4.6.08

Chaços no Marão

Domingo foi um dia de 300 quilómetros. A pacata Vila de Fontes foi invadida por um exército de chaços, e pelos pilotos respectivos com elevado nível médio de jaguncice. Eu estive lá para registar o facto.

Os motores castigados ecoaram pela serra num rugido colectivo de dor, adicionando uma agreste dimensão sonora ao espectáculo surreal. Pelas apertadas e serpenteantes ruelas da vila lançaram-se os pilotos, novos e velhos, profissionais e inconscientes, impressionantemente rápidos e dolorosamente lentos, lutando contra a morte e contra o tédio numa arena de velocidade revestida a paralelo irregular.

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À primeira vista poderia parecer que eu teria sido o patrocinador principal dum dos chaços presentes, mas não. Se a estibordo os dizeres "Bob" estavam pintados em laranja néon sobre fundo branco, a bombordo encontraríamos os dizeres "Marley" em branco sobre fundo laranja néon. Este chaço em particular merecia a designação, estando num estado original atacado apenas pela garrida decoração efectuada com tinta de casa, e pela ausência de vários acessórios supérfluos que, mais que retirados propositadamente, devem ter caído de maduros. O velocímetro esventrado era o receptáculo ideal para armazenar o maço de tabaco.

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Famel, Zundapp, Casal, Sis-Sachs, V5 Lotus, todos os grandes estavam presentes. Até algumas Japonesas e aceleras lá andavam. Uma Honda Vision 50 era pilotada por uma senhora. Um triciclo com pneus de moto-ceifeira, sofá e máquina de costura também participou, tendo conseguido realizar algumas voltas à pista sempre com um número variável de passageiros. Do ponto de vista do scooterismo clássico, a máquina mais interessante era o Vespino GL número 3 pilotado alegremente pelo Vasco e pelo Machado, que faziam bom uso dos pedais nas secções íngremes. As más línguas poderão dizer que ganhavam um cavalo de potência, eheh.

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Eu ainda consegui ver um puto numa Famel acertar numa pilha de 4 pneus mesmo em cheio, o que me fez ganhar o dia (ele não se magoou). O espectáculo foi interessante da mesma maneira que uma trip de LSD durante um terramoto é interessante. Pelo menos deu para curtir as estradinhas do Marão (soberbas!!!) e treinar a fotografia de acção que bem precisa. A coisa deve correr um bocadinho melhor para a próxima agora que descobri como se dá mais pujança no flash. Olha as fotos aqui.

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