11.1.19

Bob tenta pôr a sua Lambretta a andar, parte III

Agora que o motor reconstruído já trabalha, é altura de tratar dos restantes problemas com o primeiro da lista a ser a embraiagem colada. Acesso é obtido desmontando o estrado posterior e o escape. O escape está preso por 4 parafusos, não 3. É escusado começar a martelar quando só se retiraram 3 parafusos. Não me perguntem como sei.


Desapertam-se as porquinhas todas que seguram o carter e puxa-se-lo para fora.


Peguei no meu compressor de embraiagem de Lambretta feito à mão que foi usado para este mesmo desbloqueamento de embraiagem, uma vez há oito anos. Pintado em Azul-Cueca Irónico, claro.


Como suspeitei, os discos da embraiagem estavam colados uns aos outros e saíram num bloco. Limpei os aços com um pouco de lixa e siga a Marinha.


Remontar tudo. Dica do Bob: engatar o cabo embraiagem na alavanca respectiva antes de colocar o carter no sítio, não depois. Depois custa muito. O problema seguinte na lista é o conta-quilómetros/ velocímetro não operacional.

Não há bicha, isso pode estar relacionado.


Felizmente eu estava preparado com peças, basicamente uma de cada. E graças a São Corradino pelos tutoriais de instalação de peças na net.


O sem-fim original tinha os dentes amassados. A engrenagem no cubo estava em bom estado e, como a peça nova de substituição é de fraca qualidade, não a troquei. O facto de não ter conseguido remover a engrenagem original do cubo pode ter influenciado ligeiramente a minha decisão.


Conta-quilómetros consertado! O próximo ponto na ordem de trabalhos era o travão da frente, que agarrava bruscamente com um mero toque na manete fazendo a suspensão dianteira anémica bater instantaneamente no fundo. Lixei o tambor e calços, e bem precisavam. Chanfrei as arestas dos calços, para suavizar o "engagement". Pareceu ficar a funcionar muito melhor. A possibilidade de ter tido contacto com amianto não é de descartar.


A seguir são as luzes. A luz de presença traseira não acendia com os médios/ máximos, só com os mínimos, o que me fez coçar a cabeça. Desmontando o vidro do farolim pude ver a luz, tanto metafórica como literalmente, ao constatar que a lâmpada na realidade acendia, só que com pouquíssimo brilho. Isto levou-me a descobrir que as lâmpadas são da potência errada (35/35W à frente em vez dos recomendados 25/25W, por exemplo). Instalar lâmpadas das especificações correctas deverá resolver a situação. Não me lembro se coloquei lâmpadas muito "fortes" porque era o que tinha à mão ou se por as lâmpadas correctas fundirem num instante... Espero que tenha sido a primeira...

Ainda no departamento das bruxarias eléctricas, a luz de travão não acendia. Deitei a 'bretta para examinar o interruptor, uma decisão feliz que me fez descobrir o esquecimento de apertar o escape no colector, duhhhh. No interruptor, os fios que lá enfiam pareciam meio desengatados. Seria algo assim tão simples??


Não. Era bom demais. Algum troubleshooting depois, determinei que o circuito funciona bem e que a culpa é do interruptor. Desmontei o dito para um exame mais aprofundado e 50% dos parafusos saíram inteiros.


O interruptor está todo partido. Nota: encomendar um novo.


Ah, e há um fio solto que vem da zona do farolim e não sei o que faz. E assim se fechou o dia. Aproveitei ainda para recolocar a câmara de ar do pneu suplente. Pensava que a válvula tinha que apontar para dentro da roda, como nas Vespas, mas não, é para fora. Lambrettas estúpidas. Ah, não se esqueçam de recolocar o óleo.
   

3.1.19

Bob tenta pôr a sua Lambretta a andar, parte II

Em Novembro tentei pôr a minha Lambretta a andar após muitos anos parada, mas uma torneira nova de nada serve quando o depósito está cheio de bolo de chocolate. Um depósito usado em bom estado foi localizado com a ajuda de amigos, e procedeu-se a limpezas gerais. #escavarterracomumachavedefendas


Colei um bocado de papel de oficina a um raio de bicicleta para limpar alguns detritos que estavam dentro do depósito novo. Fora isso, o interior estava em excelente estado.


Já não me lembrava da posição correcta das tiras e múltiplas borrachas que fixam o depósito no sítio. Tirei fotos na altura exactamente por esta razão mas é mais simples procurar na net. Safei-me muito bem aqui, graças a Deus pelas pessoas que mexem em scooters velhas e põem num blógue!!!


Por alguma razão que me escapa, a tampa do ventilador tem um buraco grande no sítio onde encosta o tubo de gasolina. Dobrei um pouco de chapa, borrei-a de tinta branca e coloquei-a por cima do furo com cola epoxy. Feio mas funcional.


Após estas operações relativamente simples mas não proporcionalmente céleres, foi altura de dar ao kicks. O motor reconstruído com zero quilómetros deu instantaneamente sinais de querer pegar mas não o fazia. No máximo, trabalhava durante dois segundos e morria. Sinais claros de falha no fornecimento de combustível. Como o depósito estava limpo e a torneira era nova, o problema só poderia residir a jusante.  Assim sendo, resolvi encurtar o tubo de combustível e desmontar o carburador para soprar os giglers.

 (potato cam)

Pegou logo! Ronrona como um gatinho.


[Edit: vídeo não parece funcionar, tentem este link no FB]

Está pronta. Só faltam pormenores como a embraiagem colada, as luzes esquisitas, o travão da frente que agarra, as molas da suspensão dianteira anémicas, o óleo expirado, o conta-quilómetros que não funciona, e construir um suporte de pneu suplente. :-\ Basicamente pronta...
      

25.12.18

Bob constrói uma ponteira de escape

Ora portantos o meu escape estava a derreter os pneus suplentes e eu consertei-o mas nem por isso porque o problema continuou. Assim sendo, vamos fazer uma ponteira de escape. Comprar coisas feitas não está com nada. #deflexãodegasesdeescape #salvemospneussuplentes

Passo 1: obter um guiador de bicicleta velho. Tem que ser em aço, não pode ser em alumínio! Os deuses da mecânica sorriem para nós pois o diâmetro interno de um guiador destes encaixa perfeitamente no pirilau dum escape de PX. (garantia não contratual)


Passo 2: cortar a parte da curva.


Passo 3: fazer um furo.


Passo 4: obter uma porca M6 extra-comprida (acho que se chamam porcas de ligação) e soldá-la à frente do furo. Aprender a tirar fotografias que não estejam tremidas.


Passo 5: Usando a rebarbadora com disco de corte, criar um lenho que atravesse a porca e desemboque no furo do passo 3. Esta é uma manobra que exige  habilidade média/ avançada na rebarbadora. 


Passo 6: furar METADE da porca com a broca de 6,5mm. Apenas metade, a rosca permanece na outra metade. Senão cara triste.


 Passo 7: passar o macho para limpar a rosca.


Passo 8: adicionar parafuso e preto-fosco. Seguir-se-ão fama, sucesso, riqueza e mulheres.

        

14.12.18

Oficina 240

Já vos tinha dado um cheirinho mas agora é oficial: a Oficina 240 está aberta para serviço! O Samuel é um dos mais conceituados mecânicos que conheço, e é um especialista em preparação de Vespas e motores. Se precisarem de manutenção geral numa scooter mais moderna ou mota grande ele continua a ser o vosso homem e, se quiserem restaurar a vossa Vespa antiga, a Oficina 240 permanece na lista de sítios imprescindíveis a visitar no Porto.

Passei por lá e tirei umas fotos rápidas. Sigam no FB aqui.











   

13.12.18

Nexx X.G100R Motordrome, primeiras impressões

A tão esperada caixa chegou. Depois de ter experimentado altos níveis de satisfação com outros produtos da nacional Nexx, as minhas expectativas encontravam-se elevadas. Mas será que foram cumpridas?







Sim e não. O conforto é soberbo, a qualidade de fabrico é excelente - o preço reflecte isso - e o design é refrescante. É um capacete fenomenal mas talvez não seja o mais adequado para mim. O X.G100R não tem ventilação, para além de uma fenda tímida no queixo, e isso torna-o (mais) quente de Verão e propício a embaciamentos de Inverno (é fornecida uma película anti-embaciamento para colar no interior da viseira e recomendo que seja aplicada mal o capacete saia da caixa).

A minha primeira impressão é que estamos na presença de um capacete fenomenal para dar umas gazádas no fim-de-semana, mas não para uso intensivo no dia-a-dia, durante o ano inteiro. O Nexx X.T1 teria sido uma melhor escolha, creio. Vamos usá-lo durante um ano e depois logo vemos se estas primeiras impressões foram acertadas ou se falharam redondamente. Ide rolar, meus filhos.
   

24.10.18

Passeata ao Douro

"Vai haver um passeio de fim-de-semana para a malta antiga se reunir, vens? Destino: Paredes da Beira." A resposta foi afirmativa.

A lista de participantes consistia de doze nomes e a hora de saída estava marcada para as 9 da manhã. Consequentemente, saímos quatro pessoas ao meio dia.



Quatro personalidades eminentes do scooterismo nacional do início do século saíram ao meio dia e à uma já estavam avariadas. Mas foi ao lado de um restaurante por isso não houve problema. Mais à frente avariámos novamente na Régua mas foi em frente de um café com finos por isso não houve problema. #assistênciaemviagem

 
O Zé foi na sua pré-clássica que fez Londres-Lisboa em séculos idos e que conseguiu redescobrir e adicionar ao estábulo. Já se pode restaurar ETs??


Era a época das vindimas e descolámos uma visita VIP fora de horas à Quinta do Pessegueiro.


Um lugar paradisíaco para quem gosta de álcool, e impressionante até para mim. #sumol4life


Pernoitámos numa mansão antiga repleta de carácter e praticamente intocada pela passagem do tempo. #notairbnb


Fotos foram tiradas. #tagme


Difícil tirar fotos feias no Douro.


A EN222 do lado esquerdo, a EN108 do lado direito. Ambas deslumbrantes e transbordantes de curvas.


Gostei. Obrigado, Nuno.