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| Foto de Andy Kobel |
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20.3.12
13.10.11
8.9.11
A posta mais popular da Horta
A Horta tem sido inundada com emails* de leitores a quererem saber qual é a posta mais popular da Horta. Pois ficam a saber que é a "Restauros vietnamitas inspeccionados".
Continuo a ver vietbodges para venda e vietbodges a serem comprados.*facepalm*
Continuo a ver vietbodges para venda e vietbodges a serem comprados.*facepalm*
*nem por isso
21.12.10
Vietbodges avistados
O Sam enviou-nos algumas fotos de telemóvel de um encontro imediato que teve com um par de Vietbodges, aqui no Porto. Não tenham dúvidas de que esta é apenas uma pequena amostra das sucatices mirabolantes que se podiam observar nestas fraudes rolantes. Cubos de fabrico asiático? Inédito!
Bela golpilha e trabalho de zincagem... Not!
A última é a melhor. Estão a olhar para a porca do cubo traseiro, que é basicamente o componente que impede uma das rodas de saltar fora em andamento. Em vez duma golpilha a atravessar uma porca castelada, temos uma porca vietnamita baixa com uma anilha pousada por cima e um parafuso Philips empenado a sodomizar o eixo da roda. Alguém quer dar 4500 euros por uma destas Vespas? E sabendo que noutros países como a Alemanha custam menos de metade?
Fotos de Sam
12.4.10
Vietbodge spotting
Com a chegada do calor as raparigas perdem a roupa e as Vespas de tempo bom perdem o pó. O número de avistamentos de máquinas dispara, incluindo sempre alguns exemplares de duvidosa proveniência. Um dos Vietbodges que encontrei recentemente até aparentava ser bastante jeitosito, sem grandes sucatices visíveis.
Exceptuando a soldadura ocasional num componente estruturalmente importante, claro.
O outro vietbodge que me apareceu (obrigado aos que escreveram para a Horta a avisar da sua localização) cumpre as funções de decoração de montra. Ora acontece que a montra era muito escura e tinha uma densa grade à frente, por isso fui obrigado a realizar esta apurada montagem gráfica de várias fotografias individuais para obter uma representação fiel e ampla do dito espécime. No entanto, num plano mais cósmico, o que obtemos realmente é uma metáfora visual da autêntica manta de retalhos que são estes restauros reprováveis. "Ai tão lindas!"
30.1.10
"Domibodge"
Já todos vimos na net fotografias que demonstram a verdade escondida por debaixo da tinta colorida e dos cromados brilhantes dos Vietbodges, mas é raro poder ver um ao vivo com esse detalhe. Hoje tive o desprazer de contemplar um bodge autenticamente dantesco em todo o seu esplendor, não Asiático mas originário da República Dominicana.
Mas a República Dominicana está a 20.000 quilómetros da Ásia, dizem vocês; há provas fotográficas abundantes que estamos a lidar com a mesma categoria de sucatice universal que se vê na Ásia. Voltando às fotos, devo dizer que estas não conseguem transmitir completamente a dimensão da podridão e a quantidade louca de remendos gangrenosos que afligiam esta pobre Vespa.
Mas a República Dominicana está a 20.000 quilómetros da Ásia, dizem vocês; há provas fotográficas abundantes que estamos a lidar com a mesma categoria de sucatice universal que se vê na Ásia. Voltando às fotos, devo dizer que estas não conseguem transmitir completamente a dimensão da podridão e a quantidade louca de remendos gangrenosos que afligiam esta pobre Vespa.
O guarda-lamas nem foi para decapar, de tão podre que estava. Uma camada absurdamente espessa de betume tornava-o lisinho e bonito de se ver, como acontecia ao resto das peças de chapa.
Esta "colecção de cromos" nem era metade dos problemas na traseira. Os remendos estavam simplesmente pousados por cima da chapa podre; espreitando por baixo viam-se os buracos respectivos, cada um deles mais disforme e assustador que o outro. Toda a zona da matrícula era um grande remendo, e o topo por trás do depósito estava todo afundado, com um buraco enorme no meio, e uma chaporra soldada a tapar tudo.
A zona do distintivo do avental, com uns nacos de chapa em cima. O betume espesso escondia tudo, incluindo as costuras e vincos típicos dum quadro de Vespa que ficaram completamente enterrados e invisíveis.
Um bocadito do chão. Assim de repente conto 5 remendos diferentes e dois tipos de solda. Não preciso de mostrar como estava por baixo, pois não?
O balon esquerdo era lixo. Em vários sítios era só buraco - devem ter ficado sem remendos...
Esta fez-me rir: o suporte do estofo do banco foi feito com fio eléctrico e bicha de travão velha!
Alguns continuam a achar que é uma boa oportunidade mandar vir uma Vespa de terras distantes, e têm o direito à sua opinião. Eu não vejo razão para preferir mandar vir uma máquina estrangeira duvidosa quando, pelo mesmo preço, podemos mandar fazer um restauro nacional a uma Vespa nacional, e acompanhar o processo com os nosso olhos. Sejam exigentes quando comprarem uma Vespa restaurada, qualquer que seja a sua origem!
[Edit: As jantes! Estavam podres E soldadas!]
[Edit: As jantes! Estavam podres E soldadas!]
5.6.09
Restauros vietnamitas inspeccionados
Finalmente consegui arranjar um par de horas sossegadas à frente do computador para finalizar a minha avaliação das Vespas restauradas no Vietname vendidas pela empresa Minipeças. Tentei ser o mais objectivo possível e apoiar-me apenas em factos e observações, sem preconceitos ou piadas fáceis. Dividi esta análise em vários capítulos, cada um deles focado num aspecto diferente das Vespas em questão.
Não tive oportunidade de andar em nenhuma destas Vespas ou de as desmontar- apenas retirei a tampa do motor- mas estou convencido que as observações resultantes são, mesmo assim, significativas. Enviei este texto aos responsáveis da Minipeças para lhes dar a oportunidade de contra-argumentarem as minhas conclusões, e os seus comentários aparecerão no fim. Agradeço-lhes novamente a sua disponibilidade em me receberem e o tempo dispensado.
ORIGINALIDADE:
Restaurar uma Vespa é colocá-la num estado exactamente igual ao do dia em que saiu da fábrica. Estas Vespas podem estar recuperadas/ arranjadas/ reconstruídas/ o que lhe quiserem chamar, mas a denominação “restauradas” não se aplica. O desvio do estado original existe não apenas ao nível da pintura, decoração e acabamentos, mas também na própria identidade do modelo: Vespas de roda 8 foram modificadas para roda 10 e máquinas mais modernas foram modificadas para se parecerem com modelos de “guiador de bicicleta”.
Esta falta de originalidade não é uma desvantagem automática visto que muitas pessoas apenas procuram uma Vespa vistosa não dando grande importância às especificações de fábrica, e até preferem algo único e customizado. No entanto, estes modelos híbridos sem identidade definida não têm nenhum valor de coleccionismo e só com dificuldade poderão ser revertidos ao seu estado original.
ESTÉTICA:
Este é um campo subjectivo e cada um terá que desenvolver a sua própria opinião. A minha opinião subjectiva e individual: são feias.
QUALIDADE:
Um dos responsáveis da Minipeças considerou a qualidade do trabalho mecânico da reconstrução destas Vespas como alta. A minha avaliação é exactamente oposta: fraca. A quantidade de pormenores indicadores de mão-de-obra fraca e desleixada é numerosa demais para listar: desde parafusos e borrachas incorrectos até forquetas e punhos pintados por cima o que indica que nunca foram desmontados nem revistos. As fixações modificadas dos cabos do travão dianteiro, por exemplo, onde o pino que segura as chapas de fixação do cabo tinha sido substituído em várias máquinas por um parafuso muito menos forte, é uma falha enorme ao nível da segurança que poderia ser corrigida com peças que valem umas dezenas de cêntimos.
A pintura aparenta ser saudável à primeira vista mas, mais de perto, notavam-se estaladelas e uma quantidade exagerada de betume; esta última aponta, invariavelmente, para atalhos no trabalho de chaparia. Um dos responsáveis ofereceu a justificação para estas falhas que estas seis Vespas eram as restantes dum lote de vinte e duas, e que já não eram a primeira escolha; 6 em 22 é mais de 25%, uma percentagem bastante grande de exemplares inferiores, na minha opinião. A qualidade das peças de substituição utilizadas variava bastante entre o adequado e o medíocre; notava-se a reutilização de muitas peças velhas.
PREÇO E DISPONIBILIDADE:
O preço destas Vespas rondava os 4500 euros, com legalização já incluída. Por este valor pode-se perfeitamente adquirir uma Vespa nacional e enviá-la para uma oficina experiente em Portugal que fará um trabalho de qualidade segundo as nossas especificações, incluindo customizações de cores e acessórios cromados. Se não quisermos investir tempo e esforço a adquirir uma scooter velha e a acompanhar o processo de restauro, a disponibilidade imediata destes restauros Vietnamitas é conveniente; no entanto, esta disponibilidade não é exclusiva já que nos classificados abundam Vespas nacionais recuperadas com preços até inferiores.
GARANTIA:
Não existe qualquer tipo de garantia oficial já que se trata duma venda de particular a particular. O vendedor exprimiu a sua disponibilidade em tentar resolver qualquer avaria que possa suceder, e informou que a única avaria registada até então tinha sido um afinador partido. Quando inquirido acerca da maior quilometragem efectuada por uma destas Vespas importadas, a resposta foi “centenas e centenas de quilómetros” o que, na minha opinião, é uma distância insuficiente para aferir da fiabilidade (ou falta dela) destas máquinas.
CONCLUSÃO:
Se existem recuperações de qualidade a virem do Sudoeste Asiático, estas não fazem parte deste grupo. Por todo o lado se encontram indicações de atalhos incompatíveis com uma recuperação completa e cuidada, falta de atenção aos pormenores e falhas básicas de mecânica; as fixações dos cabos do travão dianteiro observadas tornam estas Vespas perigosas para o condutor, passageiro e qualquer utente da via pública. Não há razão para pensar que o nível de qualidade nas zonas fora de vista ou no motor seja diferente.
Exceptuando a disponibilidade imediata e a escolha entre várias máquinas garridas e vistosas, não consigo encontrar nenhuma vantagem em adquirir um destes “Vietbodges”: a sua qualidade é fraca atravessando a fronteira para o perigoso; o preço é muito elevado; a identidade original dos modelos, alguns até coleccionáveis, é eliminada; está-se a comprar a uma empresa que se dedica à venda de peças para Minis e que não é especializada em Vespas nem está ligada à cena scooterista nacional, limitando-se a importá-las.
A minha recomendação em relação a estas Vespas específicas e aos Vietbodges em geral continua a mesma: não comprem nem deixem ninguém comprar. Se estão interessados em gastar 4500 euros dirijam-se a uma oficina de restauros experiente e estabelecida que vos entregará uma Vespa nacional de qualidade muito superior capaz de longos anos de serviço, e não uma Vespa duvidosa cheia de betume montada no Terceiro Mundo por um desconhecido que prefere poupar cêntimos a garantir a segurança e fiabilidade do seu produto.
"No uso do seu direito de resposta a Minipeças – Unipessoal, Lda., vem tecer as suas considerações, acerca das conclusões técnicas e especializadas retiradas pelo Sr. sobre as nossas vespas que pôde inspeccionar com toda a liberdade e cordialidade com que a Minipeças sempre recebe qualquer cliente, fornecedor, ou qualquer outra pessoa nas suas humildes instalações.
Apesar do Sr. ser um especialista nas duas rodas, nomeadamente nas vespas, não pode de modo algum obnubilar ou diminuir a formação, informação e competência da Minipeças no panorama dos clássicos em Portugal. Pode referir-se um simples dado estatístico segundo o qual a Minipeças foi em 2007, 2008 e primeiro trimestre de 2009 o maior importador do mundo de peças e acessórios para minis, a partir do Reino Unido – dados fornecidos pela Minispares UK, Ltd.
Portanto, quanto a avaliar qualidade de restauro, fiabilidade e segurança, em clássicos, esta empresa fundada em 2003, na pessoa do seu único Sócio e Gerente, admite poucos ensinamentos. De resto, os milhares de clientes espalhados por este país, e que na sua grande parte são as oficinas de restauro de renome que o Sr. refere, que fazem os restauros de originalidade impar, não deixarão de o confirmar.
Poderá certamente o leitor concluir, como o Sr. Hugo, que uma pessoa que se especializou nas quatro rodas, não terá a mesma sensibilidade ou preocupações a nível de segurança no que concerne às duas rodas, como se não fosse tão grave falhar a travagem num veiculo onde vai o condutor e toda a família, como num em que apenas circula o condutor e, eventualmente um pendura.
Neste âmbito, urge referir mais um dado histórico nas origens da Minipeças, que muitos poderão desconhecer ao lerem apenas a firma, mas que lhes soará familiar se conhecerem o respectivo sócio-gerente. Pois esta mesma pessoa que hoje comercializa peças para mini, iniciou a sua vida nos clássicos com apenas 16 anos, nos finais da década de 80, onde restaurava todo o tipo de motociclos clássicos. Durante toda a década de 90, comprou, restaurou e vendeu largas centenas de motos, na sua grande maioria provenientes do exército português, que ainda hoje circulam com o mesmo restauro com que saíram da sua modesta oficina. Até à presente data, ainda nenhuma ocorrência foi registada com tais veículos, pois sempre se primou por valores fundamentais como a fiabilidade e segurança, inicialmente nas motos e posteriormente nos minis e outros clássicos que a Minipeças comercializa e restaura.
Mas centrando-nos nas nossas vespas, cumpre dissipar a primeira ideia veiculada pelo Sr. Hugo. Pois o mesmo afirma que veio analisar as vespas sem qualquer preconceito e de espírito aberto. Ora, a contaditio nos termos é evidente, pois o preconceito é a única razão de ser da presente reportagem. De outra forma como se explica que este Sr. se predispunha a fazer várias centenas de Kilometros para vir ver as vespas, se não fosse por saber que eram de proveniência asiática e ter a ideia pré-concebida que as vespas restauradas naquela parte do globo são de baixa qualidade?! Se à sua primeira solicitação o tivéssemos informado de que as vespas vieram de Espanha ou de França, ou de qualquer outro país que não da Ásia, o interesse nas mesmas morria à nascença.
Como se nos países ditos desenvolvidos também não se trabalhe mal, e muitos dos que fazem os restauros também não dêem muitas voltas e reutilizem muito material para poupar no preço do restauro e ganharem mais na venda.
Parece que em países como o nosso, onde os restauros são de qualidade (pois não somos do terceiro mundo) também não existe a qualidade e excelência de um (permitam-me a publicidade) Manel das Vespas, e os sapateiros que fazem restauros deploráveis, que o Sr. Hugo melhor que ninguém relata no seu blog, nomeadamente com fotos de vespas expostas em locais e certames de renome.
Foi com este espírito e com a certeza de que em todas as partes do mundo existem bons e maus profissionais, que a Minipeças arriscou a importar primeiro uma, mais tarde duas, depois mais duas e por fim 18, vespas, sempre do mesmo exportador. Ao contrário de muitas pessoas que comercializam neste meio das duas rodas, mas que se limitam a especular sobre a qualidade dos restauros, mas que nunca se predispuseram a arriscar importar para poderem confirmar os boatos.
A qualidade das primeiras determinou a importação das segundas e assim sucessivamente. Note-se que a qualidade aqui foi paga, pois não nos compadecemos em importar as mais baratas, mas sim as que ofereciam melhores garantias de qualidade, o que viemos a confirmar. Assim, as nossas vespas estão longe de ser aquelas que se vêm anunciadas por quantias a rondar os $1.000,00 USD, daí que seja impossível comercializá-las por preço inferior ao que foi comunicado ao Sr. Hugo.
Por outro lado, aquando da visita do Sr. Hugo, as vespas que restavam eram efectivamente as ultimas e muitas tinham já algumas mazelas superficiais devido aos muitos quilómetros que têm percorrido nas deslocações para as feiras, exposições, bem como os testes a que foram submetidas para a legalização. Contudo, nenhuma vespa é entregue sem uma inspecção final e qualquer pormenor em falta é solucionado, ou o preço reajustado com o cliente.
Para concluir, até à presente data, cada cliente tem sido um amigo, e se naquela data as vespas vendidas tinham ainda poucos Km’s hoje algumas já têm milhares e nunca houve qualquer problema ou reclamação e, felizmente, ainda não partiu nenhum parafuso do travão que provocasse o despiste ou acidente de alguém… de resto até é estranho que nem de uma espia partida os clientes se têm queixado, quando como todos vós sabeis, elas partem tão facilmente… Será certamente porque as peças aplicadas nestas vespas são as mesmas que todos vós comprais nas lojas da especialidade, pois apesar de haver muita vespa a circular e a restaurar, o volume delas, enquanto clássicos, não justifica que hajam várias fábricas abertas a produzir peças especificas, assim, tanto nas vespas, como em qualquer outro clássico, as peças vêem invariavelmente da mesma origem. Ou pensavam que os chineses não sabem escrever as palavras em italiano que vêm nas caixas das peças, mas depois têm por baixo Made in China, Taiwan, …, pois é, é que de facto a mão-de-obra lá é mais barata…. Muitos dos que já viram e compraram as nossas vespas são unânimes em afirmar que uma vespa com a qualidade do restauro destas em Portugal, custaria quase o dobro, atento o preço da mão-de-obra.
Despeço-me assim com os melhores cumprimentos, agradecendo ao Sr. Hugo a visita e a oportunidade de publicitar as nossas vespas no seu tão aclamado site/blog. Uma ultima palavra para os amantes da vespa - amantes de clássicos como nós – que não se deixem pautar por ideias pré-concebidas, do que é ou não aceitável, do que é ou não original, o que se pode fazer ou o que é proibido nisto dos clássicos. Reparem no orgulho com que as outras pessoas exibem os seus veículos personalizados, uns mais à época, outros mais modernizados, mas sempre e unicamente com paixão pelos mesmos. A vespa, como o mini, o beetle, o dois cavalos e a 4L, são os clássicos do povo, e o povo é a expressão da liberdade e da diferença – viva a diferença, a liberdade de expressão e o respeito pelos gostos e excentricidades de cada um.
Acabando como começa o Sr. Hugo, se restaurar é por o veículo como ele saiu da fábrica, então cada um de vós quando prepara a vespa para ir para a pintura está a cometer um atentado à originalidade, pois a única tinta que se poderá dizer original, é aquela que vocês acabaram de arrancar da mota e que já não volta mais…
Felicidades a todos, e já só cá temos 5 vespas… mas estão mais a caminho.
Minipeças – a Gerência " [ênfases do autor]
E prontos, aí têm. A resposta da Minipeças levanta pontos adicionais mas não vale a pena chicotear mais o cavalo. Já viram a coisa pelos dois lados, agora decidam vocês. O conjunto completo das fotos está aqui.
Não tive oportunidade de andar em nenhuma destas Vespas ou de as desmontar- apenas retirei a tampa do motor- mas estou convencido que as observações resultantes são, mesmo assim, significativas. Enviei este texto aos responsáveis da Minipeças para lhes dar a oportunidade de contra-argumentarem as minhas conclusões, e os seus comentários aparecerão no fim. Agradeço-lhes novamente a sua disponibilidade em me receberem e o tempo dispensado.
ORIGINALIDADE:
Restaurar uma Vespa é colocá-la num estado exactamente igual ao do dia em que saiu da fábrica. Estas Vespas podem estar recuperadas/ arranjadas/ reconstruídas/ o que lhe quiserem chamar, mas a denominação “restauradas” não se aplica. O desvio do estado original existe não apenas ao nível da pintura, decoração e acabamentos, mas também na própria identidade do modelo: Vespas de roda 8 foram modificadas para roda 10 e máquinas mais modernas foram modificadas para se parecerem com modelos de “guiador de bicicleta”.
Esta falta de originalidade não é uma desvantagem automática visto que muitas pessoas apenas procuram uma Vespa vistosa não dando grande importância às especificações de fábrica, e até preferem algo único e customizado. No entanto, estes modelos híbridos sem identidade definida não têm nenhum valor de coleccionismo e só com dificuldade poderão ser revertidos ao seu estado original.
ESTÉTICA:
Este é um campo subjectivo e cada um terá que desenvolver a sua própria opinião. A minha opinião subjectiva e individual: são feias.
QUALIDADE:
Um dos responsáveis da Minipeças considerou a qualidade do trabalho mecânico da reconstrução destas Vespas como alta. A minha avaliação é exactamente oposta: fraca. A quantidade de pormenores indicadores de mão-de-obra fraca e desleixada é numerosa demais para listar: desde parafusos e borrachas incorrectos até forquetas e punhos pintados por cima o que indica que nunca foram desmontados nem revistos. As fixações modificadas dos cabos do travão dianteiro, por exemplo, onde o pino que segura as chapas de fixação do cabo tinha sido substituído em várias máquinas por um parafuso muito menos forte, é uma falha enorme ao nível da segurança que poderia ser corrigida com peças que valem umas dezenas de cêntimos.
A pintura aparenta ser saudável à primeira vista mas, mais de perto, notavam-se estaladelas e uma quantidade exagerada de betume; esta última aponta, invariavelmente, para atalhos no trabalho de chaparia. Um dos responsáveis ofereceu a justificação para estas falhas que estas seis Vespas eram as restantes dum lote de vinte e duas, e que já não eram a primeira escolha; 6 em 22 é mais de 25%, uma percentagem bastante grande de exemplares inferiores, na minha opinião. A qualidade das peças de substituição utilizadas variava bastante entre o adequado e o medíocre; notava-se a reutilização de muitas peças velhas.
PREÇO E DISPONIBILIDADE:
O preço destas Vespas rondava os 4500 euros, com legalização já incluída. Por este valor pode-se perfeitamente adquirir uma Vespa nacional e enviá-la para uma oficina experiente em Portugal que fará um trabalho de qualidade segundo as nossas especificações, incluindo customizações de cores e acessórios cromados. Se não quisermos investir tempo e esforço a adquirir uma scooter velha e a acompanhar o processo de restauro, a disponibilidade imediata destes restauros Vietnamitas é conveniente; no entanto, esta disponibilidade não é exclusiva já que nos classificados abundam Vespas nacionais recuperadas com preços até inferiores.
GARANTIA:
Não existe qualquer tipo de garantia oficial já que se trata duma venda de particular a particular. O vendedor exprimiu a sua disponibilidade em tentar resolver qualquer avaria que possa suceder, e informou que a única avaria registada até então tinha sido um afinador partido. Quando inquirido acerca da maior quilometragem efectuada por uma destas Vespas importadas, a resposta foi “centenas e centenas de quilómetros” o que, na minha opinião, é uma distância insuficiente para aferir da fiabilidade (ou falta dela) destas máquinas.
CONCLUSÃO:
Se existem recuperações de qualidade a virem do Sudoeste Asiático, estas não fazem parte deste grupo. Por todo o lado se encontram indicações de atalhos incompatíveis com uma recuperação completa e cuidada, falta de atenção aos pormenores e falhas básicas de mecânica; as fixações dos cabos do travão dianteiro observadas tornam estas Vespas perigosas para o condutor, passageiro e qualquer utente da via pública. Não há razão para pensar que o nível de qualidade nas zonas fora de vista ou no motor seja diferente.
Exceptuando a disponibilidade imediata e a escolha entre várias máquinas garridas e vistosas, não consigo encontrar nenhuma vantagem em adquirir um destes “Vietbodges”: a sua qualidade é fraca atravessando a fronteira para o perigoso; o preço é muito elevado; a identidade original dos modelos, alguns até coleccionáveis, é eliminada; está-se a comprar a uma empresa que se dedica à venda de peças para Minis e que não é especializada em Vespas nem está ligada à cena scooterista nacional, limitando-se a importá-las.
A minha recomendação em relação a estas Vespas específicas e aos Vietbodges em geral continua a mesma: não comprem nem deixem ninguém comprar. Se estão interessados em gastar 4500 euros dirijam-se a uma oficina de restauros experiente e estabelecida que vos entregará uma Vespa nacional de qualidade muito superior capaz de longos anos de serviço, e não uma Vespa duvidosa cheia de betume montada no Terceiro Mundo por um desconhecido que prefere poupar cêntimos a garantir a segurança e fiabilidade do seu produto.
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"No uso do seu direito de resposta a Minipeças – Unipessoal, Lda., vem tecer as suas considerações, acerca das conclusões técnicas e especializadas retiradas pelo Sr. sobre as nossas vespas que pôde inspeccionar com toda a liberdade e cordialidade com que a Minipeças sempre recebe qualquer cliente, fornecedor, ou qualquer outra pessoa nas suas humildes instalações.
Apesar do Sr. ser um especialista nas duas rodas, nomeadamente nas vespas, não pode de modo algum obnubilar ou diminuir a formação, informação e competência da Minipeças no panorama dos clássicos em Portugal. Pode referir-se um simples dado estatístico segundo o qual a Minipeças foi em 2007, 2008 e primeiro trimestre de 2009 o maior importador do mundo de peças e acessórios para minis, a partir do Reino Unido – dados fornecidos pela Minispares UK, Ltd.
Portanto, quanto a avaliar qualidade de restauro, fiabilidade e segurança, em clássicos, esta empresa fundada em 2003, na pessoa do seu único Sócio e Gerente, admite poucos ensinamentos. De resto, os milhares de clientes espalhados por este país, e que na sua grande parte são as oficinas de restauro de renome que o Sr. refere, que fazem os restauros de originalidade impar, não deixarão de o confirmar.
Poderá certamente o leitor concluir, como o Sr. Hugo, que uma pessoa que se especializou nas quatro rodas, não terá a mesma sensibilidade ou preocupações a nível de segurança no que concerne às duas rodas, como se não fosse tão grave falhar a travagem num veiculo onde vai o condutor e toda a família, como num em que apenas circula o condutor e, eventualmente um pendura.
Neste âmbito, urge referir mais um dado histórico nas origens da Minipeças, que muitos poderão desconhecer ao lerem apenas a firma, mas que lhes soará familiar se conhecerem o respectivo sócio-gerente. Pois esta mesma pessoa que hoje comercializa peças para mini, iniciou a sua vida nos clássicos com apenas 16 anos, nos finais da década de 80, onde restaurava todo o tipo de motociclos clássicos. Durante toda a década de 90, comprou, restaurou e vendeu largas centenas de motos, na sua grande maioria provenientes do exército português, que ainda hoje circulam com o mesmo restauro com que saíram da sua modesta oficina. Até à presente data, ainda nenhuma ocorrência foi registada com tais veículos, pois sempre se primou por valores fundamentais como a fiabilidade e segurança, inicialmente nas motos e posteriormente nos minis e outros clássicos que a Minipeças comercializa e restaura.
Mas centrando-nos nas nossas vespas, cumpre dissipar a primeira ideia veiculada pelo Sr. Hugo. Pois o mesmo afirma que veio analisar as vespas sem qualquer preconceito e de espírito aberto. Ora, a contaditio nos termos é evidente, pois o preconceito é a única razão de ser da presente reportagem. De outra forma como se explica que este Sr. se predispunha a fazer várias centenas de Kilometros para vir ver as vespas, se não fosse por saber que eram de proveniência asiática e ter a ideia pré-concebida que as vespas restauradas naquela parte do globo são de baixa qualidade?! Se à sua primeira solicitação o tivéssemos informado de que as vespas vieram de Espanha ou de França, ou de qualquer outro país que não da Ásia, o interesse nas mesmas morria à nascença.
Como se nos países ditos desenvolvidos também não se trabalhe mal, e muitos dos que fazem os restauros também não dêem muitas voltas e reutilizem muito material para poupar no preço do restauro e ganharem mais na venda.
Parece que em países como o nosso, onde os restauros são de qualidade (pois não somos do terceiro mundo) também não existe a qualidade e excelência de um (permitam-me a publicidade) Manel das Vespas, e os sapateiros que fazem restauros deploráveis, que o Sr. Hugo melhor que ninguém relata no seu blog, nomeadamente com fotos de vespas expostas em locais e certames de renome.
Foi com este espírito e com a certeza de que em todas as partes do mundo existem bons e maus profissionais, que a Minipeças arriscou a importar primeiro uma, mais tarde duas, depois mais duas e por fim 18, vespas, sempre do mesmo exportador. Ao contrário de muitas pessoas que comercializam neste meio das duas rodas, mas que se limitam a especular sobre a qualidade dos restauros, mas que nunca se predispuseram a arriscar importar para poderem confirmar os boatos.
A qualidade das primeiras determinou a importação das segundas e assim sucessivamente. Note-se que a qualidade aqui foi paga, pois não nos compadecemos em importar as mais baratas, mas sim as que ofereciam melhores garantias de qualidade, o que viemos a confirmar. Assim, as nossas vespas estão longe de ser aquelas que se vêm anunciadas por quantias a rondar os $1.000,00 USD, daí que seja impossível comercializá-las por preço inferior ao que foi comunicado ao Sr. Hugo.
Por outro lado, aquando da visita do Sr. Hugo, as vespas que restavam eram efectivamente as ultimas e muitas tinham já algumas mazelas superficiais devido aos muitos quilómetros que têm percorrido nas deslocações para as feiras, exposições, bem como os testes a que foram submetidas para a legalização. Contudo, nenhuma vespa é entregue sem uma inspecção final e qualquer pormenor em falta é solucionado, ou o preço reajustado com o cliente.
Para concluir, até à presente data, cada cliente tem sido um amigo, e se naquela data as vespas vendidas tinham ainda poucos Km’s hoje algumas já têm milhares e nunca houve qualquer problema ou reclamação e, felizmente, ainda não partiu nenhum parafuso do travão que provocasse o despiste ou acidente de alguém… de resto até é estranho que nem de uma espia partida os clientes se têm queixado, quando como todos vós sabeis, elas partem tão facilmente… Será certamente porque as peças aplicadas nestas vespas são as mesmas que todos vós comprais nas lojas da especialidade, pois apesar de haver muita vespa a circular e a restaurar, o volume delas, enquanto clássicos, não justifica que hajam várias fábricas abertas a produzir peças especificas, assim, tanto nas vespas, como em qualquer outro clássico, as peças vêem invariavelmente da mesma origem. Ou pensavam que os chineses não sabem escrever as palavras em italiano que vêm nas caixas das peças, mas depois têm por baixo Made in China, Taiwan, …, pois é, é que de facto a mão-de-obra lá é mais barata…. Muitos dos que já viram e compraram as nossas vespas são unânimes em afirmar que uma vespa com a qualidade do restauro destas em Portugal, custaria quase o dobro, atento o preço da mão-de-obra.
Despeço-me assim com os melhores cumprimentos, agradecendo ao Sr. Hugo a visita e a oportunidade de publicitar as nossas vespas no seu tão aclamado site/blog. Uma ultima palavra para os amantes da vespa - amantes de clássicos como nós – que não se deixem pautar por ideias pré-concebidas, do que é ou não aceitável, do que é ou não original, o que se pode fazer ou o que é proibido nisto dos clássicos. Reparem no orgulho com que as outras pessoas exibem os seus veículos personalizados, uns mais à época, outros mais modernizados, mas sempre e unicamente com paixão pelos mesmos. A vespa, como o mini, o beetle, o dois cavalos e a 4L, são os clássicos do povo, e o povo é a expressão da liberdade e da diferença – viva a diferença, a liberdade de expressão e o respeito pelos gostos e excentricidades de cada um.
Acabando como começa o Sr. Hugo, se restaurar é por o veículo como ele saiu da fábrica, então cada um de vós quando prepara a vespa para ir para a pintura está a cometer um atentado à originalidade, pois a única tinta que se poderá dizer original, é aquela que vocês acabaram de arrancar da mota e que já não volta mais…
Felicidades a todos, e já só cá temos 5 vespas… mas estão mais a caminho.
Minipeças – a Gerência " [ênfases do autor]
E prontos, aí têm. A resposta da Minipeças levanta pontos adicionais mas não vale a pena chicotear mais o cavalo. Já viram a coisa pelos dois lados, agora decidam vocês. O conjunto completo das fotos está aqui.
6.3.09
Prefiro gatos
Quando fui visitar os vietbodges levei comigo um cameraman para registar o acontecimento. No entanto, parece-me que ele não estava totalmente concentrado nessa tarefa...
26.2.09
Bob vs. Bodge
Aqui o Bob foi visitar um vendedor de vietbodges e inspeccionar as polémicas máquinas. Está para breve o meu relatório sobre estes restauros vietnamitas.
3.1.09
Clarkson vs. Vietbodge
Eu adoro o Top Gear. Não é segredo que o Jeremy Clarkson odeia Vespas (ver aqui e aqui) e motas em geral. Assim, podem imaginar a situação caricata que surge quando ele é obrigado a percorrer 1600 quilómetros de estradas vietnamitas durante a época das chuvas num Vietbodge, sem nunca ter andado de mota.
Gosto da maneira como ele estaciona durante os primeiros três dias até aprender a usar o descanso. É o que os 'bodges merecem... É claro que o aborto com pintura de dois tons precisou dum motor novo no primeiro dia, aos 12:42. Também avaria aos 25:12, 35:55 e 37:43. Podem ver o Top Gear Vietnam Special aqui, em versão completa ou em resumo de 10 minutos.
Cinco quartos de hora de épico. Está-me a apetecer viajar de novo.
Gosto da maneira como ele estaciona durante os primeiros três dias até aprender a usar o descanso. É o que os 'bodges merecem... É claro que o aborto com pintura de dois tons precisou dum motor novo no primeiro dia, aos 12:42. Também avaria aos 25:12, 35:55 e 37:43. Podem ver o Top Gear Vietnam Special aqui, em versão completa ou em resumo de 10 minutos.
Cinco quartos de hora de épico. Está-me a apetecer viajar de novo.
28.11.08
A crise económica
Não há dúvida que a economia mundial está a passar por uma fase negativa. No entanto, se os ianques conseguem eleger um afro-americano de nome Barack Hussein Obama para seu presidente, é porque milagres acontecem e ainda há esperança na Humanidade. Enquanto o futuro não chega é altura de avaliar o presente.
A crise afecta também o mercado das Vespas. Veja-se a Super dos 6000 euros, com camber especial para pistas ovais. O seu preço inicial teve que ser corrigido para 5000 euros pouco depois, e encontra-se agora anunciada a 4750 euros.
Esta tendência descendente é claramente visível no seguinte gráfico com fundo azul-cueca e regressão linear sobreposta:
Não há dúvida que as coisas estão más para os vendedores de magníficas Vespas clássicas perfeitamente "restouradas". Em pouco mais de um ano, o preço deste exemplar caiu 20.8%! Este facto, já de si bastante dramático, ganha nova dimensão quando reparamos que o preço actual de 4.750 euros cai em competição directa com um atraente Vietbodge. Graças à conjuntura económica actual, poderemos assistir a uma confrontação total entre Vietbodge e Tugabodge, à medida que cada um tenta dominar a sangrenta arena dos classificados internéticos. Tempos emocionantes aproximam-se.
(é verdade que apareceu um stander a anunciar um aborto qualquer a 10.000 euros mas isso só pode ser intoxicação dos vapores da tinta azul-cueca, não merecendo qualquer reacção da Horta)
(é verdade que apareceu um stander a anunciar um aborto qualquer a 10.000 euros mas isso só pode ser intoxicação dos vapores da tinta azul-cueca, não merecendo qualquer reacção da Horta)
5.11.08
Vietbodges pró Natal
Para os lados de Mira acabou de ser descarregado um contentor cheio de Vietbodges fresquinhos, a tempo para o Natal. Se vocês sabem o que é um Vietbodge, então já começaram a correr na direcção oposta. Se ainda não sabem o que é um, olhem bem para a foto. Estas Vespas garridas são restauros Vietnamitas de fraquíssima qualidade, perigosos e fraudulentos. NEM LHES TOQUEM! São fáceis de reconhecer pelas cores berrantes, pinturas de dois tons, montes de acessórios e modificações, e matrícula inexistente ou recente. NEM LHES TOQUEM! (Edit: via hugoliveira @ ScooterPT)
"Can we bodge it? Yes, we can!" (piada muito à frente Bob/ Bob the Builder/ Bodge@SRV)
10.10.08
GS150 nas revistas
(continuo a odiar computadores, sentimento extendido agora ao Windows Vista)
Aqui o Bob tem o dedo firmemente pressionado no pulso da cena scooterista nacional. Assim, da mesma maneira que eu previ que a Carina seria a moda do Verão de 2008, também prevejo que a GS150 seja a moda do Verão de 2009. E que as cassetes de vídeo Betamax vão regressar em força.
Retomando o fenómeno de repetidas aparições de scooters nas revistas nacionais de que falámos ontem, a GS150 mostrou-se na Motor Clássico e na DaMotoClássica. Na primeira apareceu sob a forma dum vietbodge Indonésio de contornos verdadeiramente lamentáveis, facto que já foi comunicado de maneira clara e repetida aos responsáveis da Motorpress; na segunda apareceu de maneira digna e minimamente adequada, como já aqui foi noticiado.
Assim, está iniciada a corrida às GSs, e ao topo da cadeia alimentar Vespista. Adquiridas a preços de ouro e restauradas sob pressão, é vê-las a sair à rua na Primavera que aí vem. Esperemos que estas vindouras reencarnações façam jus à beleza do modelo, e não descambem para a sucatice parola. E por falar em sucatice parola, vejam a ilustração de GS150 que veio num CD de música dos anos 60 que tirei da pilha dos saldos.
O CD apresenta uma boa relação preço-qualidade, e as músicas satisfazem na generalidade, graças a clássicos como Poison Ivy dos Paramounts e Anyone who had a heart de Cilla Black. A grande nódoa é a qualidade do "restauro" da GS que adorna o dito suporte de aúdio, pleno de falhas gravíssimas. Não só foi pintada de amarelo, uma cor que destoa notoriamente com a imagem do mítico Vespone, mas também foi montada incorrectamente, com o motor e a forqueta do lado esquerdo; o parafuso de fixação do motor e o escape também estão pintados de amarelo, sugerindo que a Vespa nem chegou a ser desmontada; as rodas devem possuir uma camada de tinta tão espessa que fez desaparecer o típico padrão em estrela das jantes da VS1; a roda dianteira parece estar completamente desalinhada do plano central do veículo; outros pormenores surgem à superfície com uma inspecção mais atenta, como a ausência das molas do descanso que deve tornar o uso prático desta scooter num pesadelo perigoso. Verdadeiramente vergonhoso! (sim, estou a desancar um desenho, já não dou porrada num classificado há algum tempo e isso faz-me falta, raios!)
Estejam preparados para uma multiplicação exponencial daquele singelo mas persistente anúncio: "Compro GS, qualquer estado". Sinceramente, em vez de ter que renovar o anúncio periodicamente, não era mais fácil fazer uma tatuagem?...
Estejam preparados para uma multiplicação exponencial daquele singelo mas persistente anúncio: "Compro GS, qualquer estado". Sinceramente, em vez de ter que renovar o anúncio periodicamente, não era mais fácil fazer uma tatuagem?...
28.5.08
Vietbodge @ Automobilia
Sabem como é que se reconhece um Vietbodge? É só olhar para o cabo da vela. Yuh Cheng? É mais Yuh Suk!
26.5.08
Fim de semana em cheio
Os Espanhóis partiram a louça toda no Festival Eurovisão, a sonda Phoenix realizou uma aterragem perfeita em Marte, e a Automobilia esteve apinhada de pessoas e sucata deliciosa.
Em relação a esta última, acho que não há muito a relatar. Andava por lá apenas um vietbodge, uma Super horrorosa; Tanto a OriginalVespa como a Vespa Garage apresentavam as novas LML; alguns charutos mais ou menos restaurados, e poucas Carinas; e todos os preços normalmente altos.
Todos? Não! Uma pequena aldeia de Gauleses... Espera lá, não é isto. Bem, a verdade é que o Jornal de Notícias relata "uma Vespa UNB de 125 cc, de 1960 [a] (12500 euros)", que eu não vi. Se tal for verdade, e todos nós sabemos que o JN nunca se engana, esta é a Vespa "normal" mais cara de sempre, batendo a Sprint (?) com side-car de 10.000 euros, e igualando a PX dos falsos 12.000 euros que não conta.
Mas a grande questão é: o que raio é uma Vespa UNB? É que se tiver alguma coisa a ver com a United News of Bangladesh, cheira-me a Vietbodge... E todos nós sabemos que o preço justo para um 'bodge é 3.500 euros. Certo?
19.2.08
Vietbodges na net nacional
Lembram-se destes tipos? Pois parece que eles arranjaram um site onde anunciam os seus restauros vietnamitas duvidosos. Leiam os meus lábios: não comprem estas Vespas!
26.1.08
4750 euros de rigor vietnamita
Continuo a dedicar semanalmente uma mão cheia de minutos do meu precioso tempo à visualização dos classificados na internet sujeitos à Vespa e semelhantes. Apenas o mínimo indispensável para me manter actualizado, já que a leitura frequente dos ditos anúncios tem um forte efeito negativo na minha vontade de viver. Além disso, depois da Super de 6000 euros, vai ser difícil achar novos recordistas. (é verdade que apareceu uma Heinkel a 9500 euros mas o méne devia estar a pensar em marcos da República Federal Alemã ou algo semelhante quando inventou esse número)
Esta "150 sprint" encontra-se anunciada a 4750 euros, um valor longe do recorde mas muito respeitável de qualquer maneira. O dono actual quer o vosso dinheiro mas para tal apenas oferece duas fotos minúsculas e o texto "Vendo vespa 150 sprint 1965 restaurada a rigor." Sempre que eu ouço uma expressão do tipo "restaurada a rigor" ou "toda restaurada" ou algo do género sinto um arrepio na alma, mas isso fica para outro dia. Um exame rápido às fotos liberta um grito aterrorizante na minha mente sensível: Vietbodge!!! Mais um poio polido vietnamita nas nossas estradas. Os sinais são evidentes, mesmo apesar do diminuto tamanho das imagens:
- pintura a dois tons
- montes de acessórios, grande parte deles cromados
- Vespa roda 10 com guiador de Super roda 8 (provavelmente era uma Super no início)
- borrachas de descanso amarelas transparentes ("Olhem para mim! Sou vietnamita e tenho orgulho nisso!")
- tapete de PX
- porta-luvas adicionado
- ausência de matrícula
Façam o que fizerem, não comprem estas Vespas nem deixem os outros comprarem. São armadilhas mortais e uma autêntica fraude a este preço. Qual será o significado de "a rigor" na língua vietnamita?...
[Edit: a Super dos 6000 euros encontra-se re-anunciada a 5000 euros. Oh! Que choque!]
[Edit II: Fevereiro 2009- o preço desta máquina baixou para os 3750 euros]
[Edit: a Super dos 6000 euros encontra-se re-anunciada a 5000 euros. Oh! Que choque!]
[Edit II: Fevereiro 2009- o preço desta máquina baixou para os 3750 euros]
28.12.07
Um Vietbodge é posto a nú
Descobri um link para os que ainda não acreditam na sucatice suprema dos poios polidos importados do Vietnam. Encontram-se na net fotografias detalhadas das sucatices mecânicas realizadas pelos nossos amigos do Oriente, mas as visualizações das sucatices estruturais são raras.
Este tipo australiano teve o desprazer de restaurar um destes poios polidos e- Oh! Surpresa!- tanto o motor como o quadro foram para o lixo. Atentem bem nas fotos do quadro decapado que foi soldado a prtir de cinco (!!!) porções de quadros separados. Entretenham-se a inventoriar os quilómetros de soldaduras terceiro-mundistas que percorrem toda a extensão do quadro em múltiplas direcções. E as borrachinhas do descanso são amarelas, claro. É ver aqui.
2.12.07
Automobilia em Aveiro
No Sábado fomos todos ao "2º Salão Automóvel Antigo-Clássico e Sport" ou, como eu lhe chamo, a feira de Dezembro. Às 8 da manhã, os Três Alternativos nas suas montadas P-Power e derivados, tomaram a direcção Sul. Se as primeiras edições da feira estiveram algo fracas, neste ano já se apresentava bem composta, e sem dúvida a merecer a visita. Um pavilhão tinha carros antigos, e o outro tinha a sucata. Passei 97% do tempo neste último. Não comprei nada de interessante, pois a crise é lixada.
Por lá andavam várias Vespas à venda com preços e qualidade de restauro habituais; alguns negociantes de peças novas e usadas; moooontes de amigos e conhecidos, nota máxima; a SX150 que eu vi em Matosinhos à venda por 1750 euros; e os malditos restauros vietnamitas do IC2, que merecem um parágrafo isolado.
Pude examinar de perto esses Viet-bodges, e digo-vos que são o vosso pior pesadelo. Quilos de massa em todo o lado, manchas de ferrugem a virem à superfície pelo meio da massa e tinta, parafusos e porcas ferrugentas nos sítios escondidos, amortecedores velhos disfarçados para parecerem novos, ventiladores com as alhetas todas amassadas, bujões de óleo enormes, tapetes da PX, acessórios e porcarias montadas que parecem de origem numa casa de banho, pneus CHing-Chong, inacreditável. Tenho pena de quem as comprar.
14.11.07
Alerta! Restauros vietnamitas!
Um pouco abaixo de Leiria tive o desprazer de encontrar estas duas Vespas em exibição proeminente ao lado da Nacional. Os sinais típicos que indicam a proveniência asiática destes "restauros" estavam lá, bem visíveis: a pintura de dois tons, os embelezadores cromados, a mistura de peças de vários modelos, as borrachas de descanso amarelas, a ausência de matrículas, etc. Em muitas comunidades scooteristas estrangeiras, o flagelo dos restauros vietnamitas é bem real e estes sinais indicadores são sobejamente conhecidos. Não comprem estas Vespas!
Os "Viet bodge" (sucatices Viet) são Vespas (e Lambrettas) italianas importadas para países asiáticos, normalmente o Vietnam, nos anos 50 e 60 quando foram vendidas novas. Durante décadas foram abusadas como veículos de carga e trabalho nas piores condições imagináveis, sendo mantidas a trabalhar graças a sucatices verdadeiramente horripilantes. Quando já deram tudo o que tinham para dar e mais ainda, são decapadas à mão, duas ou três porções de quadros diferentes são soldadas umas às outras no chão de uma oficina suja por um gajo descalço de cócoras, toda a chapa é coberta com uma camada espessa de betume para esconder os defeitos e as soldaduras, o motor que estiver no topo da pilha é ressuscitado com peças completamente gastas e perigosas, e tudo é finalizado com uma pintura nos tons da moda e com montes de acessórios brilhantes e borrachas coloridas.
Era apenas uma questão de tempo até algum comerciante mais empreendedor mandar vir algumas no contentor para Portugal e aproveitar a moda e a elevada procura. Cabe a todos vocês espalharem o aviso acerca dos restauros vietnamitas. Não comprem estas Vespas! "Mas são tão bonitas, e não podem ser assim tão mal restauradas!". Para terem uma ideia do que vos espera se adquirirem um destes poios polidos, peguem em 3000 euros em notas de 100, queimem-nas e peçam a alguém para vos dar um pontapé nos tomates com muita força. É ainda pior do que isso! Eu avisei.
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