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6.12.09

Salão de Aveiro

O 4º Salão Automóvel Antigo-Clássico e Sport de Aveiro, ou a "feira de Dezembro", foi uma surpresa agradável em termos de tamanho já que ocupava ambos os pavilhões e todos os corredores interiores. Ainda não se compara com a Automobilia de Abril mas vale a pena a visita.

No que toca a scooters não havia nada de extraordinário à excepção de duas coisas. A primeira foi esta Sprint com o chão putrefacto que se mantinha num estado morto-vivo à força de abundante soldadura terceiro-mundista.


A outra foram estes autocolantes/ decalques indicadores de pressão dos pneus numa Carina cinzenta-prateada que tinha aspecto bastante original. Estavam do lado direito apenas, um no guarda-lamas e outro no rabo logo depois da tampa lateral. É claro que existe a possibilidade destas marcações não serem "de origem" mas os valores de pressão batem certo com os indicados no manual; é mais uma peça no grande puzzle Carina.



10.4.07

A minha Rally verde-escarro

Ora então a minha Rally 180 de tonalidade "verde-adeiramente" hortícula repousava já há muito tempo no canto da garagem, com um grande buraco no lugar do cilindro. A sua extrema maturidade mecânica acabou por levar o melhor da minha velha amiga, levando-a a encostar graças a uma desintegração parcial do pistão que a impedia de passar dos 60 à hora. Mas continuava a pegar bem, a aguentar o ralenti, a gastar pouco e a ter força. Os mais veteranos poderão lembrar-se da minha máquina de tais ocasiões tais como um épico episódio de Vespa Surfing (a explorar com mais detalhe posteriormente), de várias visitas a Leiria, dos dedos oleosos do Mexe marcados no avental, e de uma breve mas memorável aparência na televisão (ai a menina da NTV!).

Consegui recentemente localizar um escape novo por uns meros 25 euros, com o adorável feitio de bexiga de porco. O dono anterior tinha tentado adaptá-lo a uma Sprint sem sucesso, tendo para o efeito cortado uma das chapas de fixação e a ponteira. Utilizando o escape velho e putrefacto como guia, recoloquei as peças amputadas no seu sítio com a ajuda da minha (falta de) capacidade de soldador. O dedo na foto está a esconder uma soldadura particularmente horrível, mesmo quando comparada com alguns abortos seriamente disformes que eu tenho produzido.

Algumas bufadelas de preto de alta temperatura e siga para o pistão. A medida 64.1 é a última rectificação oficial para a Rally 180. No entanto, já observei pistões de concorrência marcados para este modelo com medidas como 65.1, 64.25 e 64.75. Poderá ainda existir esperança para o meu cansado cilindro. Notem que a rectificação não conseguiu eliminar completamente o "calo", ainda se nota um anel de desgaste logo abaixo da boca do cilindro. Após discussão com o Vasco, chegámos à conclusão que o defeito era menor, não devendo apresentar diminuições apreciáveis na compressão ou durabilidade. "Isto até trabalha a biqueiros", foi a expressão usada.

A culassa tinha todo o carvão acumulado desde a última grande revisão ao motor que deve ter sido feita ainda os números de telefone tinham 6 algarismos, e apresentava umas picadelas causadas pelos bocados de pistão e segmento desaparecidos anteriormente. Uma sessãozita com a lixa e uma passagem rápida pelo Master Blaster puseram a agulha no verde. Até a vela de sucata ficou limpinha! Gostaria de dizer que ela pegou à primeira, mas tal não aconteceu. Depois de diagnosticada e rectificada uma bolha de ar no tubo da gota, aí sim ela pegou à primeira. De empurrão pois então, já que a bicha não tem kicks. Ela tinha, mas há muitas luas atrás o kicks começou a moer. Quando fui proceder à sua substituição, deparei-me com os dentes do veio soldados, provavelmente para remediar um kicks moído, o que funcionou temporariamente. Enquanto o motor não for aberto para trocar o veio, fica o kicks novo na gaveta e tem-se cuidado para evitar vergonhas no meio do trânsito.

Basicamente, ela já ronca de novo com alma e vigor, pronta a fazer quilómetros... Mas não no futuro próximo. Já me tinha esquecido do estado lamentável em que se encontra o quadro, com uma fractura feia a sair dos podres horrorosos no lado do túnel, provavelmente potenciados pelos pousa-pés típicos. Vai ser uma ou duas voltinhas só para tirar foto e depois armazenagem a longo prazo enquanto tento localizar o Chapeiro dos Chapeiros, digno e capaz de enfrentar o desafio que é a minha Rally putrefacta. Haja chapeiro e tudo se conserta. Fé, meu irmão.

10.1.07

Dia 0 - primeiras fotos

Estas são algumas das fotos do estado inicial, já não me lembro se foi o Mexe que as tirou. É uma Sprint 150 de 66, das primeiras portanto. Isso é comprovado pelo símbolo rectangular no avental (em vez de hexagonal), pelo distintivo traseiro que diz “Vespa Sprint” em vez de dizer “125 Sprint” ou “150 Sprint”, e pelos números de quadro e motor que andam pelos 30000.

Como podem observar, veio quase tudo desmontado incluindo o motor aberto. O quadro parecia relativamente direito, sem grandes pancadas ou podres. Também o chão, à primeira vista, não parecia propiciar pesadelos de podridão putrefacta. No entanto, um podre grande por baixo do bacalhau inspirava cuidados.





O depósito estava limpo por dentro, a fixação do amortecedor traseiro estava intacta, e estava tudo razoavelmente completo. Pormenores agradáveis são as matrículas de chapa e um banco corrido a acompanhar o par de bancos triangulares. No entanto, estava a faltar o conta-quilómetros (veio só o aro, ferrugento e amassado) e a cambota. Dentro do balde vinha uma cambota não identificada: acelera? Famel-Zundapp? Mesmo que a cambota correcta tivesse acompanhado o resto das peças, provavelmente teria ido parar ao caixote do eco-ponto no mesmo dia, a julgar pelas fotografias seguintes.










Quem abriu o motor, fê-lo sem limpar aquela camada de terra e óleo que envolve com tanto carinho e dedicação todas as peças que viajam expostas a um palmo do chão. Os carters mostravam algumas pancadas e danos, bem como um risquito na válvula rotativa, mas nada de irrecuperável. O cilindro tinha a base partida, o guiador tinha um furo maluco por cima, o guarda-lamas estava podre, e vinha tudo num balde. Ferrugem, teias de aranha, grandes quantidades de despesa, superiores quantidades de tempo, problemas infindáveis, alegrias abundantes. Tudo incluído no negócio.