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20.2.09

Se as Vespas fossem como computadores

No seguimento de magníficas obras literárias como Linguagem Gestual Vespista e TSQEUVHCQ (Tu Sabes Que És Um Vespista HardCore Quando...), eis que surge agora o elemento final, pouco inspirado e fracamente trabalhado, neste quarteto de três obras.

SAVFCC…
(Se As Vespas Fossem Como Computadores…)

…bastaria cair uma partícula de sujidade no exterior do carburador para a Vespa parar. A única maneira de a consertar seria retirar o carburador, derretê-lo, e montar um novo.
…poderíamos usar pistões de concorrência mas só depois de gravarmos as letras "PIAGGIO" no interior da saia.
…depois de darmos ao kicks, teríamos que esperar dois minutos até o motor começar a trabalhar.
…em andamento, as manetes de travão poderiam bloquear a qualquer momento, sem aviso.
…sempre que passássemos por um outdoor de publicidade animada ou por algum sítio com música, a Vespa abrandaria e começaria a andar aos abanões.
…se apitássemos na rua errada, a Vespa ficaria coberta de autocolantes de publicidade que nunca mais sairiam.
…se atestássemos numa bomba de gasolina duvidosa, o motor bloquearia e só passaria a funcionar depois de decaparmos e pintarmos todas as peças de chapa.
…todas as avarias grandes aconteceriam no dia em que tivéssemos uma reunião importante.
…em caso de avaria do motor, o saco de compras que levássemos no porta-couves desapareceria, e teríamos que comprar tudo de novo.
…para fazer viagens grandes seria melhor usar a Vespa do emprego.
…existiriam porta-couves cromados de concorrência muito melhores que os da marca, e seriam grátis.
…de três em três anos a auto-estrada seria reasfaltada tornando a nossa Vespa lenta demais para lá andar.
…todas as manhãs o raio da Vespa insistiria em passar pelo concessionário oficial Piaggio mais próximo para ver se já tinham chegado novos modelos de bóias de carburador.
…ir ao cinema obrigaria ao uso duma Vespa amarela; qualquer outra cor de veículo resultaria em duas horas de mensagem de erro.
...a maioria das deslocações teria como destino a loja de revistas para adultos.
…as Lambrettas seriam muitíssimo mais estilosas e fiáveis, mas mais caras.
…a maior parte das bombas de gasolina não conseguiria abastecer Lambrettas.
…as Heinkels seriam vistas apenas em círculos universitários e de investigação.
…se o motor fosse abaixo, teríamos que trancar a direcção, fechar a gota, pôr no descanso, tirar o capacete e as luvas, e só então poderíamos dar ao kicks.
…em caso de furo, teríamos que correr as gavetas todas à procura da embalagem original do pneu antes de podermos trocar a câmara-de-ar.
…uma trovoada poderia derreter a embraiagem.
…as Vespas antigas seriam horrorosamente lentas. Ninguém as coleccionaria, indo todas parar à fundição alguns anos depois de terem sido compradas.
…os depósitos das Vespas antigas só teriam meio litro de capacidade.
…a buzina apitaria durante 30 segundos no início de cada viagem se a cor da chapa não combinar com a cor do livrete.
...o porta-luvas teria 3000 ferramentas diferentes, mas não conseguiríamos achar a procurada.
...encher o depósito na auto-estrada demoraria apenas alguns segundos; em estrada nacional, seria pelo menos meia hora.

10.2.09

"Jony"

O objectivo desta posta é popularizar a expressão "Jony" na cena scooterista nacional. As origens de tal palavra, plena de significado e mística, encontram-se enterradas nas profundezas do tempo e apenas um pequeno grupo de privilegiados está ciente do seu simbolismo completo. O seu uso, no entanto, merece ser partilhado de forma democrática e abrangente.

"Jony" pode assumir três significados distintos:
  • degradação estrutural, falhanço mecânico ou situação indesejável. Exemplo: "tenho o pistão todo Jony"
  • ausência de bom senso, discernimento ou controlo da situação. Exemplo: "entrei na curva à Jony e quase que ia em frente"
  • imbecilidade, idiotice ou qualquer outra manifestação de acefalia. Exemplo: "ouve lá, não sejas Jony"
Considerem-se, portanto, autorizados a utilizar a expressão "Jony" no vosso dia-a-dia, sem restrições ou contrapartidas. Espero que, um dia, também a minha humilde pessoa possa fazer parte do vocabulário scooterista: "Meu, Einstein e Gandhi eram gajos mesmo Bob!" Estejam à vontade para adicionar exemplos de uso nos comentários.

23.1.09

O Universo Nexx

Foi numa Sexta-feira cinzenta e triste, muito parecida com esta, que fui ter à fábrica de capacetes Nexx para uma visita às suas instalações. Depois de hora e meia de berros e murros na porta, lá os convenci a deixarem-me entrar.


Acompanhado pela Directora de Marketing e pela Directora de Qualidade, ambas adoráveis moçoilas em idade casadoira, fui escoltado e guiado pela fábrica começando pela área de recepção e expedição. Basicamente um portão com espaço à frente, não era muito emocionante. A seguir vimos a máquina que corta todos os materiais moles, como os forros interiores, graças a moldes que são pressionados contra o tecido por um mecanismo tipo balancé. Agora sim, já se parece com uma fábrica!


As fotos desta posta não são da minha autoria; não recebi autorização para fotografar dentro da fábrica já que o pessoal da Nexx quer manter em segredo o seu reactor nuclear... É compreensível. A próxima paragem foi a sala de costura onde um batalhão de senhoras realiza todas as peças fofinhas e maleáveis onde encostamos o cocoruto.


Vocês têm fibras suficientes na vossa dieta? A Nexx tem! As carapaças em ABS vêm de um fornecedor externo mas as dos modelos de fibra de vidro são construídas em casa, como é regra geral na quase totalidade do produto.


Três tipos diferentes de fibra de vidro são utilizados num único capacete: a camada exterior proporciona bom acabamento, a camada central oferece resistência estrutural, e a terceira camada acho que fazia torradas, já não me lembro bem. A fibra de vidro é colocada num grande molde de alumínio com uma cavidade com o formato do capacete, onde entra uma bexiga (aquela coisa cor de rosa na foto em baixo) que incha e faz umas cenas super secretas que eu não posso contar.


As carapaças prontas vão para uma máquina CNC que parece um armário grande e feio, onde são realizadas todas as furações e aberturas e corte de excessos, à porta fechada. A seguir vem a pintura, cortesia duma cabina electrostática. A tinta recebe uma carga eléctrica oposta à do capacete o que, graças às leis do electromagnetismo, faz com que este fique todo colorido e brilhante. É um processo muito técnico...


Nesta fase da pintura os capacetes viajam pendurados numa linha rolante que sobe e desce, e passa pela cabina. A viagem completa demora uns 30 minutos, e não é aconselhada a grávidas ou doentes cardíacos. Por favor verifiquem que não têm objectos soltos nos bolsos e mantenham as mãos dentro do veículo.


Grande parte da força de trabalho é jovem e dinâmica; numa nota paralela, a moda jovem Outono/Inverno na Anadia privilegia os fatos-macaco brancos em tamanhos generosos. A paragem seguinte foi a sala de decoração onde duas senhoras com mãos habilidosas colocam todos os gráficos nos capacetes, alguns deles deveras intrincados! O interessante nesta sala é o grande reservatório de água em cima da mesa e a temperatura ambiente bastante elevada, necessária para facilitar a colocação dos decalques de água. Pensem numa sauna com autocolantes, era parecido.


Ao longo de todo este processo sucedem-se constantes controlos de qualidade. É como se os capacetes fossem cidadãos numa tirania fascista obcecada pela qualidade. Espirraste? Pimba!, controlo de qualidade. Não vi os escritórios da direcção (deve ser onde guardam o reactor nuclear), mas tive a oportunidade de atrapalhar um bocado a linha de montagem final.


Em oito anos de funcionamento a Nexx conseguiu conquistar "uma posição de destaque num sector dominado por fortes grupos e empresas". A expansão está no seu futuro graças a planos para novas instalações com quase o triplo do tamanho actual. 90% da produção é exportada sendo os mercados principais países como França e Itália. Até existe um site específico para os Estados Unidos.

Esta empresa inovadora foi a primeira a fabricar capacetes de fibra em Portugal, e possui linhas específicas para os públicos feminino e infantil. Recentemente lançaram uma novidade mundial, o "maxijet" X30. Único no mundo, é um capacete modular com protecção frontal fixa. Consegue reunir a segurança do capacete integral, a versatilidade do capacete modular e o conforto do capacete aberto, tudo numa única peça atraente recheada de características.


Eu diverti-me bastante nesta visita de estudo, mas isso também pode ter sido dos vapores das tintas. Foi enriquecedor ver os capacetes a passarem por numerosos pares de mãos antes de irem parar à loja; existe muito trabalho manual e dedicação em cada um deles. Se estiverem a pensar num quico novo estudem o catálogo Nexx que tem mais capacetes que a concentração de Faro. Além disso, há uma linha renovada todos os anos! Comprem nacional sem sacrificarem qualidade, segurança ou design.

Excelentíssimos Senhores Directores da Nexxpro Lda., estou disponível para realizar um teste aprofundado ao vosso produto X30 e partilhar as minhas experiências com a blogosfera. Por favor entrem em contacto comigo para eu vos dar a minha morada de entrega e discutirmos umas decorações personalizadas que tenho em mente. Obrigadinho e continuem o bom trabalho.

9.8.08

A crise da gota

Eu tenho uma maneira de calcular a autonomia da reserva na PX: a partir do momento em que a luz da reserva já não se apaga num arranque em 1ª, ainda tenho 35 kms de gasolina. Ontem, já com o nível baixo, fiz as contas e calculei que ficaria sem gota quando o conta-quilómetros mostrasse 55 nas dezenas e unidades. Talvez tenha sido do pára-arranca na Baixa, mas fiquei sem gota aos 51, quatro mil metros antes do previsto. Não foi um problema pois os soluços apareceram 50 metros antes duma bomba, onde entrei já com o motor a desligar-se. Eu fico sempre sem gasolina 50 metros antes duma bomba- são muitos anos a virar frangos.

Procedi então ao abastecimento total do depósito. Foi de costa a costa, dos cascos até à rolha, de vapores até à bordinha, dos 0 aos 100. 11.41 euros. Novo recorde. (para os curiosos, são 7.8 litros, capacidade útil do depósito da PX).

Quando comecei a andar de Vespa nos anos 70 (cof cof) na minha GTR, punha 500 escudos de cada vez, que me davam para 90 e poucos quilómetros. Rapidamente mudei para quantias mais avultadas, para não estar sempre a parar na bomba: 800 e 900 escudos. Veio o Euro, e abastecimentos de 5 euros tornaram-se a norma. Logo a seguir, 6. Depois, 7. E 8. 9 euros. 10! Está toda a gente a passar-se com o preço da gota, na TV não se fala de mais nada. 10 euros e já sobra espaço! E agora, o novo recorde: 11.41 euros. Ou o meu depósito está a esticar (o que é pouco provável, pois a PX não tem problemas estruturais assim tão graves), ou o custo dos combustíveis está fora de controlo.

Como webmaster dum blog que orbita à volta de veículos consumidores de combustíveis fósseis, creio que sou obrigado a pronunciar-me sobre a dita crise de preços. É verdade que o pico da crise já passou, e a coisa deixou de ter interesse há já algumas semanas. Não disse nada na altura porque detesto modas: se todos o fazem, então eu não quero. Por alguma razão não fui ver o Titanic.



Este é a minha opinião, que possui exactamente a sua validade, nem mais, nem menos: os combustíveis não estão caros, os combustíveis são caros. Habituem-se! Se os carros andassem a platina, ninguém se queixaria do preço desse metal raro! Em substituição, todos se queixariam da inexistência de combustíveis e transportes alternativos. Porque não o mesmo com a gasolina?

A gasolina não deveria baixar de preço, nunca. Se subiu, não desce. É a maneira do povo apreender o conceito de combustível não-renovável. É a maneira de lhes chamar a atenção, pela carteira onde dói. Os preços elevados irão causar grandes agitações sociais e económicas? Sem dúvida. Mas quanto mais cedo, melhor. Se deixarmos estas agitações para mais tarde, vai tudo parecer um grande flashback Mad-Maxiano. Gasolina cara, já!

13.4.08

MotoCzysz C1

Aparentemente, este fim de semana houve o MotoGP de Portugal. Acho que ganhou um gajo qualquer, não prestei atenção. É razão suficiente para eu resgatar esta posta do directório dos rascunhos (eu não digo pasta, digo directório- sou do tempo do MS-DOS) e completá-la despendendo o mínimo de esforço possível. Ora o que se passa é que eu sempre pensei que não gostava de motas grandes. Simplesmente não me atraíam, não me diziam nada. Safavam-se a ocasional Ducati ou BMW, mas nunca houve uma mota grande de design moderno que tenha tido em mim o efeito "Wow". Até há algumas semanas atrás.

Apanhei o documentário "Birth of a Racer" do Discovery Channel (Alerta! Locução brasileira no Youtube!) e fiquei maravilhado. Um arquitecto americano, piloto de corridas amador, pegou no seu dinheiro e construiu uma mota de competição a partir do zero, com o intuito de correr no MotoGP. Conseguem imaginar uma pequena equipa, criada por um tipo, a competir com a Honda e companhia? Ainda mais impressionante- se tal for possível- é a mota em si.


Primeiro, o design. O Sr. Czysz é arquitecto e dá uns toques com o lápis e papel. A C1 é verdadeiramente linda, agressiva e elegante simultaneamente, com uma classe fora de série. Já estava enjoado de ver todas as motas parvas que os fabricantes grandes lançam ano após ano, sempre com aquelas linhas marcadas e ângulos afiados, numa orgia de exagero visual. Parecem todas crânios extra-terrestres, ou naves espaciais, ou desenhos animados. Façam alguma coisa diferente, raios! (Invariavelmente, parece que são todas conduzidas por tipos com capacetes réplica Rossi... É sempre um espectáculo triste de carneirismo e mau gosto...)

Em segundo lugar, a engenharia. Muitos teriam construído apenas o chassis, e comprado forqueta e motor a outras empresas. Seria a opção segura e rápida. Pois estes tipos construíram tudo, a partir duma folha de papel em branco. Chassis, motor, forqueta e restantes tralhas. E não se limitaram a copiar os mesmos desenhos cansados que são reciclados constantemente com mais 5 cavalos ou autocolantes diferentes, não!, fizeram coisas novas e emocionantes. O quadro é em fibra de carbono e serve de caixa de ar. O motor tem duas meias cambotas rodando em sentidos opostos para eliminar efeitos giroscópicos; esses efeitos são a razão porque todos montam os motores transversalmente, enquanto a C1 pode ter uma montagem longitudinal, tornando a mota invulgarmente estreita. A admissão é super-directa, e pode-se ver o topo do pistão olhando directamente por cima do carburador, mesmo apesar de todas as árvores de cames e cenas que ficam no meio. Ambas as suspensões quebram totalmente com as convenções e superam os desenhos tradicionais.

Eu adoro a inovação. Depois de estar feito parece sempre lógico e natural, mas fazê-lo pela primeira vez é tão difícil quanto fascinante. Aturem-me só mais um pouco enquanto vos falo do Sr. Britten, com uma história muito paralela a esta, e injustamente desconhecida. Um homem de grande talento a construir peças como rodas de carbono e carters de motor na sua garagem, e a criar motas de competição de desenho revolucionário que foram para a pista e deram porrada nas equipas "grandes", mantendo-se em muitos aspectos insuperadas ainda hoje, quinze anos depois.

Resumindo, eu estava errado ao pensar que não gostava de motas grandes. Eu não gosto é de motas feias, e as motas grandes são quase todas feias. Mais ninguém nota! É autenticamente uma situação de "o Rei vai nú", e a MotoCzysz, finalmente e para gáudio meu, prova-o. Acho que as regras do MotoGP mudaram- a cilindrada foi reduzida- e por isso a C1 não pode lá correr na sua configuração actual. Mesmo assim, já têm aqui um fã. Rice rockets suck.

27.1.08

Chrome is evil

Três homens robustos deram as suas vidas para resgatar este texto das mais negras e recônditas profundezas dos arquivos da Horta. Honrem a sua memória e leiam com respeitosa contemplação:

"Durante as últimas reconstruções efectuadas na Horta (reconstruções, não restauros), apercebi-me da necessidade de criar uma regra referencial clara e exacta regulando o uso de cromados nas Vespas verdadeiras (pré 1977), eliminando por conseguinte o extenso rol de atentados ao bom gosto que se desenrola diariamente com alarmante naturalidade. Assim, compilei uma lista de cromados autorizados para futura referência por parte dos Vespistas inexperientes assim como dos Vespistas hard-core, que deverá ser seguida à letra a partir deste momento.

Cromados autorizados em Vespas verdadeiras (pré 1977):
  • aro do farol
  • espelho do farol
  • corpo do farolim
  • tampinhas dos cubos [N.R.: na realidade, creio que são inox polido]
  • fecho da tranca de direcção
  • tranca da mala
  • chaves da direcção e da mala
  • parafusos das manetes
  • frisos do bacalhau
  • parafusos dos frisos do bacalhau
  • aro do conta-km
  • buzina
  • comutador de luzes
  • parafuso do serra-cabos da embraiagem
  • zona hexagonal da rosca da vela
  • veios hidráulicos dos amortecedores
  • mola dos platinados
  • casquilhos das lâmpadas
  • esferas e roletes dos variados rolamentos
  • não mais que três (3) golpilhas
  • fecho das calças
Nota: todas as peças de alumínio que normalmente são polidas (manetes, pedal do travão, frisos, etc.) NÃO deverão reflectir uma imagem nítida. Este nível de polimento sai claramente fora dos parâmetros autorizados sendo o máximo admissível um baço brilhante onde nenhuma imagem distinta será reconhecível. Excepção: autorizar-se-á o uso de um (1) retrovisor e de um (1) porta-bagagens cromado se o veículo receptor cumprir duas das três condições seguintes:
  • andar exclusivamente com Sol;
  • cumprir menos de 500 km por ano;
  • for usado para fins sem intuito recreativo (deslocação para o trabalho, compras, etc.) não mais de 15 vezes por ano.
Tomo a liberdade de realçar o facto que esta norma proíbe terminantemente a cromagem de tampa do ventilador, tampa do carburador, tampão do depósito e, ignomínia das ignomínias, jantes, entre outros. Se o Grande Mecânico quisesse que andássemos com cromados, o líquido amniótico seria uma solução electrolítica. Em NENHUM caso será aceite a montagem de pousa-pés, protectores laterais ou frontais, ou qualquer outro tipo de estrutura notória.

Esta regulamentação será vigorosamente cumprida pela polícia da Horta e todos os prevaricadores serão imediatamente esventrados no local para que os seus fluidos digestivos sejam usados na remoção dos cromados irregulares.


Publique-se e divulgue-se.


Horta, 30 de Abril de 2002

Bob"

17.1.08

Aviso importante

Aviso! A Horta das Vespas é uma obra de ficção sem qualquer valor prático ou ligação à realidade. Não tente duplicar, imitar, emular, copiar ou seguir de qualquer maneira, total ou parcialmente, as acções, indicações, sugestões e ilustrações presentes nesta colecção de documentos. Existe sério risco de ferimentos graves ou morte incluindo, mas não limitados a, cortes, arranhões, abrasões, queimaduras, esmagamentos, electrocussão, ossos partidos, vergonha pública, quedas, acidentes rodoviários, amputação de extremidades corporais salientes, doenças tropicais, distensão de músculos, surdez, danos cerebrais, queimaduras na retina e micose.

Aviso! Utilize cautela extrema ao operar ferramentas, quer sejam manuais, eléctricas ou eólicas. Mantenha roupas soltas, rabos de cavalo e joalharia exuberante fora do raio de acção de qualquer peça ou mecanismo móvel. Retire os dedos do trajecto previsto das arestas cortantes e extremidades afiadas da ferramenta. Utilize equipamento de protecção adequado. Não opere qualquer tipo de ferramenta ou maquinaria sem a supervisão de um adulto qualificado. Não opere nenhum tipo de ferramenta ou maquinaria, e mantenha sempre uma distância de segurança destes artigos. Se estiver a andar pela rua e for passar por uma loja de ferramentas, atravesse imediatamente para o passeio do lado oposto.

Aviso! Não atravesse ruas para o lado oposto. Existe perigo de ferimentos graves ou morte.

Aviso! A utilização de qualquer veículo motorizado de duas rodas pequenas e baixa cilindrada pode causar ferimentos graves ou a morte. A operação geral incluindo, mas não limitada a, manutenção, deslocação, estacionamento, transporte, competição, arranque, reabastecimento, desmontagem e limpeza destes veículos deve ser realizada apenas por profissionais experientes em plenas condições de segurança. Fique em casa sem fazer nada e não saia à rua.

Aviso! Ficar em casa sem fazer nada e não sair à rua pode causar problemas de saúde incluindo, mas não limitados a, obesidade, doenças cardio-vasculares, varizes, coágulos nos membros inferiores, depressão e outras perturbações psiquiátricas.

Aviso! A Horta das Vespas não é responsável por qualquer dano, estrago, ferimento ou perda causado, total ou parcialmente, pelo incumprimento destes avisos de segurança. Qualquer tentativa de responsabilizar, culpar, envolver ou incluir a Horta nas burradas pessoais dos leitores será severamente ridicularizada. Utilize o bom senso em todas as suas acções e operações. Consulte um profissional qualificado na determinação da existência de bom senso antes de prosseguir. Não pinte a sua Vespa de azul-cueca, não lhe ponha cromados, pneus de faixa branca, pinturas de dois tons nem estofos esquisitos. Seja simpático para com os outros e faça boas acções. Conduza com calma. Faça exercício e coma bem. Não passe tanto tempo à frente da televisão. Arranje um passatempo ou adopte um animal de estimação. Compre um capacete fechado.

Aviso! Todos os avisos precedentes poderão estar errados, incompletos ou incorrectos, total ou parcialmente. Não siga avisos postados na internet sem consultar um profissional qualificado.

8.10.07

Artigo na Scooting



A vossa personalidade cibernauta preferida, Ranger Bob, ele mesmo, teve o prazer de escrever um pequeno artigo para a revista Scooting sobre o primeiro Camping do ScooterPT. É apenas mais um passo em direcção à dominação mundial.

(nota: este artigo representa a primeira ocasião em que a expressão "comunidade Vespista hard-core" aparece numa publicação regular de língua Portuguesa, desde o início dos tempos)

14.4.07

Bobagens II

Não há muitas coisa que me irritem muito. O Mickael ou lá como o gajo se chama Carreira é uma delas. Mas há muitas coisas que me irritam um pouco. O comportamento das pessoas nas escadas rolantes, sem dúvida.

Porque é que as pessoas ficam paradas nas escadas rolantes? Há alguma regra de segurança que eu não conheça que obrigue à imobilização total e completa dos utilizadores das ditas escadas? E se assim fosse, não seria de esperar que uma significativa percentagem dos portuguesinhos médios desrespeitasse tal regra e se mexesse desafiadoramente nas escadas rolantes, algo que qualquer visita casual ao shopping se encarregará de desprovar categoricamente?

São apenas escadas, podeis subi-las ou descê-las como qualquer escada normal. A sério, experimentem. Se o raio da escada acelerasse bruscamente para logo a seguir desacelerar com violência, compreenderia a reticência observada em levantar um pé e pousá-lo no degrau seguinte, mas o raio da coisa viaja a uma velocidade constante, vejam lá o golpe de génio que acometeu os fabricantes da coisa. É Física básica do liceu, gente. Se não há aceleração, não há força de inércia a querer mandar-nos ao chão. A sério, confiem em mim.

Foi a passagem para a posição bípede que forneceu aos hominídeos o incentivo necessário para o desenvolvimento da massa cerebral e das capacidades de equilíbrio e locomoção. Assim sendo, seria de esperar que um ser humano típico, beneficiando de milhares de anos de evolução, conseguisse atingir a conclusão que todos os degraus que se encontram por baixo dele se deslocam a uma velocidade constante em relação a um qualquer referencial conveniente, e que todos apresentam uma velocidade relativa nula entre si, exactamente como numa escada típica e imóvel, tornando a movimentação ambulatória nas supra-citadas passadeiras escalonadas no mesmo, idêntico, fácil, perfeitamente identificado, sobejamente conhecido, totalmente dominado problema dinâmico de subir ou descer um degrau. Mas não, têm que ficar parados.

E são estas as mesmas pessoas que, quando viajam de avião, apesar do pedido difundido em três línguas diferentes, apesar de estarem fechadas num tubo metálico de 100 toneladas com alguns milhares de litros de carburante em cada asa, apesar de o maior acidente da aviação comercial da história ter ocorrido na pista de um aeroporto e não no ar, são elas mesmas que abrem o cinto e se levantam à menor oportunidade, e dispendem grandes quantidades de energia a retomarem posse da bagagem de mão e a arrastá-la com a maior celeridade possível até à porta do avião. Aí já não ficam quietas.

E mesmo que não queiram subir ou descer o raio da escada porque os degraus 10% mais altos que o normal fazem confusão ao vosso cérebro mirrado por incontáveis fins-de-semana passados no shopping a respirar humidade corporal reciclada pelo ar condicionado, cheguem-se ao lado! Cheguem-se à direita, se a conseguirem distinguir, e deixem-me passar, pois eu possuo esta estranha e bizarra habilidade de conseguir deslocar-me pelos meus próprios meios numa escada rolante. Vocês gastam 30 segundos da minha vida ao ficarem parados a masturbar o telemóvel, ou com a mãozinha no bolso de trás das calças de marca do(a) vosso(a) namorado(a). Como dizia o Henry Rollins: " Podem tirar-me a vida apunhalando-me; se desperdiçarem 30 segundos da minha vida, é o mesmo que me apunhalarem com uma faca muito pequenina". Saiam da minha frente, estáticos!

24.2.07

DupLa DL

"E Bob observava o povo, que corria em pânico à chegada do Dilúvio dos Preços Absurdos. Do alto da sua enorme Horta de madeira, criada para resistir à mais implacável maré, ele escarneceu dos incautos:
-Escusam de correr agora, pobres almas, pois é impossível fugir ao Dilúvio dos Preços Absurdos. Pois vocês trouxeram a desgraça às vossas próprias portas, correndo as terras de Norte a Sul com uma carrinha e um monte de dinheiro vivo, pagando preços elevados a velhotes e garageiros sem regatear, na vossa ânsia de propriedade clássica. Em boa hora fui incumbido por visão celestial de construir esta magnífica Horta em madeira, e de carregar nas suas imensas garagens duas scooters de cada modelo, e navegar pelos mares tumultuosos até às águas descerem e o Sol dos Preços Justos banhar de novo a terra com a sua luz e calor. Que o vosso garageiro tenha piedade das vossas carteiras quando vos apresentar a conta do suposto 'restauro'."

Isto é só para mostrar esta foto fixe de duas DL150 iguaizinhas que repousam na minha garagem de momento. Uma é minha, outra é a do Maia que está em trânsito para o Museu do Automóvel Clássico de Montachique. Achei que era bonito celebrar o momento e prontos, tinha que inventar uma historieta qualquer, duas de cada modelo, arca de Noé, enfim...

8.2.07

Blast from the past

Vejam só o que eu fui descobrir, o meu velho texto sobre a Horta das Vespas para o catálogo Omni de 2004. O link é este, também lá está o Professor X em poses metrosexuais com a sua Sprint Veloce. (foto retirada do site da Omni, dêem lá um pulinho, a roupa deles é scooter-friendly)

Corria o ano de 2004. A gasolina era mais barata, o EuroVespa ecoava na cabeça de todos, o Projecto Hardcore estava na recta final e a Horta das Vespas ainda era ponto cóme. "Mais notável ainda é o aspecto comunitário desta condição anómala. Os pacientes em questão encontram-se profundamente enraizados numa rede de dezenas de indivíduos afectados por idêntica demência, rede essa que cobre o país todo, de Cerveira à Quarteira.". Bons tempos...