4.6.10

Vespa de desempanagem móvel do ACP número 326

A Horta decidiu fazer algo vagamente jornalístico, para variar, e foi à caça da esquiva Vespa do ACP. Apesar de eu fazer poucos quilómetros de enlatado, o Automóvel Clube de Portugal já me salvou o dia de modo eficiente em duas ocasiões separadas, e considero-os como uma organização meritória e inteligente ao ponto de terem na sua frota do Norte, em tempos, três Vespas utilizadas como viaturas rápidas de desempanagem móvel.



Destas três duas já foram desactivadas e vendidas, restando agora apenas uma dedicada a fazer recados, a número 326. É uma PX do início dos anos 90, creio eu, sem arranque eléctrico e em estado bastante razoável e original, se bem que algo coçada do trabalho. Marca menos de 40.000kms no mostrador e as suas marcas identificativas dianteiras encontram-se tapadas pelo avental.





Esta PX tem de momento uma "top case" Givi atrás mas nos seus dias de trabalho possuía ainda uma caixota à frente com os dizeres "desempanagem móvel" para levar a ferramenta toda. Além disso havia uma bateria grande entre os pés do condutor, uma instalação de rádio no porta-luvas, uma antena na traseira e um extintor ao alto por trás do pé esquerdo do condutor, como demonstra o sr. Domingos neste pormenor da foto de grupo.



Uma etiqueta no topo do porta-luvas continua a lembrar o indicativo de rádio deste veículo - "Autoclub 326" - e uma fixação para o microfone continua rebitada no seu interior, como memórias esbatidas de meios de comunicação obsoletos. No chão, dois furos adjacentes tapados com parafusos marcam o local do extintor desaparecido.



A manutenção desta viajante vermelha continua a ser realizada pelo sr. Domingos na garagem do ACP. Nunca deu grandes problemas: alguns cabos, mudanças de óleo e uma ou outra embraiagem porque "andavam muito carregadas". Um dia houve também um tombito, causado pela chuva miudinha que cortava a visibilidade através do pára-brisas e por uma sucessão inesperada de covas. Esse tombo levou à descoberta dos ratos da Cantareira de rabo cortado que assim o é porque os inteligentes roedores o usam para pescar peixe no rio! Não se ouvem histórias destas ao rolar num secador aisático...

O veículo 326 deu o seu lugar na linha da frente a máquinas mais modernas como Hyosungs automáticas e BMWs GS, mas continua a afirmar "presente!" sempre que é preciso ir fazer um recado. Aparentemente também havia Pêxizers a desenrascar enlatados nas zonas de Lisboa e Coimbra mas não tenho informação dessas. De uma, pelo menos, fica registada a história.

Os meus agradecimentos à menina Dulce Pinto do ACP que possibilitou a minha visita, e ao sr. Domingos que me contou a história desta Vespa. Mais fotos de qualidade marginal porque estava pouca luz no armazém e é essa a minha desculpa em magnífico slideshow aqui.