30.12.10

Foto do dia

Ashley on Vespa 4

A Vespa no Paris-Dakar

Em 1986, quando surgiu a T5, foi planeada uma participação no Paris-Dakar como manobra publicitária. Prepararam-se três protótipos com base no novo modelo desportivo, mas que foram equipados com motores de PX200, menos frágeis para a tarefa. Essas três Vespas desapareceram, creio, e o modelo presente no museu Piaggio é uma réplica recente.

Vespa World Days 2010

No entanto, já em 1980 uma equipa Francesa não oficial tinha inscrito um quarteto de P200 naquela que era apenas a segunda edição da mítica prova, numa época em que muitos dos participantes eram amadores com um sonho e um veículo normal modificado aos fins-de-semana. As quatro Vespas foram preparadas e reforçadas pela Piaggio em Pontedera, e seriam acompanhadas por cinco 5 Land Rovers de assitência, um dedicado a cada Vespa e o quinto a servir de armazém de peças.

Gostaria de dizer que as bravas Vespas portaram-se bem mas tal não foi o caso. Uma epidemia de furos, causada por sinoblocos não modificados que se autodestruíam rapidamente, foi agravada inicialmente pelos jipes de assistência que paravam só para o seu piloto designado. Os dias eram longos, e um piloto chegou às 8h20 da manhã quando a etapa do dia começava às 8h30! Noutra ocasião a noite caiu sobre as dunas quando ainda faltavam 150kms para a meta; a solução foi radical, carregar as Vespas nos jipes para não chegar tarde e sair fora de prova. Uma das Vespas partiu-se e os mecânicos soldaram uma barra de reforço VespaTT-style mas não adiantou muito já que a Vespa ficou em duas metades muito antes de Dakar.

Ainda assim duas Vespas chegaram ao fim da prova depois de percorrerem 10.000kms brutais através de sete países. Uma percentagem de sucesso de 50%, comparada com uma percentagem de apenas 37% para os restantes veículos. Nada mal para roda 10. A história completa (em Francês) e uma soberba colecção de fotos pode ser encontrada aqui.
 

"Deitei" a PX

Sábado de manhã, muito cedo. Bastante frio, mas céu limpo e ensolarado. Zona meio campestre de Gaia mas com o Porto à vista. Ruazita de paralelo inclinada a descer. Velocidade baixa. Carros com os vidros todos brancos de geada. Pequena curva à sombra. Cérebro não estava programado para procurar gelo na estrada nem reconheceu os sinais de alerta. Roda da frente bloqueia e PX cai para a direita. Bato com o cotovelo e depois com o rabo, mas não me magoo.

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Ei! Aquilo é uma camada de betume?! Na minha Vespa?!!!

A PX, por outro lado, sofreu um pouco. Kicks partido, tampa do selector bastante amassada, tampa do ventilador ligeiramente amassada, fixação inferior da touca do cilindro partida. Os suspeitos do costume ficaram arranhados: balon, aresta do guarda-lamas, aresta do fundo do avental. A tampa do ventilador ficou a roçar em baixo e tive que a desmontar para dar umas pancadinhas numa mossa do tamanho duma moeda pequena (suspeito que causada pelo topo do kicks quando se soltou).

O meu banco não sofreu nada! Deixem-me tranquilizar-vos nesse aspecto e ser perfeitamente claro: o meu banco está bem. :-) Não tirei fotos do tombo, se bem que tal tenha sido contemplado brevemente na altura, mas o super-computador da Horta realizou uma simulação gráfica do evento. Cuidado com o gelo na estrada e bons quilómetros para todos nós.