21.4.08

"It's a classified ad, Jim, but not as we know it."

Segurem-se bem. A sério.

Uma PX125E por 12.000 euros.

Doze. Mil. Euros.


Quando eu vi aquele valor no topo do ecrã, fiz o proverbial double-take e esfreguei os olhos como fazem nos desenhos animados, terminando com um sonoro "Aaaaahhhnnnn????!!!!!". Só pode ser um erro, pensei eu. Ou uma piada. Para piada parece ser muito elaborada, com montes de fotos e um número de telemóvel. Erro também é difícil, não me parece que o homem venda aquilo por apenas 1.200 euros. Um email já vai a caminho com um pedido calmo e educado de confirmação de preço.

Rapidamente esquadrinhei o anúncio à procura de algum acessório escondido que inflacionasse o preço, como o diário secreto de Hitler, mas não o encontrei. Aparentemente, há alguém que julga que uma banal PX125 de 1985, com 42.000 kms e 2 registos, por estar pintada de fresco, ter dois banquinhos estofados a condizer e um par de pneus de faixa bege, vale 2.400 contos na moeda antiga. Sinto-me como Michelangelo à frente dum bloco gigantesco de mármore da mais finíssima qualidade, depois de lhe terem dado um real pontapé nos impronunciáveis.


O que é que se passa em Almancil? Isso é no interior do Algarve, não? Há alguma coisa esquisita na água? Há uma tradição da aldeia de se fumar crack ao Domingo ou algo do género? É um raio duma PX! É preciso viver nalguma realidade alternativa bizarra onde Salazar nunca morreu e Portugal foi anexado por uma Espanha devastada por 50 anos de guerra civil para sequer começar a vislumbrar a inflação necessária para colocar uma PX remotamente perto dos 12.000 euros. Estamos a falar dum veículo que custa um décimo disso e, até há pouquíssimo tempo atrás, podia ser adquirido novo por quase um quarto do preço. Meu, o teu estofador roubou-te como nem fazes ideia.

Eu adoro as descrições telegráficas: "vespa restaurada- ofertas$$$$$ para luispires@luispiresdecor.com". Aviso-vos já para não irem ao site sugerido pelo email de contacto. A música de entrada suga-nos a vontade de viver, e os erros ortográficos fazem o resto do trabalho empurrando-nos definitivamente ao suicídio. O dono parece aceitar ofertas, o que deixa antever a possibilidade do preço elevado ser apenas um ardil tuga para aparecer no topo da lista de ofertas. Espero que sim, temo que não.

Primeiro, ninguém restaura uma PX. As PX pintam-se ou arranjam-se. Se discordam de mim, tenho aqui alguns telemóveis antigos do tipo "tijolo" para vocês restaurarem. Segundo, a cor "branco metalizada" [sic] é gay. Terceiro, este veículo não tem caixa "semi-automática" nem pertence à secção dos "motociclos nacionais". E quarto, o motor completamente pintado de cinzento-andaime é mega-assucatado: foram porcas, pernos, bujão e tampa do selector. Não vale mais de 11.500, chefe.



Quando parei de me debater por exaustão nas areias movediças de sofrimento e dor para as quais fui atirado por este anúncio de venda, procurei por maneiras de fazer passar o tempo que faltava até à chegada da morte inevitável por asfixia, que me iria libertar deste tormento incomportável em brilhante tom de branco-frigorífico. Decidi listar o que é possível adquirir com 12.000 euros:
  • 100 compressores de 50 litros
  • 240 pneus de faixa branca de qualidade
  • 18.461 croissants de chocolate
  • 6 pacotes de viagem às Caraíbas com 7 noites, tudo incluído
  • um carro novo
  • uma Honda Hornet, uma Yamaha Banshee, e um empilhador de 2,5 toneladas usados
  • 8.500 litros de gasolina. Não, 8.400. Alto, 8.300. Hannn, 8.200? 8.100!
  • três Sprint Veloces restauradas com pneu de faixa branca e estofo a condizer, com apenas 600kms depois do restauro, e suspensão açapada
  • meia dúzia de Vietbodges fresquinhos do contentor, para vender à malta agora no Verão
  • 120 fins de semana a curtir à larga de Vespa
  • 1200 rebarbadoras baratas
  • 600 rebarbadoras melhorzitas
  • um trespasse de talho e charcutaria
  • um Bobcat de pá carregadora com 8000 horas, e ainda sobram trocos para o reboque
  • 30 Vespas 50s meio podres sem documentos
  • um Jaguar Daimler 4.0 com 230 cavalos, full extras, estado de concurso
  • um website decente em que o webdesigner gaste 15 segundos a googlar a ortografia correcta de "upholsterer"
  • 2 blogs de 6000 euros. ;-)
O que é que vocês podem comprar com 12.000 euros? Apitem nos comentários.

Eu odeio esta pessoa. Mesmo que o valor final se venha a revelar nada mais que uma estratégia de marketing parva, o homem estragou tudo. Da próxima vez que aparecer uma Sprint de 5000 euros genuína, com os sinoblocos tortos, o farolim errado e o escape ferrugento, já não vai ter piada nenhuma descascar na "dois banquinhos": Ah e tal o homem quer 5000 euros por uma Sprint axanatada, isso até é caro- MAS não se compara à PX de 12.000 euros. Nunca nada se comparará à PX de 12.000 euros. Está tudo estragado. Obrigadinho, Sr. Pires.

19.4.08

Edifício para - hhggggg!!- motociclistas

O Filipe enviou-me este link. (Porque é que eu não recebo mais colaborações? Uns links, umas fotos, umas notícias... Custa muito? Cambada de preguiçosos que nem deixam comentários. Tenho que ser eu a fazer o trabalho todo?! Mas isto é um público ou uma pintura a óleo?... Hhhhhrrr...)


Eu sempre sonhei viver numa casa tipo americana, com uma porta que desse acesso directo à garagem a partir do corredor. Pois os Japonenses (quem haveria de ser?) levaram esse conceito ao extremo e criaram um bloco de apartamentos para motociclistas, onde se pode pilotar a máquina desde a rua até dentro de casa! Os apartamentos são muito giros, lembrando uma estação espacial futurista- cliquem no link acima para verem as fotos.

Imaginem o prédio todo ocupado por Vespistas da velha guarda... Grandes churrascadas ao Domingo e manchas de óleo por todo o lado... Carago, isso é que era.

18.4.08

A prostituição de Bob

Já não bastava a devassidão, agora também me vendo. Qualquer pedaço de plástico colorido é suficiente para transformar a Horta de farol de rectidão em bordel sórdido. Pois deram-me isto na orgia recente de plástico chinês e, com tal feito, conseguiram uma posta na Horta. Conseguirei eu descer ainda mais?...

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A Boxit é uma capa de protecção impermeável para telemóvel, ideal para quem está sempre a apanhar com água, neve, areia, terra e pancadas, e quer ter o telemóvel à mão. É um produto de qualidade, feito em Portugal, e aceita montes de modelos. O telemóvel pode ser utilizado sem dificuldade dentro da caixa, que possui uma membrana Gore áudio que permite a transmissão do som, sem passagem de água.

Existem vários acessórios, como o suporte de cinto já incorporado, e o suporte para guiador em separado (na foto). O Boxit custa 24€90, e o suporte de guiador 7€15. É mais barato que comprar um telemóvel novo! E flutua e tudo. Encontram-se vários produtos semelhantes no mercado, mas geralmente são imitações rascas. Por exemplo, basta deixar essas capas ao Sol para ficarem cheias de condensação. Segundo me disseram, tal não acontece no Boxit. Visitem o site aqui.

17.4.08

A devassidão de Bob

Aparentemente, escrever artigos para revistas com a expressão "convívio entre os participantes" repetida cinco vezes por parágrafo tem alguns benefícios. Recebi ontem um SMS que dizia algo do estilo "Vamos à Maia tirar fotos a umas scooters, queres vir?". A minha resposta: "Sim, mas é Gaia, e não Maia". Lisboetas... [encolher de ombros]

Chegado ao stander, a minha PX suja destoava no meio de todo o plástico chinês reluzente como... bem, como... uma scooter italiana com mudanças no meio dum stander de aceleras, quads e motas chinesas. A sessão de fotos decorreu mesmo ali na rua, e tanto a vasta gama de máquinas fotografadas como a actividade subjacente não eram totalmente desprovidas de interesse.

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"Ok, agora fotos em andamento. Tu aí, anda cá!". Alguém me pôs nas mãos um casaco Bering, umas luvas Alpinestars e um penico CMS. O casaco estava muito curto, mas ninguém pareceu notar. "Pega naquela scooter, vai até ao cimo da rua e desce." - "O quê, esta scooter???!!!"


A minha "companheira", idêntica à da foto mas em cor de champanhe, era duma marca Ching Chong chinesa genérica. Um autocolante grande no guiador com avisos importantes estava escrito em Indonésio, ou alguma outra língua incompreensível. Não tinha mudanças. Não tinha mudanças!!! Depois de 34 anos de pureza e castidade totais, eu montei em cima da minha Ching Chong 150 a 4 tempos, torci o acelerador, e fiz-me à estrada sem nenhuma acção por parte da mão esquerda. Estava alegre e entusiasmado por estar a experimentar algo diferente, mas ao mesmo tempo sentia-me sujo por trair as minhas crenças, com um tipo de sujidade que não sai nem com duas horas de desinfectante hospitalar e uma grande pedra-pomes.

Subi um pouco, e desci até ao fim da rua. Subitamente, o motor parou sozinho e todos os botões deixaram de funcionar. A minha scooter morreu no meio do cruzamento, mesmo em frente ao café. Depois de alguns segundos a experimentar os botões pouco familiares, decidi empurrá-la rua acima, vestindo um blusão Bering resplandecente mas apertado, e umas luvas Alpinestars a condizer com protecções de carbono. Eu mereci...

Enquanto a Ching Chong 150 estava a levar um fusível novo, deram-me para as mãos (ou será "para o rabo"?) uma motorizada tipo Honda CG125 mas do mesmo fabricante oriental, porque "combina com o teu casaco". Boa! O karma acabou de me castigar há dois minutos atrás por andar numa acelera, e agora vou pegar numa coisa com mudanças de pé e rodas grandes! Suspiro... Realizei um esforço hercúleo para me lembrar das minhas aulas de condução, que ocuparam uns 90 minutos da minha vida há uma década atrás, e recordar-me que a primeira era para baixo. Arranquei com pouca elegância e, após alguns pregos, ganhei o mínimo de confiança para sair da rua... E perder-me nos dormitórios de Gaia! Enquanto me aproximava perigosamente perto do centro de Gaia, preso numa rede inexorável de sentidos obrigatórios e proibidos, dois pensamentos assaltaram-me: "Acho que esta mota não tem matrícula!" e "Acho que esta mota só tem um fundinho de gasolina!"- o karma de novo mostrava o seu desagrado pelas minhas escolhas erradas.

Logo regressei à base, onde constatei que afinal sempre tinha gasolina e matrícula. Servi de modelo para mais umas fotos dum acessório interessante, e regressei à minha velha amiga cor de champanhe, que "morreu" de novo mal me sentei em cima dela. Hhhhmmmmm... Talvez tenha sido melhor assim, pois o fluido de travões a escorrer pelo guiador abaixo não inspirava confiança. Depois do almoço fomos para Valongo experimentar as moto-4 e os ATVs, mas eu fiquei só a tirar fotos. Dois veículos do demo são suficientes para um dia. Três seria mesmo abusar.

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16.4.08

GuetoPimped!

O protótipo foi avaliado, as correcções foram feitas, e o kit de faces transparentes Sprint número de série H00002 foi fabricado (tenho que lhe arranjar um nome, sugestões?). Ó p'ra ele a apanhar Sol como um descarado, pronto para ser montado em certo e determinado projecto ali p'rós lados de Águas Santas!

Permitam-me salientar o facto que este é o único kit de faces transparentes para velocímetros Vespa tipo Sprint no Universo inteiro, de que eu tenha conhecimento. O SpeedoKing tem algumas faces transparentes, mas só as tipo PX, que são lisas e "fáceis" de fazer. A face de cima da Sprint é curva. Not so freakin' easy, Yankees!

A SIP não tem, a Scooter Center Koln não tem, a Rollerladen não tem, o MRB Developments não tem, o Mauro Pascoli não tem, o Bob tem. In your face! Quem quiser um destes é bom que conheça o vizinho do cunhado do meu primo, que tenha uma irmã giraça e uma GS para dar à troca.

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15.4.08

Estrela Trip na Scooting

Já está nas bancas a Scooting deste mês, com a minha reportagem do passeio à Serra da Estrela. Os ménes escolheram um par de fotos de segunda categoria, mas acho que ficou fixe. Conseguiremos aturar o Mexe agora que a sua burra verde-nuclear saiu em primeiro plano?

Estou especialmente contente por ter sido impressa em papel, numa publicação nacional especializada, a expressão "contacto íntimo com a Ana Teresa". Será que eles lêem os meus artigos antes de os enviarem para a gráfica? Suckas!! Ahah! (se clicarem na foto e em "all sizes", ela fica maior)

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Também lá há uma apresentação duma 50ss branquinha, e uma foto duma miúda super-giraça ao lado duma acelera qualquer. A investigar nas bombas de gasolina.

14.4.08

Googlórta

É altura para mais um apanhado de expressões humorísticas/ bizarras/ imbuídas de obrigatoriedade de coçamento de cabeça, utilizadas no Google e que vieram parar à Horta. Prontos? Já!
  • "youtube fazendo estrip ca web cam"- Estrip?... Ah, já percebi. O que tu queres chama-se pornografia. Experimenta procurar por "porn" ou "XXX", vais lá. De nada.
  • "vendo casal carina 200 euros"- Tenho a certeza que encontrarás montes delas. Vai ao standvirtual.com, que eles têm lá óptimos negócios (notou-se que eu estava a ser sarcástico?). Mesmo assim, é bom ver que o optimismo está vivo e de boa saúde.
  • "corsage bacalhoeiro"- Hhmmmm... O quê? Se o Google te conseguir ajudar aí, então o gajo que escreveu o algoritmo do motor de busca merece um prémio Nobel. Vou já avisar Estocolmo.
  • "motor sujo por dentro"- Nunca tinha pensado nisso... Mas o o conselho que posso oferecer é que a sujidade interior do motor é como as manchas nas cuecas: como não se vê, não é relevante.
  • "vespa sprinter"- Ah carago! Ainda há gajos que tratam as coisas pelos seus nomes! Fadista!
  • "maior aranha"- Uma das minhas pesquisas preferidas, porque está sempre a aparecer, sempre as mesmas duas palavras sem verbo, duas vezes por mês, sem falha. Mas quem será assim tão obcecado com máximos entomológicos? Quem quer que seja, está condenado a parar na Horta por culpa deste post.
  • "maquina de moer pneus"- O meu pneu traseiro está completamente careca, mas daí até considerarmos a PX como uma máquina de moer pneus ainda é um esticão. Acho que ainda saco 5000 quilómetros dum S83.
  • "como abrir janelas e cilindros"- Vais ao Samuel e deixas lá o barrote! Põe-te a mexer que ficas com um lindo pesa-papéis.
  • "localizacao das vespas"- Também queria saber eu e mais alguns milhares de gajos sem tomates para motas grandes, dinheiro para carros antigos, ou classe para Heinkels.
  • "vespa rebucado de mentol"- Ena, o gajo é famoso!
  • "fazendo um escapamento apitar"- ???????????
  • "figuras de ferimentos com ferramentas manuais"- Wow! Ciber-sádico! Vai tirar fotos para a entrada das Urgências, meu.
  • "piaggio vespas cortadas"- Salvem as Vespas!
  • "sucata de vespas"- Vai a Itália.
  • "como fabricar un tubo de escape custon"- Reparem nos n's... Será que ele também quer que apite?
  • "problemas pessoais"- Muitos destes tipos tê-los-ão, sem dúvidas.
  • "fiat 200 euros vendo"- Um Fiat ao mesmo preço duma Carina. Isso é bom ou mau?
  • "cueca cromada"- Um de vocês está a gozar comigo, só pode. LTB, foste tu?
  • "vespas do governo para venda"- Que nenhuma pedra fique por virar na busca insaciável por Vespas! O ACP também as tinha, e a TAP. Busca!
  • "significado de a rigor"- Don't get me started.
  • "vespas 15 sprinter"- Este cavalheiro deve ser um veterano da vida pois não só não tem força para carregar no zero, como se refere à Sprinter da maneira correcta, old-school style. Props.
  • "como fazer decapagem em caixas"- Avisa-nos se descobrires, ok?
Acho que para já, chega. Também apanho com uma enormidade de pesquisas do tipo "vespas para venda", "restauro de vespas", "peças para vespa X", e coisas do género. Há muitos novatos pelo mundo fora que precisam duma Vespa ou de informação, e a única coisa que levam é uma frase crítica de valor humorístico duvidoso aqui no blogue. São peixinhos tropicais indefesos num mar de água fria fatal povoado por tubarões esfomeados. Infelizmente, serão estraçalhados sem misericórdia neste oceano cruel das scooters clássicas, numa poça de sangue e entranhas que alimentarão a sede de dinheiro e protagonismo de vários. De facto, acho que até vou googlar imagens dessas poças.

13.4.08

MotoCzysz C1

Aparentemente, este fim de semana houve o MotoGP de Portugal. Acho que ganhou um gajo qualquer, não prestei atenção. É razão suficiente para eu resgatar esta posta do directório dos rascunhos (eu não digo pasta, digo directório- sou do tempo do MS-DOS) e completá-la despendendo o mínimo de esforço possível. Ora o que se passa é que eu sempre pensei que não gostava de motas grandes. Simplesmente não me atraíam, não me diziam nada. Safavam-se a ocasional Ducati ou BMW, mas nunca houve uma mota grande de design moderno que tenha tido em mim o efeito "Wow". Até há algumas semanas atrás.

Apanhei o documentário "Birth of a Racer" do Discovery Channel (Alerta! Locução brasileira no Youtube!) e fiquei maravilhado. Um arquitecto americano, piloto de corridas amador, pegou no seu dinheiro e construiu uma mota de competição a partir do zero, com o intuito de correr no MotoGP. Conseguem imaginar uma pequena equipa, criada por um tipo, a competir com a Honda e companhia? Ainda mais impressionante- se tal for possível- é a mota em si.


Primeiro, o design. O Sr. Czysz é arquitecto e dá uns toques com o lápis e papel. A C1 é verdadeiramente linda, agressiva e elegante simultaneamente, com uma classe fora de série. Já estava enjoado de ver todas as motas parvas que os fabricantes grandes lançam ano após ano, sempre com aquelas linhas marcadas e ângulos afiados, numa orgia de exagero visual. Parecem todas crânios extra-terrestres, ou naves espaciais, ou desenhos animados. Façam alguma coisa diferente, raios! (Invariavelmente, parece que são todas conduzidas por tipos com capacetes réplica Rossi... É sempre um espectáculo triste de carneirismo e mau gosto...)

Em segundo lugar, a engenharia. Muitos teriam construído apenas o chassis, e comprado forqueta e motor a outras empresas. Seria a opção segura e rápida. Pois estes tipos construíram tudo, a partir duma folha de papel em branco. Chassis, motor, forqueta e restantes tralhas. E não se limitaram a copiar os mesmos desenhos cansados que são reciclados constantemente com mais 5 cavalos ou autocolantes diferentes, não!, fizeram coisas novas e emocionantes. O quadro é em fibra de carbono e serve de caixa de ar. O motor tem duas meias cambotas rodando em sentidos opostos para eliminar efeitos giroscópicos; esses efeitos são a razão porque todos montam os motores transversalmente, enquanto a C1 pode ter uma montagem longitudinal, tornando a mota invulgarmente estreita. A admissão é super-directa, e pode-se ver o topo do pistão olhando directamente por cima do carburador, mesmo apesar de todas as árvores de cames e cenas que ficam no meio. Ambas as suspensões quebram totalmente com as convenções e superam os desenhos tradicionais.

Eu adoro a inovação. Depois de estar feito parece sempre lógico e natural, mas fazê-lo pela primeira vez é tão difícil quanto fascinante. Aturem-me só mais um pouco enquanto vos falo do Sr. Britten, com uma história muito paralela a esta, e injustamente desconhecida. Um homem de grande talento a construir peças como rodas de carbono e carters de motor na sua garagem, e a criar motas de competição de desenho revolucionário que foram para a pista e deram porrada nas equipas "grandes", mantendo-se em muitos aspectos insuperadas ainda hoje, quinze anos depois.

Resumindo, eu estava errado ao pensar que não gostava de motas grandes. Eu não gosto é de motas feias, e as motas grandes são quase todas feias. Mais ninguém nota! É autenticamente uma situação de "o Rei vai nú", e a MotoCzysz, finalmente e para gáudio meu, prova-o. Acho que as regras do MotoGP mudaram- a cilindrada foi reduzida- e por isso a C1 não pode lá correr na sua configuração actual. Mesmo assim, já têm aqui um fã. Rice rockets suck.

11.4.08

Racing photos

Sim, mais um título em inglês, é fácil e dá pinta. Como as letras das melodias anglo-saxónicas, que ficam sempre bem mesmo que a canção seja sobre o gato que tem diarreia. Vejam as fotos old-school de scooters a correr em pista do Tim, muito fixes. A percentagem de Lambrettas é grande, mas ninguém é perfeito.


(foto de Tim PopUp)

10.4.08

Vespa eléctrica

Via Makezine, chega-nos a notícia duma transformação de Vespa eléctrica, a Rezistor (diário de construção). Ostenta luzes e piscas convertidos para LEDs, pintura ratty, e uma... marcha atrás! Sweet.

9.4.08

Go Pro!

Há algum tempo atrás sentei-me ao computador durante meia hora, escrevi umas bacoradas quaisquer, e enviei para um concurso. A seguir está o carteiro a tocar à porta com uma caixa para mim, que contém uma câmara GoPro Helmet Hero novinha em folha, de graça! W00t!

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Nunca cheguei a experimentar esta, mas o Rui Heinkel experimentou-a e não achou grande piada. A GoPro parece ter mais pinta, e decerto que será frequentadora habitual das provas de Resistência ;-). Catch my drift? Tenho que a testar, mas não será no futuro próximo. Ando um bocado à rasca de tempo e mesmo a Horta irá entrar em modo silencioso. Mas sim, pode-se dizer que o terceiro vídeo da Horta está na calha.

7.4.08

Crazy Bob

Há uma marca alemã de pneus de bicicleta, a Schwalbe, que tem um modelo que se chama... Bem, vejam vocês mesmos...



A marca também tem pneus para scooter: o Raceman tem bom aspecto, e até existe um Iceman com 150 pitões! Interessante também é o relato da viagem Alemanha-Portugal-Alemanha realizada por um alemão numa Honda Bali 50cc. Mal chegou à costa Portuguesa, deu meia volta e voltou para casa. Doh!

6.4.08

Falha estrutural crítica no elemento flexível de comando de down-shift

Já não partia um cabo há uns dois anos! Fiz uma figurinha a meter-me à frente de todos no semáforo e a arrancar à campeão, para tentar meter uma segunda inexistente graças ao cabo partido, avaria anunciada à freguesia inteira por uma aceleradela em vazio verdadeiramente portentosa.

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Toca a encostar, a desmontar a armadura urbana, e a pescar a bolsa de ferramentas do fundo do porta-luvas. Sentadinho no passeio se vai ao longe. O cabo das mudanças pesadas (o de fora) desfiou onde entra no afinador, logo à saída da "asa de morcego". A operação de substituição demorou um pouco mais que o normal pois não me apercebi que ainda tinha ficado um bocado de cabo todo amarfanhado dentro da bicha. Quando o extraí, o comboio da suavidade e eficiência mecânicas entrou na estação com a sua carga de experiência e celeridade old-school. Três voltas e meia ao afinador depois, e já estava eu de volta à estrada. As mudanças já não estão esquisitas, como era hábito há já um ano... Às tantas o desfiamento demorou um ano... ***encolher de ombros complacente***

E sim, tirei a foto aos restos do cabo gordurento e oleoso em cima do banco. Sim, é por isso que o banco está preto como carvão. ***encolher de ombros resignado***

5.4.08

"Identifique-se!"

Outra curiosidade da Automobilia. Este cavalheiro, desejoso de aumentar o índice de reconhecimento da sua FL2 (?) como sendo uma Vespa autêntica e clássica, decidiu aparafusar um disitintivo script clássico ao guarda-lamas. Se ele o pusesse ao contrário, estilo AICNÂLUBMA, para impressionar o condutor precedente pelo espelho retrovisor, isso sim é que teria pinta. Mesmo assim, as risquinhas vermelhas e os reflectores moldados transportam este humilde veículo vários degraus acima na escada social do parque motorizado de Musgueira de Baixo. Pimp it!

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4.4.08

WTF

Na última Automobilia andava por lá este quadro à venda. Gosto de pensar que sou possuidor de inteligência e imaginação desenvoltas, mas try as I might não consigo descortinar a justificação que alguém terá apresentado para cortar um quadro da maneira que esta fotografia ilustra. Talvez a matrícula estivesse totalmente podre... E, numa qualquer realidade alternativa, talvez faça sentido cortar uma janela para inspeccionar a fixação do amortecedor... Mas e o rectângulo por trás do farolim?... Não compreendo...

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Num parágrafo off-topic, permitam-me mencionar o falecimento de Sir Arthur C. Clarke, há alguns dias atrás. Esta mente brilhante era um dos meus heróis modernos e deixou uma herança cultural e ideológica enorme. Provavelmente conhecê-lo-ão como apresentador duma série de televisão sobre mistérios do universo (aquela caveira de cristal dava-me arrepios quando eu era puto), ou como escritor de ficção científica e autor de "2001: Odisseia no Espaço", livro que deu origem a um dos melhores filmes de sempre. O que às tantas não sabem é que Arthur C. Clarke foi um dos proponentes da utilização de satélites em órbita geo-estacionária como retransmissores de telecomunicação. A fronteira entre ficção científica e ciência costuma ser apenas temporal, e podem agradecer a este senhor da próxima vez que estiverem a ver a bola na SporTV.

Farei a minha humilde homenagem à sua obra lendo pela terceira vez o livro "Encontro com Rama", um dos meus preferidos. Se o leram, sabem que o número é simbólico e apropriado. Que descanse em paz.

3.4.08

MT584

Achei mais uma miniatura de scooter para a minha colecção. Num laranja vivo, esta beleza de 11 centímetros tem uma traseira metálica, dianteira em plástico, pneus 110/80-10, guiador e descanso articulados, e efeito de suspensão na roda de trás (ou então sou eu que sou bruto e quase que parti aquilo...). Alguns pormenores como o escape, a tampa da roda suplente e o velocímetro que marca 110 levam-me a pensar que poderá ser uma miniatura de LML Star Deluxe, e não de Vespa PX. Apesar desse facto, ou talvez até por causa dele, ocupará um lugar de destaque na minha prateleira poeirenta. Nada mau por 1 euro.

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2.4.08

Resistência em Santo André

Meu, já é quarta-feira? O tempo voa quando estamos presos num torpor comatoso de álcool e drogas. Acerca da Resistência, foi excelente como é hábito. Acho que começo a ficar dessensibilizado ao espectáculo de tantas Vespas coloridas juntas, e a todos os sons e cheiros e movimento. Se comermos o nosso prato favorito constantemente, rapidamente perderá o seu sabor especial... Mesmo assim, valeu as 8 horas enfiado no banco de trás dum carro. A Resistência é a manifestação física da frequência de ressonância primária do Vespismo nacional. Profundo, hein... Altamente recomendada por Bob! Assistam ou participem!

A minha preocupação principal foi tentar tirar umas fotos decentes para a revista. Ainda não tinha usado a máquina nova da Horta numa situação de acção e estava um pouco apreensivo. As imagens que capturei são um bocado "Vietbódgicas": parecem bonitas à primeira vista mas, se nos chegarmos perto, desiludem profundamente. Acho que tenho que experimentar a focagem manual e uma velocidade fixa. De qualquer maneira, podem ficar com uma ideia da acção e emoção aqui.

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Duas senhoras em pista! Fantástico!

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