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15.4.09

A evolução do azul-cueca

Nestes difíceis tempos económicos que atravessamos é possível observar os efeitos da crise em variados níveis, incluindo no fenómeno azul-cueca. Muitos Vespistas não têm cash flow suficiente para revestir por completo uma large frame no malfadado tom, o que resulta numa cuequificação parcial:


Mas não desesperemos pois já surge gota no fundo do depósito. Os sinais da retoma económica começam a exibir-se, tal como o desaparecimento dos classificados da Super dos 6000 euros, indicação clara da sua venda após longo período de exposição pública. Com a economia de boa saúde os Vespistas poderão novamente restourar as suas Sprinters sem poupar no azul-cueca, e calçá-las com o melhor pneu de faixa branca que o dinheiro pode comprar, o Sava MC22 Elegance.


Este pináculo da tecnologia Eslovénia não só tem faixa branca, a companheira espiritual do azul-cueca, mas também ostenta um piso de carácter bastante desportivo: já não é necessário gastar tempo e dinheiro a meter g'anda barrote no motor quando podemos ter pneus que enganam os outros a pensar que temos g'anda barrote no motor. Outra vantagem é o facto deste MC22 existir apenas em medidas métricas e não na habitual configuração 3.50x10", o que distrairá o engenheiro da inspecção o suficiente para não notar os números de quadro martelados. Além disso, o raio do pneu chama-se "Elegance". Quem é que no seu perfeito juízo não quererá montar uns pneus de faixa branca "Elegance" na sua Sprinter azul-cueca com acessórios cromados?

Esta futura omnipresença do azul-cueca que assim se adivinha terá efeitos na cena scooterista nacional e nos próprios scooteristas. Da mesma maneira que o homo sapiens irá evoluir até se parecer com uma espécie albina de extra-terrestres pegajosos com longos dedos e cérebros pulsantes, também o scooterista evoluirá para um formato novo e inesperado:
  • a sua pele absorverá os pigmentos da tinta azul-cueca acabando por adquirir a mesma tonalidade;
  • para contrabalançar a pele azul, o vestuário usado será predominantemente branco para sustentar o efeito "pneu de faixa branca";
  • a procura insaciável por scooters cada vez mais exclusivas obrigará a LML a comprar uns moldes Piaggio no eBay e uns contentores de motores de cortador de relva a 4 tempos para assim poder lançar reproduções da GS150 a 1.499 euros;
  • finalmente, depois de 96% do parque scooterista se ter afogado no tsunami azul-cueca, os scooteristas em busca de status ver-se-ão obrigados a transitar para a segunda cor mais berrante da lista, o amarelo.
Estou certo que estas transições evolucionárias serão aparentes daqui a 4 ou 5 gerações; no entanto, graças ao super-computador também utilizado para modelar pneus de scooters clássicas, foi possível à Horta revelar já hoje uma simulação gráfica daquilo com que se parecerá um scooterista nacional típico no ano 2109:


Não é necessário um doutoramento em genética evolucionista para concluir que todos terão então que actualizar a sua tatuagem indicadora de status:



13.4.09

"Projects of shit" - Google vs. Horta

Vocês costumam ler a tradução Inglesa da Horta? (é só clicar na bandeirinha aqui do lado esquerdo) Eu faço isso de vez em quando, é um entretenimento saudável e limpo. Numa dessas ocasiões, deleitava-me eu com os escritos da Horta transformados digitalmente na língua do Bardo, reparei que o Google referia-se aos meus projectos como "projects of shit". :-O



Não é segredo que o omnipresente Google tem como meta a dominação mundial, tal e qual como a Horta. Assim, quando o Google começa a sabotar os meus projectos com uma nefasta campanha de difamação nos seus servidores de tradução, é sinal que estão preocupados com a concorrência da Horta. Bring it, bitches!

Tanto o Projecto Olhos Azuis como o Projecto Yankee estão a avançar, e talvez dêem fruto nos meses vindouros. Outro projecto, Monopólio do Café de seu nome de código, também os segue de perto. Enquanto as engrenagens giram dei um saltinho até ao Bunker e tirei o pó ao Guetoformer: a tampa de rectificador transparente número 00001 está pronta e seguirá em breve para a Capital para ser testada. Tens uma destas, Google? Bem me parecia que não...

10.4.09

Mais uma Ape-arição

Título fracote para uma posta fracote? Talvez. Não é fácil arranjar 5 postas seguidas com Apes, sabem?



Tenho um vizinho que rola em Ape - já chegou a ter dois, estacionados lado a lado - e que está neste momento a renovar o seu prático triciclo à base de pincel e tinta de alumínio. Permanecerei atento aos resultados finais para os partilhar convosco, na esperança de vermos como é que aquele mata-vacas fica depois de cromado. Enquanto este foguete metalizado não está pronto resta-nos apenas especular acerca da qualidade do resultado, na certeza que cairá algures entre o Ape mais xunga de sempre e o Ape mais cool de sempre.

9.4.09

Usar e abusar

O bom velho Ape 50. Lembro-me sempre da história do meu irmão que estava a fazer o exame de condução da carta de carro quando um Ape 50 faz uma curva apertada mesmo à frente dele, inclina-se perigosamente, abre-se a porta do passageiro e começa a cair uma velhota de lá de dentro. Juro que sim.

O Ape 50, esse portentoso menir de granito do cromeleque do transporte popular lusitano, pode ser usado...


Via o congelado Portugueses ao Volante

(g'anda nível, ó yeah!) ... ou abusado. É preciso reparar o diferencial? Não há problema, chefe. Põem-se aqui umas botijas de gás a segurar e um tubo de alumínio para ter a certeza que não tomba, isto trabalha-se aqui que é uma maravilha. É claro que há sempre uma garrafa de cerveja por perto (vêem-na?): álcool, reparações mecânicas e veículos em equilíbrio precário são um trio inseparável. A questão importante que se coloca aqui é: "mine" ou terço de litro?


Arquivos da Horta, ano de 2002

E para finalizar em beleza, nada melhor que uma visita rápida ao tag Ape 50 no Portugueses ao Volante, que insistem em tratar o bicho como "AP50". Podia ser pior, podiam insistir em "Áper"... ou "Áper 50 125 Veloce Sport"... Ok, eu calo-me.

8.4.09

O cavalheiro do Ape antigo

Eu não estou obcecado com Apes, isto é apenas um ciclo como o ciclo Carina. Exacto, é isso, um ciclo eheh. Pois.

Costumo ver este cavalheiro na feira da Vandoma, sentado a relaxar dentro do seu vetusto veículo, num lugar com uma bela vista para o rio e a margem oposta. Sempre acompanhado pelo jornal quando está Sol...


...e também quando está tempo mau. Nesses dias mais cinzentos o rádio faz companhia adicional e ajuda a começar o fim de semana de maneira relaxada e informada. Bem pensado.



7.4.09

Apes em Valongo

Quando pensamos em Apes vêm-nos à mente (à minha, pelo menos) imagens de máquinas muito antigas encalhadas em museus ou colecções, ou então de um velho e coçado Ape 50 ainda a serviço de algum agricultor idoso. Não existe uma terceira situação. Ou existe?

O Município de Valongo tem uma frota de Apes que anda na rua a fazer aquelas manutencões que as Câmaras Municipais têm que fazer. Já tinha visto um Ape 50 vulgar com as cores da dita entidade municipal mas fiquei surpreendido quando apanhei estas duas máquinas pertencentes à mesma frota. Não só são dos "grandes" com "volante", mas também aparentam estar novos e acabados de entrar ao serviço.

Ambos têm uma antena no tejadilho, será que é para um rádio CB? Um rádio CB teria montes de pinta, aí uns 600% mais que os intercomunicadores do Lidl... Vou manter-me atento a mais avistamentos destes gigantes da estrada e vou telefonar para a Câmara daqui a uns 10 anos a perguntar por leilões de Apes usados. Sweet.


(peço perdão pela mancha esquisita na foto, é o que dá usar máquinas fotográficas dos anos 60)

6.4.09

Segundas oportunidades

Há um monte de anos atrás acompanhei um amigo na sua viagem para ir inspeccionar um Ape antigo que estava à venda numa terriola esquecida. Bom estado geral, pequena avaria de motor, preço redondo. Por lá ficou.

Uma década depois acompanhei o mesmo amigo na mesma viagem com propósito idêntico. Ao longo dos anos o pequeno Ape continuou avariado, mudou de mãos, degradou-se, foi parar à sucata e foi resgatado duma morte inglória. Continua a dormir ao relento, à venda por pouco dinheiro, tentando corajosamente manter um pouco da sua dignidade de tempos passados.

Tanto o Ape como o meu amigo tiveram a sua segunda oportunidade. Provavelmente desperdiçada.



3.4.09

Com câmaras Antero à vontade eu acelero

Descobri recentemente (até que enfim aleluia!) a causa duma sucessão de furos deveras desconcertante que teve lugar durante o início do ano. Acho que furei mais nos últimos 6 meses que nos 6 anos antecedentes! O meu pneu Sava B14 sofria de algum tipo de herpes gangrenoso num dos flancos interiores que eventualmente furava as câmaras. Este pneu semi-novo, graças a este defeito de fabrico invulgar, foi assim relegado para funções meramente artísticas.

Eu ia ilustrar esta posta com aquela fotografia duma Sprint (?) azul-cueca com um atrelado azul-cueca que estava à venda nos classificados do costume, vocês viram-na? Ia photoshopar uma pilha de câmaras de ar no atrelado e lamentar-me acerca da necessidade de adquirir tal veículo para poder transportar a minha quota semanal de câmaras mas, misericordiosamente, não consegui re-encontrar a dantesca ilustração nas internétes.

Armado com um Sava B14 novo e decidido a colocar todas estas problemáticas pneumáticas à venda no OLX, procedi então à aquisição duma câmara de ar com o mais elevado nível de qualidade que é humanamente possível incorporar numa rodela toroidal de borracha, a câmara Antero.


As câmaras de ar Antero, como indicado na etiqueta dot-matrix-retro-chic, são armazenadas e/ou fabricadas na cave, como fino champanhe, para proporcionarem o máximo de sabor e frescura ao sortudo proprietário, ou seja, eu (parte-se do princípio que a cave das Indústrias Antero não inunda, claro). Assim, equipado com um pneu Eslovénio que está apenas um degrau abaixo do modelo Elegance disponível em gloriosa versão faixa branca, e com uma câmara de ar Antero armazenada e/ou fabricada num espaço fresco e afastado da luz solar directa, estou convencido que não furarei mais.

2.4.09

150... ... ... Sprint.

Julgava eu que a era dos mecânicos cegos a colocarem distintivos com luvas de boxe durante terramotos já tinha acabado... Aparentemente estava enganado, como me acontece amiúde, porque a malta continua a espremer toda a latitude e nuances espaciais possíveis duma tarefa simples como colocar os distintivos certos na posição certa, que é única, exacta e imutável. Ou não. Aparentemente este cavalheiro aproveitou (alguma da?) a furação já existente o que pode ter parecido uma boa ideia na altura mas que, digamo-lo com frontalidade, gerou resultados desastrosos.



1.4.09

Número redondo

Há alguns meses atrás surgiu no OLX um anúncio tão aterrorizante que eu saltei o protocolo habitual de postagem na Horta e apanhei imediatamente uma monumental bebedeira destinada a matar todos os neurónios relacionados com tão terrível memória. E funcionou.

Para meu desarranjo estomacal o dito anúncio regressou em força, como um zombie putrefacto que reaparece na sequela para aterrorizar um acampamento remoto à beira dum lago idílico povoado por adolescentes loiras em fato de banho, depois de ter sido aparentemente triturado no fim do primeiro filme pelas hélices duma lancha rápida pilotada por adolescentes loiras em fato de banho. Relutantemente agradeço ao Richards o "favor" de me enviar o link para o anúncio original, que me pôs a gritar como uma adolescente loira em fato de banho num filme de zombies.



O novo anúncio decide não mencionar o preço (o meu almoço agradece) o que poderá ser uma tentativa de compensar uma hipotética má reacção causada pelo belo número redondo de 10.000 mocas. A julgar pela tendência corrente do mercado que dita saldos de 30%, o valor real deve rondar os 7.000 euros o que já inclui o IRS (Imposto de Roubo do Stander).

Um esforço sobre-humano da minha parte para não me debruçar sobre os critérios de restauro ou de bom gosto utilizados foi, surpreendentemente, bem sucedido. Eu deveria ter pesquisado para me certificar que a VNL "gt 125" não tem guiador de Sprint mas não consegui: a combinação azul-cueca/ faixa branca/ jante cromada roubou-me a vontade de viver. O raio da Vespa parece uma scooter dos desenhos animados.

"Bart, se tivéssemos 10.000 dólares seríamos milionários." - Homer Simpson



27.3.09

Vai um recorde?

6.000 euros por uma Sprint?!!! É verdade que tem documentos, o que é um extra bastante raro, e também é verdade que está completamente restaurada em comparação com o restauro normal que se fica pelos 40% de completamento, mas... 6.000 euros? Consigo comprar meia PX com 6.000 euros!



Mesmo assim este "classico" [sic] é uma pechincha quando comparado com a Sprint de 8.500 euros. Podemos poupar 2.500 euros que, convenhamos, é uma bela maquia que poderá ser canalizada para a aquisição de algo que valha 2.500 euros: uma PK torta, uns documentos de Rally, um cabeçote de BBB ou algo valioso do género.

Às tantas, como também é de Setúbal, é possível que se trate da mesma máquina (a não ser que haja algo esquisito na água de Setúbal). Se for esse o caso a queda do preço atingiu os 30% em 5 meses o que, quando comparado com a Super dos 6.000 euros cujo preço demorou 12 meses a descer 25%, é um autêntico saldo. Pechincha!

26.3.09

Horta @ NexxNet

Apenas uma posta rápida para registar o aparecimento da Horta no site da Nexx, em relação à visita que eu lhes fiz. (se estiverem interessados no X30 está aqui uma apresentação feita por uns americanos)



25.3.09

The sound of barrote

Depois de todas as queixas relativas à banda sonora do vídeo dos treinos cronometrados da última Resistência de Abrantes, eis agora o vídeo dos treinos livres com esplendoroso som de motor. Estiquei o volume ao máximo por isso não quero queixas: não gosta, põe na borda do prato.

(não se esqueçam que no dia 4 há Resistência de 6 horas em Leiria)



24.3.09

Poser

Tenho recebido muitos pedidos dos leitores da Horta para explicar o que significa ser um poser. Bem, isso não é exactamente verdade, ninguém me pediu nada disso; no entanto é uma bonita maneira de começar uma posta. A veracidade dos factos não me é importante porque eu faço tudo por uma piada barata (o meu capacete cheira a chulé) e, além disso, a Horta é só fumo e espelhos. Fumo, espelhos e uma procura insaciável por protagonismo oco.

Voltando ao não-assunto em questão, este é o aspecto dum poser. Pode ser geralmente observado em cima duma mota alemã com pneus de asfalto e metade do catálogo da Touratech. O seu olhar de surpresa deve-se ao facto de ainda não ter caçado uma única garina apesar de estar em cima duma mota alemã com metade do catálogo da Touratech.

Desculpa lá LTB, tudo por uma piada barata.



23.3.09

23 de Março de 2009

Neste dia 23 de Março de 2009 a Horta deu o primeiro passo em não um, mas dois projectos do caraças. Daqueles mesmo para meter nojo. E tudo isto antes do pequeno almoço- hell yeah! Não me perguntem do que se trata porque eu não gosto de matar amigos.


Projecto Olhos Azuis - luz verde
Projecto Yankee -
luz verde


Materiais alternativos II: em busca do barrote

Agora que a Vespa de madeira é uma celebridade mundial, é então chegada a altura de colocar a pergunta mais importante de todas: tem barrote ou não? Rumores iniciais apontavam para um motor de "bn1" como sendo o propulsor escolhido. Não contentes com tão magra informação, os espiões infiltrados da Horta puseram escutas em telefones, assaltaram escritórios, arrombaram cofres e agrediram inocentes tentando descobrir as especificações do bicho. Afinal não era necessário pois há um folheto:


As especificações parecem consistentes com uma Vespa do início da década de 50 à primeira vista. Alega-se uma potência de 5cv às 4850 rpm, mas atenção que estes são cavalos de madeira com uma eficiência díspar da dos comuns cavalos de aço. A distância entre eixos superior em 40mm aos números de Pontedera é a primeira indicação de que uma máquina feroz se esconde sob o pacato exterior de celulose: esta distância extra sugere uma ciclística vocacionada para provas de arranque ou de velocidade, que sejam disputadas em linha recta - provas com curvas exigiriam uma distância entre eixos menor para aumentar a manobrabilidade. O diminuto volume do depósito, apenas 2.5 litros, corrobora a minha teoria "drag racer". O comprimento total ainda apresenta 20mm adicionais, mas isso deverá ser causado pela abundância de camadas de verniz.

Continuando a inspecção da lista de características, podemos constatar que a Vespa Daniela é construída com pau-rosa, ébano, faia, pau-cetim, jatobá, tacula, efizélia, sucupira, panga-panga e sicómoro. Ora o pau-rosa é muito utilizado na indústria da perfumaria sendo um dos ingredientes do Channel nº5; o ébano é uma madeira escura e rara, utilizada na marcenaria de luxo; a faia é rica em polifenóis de origem vegetal que inibem o ataque às plantas por herbívoros vertebrados ou invertebrados e também por microorganismos patogénicos; a madeira de pau-cetim é clara, com aspecto agradável e resistência mecânica de valor médio; o jatobá é utilizado por indígenas da Amazónia para curar diarreia, tosse, bronquite, problemas de estômago e fungos nos pés; a tacula é uma árvore Angolana cuja madeira tem veios de carmesim brilhante; a efizélia é uma madeira elegante que envelhece graciosamente; a sucupira tem uma secagem lenta com riscos de deformação e de abertura de fendas mínimos; a panga-panga tem uma tensão de rotura alta de 173 N/mm^2; e, finalmente, o sicómoro produz figos de qualidade inferior.

Podemos assim concluir que a Vespa Daniela é bem cheirosa, luxuosa, agradável, brilhante, graciosa, robusta, resistente a microorganismos patogénicos e curadora de micoses. Um veículo notável, sem dúvida, especialmente se não formos grandes apreciadores de figos e se analisarmos cuidadosamente as características da madeira panga-panga:


Esta madeira Africana encontra-se disponível em barrotes de 105mm, uma medida deveras impressionante quando comparada com um pistão de 200cc que dificilmente quebra a barreira dos 60mm! Sem dúvida nenhuma que a Vespa Daniela manda barrote. Mas por qual razão é que a ficha técnica lista um barrote de 54mm e uma velocidade máxima de 55km/h, ambos valores modestos e tranquilos? Tendo em conta que este tipo noticia uma velocidade máxima de 75km/h e uma capacidade do depósito dupla da da ficha, estou convencido que existe uma nefasta campanha de desinformação destinada a esconder a verdadeira performance deste meteoro de madeira. Entrevistas indicam um período de construção de 8 meses mas os anéis da madeira visíveis no avental revelam uma idade de 8 anos! Mais uma discrepância inexplicável.

Apesar deste esforço criminoso para manter em segredo a verdadeira essência do barrote, existe uma prova simples e incontestável que poderia pôr tudo a nu: um bom picanço à moda antiga. É certo que a Vespa Daniela, estando inserida numa categoria muito particular de scooters vintage realizadas em materiais alternativos, dificilmente arranjaria um competidor equiparado. Dificilmente mas não impossivelmente, pois o adversário ideal para uma Vespa de madeira é... a Lambretta de cartão (daqui)!


Estou convencido que a Lambretta teria a vantagem em provas lentas e sinuosas. Possuidora de baixo peso que lhe proporciona uma relação peso/potência invejável, despojada de balons para maior ventilação e calçada com uns pneus slick, a ágil Lambretta de cartão seria um enorme desafio para a massiva Vespa nesta situação. No entanto, o baixo peso da discípula de Innocenti torná-la-ia instável a altas velocidades ao passo que a pesada Vespa, com a sua longa distância entre eixos, ofereceria estabilidade e facilidade de controlo. Além disso o pistão de cartão da Lambretta não aguentaria as temperaturas elevadas da competição enquanto que o barrote de 105mm de pura madeira panga-panga, pouco susceptível ao ataque de fungos e insectos xilófagos, daria a proverbial ratada na Lambretta.

Temos barrote!

19.3.09

Scooter porn

Há dois tipos de scooter porn: a mecânica, e a orgânica.

Se clicaram em "orgânica" puderam visualizar uma página da publicação Motonotícia Casal nº 23 datada de Abril de 72, da responsabilidade da Metalurgia Casal, disponibilizada pelos colegas do Rodas do Viriato. Se me permitem citar um trecho da poesia "Quero" publicada na página 2...:

Quero,
Quero dizer o que se sente,
Quando numa cálida tarde de Verão,
Um homem e uma mulher se unem:
se penetram suavemente um no outro,
se sentem desfalecer
Só porque estão a nascer!...
(está calor aqui dentro ou é impressão minha?...) O Último Tango em Paris, apesar de ser um filme de 1972, só foi estreado em Lusoland 5 dias depois da Revolução dos Cravos, por isso não sei onde é que a Ana - a autora - foi buscar estas ideias mas macacos me mordam se a rapariga não era levada da breca. Ah carago era cada amassanço atrás das salinas! Mais chocante ainda é o facto dos executivos da Metalurgia Casal permitirem tais conteúdos arriscados na sua publicação, mesmo ao lado da Demonstração de Resultados do Exercício de 1971 que nos revela a despesa de 834 contos de réis em encargos com publicidade. Aliás, corre o boato que a iniciativa de criação do automóvel Casal tinha como nome de código "Projecto Pussy Wagon".

E como é preciso ilustrar esta posta, fui aos meus extensos arquivos de pornografia orgânica que metem scooters ao barulho, saquei um ficheiro à sorte, tapei os transfers e os puxadores do ar com o logótipo da Horta, e passei tudo para preto e branco. Se é a preto e branco, então só pode ser arte e nunca um artigo da Motonotícia.

18.3.09

World domination FAIL

Quando eu uso fita adesiva para tapar furos depois de ter furado o pneu sobresselente e me terem vendido uma câmara de ar de válvula direita sem eu notar e a Assistência em Viagem querer enviar o veículo para a oficina mais próxima ao Domingo e não o ocupante, eu certifico-me que a cor da fita combina com o layout da Horta. Isto é falhar com estilo.


Não tentem fazer isto em casa. Eu sou um profissional treinado.

17.3.09

A época começou

Quando se vêem andorinhas quer dizer que chegou a Primavera, certo? Pois quando eu vejo uma Vespa azul-cueca ao lado duma rosa com pneus de faixa bege fico convencido que a época começou.

E o tempo aqueceu de tal maneira que já posso voltar a dormir nú. É a nova época, senhores.



16.3.09

inserir título aqui

Há algum tempo atrás caiu-me esta foto na caixa do correio, enviada pelos colegas marafados do Vai5 - valeu, bacanos. Yo props represent, you da shizzle. Já vos disse que o Vai5 merece visita diária e regular de todos os interessados em análise sócio-política inovadora e fotos de motorizadas marafadas. Podeis e deveis lá ir, e digam que foi o Bob que vos mandou.

Quando eu vi a foto pela primeira vez, pensei logo "fosganhe-se lá prós restauros do garageiro da esquina com as legendas fora do sítio e os pneus terceiro-mundistas!" mas depois houve algo que fez clique. O que é que isso interessa!? Estas Vespinhas estão ao Sol, estão a passear, provavelmente na companhia de amigos, e não há muitos defeitos que eu possa apontar a isso. ...cerveja! Provavelmente houve consumo de cerveja e eu não sou apreciador. Mas fora isso, não há nada de errado com esta foto. E tu, quando é que foi a última vez que enviaste algo para a Horta? Têm que ser os gajos das motoretas, é? Cambada de apreciadores de cerveja...



15.3.09

Porque caem os aviões

Os aviões são desenhados, construídos, pilotados e mantidos de maneira a que seja praticamente impossível a um único erro ou avaria colocar em perigo a segurança do vôo. Existe uma série de linhas de defesa que protege o avião, como folhas à volta duma couve. E a coisa até funciona bastante bem.

Num assunto não relacionado, hoje de manhã saí para passear e até apanhei aquele semáforo à saída de casa que está sempre vermelho em verde. "Bom presságio", pensei eu. Bem, mais ou menos. Para os lados de Espinho, numa estrada estilo via-rápida, furou a traseira. Aquilo abanou um bocado, como sempre, mas parei sem problema. "Já tive a minha emoção para este fim de semana", certo? Errado.

Primeira linha de defesa contra um furo: o pneu sobresselente. Pois foi mesmo este que furou, já que o pneu "oficial" anda furado há um mês e eu tenho tido preguiça de lhe trocar a câmara. Lá se foi a primeira linha...

Segunda linha de defesa contra um furo: câmara de ar sobresselente. Vocês não pensaram que eu andava à selvagem, sem pneu para trocar, pois não? Aquando do último furo comprei logo uma câmara que foi atirada para o porta-luvas, onde já lá estava a minha velha bomba de ar. Juntos estes dois elementos faziam a vez do pneu suplente, com a única desvantagem de adicionarem alguns minutos à reparação. Pego na câmara de ar, tiro-a da embalagem, e olho para a válvula em todo o seu esplendor erecto e linear. Não acredito nisto, deram-me uma câmara com a válvula direita na loja! Lá se foi a segunda linha...

Terceira linha de defesa contra um furo: a assistência em viagem. Raras vezes utilizei a assistência em viagem, mas considero-a uma ferramenta imprescindível. É a última e a mais segura de todas as linhas de defesa, a salvação quando tudo falha. "Fáxabôr, quero assistência", "sim senhor qual é a matrícula?, e onde é que o senhor está?, e qual o seu contacto? Ok, então é um transporte para a oficina", "não não, é para a residência", "a sua assistência em viagem só cobre o transporte do veículo para a oficina mais próxima, e não os ocupantes", "EIN? Hoje é Domingo, as oficinas estão fechadas! E eu, vou a pé? Esqueça." Eu tinha uma assistência em viagem mega-xunga e nem o sabia. Lá se foi a terceira linha de defesa...

Para que haja um acidente de avião, uma cadeia de pequenas falhas deve suceder-se numa sequência bizarra, contornando as várias linhas de defesa uma a uma. É como os buracos num queijo Suíço alinharem de tal maneira que se consegue ver através do queijo. Qualquer uma destas linhas de defesa tem a possibilidade de quebrar a cadeia de falhas mas, contra todas as probabilidades, tal não acontece. O resultado é aviões amassados e o Bob encalhado numa via rápida.

Agora que o mal estava feito, comecei a pensar na aterragem de emergência. Como sair dali? Lembrei-me dum velho truque utilizado por um amigo durante o Período Mesozóico do BTT nacional: enrolar fita adesiva de caixote à volta da câmara de ar. A minha saca das ferramentas tinha um rolo de fita eléctrica verde e foi mesmo isso que fiz - não se riam! - , enrolar fita adesiva à volta do furo. E funcionou! A câmara aguentou pressão (bendita bomba de bicicleta com 25 anos de idade) e o Bob saiu dali para fora!

Durante 10 minutos, pelo menos, até aquilo dar o berro por completo. Suponho que o furo da câmara deve ter evoluído catastroficamente para um rasgão, mas não antes de eu ter saído da via rápida e ter conseguido chegar a um posto de abastecimento onde pude observar a equipa do F. C. Porto a ir dar um passeio matinal. Finalmente sem opções, fiz algo que nunca sequer contemplei, em 11 anos de scooterismo clássico extremo: liguei à minha mãe e pedi-lhe para me vir buscar. Espero que a PX ainda lá esteja amanhã...

12.3.09

Reunião especial do LICET

Ontem à noite houve reunião especial do L.I.C.E.T. (Lambretta Invicta Clube Extreme Team). O bacalhau com natas da última vez foi substituído por um quarteto de francesinhas enquanto se lidava com um certo cavalheiro da Capital interessado em abrir um "Lisbon chapter" do L.I.C.E.T. O pedido foi sumariamente recusado, e o cavalheiro foi recambiado de volta ao remetente.



Num assunto relacionado, cujo significado secreto é do conhecimento exclusivo apenas do núcleo duro do L.I.C.E.T., deixo-vos um karaoke da Nucha.



9.3.09

Granda frustra

É oficial, o meu sem-fim morreu após apenas 30 quilómetros. A minha previsão falhou por um factor de 1000 o que representa, digamo-lo com frontalidade, um falhanço fenomenal e estrondoso.

Fazendo as contas ao preço do sem-fim, obtemos um custo de 6 cêntimos de euro por quilómetro. Com mil raios, gasto menos em gasolina!

6.3.09

Prefiro gatos

Quando fui visitar os vietbodges levei comigo um cameraman para registar o acontecimento. No entanto, parece-me que ele não estava totalmente concentrado nessa tarefa...



5.3.09

Mau...

Apenas 20 quilómetros depois, o ponteiro do velocímetro começa a exibir frustrantes e violentos espamos epilépticos...

4.3.09

Re-Ape-arado

O Faveca ia na IC19 quando o Ape (daqueles grandes, com volante) faz brrrrooaááááááá- brooooáááá- broooooóóóó. Diagnóstico: colector do carburador marado. Solução: segurar o bicho com zip-ties. Efeito: entrega atempada de cerveja fria à corrida.

TSQEUVHCQ consertas o teu Ape dos grandes carregado com cerveja fria na berma da auto-estrada usando apenas zip-ties. Nice.



3.3.09

Conta quê-émes já conta

Só precisei de cinco meses para pôr o conta-quilómetros a funcionar de novo...

(tenho que arranjar tempo para ir à loja, é hoje que vou à loja, bom dia quero uma bicha fáxabor não há, encomenda-se e está cá para a semana, uma semana depois não chegou, ok então vou passando por aí, pois sim, finalmente já chegou, umas semaninhas parada na secretária para repousar, vamos lá à garagem montar isto é hoje carago, vamos lá entra eu já fiz isto antes tem que entrar, mas que porra não funciona?, nem penses que fico aqui ajoelhado no cimento a mexer nisto, acho que tenho que cortar a bicha como da outra vez, fosga-se é hoje que vou meter isto a bulir, então e agora carago raios, bem é hoje fogo!, essa agora e porque é que não sais sempre saíste antes, foi da chuva filha da mãe, é desta carago ah estás ver como sais?, então e agora boa outro sem-fim para o caraças, afinal já não preciso de cortar a bicha, montes de massa e tudo novo tens que funcionar, ah agora sim maravilha)

E nem me façam falar do raio do parafusinho que fixa a chapa de entrada da bicha! Desenhado por Satã em pessoa. De qualquer maneira o meu ponteiro está ali teso como granito- cof cof- pronto para mais uma porrada de quilómetros. Quantos mais? Adivinhem! Horta-quizz bizarro! A reparação foi feita aos 122167 (indicados, ponham mais 10K em cima). Eu prevejo que o sistema avarie de novo aos 150001 (indicados, ponham mais 10K em cima). Qual é a vossa previsão? Já tive problemas passados três anos, e já tive problemas passados 50 quilómetros. Registem o vosso palpite nos comentários e, quando finalmente avariar, descobriremos o vencedor. Este concurso não é aprovado pelo Governo Civil.



2.3.09

...não me consigo lembrar de nenhum trocadilho com Glória...

O pacato vilarejo de Glória do Ribatejo foi invadido pelos jagunços das scutras que não fizeram muito mais que andar às voltas no meio da vila. De manhã uma chuvinha fraca complicou o piso, já de si em mau estado; à tarde esteve mais seco e as 26 (!) equipas puderam evoluir sem grandes problemas, havendo ainda tempo para umas "drag races" no fim.

Infelizmente o Nuno amassou o jelho com alguma gravidade. A Horta coloca todos os seus recursos de energia kármica em prol da rápida e completa recuperação do nosso irmão. As melhoras, Nuno! Podem ver as fotos não-completamente-nojentas aqui, ou em glorioso slideshow aqui. [Edit:links do Flickr estão mortos]


Acção drag!


Exta xubentude...


Que barulho foi aquele?...

27.2.09

Movimento Alternativo

Pessoal do Norte, toca a marcar o dia 25 de Abril no calendário. A excursão anual (2008 e 2007) do Movimento Alternativo de bicicletas vai rolar no Porto e estão todos convidados. Não há cá inscrições nem tretas deprimentes, é só aparecer.

Como já sugeri no passado, vão à garagem/ sótão/ arrecadação e arrastem para fora aquele charuto velho que está lá a apanhar pó há anos. Dêem-lhe uma mangueirada, encham os pneus e venham rolar um pouco. Se não têm um chaço, peçam um emprestado. Faltam dois meses!



[Edit: sintam o amor do último Movimento aqui, com links para mais fotos e relatos.]

26.2.09

Bob vs. Bodge

Aqui o Bob foi visitar um vendedor de vietbodges e inspeccionar as polémicas máquinas. Está para breve o meu relatório sobre estes restauros vietnamitas.



25.2.09

Vespa Ralli 250

Há pouco tempo atrás realizei a seguinte afirmação :
A Sprinter Veloce é a segunda Vespa mais rápida alguma vez criada, ficando apenas atrás da 150 200 PSV, a versão Performance da Sprinter Veloce com cilindro 200 enfiado num motor 150.
Novos desenvolvimentos vieram provar que eu estava errado: naquela mina de carvão onde foram escondidas as Sprinters continuam a ser descobertos modelos inéditos em galerias e túneis cuidadosamente selados, que são prontamente colocados à venda no mercado nacional. É com grande emoção que vos apresento a Vespa mais rápida de todas, a magnífica 250 Ralli!


Por fora pode parecer uma Rally normal, mas todo o interior do chassis foi reforçado com vigas ferroviárias para não dobrar sobre o efeito do portentoso motor de 250 centímetros cúbicos. O cilindro 250 era polido à mão por raparigas virgens, para maximizar a taxa de compressão. A tirar partido da cubicagem acrescida encontrava-se um inovador sistema de injecção de combustível cuja presença é denunciada pela letra "i" em Ralli. Este sistema de injecção oferecia prestações fabulosas; infelizmente, o depósito de banha de iaque tinha que ser reabastecido todos os 60 quilómetros.

Quão rápida é a 250 Ralli? É tão rápida que um piloto de testes perdeu a vida quando não conseguiu segurar-se ao guiador, tendo sido arrancado dos comandos pela deslocação do ar. Uma fuga no circuito pressurizado de banha de iaque pode ter contribuído para o desastre. A solução estudada pelos engenheiros de Pontedera foi a montagem de série de um pára-brisas de dimensões generosas. Esse pára-brisas imprescindível ainda se encontra montado na 250 Ralli descoberta, se bem que o circuito de banha de iaque esteja ausente de modo misterioso. À frente e atrás podem observar-se os suportes dos instrumentos de medida e telemetria usados durante os testes. 5.500 euros não compram um décimo da História por trás deste fabuloso veículo.

23.2.09

Cafezada de Carnaval

Mais uma Cafezada do ScooterPT, com duas dúzias de scooters e um Sol glorioso a tomarem parte. Entre as Vespas encontravam-se duas Lambrettas, uma Heinkel e uma Honda CN. Houve pessoal que veio de Coimbra e Guimarães, para depois ir almoçar à Póvoa/Vila do Conde. A minha velhinha VBB lá aguentou a ida até ao Cais de Gaia, depois de algum ar nos pneus e uma sacudidela do pó. A travar pouco e a gastar muito, mas aguentou.




Depois de duas semanas de Horta bastante activa, eis-me a entrar na curva descendente do meu bioritmo intelectual. Contem que as duas semanas vindouras decorram a um ritmo mais relaxado e menos inspirado. Se não gostam, é grátis.

21.2.09

Máquina do tempo

Ok, o arquivo de fotos da Life no Google tem imagens de scooters muito fixolas, mas eu continuo a ser um gajo do Flickr. Encontrei lá esta foto que mostra uma Vespa estacionada em Lisboa, à frente do Cinema Europa.



Se quiserem ver a foto em formato grande, é aqui. Nela poderão observar com maior pormenor este exemplar de VBB (?) cujo único acessório visível é o grande avental dianteiro para protecção contra o vento e a chuva. Esta é uma visão rara e fascinante duma Vespa nacional no seu habitat natural, a ser usada na vida diária dos anos 60. Melhor que isto só com uma máquina do tempo.

Ah, e os filmes que estão em cartaz são "O ódio que gerou o amor" e "O segredo da ilha sangrenta". :-)

20.2.09

Se as Vespas fossem como computadores

No seguimento de magníficas obras literárias como Linguagem Gestual Vespista e TSQEUVHCQ (Tu Sabes Que És Um Vespista HardCore Quando...), eis que surge agora o elemento final, pouco inspirado e fracamente trabalhado, neste quarteto de três obras.

SAVFCC…
(Se As Vespas Fossem Como Computadores…)

…bastaria cair uma partícula de sujidade no exterior do carburador para a Vespa parar. A única maneira de a consertar seria retirar o carburador, derretê-lo, e montar um novo.
…poderíamos usar pistões de concorrência mas só depois de gravarmos as letras "PIAGGIO" no interior da saia.
…depois de darmos ao kicks, teríamos que esperar dois minutos até o motor começar a trabalhar.
…em andamento, as manetes de travão poderiam bloquear a qualquer momento, sem aviso.
…sempre que passássemos por um outdoor de publicidade animada ou por algum sítio com música, a Vespa abrandaria e começaria a andar aos abanões.
…se apitássemos na rua errada, a Vespa ficaria coberta de autocolantes de publicidade que nunca mais sairiam.
…se atestássemos numa bomba de gasolina duvidosa, o motor bloquearia e só passaria a funcionar depois de decaparmos e pintarmos todas as peças de chapa.
…todas as avarias grandes aconteceriam no dia em que tivéssemos uma reunião importante.
…em caso de avaria do motor, o saco de compras que levássemos no porta-couves desapareceria, e teríamos que comprar tudo de novo.
…para fazer viagens grandes seria melhor usar a Vespa do emprego.
…existiriam porta-couves cromados de concorrência muito melhores que os da marca, e seriam grátis.
…de três em três anos a auto-estrada seria reasfaltada tornando a nossa Vespa lenta demais para lá andar.
…todas as manhãs o raio da Vespa insistiria em passar pelo concessionário oficial Piaggio mais próximo para ver se já tinham chegado novos modelos de bóias de carburador.
…ir ao cinema obrigaria ao uso duma Vespa amarela; qualquer outra cor de veículo resultaria em duas horas de mensagem de erro.
...a maioria das deslocações teria como destino a loja de revistas para adultos.
…as Lambrettas seriam muitíssimo mais estilosas e fiáveis, mas mais caras.
…a maior parte das bombas de gasolina não conseguiria abastecer Lambrettas.
…as Heinkels seriam vistas apenas em círculos universitários e de investigação.
…se o motor fosse abaixo, teríamos que trancar a direcção, fechar a gota, pôr no descanso, tirar o capacete e as luvas, e só então poderíamos dar ao kicks.
…em caso de furo, teríamos que correr as gavetas todas à procura da embalagem original do pneu antes de podermos trocar a câmara-de-ar.
…uma trovoada poderia derreter a embraiagem.
…as Vespas antigas seriam horrorosamente lentas. Ninguém as coleccionaria, indo todas parar à fundição alguns anos depois de terem sido compradas.
…os depósitos das Vespas antigas só teriam meio litro de capacidade.
…a buzina apitaria durante 30 segundos no início de cada viagem se a cor da chapa não combinar com a cor do livrete.
...o porta-luvas teria 3000 ferramentas diferentes, mas não conseguiríamos achar a procurada.
...encher o depósito na auto-estrada demoraria apenas alguns segundos; em estrada nacional, seria pelo menos meia hora.

19.2.09

Coisas estranhas se passam na Horta


Como se pode observar na fotografia, a Horta foi penetrada (au!) por uma máquina infernal de rodas grandes de origem nipónica. Como entidade super-humana que é, o Ranger Bob não pode evitar ter um irmão gémeo maléfico. Este mano malvado pode ser identificado facilmente pelo seu bigode de vilão, e é sobre ele que recaem as suspeitas de tão triste profanação da cultura de rodas pequenas da Horta.

A minha pobre PX lutou com todas as forças contra esta situação deplorável. Na viagem destinada à inspecção do motão decandente, sofri um furo em plena auto-estrada; fiquei sem gasolina a 300 metros do destino final; e, finalmente, parti o cabo do travão dianteiro ao recolher a PX à garagem, no fim do dia. Eu não estou a inventar isto: sofri três avarias graves no dia em que fui comprar a minha primeira mota grande. É o karma a dizer-me algo ou quê!? E na viagem de recolha o carro alemão de alta cilindrada requisitado para o efeito, depois de vários anos de serviços exemplares sem qualquer problema mecânico, decidiu começar a apitar por causa do nível da água. Há forças muito potentes envolvidas nesta situação, digo-vos eu...

(por acaso o furo na auto-estrada teve interesse. Primeiro não caí, o que é algo que me interessa bastante. Segundo, estava eu na berma com a PX deitada, balons fora, ferramentas espalhadas, rodas por todo o lado, a pensar "isto vai dar uma foto mesmo fixe" quando chega o homem da Brisa. Prontos, lá se foi a foto. Quando ele viu que eu estava quase desenrascado, limitou-se a meter as mãos nos bolsos e a ficar a olhar.)

Eis-me, portanto, sob a influência do irmão gémeo malvado do Ranger Bob. Peço-vos que mantenham intacta a vossa fé na minha dedicação scooterista, pois só ela me poderá salvar dum inferno de coletes de couro e lenços vermelhos amarrados à traseira. De qualquer maneira, face a estes extraordinários desenvolvimentos, julgo que não tenho outra escolha a não ser a actualização da minha tatuagem indicadora de status para algo mais apropriado.

18.2.09

Outubro de 1964

Os impressos de transferência de propriedade que todos nós conhecemos deixarão de ter validade no fim deste mês. Se têm alguma "declaração de venda" assinada que ainda não meteram por preguiça- como eu tinha- ela transformar-se-á em abóbora à meia noite do dia 1. Já corri a minha capa dos documentos e vou agora ao senhor simpático da agência de documentação deixar lá tudo.



O cheiro do papel grosso dos livretes antigos.
Os seus cantos encorrilhados.
As arestas gastas e felpudas.
O nome de uma pessoa e a sua caligrafia.
Os quilómetros, as viagens, as histórias escondidas.

17.2.09

Professor X spotting

Sabiam que o Professor X tocava trombone na banda do Joe Cocker nos anos 80? Eu também não. É ver aqui aos 2:38...



14.2.09

Ai a minha vida

Ontem fui a uma Assembleia Geral de um Vespa Clube. Quantas Vespas estavam no parque de estacionamento?




Apenas uma. A do Bob.




Hoje fui dar um passeio com uma Lambretta que se recusava a pegar. O problema?




Corte de ignição ligado.

12.2.09

Horta Tech Quizz #4

Vai um Horta Quizz? Desta vez apresento-vos uma peça raríssima que deveria aparecer nas Sprints e semelhantes, mas que ninguém conhece ou possui. Olhem para ela e tentem adivinhar a sua função.


Então, conseguiram? O nível de dificuldade desta é apenas médio! Vejam a resposta nos comentários; se acertaram cliquem aqui para verem ninjas em patins a atacarem um micro-carro; mas se falharam são obrigados a clicar aqui e apenas aqui. Pobres coitados...

11.2.09

Três rodas

[Aviso: posta sobre bicicletas] A Horta gosta de veículos de três rodas, como estes. São tão queriduchos!




Recentemente tive a oportunidade de experimentar um veículo de três rodas, mas movido a pedais! O KMX Karts Cobra é um triciclo recumbente fora-de-estrada, e é uma das máquinas mais divertidas que alguma vez conduzirei. É com facilidade que se fazem truques como slides, éguas, mini-burnouts, todo o tipo de derrapagens, e até andar em duas rodas. Imaginem uma mistura entre kart de pista, BMX e carrinho telecomandado, com diversão extra injectada à pressão.

Este não é um bicho barato mas é, sim, uma peça de qualidade que durará muitos anos. O importador Cenas a Pedal não só vende mas também aluga triciclos KMX, caso estejam interessados em experimentar. Sobretudo não se esqueçam que eu sou, aparentemente, muito radical. É essa a intenção desta posta, projectar a minha radicalidade extrema. Funcionou? Ó p'ra mim!

(Foto Luís Lopes)

10.2.09

"Jony"

O objectivo desta posta é popularizar a expressão "Jony" na cena scooterista nacional. As origens de tal palavra, plena de significado e mística, encontram-se enterradas nas profundezas do tempo e apenas um pequeno grupo de privilegiados está ciente do seu simbolismo completo. O seu uso, no entanto, merece ser partilhado de forma democrática e abrangente.

"Jony" pode assumir três significados distintos:
  • degradação estrutural, falhanço mecânico ou situação indesejável. Exemplo: "tenho o pistão todo Jony"
  • ausência de bom senso, discernimento ou controlo da situação. Exemplo: "entrei na curva à Jony e quase que ia em frente"
  • imbecilidade, idiotice ou qualquer outra manifestação de acefalia. Exemplo: "ouve lá, não sejas Jony"
Considerem-se, portanto, autorizados a utilizar a expressão "Jony" no vosso dia-a-dia, sem restrições ou contrapartidas. Espero que, um dia, também a minha humilde pessoa possa fazer parte do vocabulário scooterista: "Meu, Einstein e Gandhi eram gajos mesmo Bob!" Estejam à vontade para adicionar exemplos de uso nos comentários.

9.2.09

Rodagem à bruta

Como fazer rodagem Vespa? <--- br="" busca="" de="" ihihihi="" isco="" motores="" para="">
Até hoje apenas tive a oportunidade de realizar duas rodagens, uma na GTR e outra na PX. Ambas seguiram a mesma filosofia: 500kms a andar devagar seguidos de 500kms a andar nas calmas. Ambas se revelaram aparentemente bem sucedidas. A estratégia de andar muito devagar ao longo duma grande distância parece fazer sentido, e os autocolantes de rodagem das Vespas antigas até mencionam 2000 quilómetros como o período crítico.

Pois este tipo tem uma ideia diferente. Dar-lhe gás logo no início. Passo a explicar: a potência de um motor de combustão interna depende grandemente da vedação eficaz da câmara de combustão, efectuada em parte pelos segmentos que estão em contacto com a parede do cilindro. Sem vedação, a explosão dissipa-se e não é convertida em movimento. Até aqui tudo bem.

Quando são novas, as superfícies das peças metálicas possuem uma certa rugosidade resultante dos processos de fabrico. Durante a rodagem a fricção entre peças adjacentes elimina essa rugosidade. Os motores antigos possuíam superfícies mais ásperas, que originavam bastante fricção e calor; assim, o motor tinha que ser pouco esforçado durante o início de vida. Ora acontece que a tecnologia de fabrico actual proporciona peças com superfícies muito mais lisas, com uma menor rugosidade que desaparece rapidamente.

É agora que fica esquisito. Essa rugosidade superficial funciona como uma lima que ajusta a superfície exterior dos segmentos à parede do cilindro, de maneira a que encaixem perfeitamente e haja uma boa vedação. Ora, como essa rugosidade desaparece rapidamente nos motores modernos, existe uma pequena janela de oportunidade para "assentar" correctamente os segmentos. Quão pequena? O gajo no site diz 30 quilómetros.

Se pouparmos um pistão novo nos primeiros quilómetros, os segmentos limitam-se a andar para cima e para baixo perdendo rugosidade, e a janela de oportunidade desaparece num instante: a vedação não ficará perfeita e ficaremos com um motor lento. A ideia é puxar pelo motor (seguindo um certo plano) nos minutos iniciais para que a pressão da explosão empurre intensamente os segmentos contra a parede do cilindro (o efeito de mola dos segmentos exerce pouca pressão contra o cilindro) de maneira a que estes acamem antes que se perca a rugosidade. Nos motores antigos a rugosidade extra oferecia um período de ajuste prolongado que se proporcionava a rodagens longas, mas tal já não acontece.

Até aqui é tudo teoria sacada da internet, com a validade (ou falta desta) inerente. Talvez o pessoal das corridas esteja mais familiarizado com este tipo de rodagem que o pessoal das deslocações diárias ou dos restauros, e possa comentar. No entanto, a coisa pode não ser completamente descabida. Há algum tempo atrás estava eu a ler relatórios de investigações de acidentes de aviação (sim, eu sei, tenho hobbies esquisitos) e deparei-me com um estudo técnico sobre a rodagem de motores de pistão para a aviação geral. Como há vidas envolvidas, o assunto foi estudado ao "promenor", de maneira científica e objectiva. Ora uma das conclusões importantes era a necessidade de evitar temperaturas altas durante a rodagem (não forçar o motor) e de, simultaneamente, aplicar uma carga considerável no motor para acamar correctamente os segmentos. Andar a pisar ovos era tão mau quanto forçar a mecânica.

E se acham que tudo isto é complicado, esperem até eu vos falar do dinamómetro de 5 euros! :-) Não sei se estou interessado em fazer uma rodagem "de avião" numa scooter minha, talvez algum de vocês seja mais aventuroso?


Foto não relacionada de cilindro agarrado

[Humor: tenho curtido Chad Vader- Day shift manager- "It's Randy! Randy!"]