19.4.20

PX de brinquedo

Encontrei isto na feira! (pré-pandemia) Está em bom estado, e acho incrível que as manetes tenham sobrevivido sem se partirem.


É bastante grande, com 30 centímetros de comprimento, e tem umas rodinhas de inércia que mantêm o movimento depois de a empurrarmos. Não há nenhuma marca de fabricante ou de origem.


Matrícula italiana :). O vendedor disse que a tinha comprado há 41 anos, quando o filho dele nasceu. Isso data-a logo a seguir ao aparecimento da PX.


Tem uma quantidade razoável de pormenores que são visualmente agradáveis mas não exactos; a forqueta existe dos dois lados da roda, por exemplo. As rodas dizem Pirelli SC93 e acertam na medida dos pneus e no número de porcas.


A pintura tem um toquezinho de metalizado, algo bastante invulgar. No geral acho que é uma excelente adição à minha colecção de miniaturas que só servem para apanhar pó.


  

25.3.20

Como desapertar a porca do cubo

Um amigo mandou-me esta mensagem:


Geralmente, para desapertar a porca do cubo, é possível carregar/apertar no travão respectivo para bloquear o cubo e, com um pouco de ginástica, actuar a ferramenta em simultâneo. E... se o travão não funcionar? Quando, por exemplo, há um vedante estragado e o travão está contaminado com óleo?

Eu conhecia algumas soluções possíveis e pedi no FB para vocês opinarem com mais sugestões, a fim de realizar esta compilação de métodos mecânicos. Cá vamos:

-pistola de impacto: excelente sugestão mas tal ferramenta não estava disponível;

-pessoas em cima da scooter a fazer peso: afigura-se-me como pouco prática, necessita ajudantes, e não deve funcionar na roda da frente. Usar uma pedra ou tijolo como calço também pode ajudar;

-enfiar uma corda dentro do furo da vela: já usei esta tática para bloquear o motor (e o cubo, se estiver uma mudança engatada) uma vez com sucesso, mas tenho sempre medo que a corda entre numa janela e seja cortada pelo pistão;

-prender uma alheta do ventilador com uma chave de fendas ou cabo de martelo: não recomendável, a probabilidade de partir a alheta é grande;

-enfiar um toco de madeira entre o pneu esvaziado e o quadro, encher o pneu para bloquear a roda: por acaso esta tática foi experimentada nesta ocasião em particular, e não funcionou;

-retirar a golpilha da porca do cubo e andar com a Vespa sem golpilha até a porca desapertar sozinha: pode realizar-se sem ajudantes e sem ferramentas mas não há garantia se ou quando a porca se desapertará;

-utilizar uma ferramenta adequada: a mais inverosímil de todas as opções :). Algo como isto;



-utilizar uma ferramenta caseira: fácil de fabricar, elegante e suficientemente compacta para levar no saco de ferramentas da Vespa, mas prende apenas em dois pernos que têm que suportar o binário todo. Afigura-se-me mais como uma ferramenta de emergência em viagem do que uma ferramenta de oficina;



-utilizar a ferramenta Made in Bob: esta foi a minha solução (daqui) e funcionou perfeitamente, bastando apenas obter uma jante velha, um bocado de tubo de sucata e um compincha com máquina de soldar. Aperta e desaperta. Não é uma ferramenta compacta mas é fácil de usar sem ajudantes e não danifica nada.


Prova que funciona: #cosaéfixe


Ide rolar, meus filhos, com as golpilhas das porcas do cubo no sítio.
    

29.2.20

A 180SS do Carlos


O Carlos tinha uma SS. O Carlos vendeu a SS. O Carlos ficou triste por ter vendido a SS. O Carlos procurou outra SS. O Carlos encontrou outra SS.
 

No entanto, a passagem do tempo não tinha sido meiga para com esta espevitada motoreta transalpina, que se apresentava com a mecânica delapidada e o corpo putrefacto.


A chapa estava podre no chão, como é comum, e noutros sítios invulgares como por baixo da torneira e no fundo do porta-luvas. As alhetas do balon direito necessitavam substituição e os punhos estavam irredutivelmente colados ao guiador. Tudo isto foi reparado mas teve-se o cuidado de preservar ao máximo a pintura para propiciar um aspecto final muito particular.
 

A mecânica foi outra cordilheira montanhosa a transpor. A forqueta sofreu uma revisão completa e, na extremidade oposta, o motor exigia o mesmo. O Carlos tinha um motor de PX e um cilindro Pinasco 177 parados na prateleira, sobras de projectos passados, e estes foram rapidamente recrutados para substituírem o propulsor original.
 

Nenhuma modificação foi feita à SS para montar o motor novo e até a admissão de ar original da 180 foi mantida inalterada; o motor correcto está guardado e poderá ser remontado no futuro sem restar prova da sua ausência temporária.

 

O motor novo foi presenteado com um carburador 24, e com um veio do kicks diferente para poder receber um kicks dos anos 60 condizente à idade do veículo. Não serão necessários dotes de observação extraordinários para reparar no escape de rendimento e no amortecedor traseiro "rátátá" adicionados.


Vários outros componentes estão alinhados ligeiramente à esquerda do regulamentar, resultando numa scooter com um carácter único, meio vintage com um toque customizado. A pintura coçada com as suas reparações reluzentes seladas com verniz mate e as rodas originais em preto fosco adicionam ainda uma vibração "rat" a esta receita já de si exótica.

 

Temos assim um modelo icónico da casa de Pontedera não restaurado mas totalmente usável. Mantém muito da sua personalidade de clássico mas salpicado com toques personalizados que farão o Carlos sentir que esta é a "sua" Vespa. Melhor ainda, esta SS é uma machadada gloriosa na mentalidade do restauro automático e na ilusão colectiva de que o reluzente é que é bom.


Aprendamos a apreciar as Vespas coçadas e com patine e renunciemos aos falsos deuses da pintura fresca e dos cromados perfeitos. Ide rolar, meus filhos.


Este recomissionamento foi realizado na Oficina 240. As fotos são da autoria de Miguel Proença, e foram aqui reproduzidas com permissão.