25.5.18

Distintivo Vespa mega custom

Gosto de construir coisas com as mãos mas as novas tecnologias de fabricação digital revelam-se cada vez mais incontornáveis. Tal como a impressão 3D. A resolução de impressão aqui é baixa (#protótipo #experiência #teste) mas reparem que é a duas cores. Tem um aspecto top a partir dos 70 km/h. Ide rolar, meus filhos.


  

14.12.17

Publicidade e fotos Casal

Na mesma exposição da posta anterior podia ser apreciada uma colecção extensa de publicidade, recortes de imprensa e memorabilia associados às marcas de motociclos nacionais. Sou fã da Casal por isso só vão ver fotos ligadas à marca da Taboeira a seguir a este parágrafo. Lamento, fãs da Famel/ SIS/ Fundador/ Pachanço/ Vilar/ Montagens do Sr. Zé da Oficina de Cebolais de Baixo, mas deviam ter ido à exposição.

Começamos com um gráfico motoqueiro numa t-shirt, OK? OK.


Aparentemente a Casal tinha um jornal interno, o "motonotícia", onde proclamaram a K260 como a primeira motocicleta inteiramente construída em Portugal. Não devem ser muitas as que se podem gabar disso...




Alguma história da Casal nesta parede, que se socorre do mesmo livrete de Manuel Ferreira Rodrigues que eu usei para contar a história da marca na Scoot! Magazine.


A foto é retirada duma brochura de mais um modelo Casal...

 

 ...mas o interessante é a Carina no fundo, parada no cruzamento que levaria à fábrica materna. Se tiver que adivinhar, palpito que se trata da Estrada Nacional 109, no sítio onde é agora o Jumbo e a Decathlon, construídos nos terrenos das instalações demolidas da Casal.

 
Fazendo zoom na Carina, observam-se as letras CMA no guarda-lamas que poderão significar - aposto dinheiro nisso - Câmara Municipal de Aveiro.


Tudo que é Casal e Casal Carina aqui, vale a pena espreitar.
   

11.12.17

Casal Carina com 29 quilómetros

Já todos ouvimos as histórias da Casal Carina nova que estava num stander que fechou ou que nunca foi vendida e que ficou a apanhar pó durante algumas décadas, certo? Pois deve ter sido algo semelhante o que aconteceu a este espécime de 1969 presente na deliciosa exposição Motos de Portugal, e cujo odómetro registava uns meros 290 hectómetros. Ficam aqui algumas fotos para entreter os entusiastas, educar os interessados e ajudar todos os que estejam a restaurar uma Carina.









 

    

6.12.17

Os 11 tipos de Vespistas num passeio de grupo


Em cada concentração ou evento Vespista dignos do nome existe uma actividade tão emocionante quanto perigosa, o passeio de grupo. Centenas de Vespistas, possuidores de Vespas e habilidades díspares, acomodam-se numa pequena porção de asfalto e tentam operar os seus vetustos veículos na mesma direcção geral com níveis diferentes de sucesso.

Este cardume caótico, que parece subsistir numa dimensão alternativa onde as regras básicas de segurança na estrada e o senso comum não existem, reveste-se de uma natureza cíclica e imutável pontuada sempre pelas mesmas 11 personagens perenes, agora fáceis de identificar utilizando este prático e desopilante guia da Horta:

  • os avarias. Cabo rebentado, motor que não pega ou escape solto, é vê-los parados na berma com mais precisão que marcos quilométricos. Não trazem ferramentas.
  • os corta-curvas. Viajam tranquilamente ao teu lado na faixa, cumpridores e estáveis. Até chegarem à curva e entrarem em modo Valentino Rossi, atirando-se para cima de ti para poderem beijar o apex e retirar meia décima ao seu melhor tempo dos treinos de qualificação.
  • os bloqueadores. A massa somada de condutor e passageiro combinada com um motor anémico, uma embraiagem recalcitrante e a falha em operar atempadamente a caixa de velocidades leva à paragem súbita e inesperada no meio da curva mais apertada da subida mais íngreme, originando o caos no pelotão. Demoram seis meses a arrancar novamente.
  • os salmões. O salmão tem sempre que se chegar um bocadinho à frente e ultrapassar mais uma Vespa. Vai subindo o rio lentamente e ninguém sabe porquê. Encosta-se às pessoas na fila da caixa do supermercado.
  • os faladores. Grupo de duas ou três Vespas que se sentem obrigadas sob pena de morte a viajar lado a lado, e a conversar ininterruptamente em andamento, numa formação instável e inquietante. Bloqueiam a estrada não deixando passar mais ninguém, e partem o grupo ao meio. Aposto que também falam ao telemóvel quando conduzem um carro.
  • os picas. Parecem ioiôs, sempre para cima e para baixo. Gostam de ultrapassar nas curvas e na linha contínua. Costumam sobrepôr-se com as duas categorias seguintes.
  • os megafones. Os escapes sempre cumpriram uma função de atenuação sonora, mas estes colegas decidiram-se antes pela amplificação sonora. Os seus motores ouvem-se três freguesias ao lado, e coitado do tipo que se vir bloqueado atrás deles num passeio de três horas #perdadeaudição. Geralmente viajam em pequenos grupos.
  • os fumarentos. Ninguém gosta mais do cheirinho a óleo 2T do que eu, mas os fumarentos exageram. As suas traseiras extrudem uma cortina palpável de cheiro gorduroso que deposita uma película pegajosa no meu capacete, deixa a minha roupa a cheirar a peixe frito, e dá-me dor de cabeça. Não reciclam.
  • os fotógrafos. Sentem obrigação de registar cada curva e cada paisagem porque se não houver foto na rede social não aconteceu. Não é necessariamente incomodativo - patológico, sim, mas não incomodativo - excepto quando decidem travar brusca e inesperadamente, parando apenas com o pezinho na berma e o resto todo da scutra na faixa de rodagem estreita por onde têm que passar mais 200 Vespas. E a foto sai torta.
  • o puto numa 50 de origem. Há sempre um puto numa 50 de origem.
  • o Vespista perfeito que se comporta exemplarmente num passeio de grupo. Sou eu. Só eu, mais ninguém.
Categoria bónus: o páraquedista que aparece de BMW GS ou Suzuki Burgman. Ide rolar, meus filhos.
 

26.10.17

Bob tenta estofar um banco de Vespa, parte 3

Com o grosso da costura feita (parte 2 aqui) entramos nos acabamentos e montagem. A "pega" do passageiro é só um bocado de tecido com uma fita de nylon dentro. Os cravos estavam tão podres que saíram à mão.


O nylon era espesso demais para costurar por isso colei uma tira de tecido à volta da fita com cola de contacto. #snifarcola


Agrafei o nariz no sítio para poder prender a dobradiça com parafusos. Podia agrafar tudo antes e prender a dobradiça com rebites, mas teriam que ser rebites bastante grossos e depois ficava com os pulsos a doer que o meu alicate de rebitar é dos baratos.


Estica-se bem para diluir os erros e agrafa-se a toda a volta. Para prender a pega fui obrigado a retirar alguns agrafos do meio porque há uma anilha (a de "ombros", que parece um chapeuzinho, aquela que quase perdi no meio da rua) que fica por dentro da espuma e apoia a fivela cromada. #nãofoigrave

E cortei um buraco para a fechadura.


It's done, bitches! Tendo em conta as costuras medíocres que fiz, até tem um aspecto aceitável. Só ao longe, porque os pontos revelam rapidamente o amadorismo extremo da coisa se se olhar de perto.


Valeu a pena o investimento de tempo e dinheiro só para não comprar uma capa feita? Para mim, que gosto de aprender técnicas e usar ferramentas novas, sim, e o próximo banco é grátis e correrá muito melhor. Para o Vespista médio, nem pensar.

Pode uma pessoa normal fazer uma capa decente para um banco de Vespa? Depende da definição de "decente" mas eu diria que não. Para ficar uma coisa aceitável é necessária alguma experiência (não pode ser o primeiro nem o segundo banco) e desconfio que uma máquina de costura industrial que consiga avançar várias camadas de napa sem falha é quase imprescindível.*

*o verdadeiro artesão coloca sempre a culpa nas ferramentas