Já todos ouvimos as histórias da Casal Carina nova que estava num stander que fechou ou que nunca foi vendida e que ficou a apanhar pó durante algumas décadas, certo? Pois deve ter sido algo semelhante o que aconteceu a este espécime de 1969 presente na deliciosa exposição Motos de Portugal, e cujo odómetro registava uns meros 290 hectómetros. Ficam aqui algumas fotos para entreter os entusiastas, educar os interessados e ajudar todos os que estejam a restaurar uma Carina.
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11.12.17
13.10.17
Bob tenta estofar um banco de Vespa, parte 1
O estofo da PX está todo rachado graças aos vincos que aparecem por baixo das coxas, e tal tem impreterivelmente que ser remediado antes do Inverno! "Não pode ser assim tão difícil fazer uma capa nova", pensei eu, "já fiz uma bolsa de ferramentas e tudo."
Uma ida à baixa depois, encontrei-me proprietário de um belo pedaço de napa castanha.
Para desmontar o banco é só desapertar os parafusos da dobradiça. Para retirar a capa de tecido é necessário remover umas dúzias de agrafos, levantando-os ligeiramente com uma chave de fendas primeiro, e puxando-os com um alicate segundo.
A meio do processo decidi que precisava de comprar um agrafador. Já vi estofos colados mas desconfio que não dará para esticar bem a capa, agrafos serão preferíveis #palpite. Há mais uns parafusos pequenos que fixam a fechadura e, por trás desta, encontra-se uma chapa ferrugenta. :\
A dobradiça está rebitada à base de plástico e tem que ser retirada para se obter acesso aos agrafos do nariz do banco, que estão escondidos pela dita. Quando chegar a altura da remontagem, só poderei re-rebitar a dobradiça depois dos agrafos estarem colocados - pelo menos os do nariz.
Nesta foto nota-se uma "saia" preta que existe em todo o perímetro da capa na zona inferior onde ela dobra para dentro do banco, e que também está presente na capa antiga (vê-se bem na primeira foto). Não sei para que serve, talvez seja para facilitar a dobra ou para o interior do banco ficar todo preto... De qualquer modo, é uma característica que irei eliminar.
Sai a dobradiça e pode sair a capa. O interior de espuma está só pousado na base de plástico e a desmontagem está completa.
Posso agora desfazer as costuras da capa para a reduzir aos seus painéis básicos: o grande do meio, um pequeno à frente no nariz, e o painel de trás que é o que todos vêem quando passo por eles com o meu g'anda barrote.
Fiz moldes dos três painéis.
A seguir viria a parte da costura mas a máquina avariou instantaneamente, facto ao qual eu posso não ser completamente alheio #fail. Montei tudo outra vez, prendi a capa antiga dos ETs com meia dúzia de agrafos (era a única que ainda estava inteira), e levei a máquina de costura à loja.
Talvez haja uma parte 2.
Uma ida à baixa depois, encontrei-me proprietário de um belo pedaço de napa castanha.
Para desmontar o banco é só desapertar os parafusos da dobradiça. Para retirar a capa de tecido é necessário remover umas dúzias de agrafos, levantando-os ligeiramente com uma chave de fendas primeiro, e puxando-os com um alicate segundo.
A meio do processo decidi que precisava de comprar um agrafador. Já vi estofos colados mas desconfio que não dará para esticar bem a capa, agrafos serão preferíveis #palpite. Há mais uns parafusos pequenos que fixam a fechadura e, por trás desta, encontra-se uma chapa ferrugenta. :\
A dobradiça está rebitada à base de plástico e tem que ser retirada para se obter acesso aos agrafos do nariz do banco, que estão escondidos pela dita. Quando chegar a altura da remontagem, só poderei re-rebitar a dobradiça depois dos agrafos estarem colocados - pelo menos os do nariz.
Nesta foto nota-se uma "saia" preta que existe em todo o perímetro da capa na zona inferior onde ela dobra para dentro do banco, e que também está presente na capa antiga (vê-se bem na primeira foto). Não sei para que serve, talvez seja para facilitar a dobra ou para o interior do banco ficar todo preto... De qualquer modo, é uma característica que irei eliminar.
Sai a dobradiça e pode sair a capa. O interior de espuma está só pousado na base de plástico e a desmontagem está completa.
Posso agora desfazer as costuras da capa para a reduzir aos seus painéis básicos: o grande do meio, um pequeno à frente no nariz, e o painel de trás que é o que todos vêem quando passo por eles com o meu g'anda barrote.
Fiz moldes dos três painéis.
A seguir viria a parte da costura mas a máquina avariou instantaneamente, facto ao qual eu posso não ser completamente alheio #fail. Montei tudo outra vez, prendi a capa antiga dos ETs com meia dúzia de agrafos (era a única que ainda estava inteira), e levei a máquina de costura à loja.
Talvez haja uma parte 2.
(não tenho uma tag para banco ou assento, incrível)
27.6.16
Youtube Monday
Já alguma vez vos aconteceu fazerem duas ou três encomendas grandes de peças da Inglaterra e pagarem 20% de VAT e mais 17 euros de portes ou outro valor absurdo do género e depois eles decidem que são melhores que os outros e já não querem brincar e a libra esterlina cai 20% logo depois das ditas encomendas? Pois, a mim também não.
Entretanto, restauros. Se vos parece fácil, então estão a fazê-lo mal.
21.7.14
Youtube Monday: a montagem de sete horas
Porque é que os meus restauros demoram anos e não horas?... Bela banda sonora, btw.
Vídeo de k6blue via amoticos.org, dica do Luca
8.9.11
21.4.11
O restauro ao "prumenor"
Já ando há anos para fazer uma posta elaborando as minhas opiniões sobre o que constitui um restauro, e porque é que as inúmeras reconstruções apelidadas como tal não merecem esse nome. Mas, como quando fizer isso as pessoas vão ficar convencidas que eu ando na droga, vou esperar mais um bocado até estarmos pertos do Fim do Vespismo Nacional (F.V.N.).
Entretanto deixo-vos com uma bela exibição de destreza manual e pequeno vislumbre ao que eu considero um Restauro verdadeiro. Em Itália há um atelier de mecânica que faz as coisas verdadeiramente ao "prumenor", incluindo a criação manual de réplicas de depósitos da Vespa 98. É refrescante ver tal habilidade e atenção ao pormenor quando somos confrontados diariamente com tanta sucatice estrangeira e, sim, nacional.
(nota mental: necessito de uma máquina de soldar nova)
(nota mental 2: necessito de uma garagem que não seja incrivelmente húmida para lá colocar uma máquina de soldar que não se estrague)
23.2.11
23.12.10
24.9.10
Projectos que quero ver acabados
(foto do Marrazes)
... a Vespa SPX 177 aka HotRoD...
(foto do Billy)
...e a minha Sprint, no chapeiro desde o Mesozóico Superior. :-\
3.3.10
Chegou uma caixa grande...
... com a frente duma Sprint que estava completamente podre e que ia para a sucata. Graças ao ScooterPT.com, a uma boa dose de karma e principalmente ao Valter, tenho agora um nariz novo para poder tratar do meu. Obrigado, Valter!
30.11.09
Sprint update III
Mais de um ano se passou desde o último update sobre o estado da chapa da minha Sprint. Finalmente houve progresso!
O podre chato por baixo do bacalhau foi reparado usando apenas chapa ("não tem aqui poliéster nenhum") e parece bastante razoável, com as costuras bem definidas.
O chão novo já está alinhavado à frente; ainda falta soldar ao túnel e atrás, e finalizar os acabamentos.
Outros pequenos problemas já desapareceram por completo; sobra o lábio por baixo da buzina que está bastante deformado. Vou tentar uma combinação de moldes e fotos para educar o chapeiro sobre o fomato correcto deste lábio. Nenhum de vocês tem uma coluna de buzina de Sprint solta que me queira emprestar, pois não? Talvez seja melhor levar um quadro inteiro...
12.11.09
12 volts na minha Sprint
Por acaso até deveria ser "12 volt": as grandezas físicas devem ser sempre mencionadas no singular. Sim, eu fiquei na fila da frente em Física do 9º ano (Edit: investiguei esta afirmação e não é totalmente correcta; acho que a minha prófe de Física do 9º ano me mentiu :-\). Mas voltando ao assunto do dia, alguns de vocês poderão estar lembrados que eu tenho um projecto de Sprint parado no chapeiro desde os anos 60. Pois recentemente subiram umas pequenas bolhas de ar à superfície deste projecto, por quaisquer outros critérios, completamente afundado e perdido: um prato de bobinas de 12 volt.
Acho que foi em meados dos anos 70 que saquei um prato de bobines com bom aspecto do caixote de peças e o enviei para a Capital, via MaiaExpresso, para tentar capitalizar sobre os rumores da existência de um cavalheiro habilidoso que conseguia rebobinar pratos de Vespas antigas para darem a supracitada dúzia de unidades de potencial eléctrico. Foi isto que recebi: um prato limpinho e refeito, com condensador e platinados novos marca Effe, e uma bobina de ignição inalterada (a de cima). As bobinas de baixo, no entanto, as das "luzes", foram modificadas no número de espiras e no calibre do condutor para proporcionarem um potencial eléctrico de valores modernos. W00t!
Talvez eu esteja a cometer algum erro básico e flagrante e isto nunca funcionará; por outro lado, talvez eu tenha encontrado o velhote que conhece um tipo cujo tetravô inventou a pólvora. Só há uma maneira de descobrir... De qualquer modo fica pelo menos estabelecido que ainda há vida no meu projecto Sprint. É um restauro zombie que é impossível matar!
(Agradecimentos ao Nuno por tornar este sonho possível. E não me perguntem quem é o velhote que eu não sei; os colegas do VCL talvez saibam)
Talvez eu esteja a cometer algum erro básico e flagrante e isto nunca funcionará; por outro lado, talvez eu tenha encontrado o velhote que conhece um tipo cujo tetravô inventou a pólvora. Só há uma maneira de descobrir... De qualquer modo fica pelo menos estabelecido que ainda há vida no meu projecto Sprint. É um restauro zombie que é impossível matar!
(Agradecimentos ao Nuno por tornar este sonho possível. E não me perguntem quem é o velhote que eu não sei; os colegas do VCL talvez saibam)
5.6.09
Restauros vietnamitas inspeccionados
Finalmente consegui arranjar um par de horas sossegadas à frente do computador para finalizar a minha avaliação das Vespas restauradas no Vietname vendidas pela empresa Minipeças. Tentei ser o mais objectivo possível e apoiar-me apenas em factos e observações, sem preconceitos ou piadas fáceis. Dividi esta análise em vários capítulos, cada um deles focado num aspecto diferente das Vespas em questão.
Não tive oportunidade de andar em nenhuma destas Vespas ou de as desmontar- apenas retirei a tampa do motor- mas estou convencido que as observações resultantes são, mesmo assim, significativas. Enviei este texto aos responsáveis da Minipeças para lhes dar a oportunidade de contra-argumentarem as minhas conclusões, e os seus comentários aparecerão no fim. Agradeço-lhes novamente a sua disponibilidade em me receberem e o tempo dispensado.
ORIGINALIDADE:
Restaurar uma Vespa é colocá-la num estado exactamente igual ao do dia em que saiu da fábrica. Estas Vespas podem estar recuperadas/ arranjadas/ reconstruídas/ o que lhe quiserem chamar, mas a denominação “restauradas” não se aplica. O desvio do estado original existe não apenas ao nível da pintura, decoração e acabamentos, mas também na própria identidade do modelo: Vespas de roda 8 foram modificadas para roda 10 e máquinas mais modernas foram modificadas para se parecerem com modelos de “guiador de bicicleta”.
Esta falta de originalidade não é uma desvantagem automática visto que muitas pessoas apenas procuram uma Vespa vistosa não dando grande importância às especificações de fábrica, e até preferem algo único e customizado. No entanto, estes modelos híbridos sem identidade definida não têm nenhum valor de coleccionismo e só com dificuldade poderão ser revertidos ao seu estado original.
ESTÉTICA:
Este é um campo subjectivo e cada um terá que desenvolver a sua própria opinião. A minha opinião subjectiva e individual: são feias.
QUALIDADE:
Um dos responsáveis da Minipeças considerou a qualidade do trabalho mecânico da reconstrução destas Vespas como alta. A minha avaliação é exactamente oposta: fraca. A quantidade de pormenores indicadores de mão-de-obra fraca e desleixada é numerosa demais para listar: desde parafusos e borrachas incorrectos até forquetas e punhos pintados por cima o que indica que nunca foram desmontados nem revistos. As fixações modificadas dos cabos do travão dianteiro, por exemplo, onde o pino que segura as chapas de fixação do cabo tinha sido substituído em várias máquinas por um parafuso muito menos forte, é uma falha enorme ao nível da segurança que poderia ser corrigida com peças que valem umas dezenas de cêntimos.
A pintura aparenta ser saudável à primeira vista mas, mais de perto, notavam-se estaladelas e uma quantidade exagerada de betume; esta última aponta, invariavelmente, para atalhos no trabalho de chaparia. Um dos responsáveis ofereceu a justificação para estas falhas que estas seis Vespas eram as restantes dum lote de vinte e duas, e que já não eram a primeira escolha; 6 em 22 é mais de 25%, uma percentagem bastante grande de exemplares inferiores, na minha opinião. A qualidade das peças de substituição utilizadas variava bastante entre o adequado e o medíocre; notava-se a reutilização de muitas peças velhas.
PREÇO E DISPONIBILIDADE:
O preço destas Vespas rondava os 4500 euros, com legalização já incluída. Por este valor pode-se perfeitamente adquirir uma Vespa nacional e enviá-la para uma oficina experiente em Portugal que fará um trabalho de qualidade segundo as nossas especificações, incluindo customizações de cores e acessórios cromados. Se não quisermos investir tempo e esforço a adquirir uma scooter velha e a acompanhar o processo de restauro, a disponibilidade imediata destes restauros Vietnamitas é conveniente; no entanto, esta disponibilidade não é exclusiva já que nos classificados abundam Vespas nacionais recuperadas com preços até inferiores.
GARANTIA:
Não existe qualquer tipo de garantia oficial já que se trata duma venda de particular a particular. O vendedor exprimiu a sua disponibilidade em tentar resolver qualquer avaria que possa suceder, e informou que a única avaria registada até então tinha sido um afinador partido. Quando inquirido acerca da maior quilometragem efectuada por uma destas Vespas importadas, a resposta foi “centenas e centenas de quilómetros” o que, na minha opinião, é uma distância insuficiente para aferir da fiabilidade (ou falta dela) destas máquinas.
CONCLUSÃO:
Se existem recuperações de qualidade a virem do Sudoeste Asiático, estas não fazem parte deste grupo. Por todo o lado se encontram indicações de atalhos incompatíveis com uma recuperação completa e cuidada, falta de atenção aos pormenores e falhas básicas de mecânica; as fixações dos cabos do travão dianteiro observadas tornam estas Vespas perigosas para o condutor, passageiro e qualquer utente da via pública. Não há razão para pensar que o nível de qualidade nas zonas fora de vista ou no motor seja diferente.
Exceptuando a disponibilidade imediata e a escolha entre várias máquinas garridas e vistosas, não consigo encontrar nenhuma vantagem em adquirir um destes “Vietbodges”: a sua qualidade é fraca atravessando a fronteira para o perigoso; o preço é muito elevado; a identidade original dos modelos, alguns até coleccionáveis, é eliminada; está-se a comprar a uma empresa que se dedica à venda de peças para Minis e que não é especializada em Vespas nem está ligada à cena scooterista nacional, limitando-se a importá-las.
A minha recomendação em relação a estas Vespas específicas e aos Vietbodges em geral continua a mesma: não comprem nem deixem ninguém comprar. Se estão interessados em gastar 4500 euros dirijam-se a uma oficina de restauros experiente e estabelecida que vos entregará uma Vespa nacional de qualidade muito superior capaz de longos anos de serviço, e não uma Vespa duvidosa cheia de betume montada no Terceiro Mundo por um desconhecido que prefere poupar cêntimos a garantir a segurança e fiabilidade do seu produto.
"No uso do seu direito de resposta a Minipeças – Unipessoal, Lda., vem tecer as suas considerações, acerca das conclusões técnicas e especializadas retiradas pelo Sr. sobre as nossas vespas que pôde inspeccionar com toda a liberdade e cordialidade com que a Minipeças sempre recebe qualquer cliente, fornecedor, ou qualquer outra pessoa nas suas humildes instalações.
Apesar do Sr. ser um especialista nas duas rodas, nomeadamente nas vespas, não pode de modo algum obnubilar ou diminuir a formação, informação e competência da Minipeças no panorama dos clássicos em Portugal. Pode referir-se um simples dado estatístico segundo o qual a Minipeças foi em 2007, 2008 e primeiro trimestre de 2009 o maior importador do mundo de peças e acessórios para minis, a partir do Reino Unido – dados fornecidos pela Minispares UK, Ltd.
Portanto, quanto a avaliar qualidade de restauro, fiabilidade e segurança, em clássicos, esta empresa fundada em 2003, na pessoa do seu único Sócio e Gerente, admite poucos ensinamentos. De resto, os milhares de clientes espalhados por este país, e que na sua grande parte são as oficinas de restauro de renome que o Sr. refere, que fazem os restauros de originalidade impar, não deixarão de o confirmar.
Poderá certamente o leitor concluir, como o Sr. Hugo, que uma pessoa que se especializou nas quatro rodas, não terá a mesma sensibilidade ou preocupações a nível de segurança no que concerne às duas rodas, como se não fosse tão grave falhar a travagem num veiculo onde vai o condutor e toda a família, como num em que apenas circula o condutor e, eventualmente um pendura.
Neste âmbito, urge referir mais um dado histórico nas origens da Minipeças, que muitos poderão desconhecer ao lerem apenas a firma, mas que lhes soará familiar se conhecerem o respectivo sócio-gerente. Pois esta mesma pessoa que hoje comercializa peças para mini, iniciou a sua vida nos clássicos com apenas 16 anos, nos finais da década de 80, onde restaurava todo o tipo de motociclos clássicos. Durante toda a década de 90, comprou, restaurou e vendeu largas centenas de motos, na sua grande maioria provenientes do exército português, que ainda hoje circulam com o mesmo restauro com que saíram da sua modesta oficina. Até à presente data, ainda nenhuma ocorrência foi registada com tais veículos, pois sempre se primou por valores fundamentais como a fiabilidade e segurança, inicialmente nas motos e posteriormente nos minis e outros clássicos que a Minipeças comercializa e restaura.
Mas centrando-nos nas nossas vespas, cumpre dissipar a primeira ideia veiculada pelo Sr. Hugo. Pois o mesmo afirma que veio analisar as vespas sem qualquer preconceito e de espírito aberto. Ora, a contaditio nos termos é evidente, pois o preconceito é a única razão de ser da presente reportagem. De outra forma como se explica que este Sr. se predispunha a fazer várias centenas de Kilometros para vir ver as vespas, se não fosse por saber que eram de proveniência asiática e ter a ideia pré-concebida que as vespas restauradas naquela parte do globo são de baixa qualidade?! Se à sua primeira solicitação o tivéssemos informado de que as vespas vieram de Espanha ou de França, ou de qualquer outro país que não da Ásia, o interesse nas mesmas morria à nascença.
Como se nos países ditos desenvolvidos também não se trabalhe mal, e muitos dos que fazem os restauros também não dêem muitas voltas e reutilizem muito material para poupar no preço do restauro e ganharem mais na venda.
Parece que em países como o nosso, onde os restauros são de qualidade (pois não somos do terceiro mundo) também não existe a qualidade e excelência de um (permitam-me a publicidade) Manel das Vespas, e os sapateiros que fazem restauros deploráveis, que o Sr. Hugo melhor que ninguém relata no seu blog, nomeadamente com fotos de vespas expostas em locais e certames de renome.
Foi com este espírito e com a certeza de que em todas as partes do mundo existem bons e maus profissionais, que a Minipeças arriscou a importar primeiro uma, mais tarde duas, depois mais duas e por fim 18, vespas, sempre do mesmo exportador. Ao contrário de muitas pessoas que comercializam neste meio das duas rodas, mas que se limitam a especular sobre a qualidade dos restauros, mas que nunca se predispuseram a arriscar importar para poderem confirmar os boatos.
A qualidade das primeiras determinou a importação das segundas e assim sucessivamente. Note-se que a qualidade aqui foi paga, pois não nos compadecemos em importar as mais baratas, mas sim as que ofereciam melhores garantias de qualidade, o que viemos a confirmar. Assim, as nossas vespas estão longe de ser aquelas que se vêm anunciadas por quantias a rondar os $1.000,00 USD, daí que seja impossível comercializá-las por preço inferior ao que foi comunicado ao Sr. Hugo.
Por outro lado, aquando da visita do Sr. Hugo, as vespas que restavam eram efectivamente as ultimas e muitas tinham já algumas mazelas superficiais devido aos muitos quilómetros que têm percorrido nas deslocações para as feiras, exposições, bem como os testes a que foram submetidas para a legalização. Contudo, nenhuma vespa é entregue sem uma inspecção final e qualquer pormenor em falta é solucionado, ou o preço reajustado com o cliente.
Para concluir, até à presente data, cada cliente tem sido um amigo, e se naquela data as vespas vendidas tinham ainda poucos Km’s hoje algumas já têm milhares e nunca houve qualquer problema ou reclamação e, felizmente, ainda não partiu nenhum parafuso do travão que provocasse o despiste ou acidente de alguém… de resto até é estranho que nem de uma espia partida os clientes se têm queixado, quando como todos vós sabeis, elas partem tão facilmente… Será certamente porque as peças aplicadas nestas vespas são as mesmas que todos vós comprais nas lojas da especialidade, pois apesar de haver muita vespa a circular e a restaurar, o volume delas, enquanto clássicos, não justifica que hajam várias fábricas abertas a produzir peças especificas, assim, tanto nas vespas, como em qualquer outro clássico, as peças vêem invariavelmente da mesma origem. Ou pensavam que os chineses não sabem escrever as palavras em italiano que vêm nas caixas das peças, mas depois têm por baixo Made in China, Taiwan, …, pois é, é que de facto a mão-de-obra lá é mais barata…. Muitos dos que já viram e compraram as nossas vespas são unânimes em afirmar que uma vespa com a qualidade do restauro destas em Portugal, custaria quase o dobro, atento o preço da mão-de-obra.
Despeço-me assim com os melhores cumprimentos, agradecendo ao Sr. Hugo a visita e a oportunidade de publicitar as nossas vespas no seu tão aclamado site/blog. Uma ultima palavra para os amantes da vespa - amantes de clássicos como nós – que não se deixem pautar por ideias pré-concebidas, do que é ou não aceitável, do que é ou não original, o que se pode fazer ou o que é proibido nisto dos clássicos. Reparem no orgulho com que as outras pessoas exibem os seus veículos personalizados, uns mais à época, outros mais modernizados, mas sempre e unicamente com paixão pelos mesmos. A vespa, como o mini, o beetle, o dois cavalos e a 4L, são os clássicos do povo, e o povo é a expressão da liberdade e da diferença – viva a diferença, a liberdade de expressão e o respeito pelos gostos e excentricidades de cada um.
Acabando como começa o Sr. Hugo, se restaurar é por o veículo como ele saiu da fábrica, então cada um de vós quando prepara a vespa para ir para a pintura está a cometer um atentado à originalidade, pois a única tinta que se poderá dizer original, é aquela que vocês acabaram de arrancar da mota e que já não volta mais…
Felicidades a todos, e já só cá temos 5 vespas… mas estão mais a caminho.
Minipeças – a Gerência " [ênfases do autor]
E prontos, aí têm. A resposta da Minipeças levanta pontos adicionais mas não vale a pena chicotear mais o cavalo. Já viram a coisa pelos dois lados, agora decidam vocês. O conjunto completo das fotos está aqui.
Não tive oportunidade de andar em nenhuma destas Vespas ou de as desmontar- apenas retirei a tampa do motor- mas estou convencido que as observações resultantes são, mesmo assim, significativas. Enviei este texto aos responsáveis da Minipeças para lhes dar a oportunidade de contra-argumentarem as minhas conclusões, e os seus comentários aparecerão no fim. Agradeço-lhes novamente a sua disponibilidade em me receberem e o tempo dispensado.
ORIGINALIDADE:
Restaurar uma Vespa é colocá-la num estado exactamente igual ao do dia em que saiu da fábrica. Estas Vespas podem estar recuperadas/ arranjadas/ reconstruídas/ o que lhe quiserem chamar, mas a denominação “restauradas” não se aplica. O desvio do estado original existe não apenas ao nível da pintura, decoração e acabamentos, mas também na própria identidade do modelo: Vespas de roda 8 foram modificadas para roda 10 e máquinas mais modernas foram modificadas para se parecerem com modelos de “guiador de bicicleta”.
Esta falta de originalidade não é uma desvantagem automática visto que muitas pessoas apenas procuram uma Vespa vistosa não dando grande importância às especificações de fábrica, e até preferem algo único e customizado. No entanto, estes modelos híbridos sem identidade definida não têm nenhum valor de coleccionismo e só com dificuldade poderão ser revertidos ao seu estado original.
ESTÉTICA:
Este é um campo subjectivo e cada um terá que desenvolver a sua própria opinião. A minha opinião subjectiva e individual: são feias.
QUALIDADE:
Um dos responsáveis da Minipeças considerou a qualidade do trabalho mecânico da reconstrução destas Vespas como alta. A minha avaliação é exactamente oposta: fraca. A quantidade de pormenores indicadores de mão-de-obra fraca e desleixada é numerosa demais para listar: desde parafusos e borrachas incorrectos até forquetas e punhos pintados por cima o que indica que nunca foram desmontados nem revistos. As fixações modificadas dos cabos do travão dianteiro, por exemplo, onde o pino que segura as chapas de fixação do cabo tinha sido substituído em várias máquinas por um parafuso muito menos forte, é uma falha enorme ao nível da segurança que poderia ser corrigida com peças que valem umas dezenas de cêntimos.
A pintura aparenta ser saudável à primeira vista mas, mais de perto, notavam-se estaladelas e uma quantidade exagerada de betume; esta última aponta, invariavelmente, para atalhos no trabalho de chaparia. Um dos responsáveis ofereceu a justificação para estas falhas que estas seis Vespas eram as restantes dum lote de vinte e duas, e que já não eram a primeira escolha; 6 em 22 é mais de 25%, uma percentagem bastante grande de exemplares inferiores, na minha opinião. A qualidade das peças de substituição utilizadas variava bastante entre o adequado e o medíocre; notava-se a reutilização de muitas peças velhas.
PREÇO E DISPONIBILIDADE:
O preço destas Vespas rondava os 4500 euros, com legalização já incluída. Por este valor pode-se perfeitamente adquirir uma Vespa nacional e enviá-la para uma oficina experiente em Portugal que fará um trabalho de qualidade segundo as nossas especificações, incluindo customizações de cores e acessórios cromados. Se não quisermos investir tempo e esforço a adquirir uma scooter velha e a acompanhar o processo de restauro, a disponibilidade imediata destes restauros Vietnamitas é conveniente; no entanto, esta disponibilidade não é exclusiva já que nos classificados abundam Vespas nacionais recuperadas com preços até inferiores.
GARANTIA:
Não existe qualquer tipo de garantia oficial já que se trata duma venda de particular a particular. O vendedor exprimiu a sua disponibilidade em tentar resolver qualquer avaria que possa suceder, e informou que a única avaria registada até então tinha sido um afinador partido. Quando inquirido acerca da maior quilometragem efectuada por uma destas Vespas importadas, a resposta foi “centenas e centenas de quilómetros” o que, na minha opinião, é uma distância insuficiente para aferir da fiabilidade (ou falta dela) destas máquinas.
CONCLUSÃO:
Se existem recuperações de qualidade a virem do Sudoeste Asiático, estas não fazem parte deste grupo. Por todo o lado se encontram indicações de atalhos incompatíveis com uma recuperação completa e cuidada, falta de atenção aos pormenores e falhas básicas de mecânica; as fixações dos cabos do travão dianteiro observadas tornam estas Vespas perigosas para o condutor, passageiro e qualquer utente da via pública. Não há razão para pensar que o nível de qualidade nas zonas fora de vista ou no motor seja diferente.
Exceptuando a disponibilidade imediata e a escolha entre várias máquinas garridas e vistosas, não consigo encontrar nenhuma vantagem em adquirir um destes “Vietbodges”: a sua qualidade é fraca atravessando a fronteira para o perigoso; o preço é muito elevado; a identidade original dos modelos, alguns até coleccionáveis, é eliminada; está-se a comprar a uma empresa que se dedica à venda de peças para Minis e que não é especializada em Vespas nem está ligada à cena scooterista nacional, limitando-se a importá-las.
A minha recomendação em relação a estas Vespas específicas e aos Vietbodges em geral continua a mesma: não comprem nem deixem ninguém comprar. Se estão interessados em gastar 4500 euros dirijam-se a uma oficina de restauros experiente e estabelecida que vos entregará uma Vespa nacional de qualidade muito superior capaz de longos anos de serviço, e não uma Vespa duvidosa cheia de betume montada no Terceiro Mundo por um desconhecido que prefere poupar cêntimos a garantir a segurança e fiabilidade do seu produto.
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"No uso do seu direito de resposta a Minipeças – Unipessoal, Lda., vem tecer as suas considerações, acerca das conclusões técnicas e especializadas retiradas pelo Sr. sobre as nossas vespas que pôde inspeccionar com toda a liberdade e cordialidade com que a Minipeças sempre recebe qualquer cliente, fornecedor, ou qualquer outra pessoa nas suas humildes instalações.
Apesar do Sr. ser um especialista nas duas rodas, nomeadamente nas vespas, não pode de modo algum obnubilar ou diminuir a formação, informação e competência da Minipeças no panorama dos clássicos em Portugal. Pode referir-se um simples dado estatístico segundo o qual a Minipeças foi em 2007, 2008 e primeiro trimestre de 2009 o maior importador do mundo de peças e acessórios para minis, a partir do Reino Unido – dados fornecidos pela Minispares UK, Ltd.
Portanto, quanto a avaliar qualidade de restauro, fiabilidade e segurança, em clássicos, esta empresa fundada em 2003, na pessoa do seu único Sócio e Gerente, admite poucos ensinamentos. De resto, os milhares de clientes espalhados por este país, e que na sua grande parte são as oficinas de restauro de renome que o Sr. refere, que fazem os restauros de originalidade impar, não deixarão de o confirmar.
Poderá certamente o leitor concluir, como o Sr. Hugo, que uma pessoa que se especializou nas quatro rodas, não terá a mesma sensibilidade ou preocupações a nível de segurança no que concerne às duas rodas, como se não fosse tão grave falhar a travagem num veiculo onde vai o condutor e toda a família, como num em que apenas circula o condutor e, eventualmente um pendura.
Neste âmbito, urge referir mais um dado histórico nas origens da Minipeças, que muitos poderão desconhecer ao lerem apenas a firma, mas que lhes soará familiar se conhecerem o respectivo sócio-gerente. Pois esta mesma pessoa que hoje comercializa peças para mini, iniciou a sua vida nos clássicos com apenas 16 anos, nos finais da década de 80, onde restaurava todo o tipo de motociclos clássicos. Durante toda a década de 90, comprou, restaurou e vendeu largas centenas de motos, na sua grande maioria provenientes do exército português, que ainda hoje circulam com o mesmo restauro com que saíram da sua modesta oficina. Até à presente data, ainda nenhuma ocorrência foi registada com tais veículos, pois sempre se primou por valores fundamentais como a fiabilidade e segurança, inicialmente nas motos e posteriormente nos minis e outros clássicos que a Minipeças comercializa e restaura.
Mas centrando-nos nas nossas vespas, cumpre dissipar a primeira ideia veiculada pelo Sr. Hugo. Pois o mesmo afirma que veio analisar as vespas sem qualquer preconceito e de espírito aberto. Ora, a contaditio nos termos é evidente, pois o preconceito é a única razão de ser da presente reportagem. De outra forma como se explica que este Sr. se predispunha a fazer várias centenas de Kilometros para vir ver as vespas, se não fosse por saber que eram de proveniência asiática e ter a ideia pré-concebida que as vespas restauradas naquela parte do globo são de baixa qualidade?! Se à sua primeira solicitação o tivéssemos informado de que as vespas vieram de Espanha ou de França, ou de qualquer outro país que não da Ásia, o interesse nas mesmas morria à nascença.
Como se nos países ditos desenvolvidos também não se trabalhe mal, e muitos dos que fazem os restauros também não dêem muitas voltas e reutilizem muito material para poupar no preço do restauro e ganharem mais na venda.
Parece que em países como o nosso, onde os restauros são de qualidade (pois não somos do terceiro mundo) também não existe a qualidade e excelência de um (permitam-me a publicidade) Manel das Vespas, e os sapateiros que fazem restauros deploráveis, que o Sr. Hugo melhor que ninguém relata no seu blog, nomeadamente com fotos de vespas expostas em locais e certames de renome.
Foi com este espírito e com a certeza de que em todas as partes do mundo existem bons e maus profissionais, que a Minipeças arriscou a importar primeiro uma, mais tarde duas, depois mais duas e por fim 18, vespas, sempre do mesmo exportador. Ao contrário de muitas pessoas que comercializam neste meio das duas rodas, mas que se limitam a especular sobre a qualidade dos restauros, mas que nunca se predispuseram a arriscar importar para poderem confirmar os boatos.
A qualidade das primeiras determinou a importação das segundas e assim sucessivamente. Note-se que a qualidade aqui foi paga, pois não nos compadecemos em importar as mais baratas, mas sim as que ofereciam melhores garantias de qualidade, o que viemos a confirmar. Assim, as nossas vespas estão longe de ser aquelas que se vêm anunciadas por quantias a rondar os $1.000,00 USD, daí que seja impossível comercializá-las por preço inferior ao que foi comunicado ao Sr. Hugo.
Por outro lado, aquando da visita do Sr. Hugo, as vespas que restavam eram efectivamente as ultimas e muitas tinham já algumas mazelas superficiais devido aos muitos quilómetros que têm percorrido nas deslocações para as feiras, exposições, bem como os testes a que foram submetidas para a legalização. Contudo, nenhuma vespa é entregue sem uma inspecção final e qualquer pormenor em falta é solucionado, ou o preço reajustado com o cliente.
Para concluir, até à presente data, cada cliente tem sido um amigo, e se naquela data as vespas vendidas tinham ainda poucos Km’s hoje algumas já têm milhares e nunca houve qualquer problema ou reclamação e, felizmente, ainda não partiu nenhum parafuso do travão que provocasse o despiste ou acidente de alguém… de resto até é estranho que nem de uma espia partida os clientes se têm queixado, quando como todos vós sabeis, elas partem tão facilmente… Será certamente porque as peças aplicadas nestas vespas são as mesmas que todos vós comprais nas lojas da especialidade, pois apesar de haver muita vespa a circular e a restaurar, o volume delas, enquanto clássicos, não justifica que hajam várias fábricas abertas a produzir peças especificas, assim, tanto nas vespas, como em qualquer outro clássico, as peças vêem invariavelmente da mesma origem. Ou pensavam que os chineses não sabem escrever as palavras em italiano que vêm nas caixas das peças, mas depois têm por baixo Made in China, Taiwan, …, pois é, é que de facto a mão-de-obra lá é mais barata…. Muitos dos que já viram e compraram as nossas vespas são unânimes em afirmar que uma vespa com a qualidade do restauro destas em Portugal, custaria quase o dobro, atento o preço da mão-de-obra.
Despeço-me assim com os melhores cumprimentos, agradecendo ao Sr. Hugo a visita e a oportunidade de publicitar as nossas vespas no seu tão aclamado site/blog. Uma ultima palavra para os amantes da vespa - amantes de clássicos como nós – que não se deixem pautar por ideias pré-concebidas, do que é ou não aceitável, do que é ou não original, o que se pode fazer ou o que é proibido nisto dos clássicos. Reparem no orgulho com que as outras pessoas exibem os seus veículos personalizados, uns mais à época, outros mais modernizados, mas sempre e unicamente com paixão pelos mesmos. A vespa, como o mini, o beetle, o dois cavalos e a 4L, são os clássicos do povo, e o povo é a expressão da liberdade e da diferença – viva a diferença, a liberdade de expressão e o respeito pelos gostos e excentricidades de cada um.
Acabando como começa o Sr. Hugo, se restaurar é por o veículo como ele saiu da fábrica, então cada um de vós quando prepara a vespa para ir para a pintura está a cometer um atentado à originalidade, pois a única tinta que se poderá dizer original, é aquela que vocês acabaram de arrancar da mota e que já não volta mais…
Felicidades a todos, e já só cá temos 5 vespas… mas estão mais a caminho.
Minipeças – a Gerência " [ênfases do autor]
E prontos, aí têm. A resposta da Minipeças levanta pontos adicionais mas não vale a pena chicotear mais o cavalo. Já viram a coisa pelos dois lados, agora decidam vocês. O conjunto completo das fotos está aqui.
16.10.08
Sprint update II
Passaram-se nove meses desde o último update do restauro da Sprint, e dezoito meses desde que visitei o chapeiro pela última vez. O meu restauro, previsto metódico, regular e organizado, transformou-se num impasse caótico e anárquico.
Cerrei os dentes e empurrei a carroça para diante: liguei ao chapeiro e fui visitá-lo. O homem é simpático e comprometeu-se a avançar com o meu quadro, depois das duas desgraças que o afligiram: casou-se, e partiu a clavícula. O meu quadro, se ainda não o viram, está muito direito, sem grandes pancadas ou mossas. O suporte do amortecedor está impecável. Os dois grandes problemas são um podre na costura em T que fica por baixo do bacalhau...
Este era o chapeiro do Vasco e, por isso, tem resmas de experiência a realizar trabalhos complicados em Vespas de todo o tipo. Estou optimista acerca do resultado final, e de como este cumprirá os meus elevados e irreais parâmetros de qualidade, a um preço não exorbitante. Escusam de me pedir o contacto deste chapeiro pois ele já me anunciou que esta será a última Vespa em que trabalhará. "É um serviço muito miudinho que não paga as horas gastas", informou. Mais à frente acrescentou que talvez trabalhe em mais Vespas, mas "sem prazo e sem orçamento". Se vocês tiverem um chapeiro bom e barato, ofereçam-lhe uma garafa de pinga e lavem-lhe o carro, já!
Outra coisa interessante: o MC (Meu Chapeiro) queixou-se que a metalização/zincagem tornava a soldadura bastante mais difícil- "não deixa agarrar". Nunca tinha ouvido essa antes e talvez até faça sentido. Se dão valor ao vosso chapeiro, perguntem-lhe, de antemão, se o incomoda a metalização. Ele ficará sensibilizado.
Outra coisa interessante: o MC (Meu Chapeiro) queixou-se que a metalização/zincagem tornava a soldadura bastante mais difícil- "não deixa agarrar". Nunca tinha ouvido essa antes e talvez até faça sentido. Se dão valor ao vosso chapeiro, perguntem-lhe, de antemão, se o incomoda a metalização. Ele ficará sensibilizado.
Se tudo correr bem, talvez eu tenha um quadro no Natal.
28.8.08
"Vamos ver se pega..."
O SS passou pela sede da Horta para realizar a inspecção bob-rigatória, e receber a benção. A sua LI150 com escape big-bore passou sem grandes dificuldades, e já anda a largar peças entre o Porto e Vila do Conde. Dizem os rumores que se vai arrastar até ao Camping... [snicker]
Parabéns pelo restauro, Sérgio!
30.5.08
Tugabodge @ Automobilia
Esta Vespa 50s, restaurada profissionalmente por um stander especializado com oficina e autocolantes e tudo, estava à venda na Automobilia. Notam algo de errado?
A forqueta está toda empenada para trás! Eu, que não sou especialista nem profissional, nem sequer completei um único restauro de Vespa e uso óculos, consigo notar que a forqueta está toda torta ao longe. E os senhores especializados que cobram bom dinheiro por este serviço não conseguem??!! Basta querer ver, é o que eu digo. É claro que esta Vespa rapidamente levou com um papelinho a dizer 'vendida', pois o Verão aproxima-se e um gajo tem que ir ao café, certo? Desde que tenha cromados e pneus de faixa branca...
Não só a forqueta estava consideravelmente dobrada para trás, mas também estava dobrada ligeiramente para o lado. De novo, o Bóber Pitosga não teve dificuldades em constatar tal facto simplesmente olhando para o veículo de frente, um procedimento altamente técnico só possível de realizar na fábrica em Pontedera. Mesmo que um mecânico experiente não detecte uma forqueta empenada durante o processo de desmontagem, algo inverosímil e assustador, o facto da roda ficar tão recuada dentro do guarda-lamas novo durante a montagem é uma pista flagrante e incontornável de que algo está seriamente errado.
Não visível na foto é a textura da perna da forqueta, repleta de crateras de corrosão que a tinta brilhante não conseguiu esconder, e que revelam uma vida passada bastante agreste. É necessária muita humidade para fazer uma cova de ferrugem num tubo espesso de forqueta!
O que vale é que vai deixar de haver gasolina e todos estes charutos vão ficar parados nas garagens e arrumos, fora de vista.
Não visível na foto é a textura da perna da forqueta, repleta de crateras de corrosão que a tinta brilhante não conseguiu esconder, e que revelam uma vida passada bastante agreste. É necessária muita humidade para fazer uma cova de ferrugem num tubo espesso de forqueta!
O que vale é que vai deixar de haver gasolina e todos estes charutos vão ficar parados nas garagens e arrumos, fora de vista.
28.2.08
Vespa painting for dummies
Os colegas do Scooter Log descobriram este vídeo no incontornável Youtube. Confesso que eu também já assisti a alguns episódios do Bricomania, mas mudava de canal sempre que os ménes passavam das prateleiras para a jardinagem. Nunca suspeitei que eles abordassem algo mais complicado que a repintura de mobília de jardim em ferro forjado. Pois bastam um destornillador e 19 minutos de música de elevador para se pintar una moto!
Nem que seja para efeitos de entretenimento, aqui estão a segunda parte e a terceira parte. O homem faz para lá uma sucatices valentes, mas o castigo dele é ter que andar na Vespa do Poupas.
12.2.08
Faz-me confusão
Sabem o que me faz confusão? O Capitão Iglo. Ele vive sozinho numa ilha isolada, acompanhado por três dúzias de raparigas e rapazes de tenra idade. É ele que os alimenta; quando o homem aparece com comida, a miudagem fica felicíssima. Não há nenhum outro adulto à vista. Onde é que estão os pais destas crianças? Porque é que eles deixaram os seus filhos ao cuidado dum velho marinheiro que passou as últimas décadas fechado num navio com companhia exclusivamente masculina?
É isso e algumas fotografias visíveis por todos no site "em remudolação [sic]" duma empresa nacional que, alegadamente, efectua "um serviço especealizado [sic] em restauros de Vespas antigas": pedais de travão pintados! Não um, mas três. Um hat-trick de sucatice comercial que impulsiona este feito múltiplo a um nível tal dentro da escala de intensidade da Galeria dos Horrores que facilmente poderá ser classificado como um "clássico". Lembrem-se: estes tipos estão a cobrar por isto. Pelos vossos milhares de euros eles deveriam oferecer profissionalismo, experiência, conhecimento, rigor e qualidade de mão de obra. Na realidade, temos pedais de travão pintados.

Sou o primeiro a reconhecer que retirar o pedal de travão, por um lado um processo simples que envolve empurrar um único pino, por outro lado pode revelar-se uma maratona de frustração mecânica e de imobilidade ferrugenta. No entanto, o processo de restauro duma Vespa ou de qualquer outro veículo clássico não incide só sobre as operações fáceis. Por estranho que pareça, também incide sobre as operações difíceis! Se esta empresa que se auto-denomina de especializada (ou algum outro grafismo alternativo) não consegue retirar vários pedais de travão (não estamos a falar de um caso isolado), isso leva-me a pensar sobre que outras coisa é que eles não conseguem fazer. Que outros atalhos incompreensíveis é que a comunidade de restauradores/recuperadores/garageiros habilidosos tomará, e que ficarão escondidos por debaixo de uma pintura brilhante e de um farolim de concorrência em plástico?
É isso e algumas fotografias visíveis por todos no site "em remudolação [sic]" duma empresa nacional que, alegadamente, efectua "um serviço especealizado [sic] em restauros de Vespas antigas": pedais de travão pintados! Não um, mas três. Um hat-trick de sucatice comercial que impulsiona este feito múltiplo a um nível tal dentro da escala de intensidade da Galeria dos Horrores que facilmente poderá ser classificado como um "clássico". Lembrem-se: estes tipos estão a cobrar por isto. Pelos vossos milhares de euros eles deveriam oferecer profissionalismo, experiência, conhecimento, rigor e qualidade de mão de obra. Na realidade, temos pedais de travão pintados.
Sou o primeiro a reconhecer que retirar o pedal de travão, por um lado um processo simples que envolve empurrar um único pino, por outro lado pode revelar-se uma maratona de frustração mecânica e de imobilidade ferrugenta. No entanto, o processo de restauro duma Vespa ou de qualquer outro veículo clássico não incide só sobre as operações fáceis. Por estranho que pareça, também incide sobre as operações difíceis! Se esta empresa que se auto-denomina de especializada (ou algum outro grafismo alternativo) não consegue retirar vários pedais de travão (não estamos a falar de um caso isolado), isso leva-me a pensar sobre que outras coisa é que eles não conseguem fazer. Que outros atalhos incompreensíveis é que a comunidade de restauradores/recuperadores/garageiros habilidosos tomará, e que ficarão escondidos por debaixo de uma pintura brilhante e de um farolim de concorrência em plástico?
4.2.08
"Há merdas que um gajo, prontos!"
Hoje estou chateado e tenho que descarregar em alguém. Aproveito a frase extremamente descritiva de certas situações incompreensíveis que acabei de ouvir na rua para título desta posta.Por cima do tabuleiro da bateria nas Sprints e afins existem três aberturas circulares destinadas a receberem três bolachas de borracha. Estas peças de borracha impedem a bateria de roçar no quadro quando estiver presa, e ajudam a fixá-la. No quadro recém-pintado da fotografia, alegadamente em processo de restauro, duas das peças não foram retiradas e acabaram pintadas num adorável tom de azul-cueca.
Eu apresento-vos as seguintes afirmações:
a) pintar peças de borracha numa Vespa representa um dos mais elevados níveis de sucatice;
b) as peças de borracha indicadas saem à mão em 3 segundos;
c) qualquer garageiro/ mecânico/ especialista em restauro que manda um quadro para pintar sem retirar duas peças de borracha que não deveriam estar pintadas e que saem à mão em 3 segundos tem problemas de controlo de qualidade;
d) no futuro próximo, a tinta em cima da borracha começará a estalar e a descascar, e por baixo da peça encontra-se um anel de chapa não pintada;
e) alguém cobrará várias centenas de euros por este trabalho de restauro;
f) alguém pagará várias centenas de euros por este trabalho de restauro.
Meus, basta olhar! É só empurrar com o dedo e aquilo sai! (e os furos da matrícula estavam todos tapados- serei só eu a pensar que é errado fazer furos em chapa pintada, quando é possível fazê-los antes da pintura?)
2.10.07
Brinquedo novo
A PX foi a cobaia, e o resultado foi 125 psi a quente. Para um motor de origem saudável, a compressão deverá ser da ordem dos 120-130 psi. O meu pistão com 60.000 kms em cima alimentado a óleo do Continente surpreendeu-me! Há já algum tempo que noto uma falta de frescura e de vitalidade na auto-estrada que começam a irritar-me. Afinal não deve ser do grupo térmico (alerta de expressão técnico-arrogante!), talvez seja do escape... 60.000 kms de carvão de óleo do Continente... Hhhmmmm... [pensativo]
Qualquer valor abaixo dos 100 psi é preocupante. Abaixo dos 80 psi e morremos nas subidas. Abaixo dos 60 psi a mota provavelmente nem pegará. Agora tenho que aplicar este teste a toda a minha frota. O problema é que costuma ser realizado com o motor quente e a maior parte dos meus trambolhos nem sequer funciona. Hhhmmm... [extremamente pensativo]. Terei que tirar as minhas conclusões à temperatura ambiente.
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