhar o que acontece:
  1. o balão voa para fora do escape
  2. o balão derrete
  3. o balão enche e rebenta
  4. o motor não pega por causa do balão



Como vêem, a resposta certa é a 3 e também a 1. E um bocadinho da 4 pois notei que ela não queria pegar à segunda tentativa. Interessante. Tenho que experimentar com 2 ou 3 balões em simultâneo, mas só se receber muitas mensagens de leitores*.

* Nem por isso

TL,DR: Bob tinha um balão, enfiou-o no escape, o balão fez pop.
    

6.10.16

Distinguished Gentleman's ride, uma tragédia em 3 actos

Participei recentemente no Distinguished Gentleman's Ride (DGR) do Porto. O movimento DGR toma a forma de passeios simultâneos organizados por todo o mundo onde os participantes primam pelo vestuário elegante e pelos motociclos clássicos, e tem como nobre missão o combate ao cancro da próstata e ao suicídio masculino (podem realizar um donativo aqui).

DGR Porto 2016

DGR Porto 2016

ACTO I - A Grande Aventura

No ponto de partida estava instalado um ambiente de festa e centenas de motas reluzentes e interessantes encontravam-se alinhadas para inspecção geral. Um começo auspicioso! Arrancámos uns 400 e, apenas três cruzamentos a seguir, fiquei ao lado de um cavalheiro que insistia em acelerar repetidamente o seu motor de alta cilindrada para que toda a rua ficasse informada do diminuto tamanho do seu pénis. Os amigos do cavalheiro pouco dotado serpenteavam entre faixas e tentavam roubar a chave de ignição uns dos outros em andamento. Ao mesmo tempo, eu era constantemente ultrapassado pela direita e pela esquerda por cavalheiros extremamente atrasados para uma consulta médica onde exporiam a sua dificuldade em avaliar distâncias de segurança laterais. Só precisei de uns poucos minutos disto para cortar à direita e ir sozinho até um ponto de encontro mais à frente. "Cavalheiros"...

DGR Porto 2016

DGR Porto 2016

ACTO II - O Herói Vacila

Cinco quilómetros depois reencontrei-me com o desfile. E, infelizmente, com o cavalheiro da Suzuki barulhenta e os seus hiperactivos companheiros. Respirei fundo e centrei os meus chakras. Na paragem seguinte tentei racionalizar a má sensação que me assolava. Dois ou três palhaços não se sabem comportar na estrada: é normal. Um idiota decide sacar cavalo (a sério!!??) no meio da procissão: há sempre algum exibicionismo despropositado. Muitos querem furar para chegar à frente, mesmo que prejudiquem o conforto e a segurança dos outros: não estão habituados a andar em grupo, não sabem. Uma fatiota pipi e uma mota cara não se traduzem automaticamente em classe ou em boas maneiras mas há que ser tolerante e compreensivo e zen, somos todos humanos, certo?

DGR Porto 2016

DGR Porto 2016

ACTO III - Miséria e Desespero

Fui ver as motas para esquecer as pessoas mas rapidamente voltou a sensação de náusea pois eram quase todas desinteressantes, banais, BMW GSs com malas de alumínio, ou pura e simplesmente feias. Encontramo-nos numa autêntica situação de "o Rei vai nu" no campo das motas customizadas pois são na sua maioria ostentativas, derivativas e deselegantes, e ninguém o assume. Olhei à volta e fiquei verdadeiramente triste com a rarefacção do bom gosto, e a idolatração da aparência em detrimento da essência.

O passeio nem ia a meio quando decidi voltar para casa. A minha mota estava bloqueada no estacionamento por isso revi todas as motas estacionadas para ter a certeza que não me estava a enganar e a deixar a minha má disposição guiar o meu julgamento. Não estava. Não planeio participar no Distinguished Gentleman's Ride em 2017 e tenho pena que seja assim.

Nota: este é um relato da minha experiência pessoal, e não uma condenação do evento DGR Porto ou do movimento DGR global; recomendo a todos a participação num passeio DGR e na causa meritória que apoia.