6.12.17

Os 11 tipos de Vespistas num passeio de grupo


Em cada concentração ou evento Vespista dignos do nome existe uma actividade tão emocionante quanto perigosa, o passeio de grupo. Centenas de Vespistas, possuidores de Vespas e habilidades díspares, acomodam-se numa pequena porção de asfalto e tentam operar os seus vetustos veículos na mesma direcção geral com níveis diferentes de sucesso.

Este cardume caótico, que parece subsistir numa dimensão alternativa onde as regras básicas de segurança na estrada e o senso comum não existem, reveste-se de uma natureza cíclica e imutável pontuada sempre pelas mesmas 11 personagens perenes, agora fáceis de identificar utilizando este prático e desopilante guia da Horta:

  • os avarias. Cabo rebentado, motor que não pega ou escape solto, é vê-los parados na berma com mais precisão que marcos quilométricos. Não trazem ferramentas.
  • os corta-curvas. Viajam tranquilamente ao teu lado na faixa, cumpridores e estáveis. Até chegarem à curva e entrarem em modo Valentino Rossi, atirando-se para cima de ti para poderem beijar o apex e retirar meia décima ao seu melhor tempo dos treinos de qualificação.
  • os bloqueadores. A massa somada de condutor e passageiro combinada com um motor anémico, uma embraiagem recalcitrante e a falha em operar atempadamente a caixa de velocidades leva à paragem súbita e inesperada no meio da curva mais apertada da subida mais íngreme, originando o caos no pelotão. Demoram seis meses a arrancar novamente.
  • os salmões. O salmão tem sempre que se chegar um bocadinho à frente e ultrapassar mais uma Vespa. Vai subindo o rio lentamente e ninguém sabe porquê. Encosta-se às pessoas na fila da caixa do supermercado.
  • os faladores. Grupo de duas ou três Vespas que se sentem obrigadas sob pena de morte a viajar lado a lado, e a conversar ininterruptamente em andamento, numa formação instável e inquietante. Bloqueiam a estrada não deixando passar mais ninguém, e partem o grupo ao meio. Aposto que também falam ao telemóvel quando conduzem um carro.
  • os picas. Parecem ioiôs, sempre para cima e para baixo. Gostam de ultrapassar nas curvas e na linha contínua. Costumam sobrepôr-se com as duas categorias seguintes.
  • os megafones. Os escapes sempre cumpriram uma função de atenuação sonora, mas estes colegas decidiram-se antes pela amplificação sonora. Os seus motores ouvem-se três freguesias ao lado, e coitado do tipo que se vir bloqueado atrás deles num passeio de três horas #perdadeaudição. Geralmente viajam em pequenos grupos.
  • os fumarentos. Ninguém gosta mais do cheirinho a óleo 2T do que eu, mas os fumarentos exageram. As suas traseiras extrudem uma cortina palpável de cheiro gorduroso que deposita uma película pegajosa no meu capacete, deixa a minha roupa a cheirar a peixe frito, e dá-me dor de cabeça. Não reciclam.
  • os fotógrafos. Sentem obrigação de registar cada curva e cada paisagem porque se não houver foto na rede social não aconteceu. Não é necessariamente incomodativo - patológico, sim, mas não incomodativo - excepto quando decidem travar brusca e inesperadamente, parando apenas com o pezinho na berma e o resto todo da scutra na faixa de rodagem estreita por onde têm que passar mais 200 Vespas. E a foto sai torta.
  • o puto numa 50 de origem. Há sempre um puto numa 50 de origem.
  • o Vespista perfeito que se comporta exemplarmente num passeio de grupo. Sou eu. Só eu, mais ninguém.
Categoria bónus: o páraquedista que aparece de BMW GS ou Suzuki Burgman. Ide rolar, meus filhos.