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24.1.08

Steve McQueen não era um poser

As estrelas do cinema mudaram muito. Antigamente é que era! Sem pensarem duas vezes, o Errol Flynn lançava-se pendurado de um candeeiro, enquanto o Burt Lancaster saltava para um comboio em movimento. Hoje em dia só temos um Tom Cruise todo avariado da cabeça à frente de um ecrã azul.

Um dos grandes foi o Steve McQueen. Quando vi esta foto dele, fiquei maravilhado. Qual Missão Impossível, qual quê! Eis aqui o Steve a participar no International Six Day Trial de 1964 , com a sua Triumph 650. Para quem não conhece, esta era e ainda deve ser a mais completa e dura prova de sempre para qualquer piloto e máquina. Os seus contratos cinematográficos impediam-no de correr com motas, mas ele fazia-o na mesma sob um pseudónimo e com excelentes resultados. A sua carreira na competição automóvel também se tornou invejável, com resultados de topo em provas de nível mundial.

No filme "The Great Escape", um dos mais fabulásticos de sempre, a personagem de Steve realiza o salto de mota mais famoso de toda a história cinematográfica no culminar da emblemática perseguição final. Na realidade, não foi o Steve que realizou o salto por imperativos do estúdio, mas ele fez quase tudo o resto e até mais. Devido à falta de duplos qualificados, o dotado McQueen pilotou em muitas cenas com motas, inclusivé vestido de guarda alemão em perseguição da sua própria personagem. Não existiam motas de cross, na altura. Pegava-se numa pesada mota inglesa, punham-se-lhe uns pneus de taco e uns escapes levantados, e já estava. Era preciso um homem a sério para andar fora de estrada com aquelas máquinas.

Infelizmente, Steve McQueen morreu de cancro no pulmão com 50 anos de idade. A sua imagem perdurará como sendo o "King of Cool", algo impossível de imitar ou comprar, o oposto diametral de um poser.
  

23.1.08

Casal Carina S170 - manual do utilizador

O "manual de instruções e cuidados" da Carina S170 pode ser descarregado aqui, na Horta antiga (3MB, PDF). Agradecimentos ao Chef e ao Octávio por o enviarem. A Horta desconhece o autor deste documento.



[Edit: este manual encontra-se agora disponível em formato JPEG aqui.]

[EDIT: todo o material Casal está agora aqui]
   

22.1.08

Guarda-lamas de substituição rápida

A última Cafezada foi prolífica em diversão, convívio e fotografias de sucatice. Uma das pérolas captadas como uma série de zeros e uns etéreos foi este pormenor do guarda-lamas da 50s podre do PV. Estamos a observar uma tira de metal galvanizado que cobre um largo rasgo longitudinal e centrado na secção traseira do guarda-lamas, fixo com parafusos de madeira alinhados aos pares. Confesso que me foi impossível descortinar a utilidade ou razão desta modificação logo na altura, tendo o dono do veículo sido obrigado a vir em meu auxílio intelectual. "É para se poder tirar fora o guarda-lamas sem desmontar a forqueta."

A simplicidade brilhante da configuração do conjunto direcção/suspensão presente na dianteira dos nossos veículos favoritos acarreta uma pequena desvantagem: para se remover o guarda-lamas, é necessário retirar a forqueta do quadro. Esta modificação parece contornar tal inconveniência, bastando para tal retirar os parafusos e a chapa adicional. Mesmo que tal operação se revele prática ou vantajosa, qual seria a justificação do habilidoso que sonhou e implementou este sistema para necessitar de um guarda-lamas de substituição rápida?

Será que ele tinha um guarda-lamas de Domingo, mais bonito que o de semana? Um micro-clima localizado na extremidade da garagem com chuva ácida? Algum cão descomunalmente grande com apetite por peças salientes de chapa moldada? Todas estas situações são extremamente far fetched, prova da incompreensibilidade do fenómeno aqui apresentado. O caso será encerrado, com a classificação "insolúvel".

21.1.08

Mod stuff

Nem todos os Mods têm scooters, e nem todos os scooteristas são Mods. No entanto, é inegável a sobreposição destas duas sub-culturas. E onde há sub-culturas, há oportunidades de marketing. Agora já podem embelezar a chave da vossa Lambretta com esta capa embelezadora que representa o target, símbolo incontornável do movimento. Não sei quem fabrica isto, mas se googlarem Doa No Kagi Tsukami vão ter a lojas de biclas custom que as vendem.

Quem estiver interessado no movimento Mod pode ter um autêntico crash course nesta peça gira que passou na Sic Radical, e depois é só visitar regularmente o Vespa Gang. "We are the mods, we are the mods. We are, we are, we are the mods!"

Eu não sou, mas tenho amigos que são. :-)

17.1.08

Aviso importante

Aviso! A Horta das Vespas é uma obra de ficção sem qualquer valor prático ou ligação à realidade. Não tente duplicar, imitar, emular, copiar ou seguir de qualquer maneira, total ou parcialmente, as acções, indicações, sugestões e ilustrações presentes nesta colecção de documentos. Existe sério risco de ferimentos graves ou morte incluindo, mas não limitados a, cortes, arranhões, abrasões, queimaduras, esmagamentos, electrocussão, ossos partidos, vergonha pública, quedas, acidentes rodoviários, amputação de extremidades corporais salientes, doenças tropicais, distensão de músculos, surdez, danos cerebrais, queimaduras na retina e micose.

Aviso! Utilize cautela extrema ao operar ferramentas, quer sejam manuais, eléctricas ou eólicas. Mantenha roupas soltas, rabos de cavalo e joalharia exuberante fora do raio de acção de qualquer peça ou mecanismo móvel. Retire os dedos do trajecto previsto das arestas cortantes e extremidades afiadas da ferramenta. Utilize equipamento de protecção adequado. Não opere qualquer tipo de ferramenta ou maquinaria sem a supervisão de um adulto qualificado. Não opere nenhum tipo de ferramenta ou maquinaria, e mantenha sempre uma distância de segurança destes artigos. Se estiver a andar pela rua e for passar por uma loja de ferramentas, atravesse imediatamente para o passeio do lado oposto.

Aviso! Não atravesse ruas para o lado oposto. Existe perigo de ferimentos graves ou morte.

Aviso! A utilização de qualquer veículo motorizado de duas rodas pequenas e baixa cilindrada pode causar ferimentos graves ou a morte. A operação geral incluindo, mas não limitada a, manutenção, deslocação, estacionamento, transporte, competição, arranque, reabastecimento, desmontagem e limpeza destes veículos deve ser realizada apenas por profissionais experientes em plenas condições de segurança. Fique em casa sem fazer nada e não saia à rua.

Aviso! Ficar em casa sem fazer nada e não sair à rua pode causar problemas de saúde incluindo, mas não limitados a, obesidade, doenças cardio-vasculares, varizes, coágulos nos membros inferiores, depressão e outras perturbações psiquiátricas.

Aviso! A Horta das Vespas não é responsável por qualquer dano, estrago, ferimento ou perda causado, total ou parcialmente, pelo incumprimento destes avisos de segurança. Qualquer tentativa de responsabilizar, culpar, envolver ou incluir a Horta nas burradas pessoais dos leitores será severamente ridicularizada. Utilize o bom senso em todas as suas acções e operações. Consulte um profissional qualificado na determinação da existência de bom senso antes de prosseguir. Não pinte a sua Vespa de azul-cueca, não lhe ponha cromados, pneus de faixa branca, pinturas de dois tons nem estofos esquisitos. Seja simpático para com os outros e faça boas acções. Conduza com calma. Faça exercício e coma bem. Não passe tanto tempo à frente da televisão. Arranje um passatempo ou adopte um animal de estimação. Compre um capacete fechado.

Aviso! Todos os avisos precedentes poderão estar errados, incompletos ou incorrectos, total ou parcialmente. Não siga avisos postados na internet sem consultar um profissional qualificado.

16.1.08

Update na Sprint

O restauro da minha Sprint está parado há vários meses no chapeiro. Estive bastante tempo sem lhe ligar pois o homem casou-se e isso dá cabo da vida a um gajo. Depois de algum tempo sem novidades, liguei-lhe hoje para saber o que se passava e o coitado do homem teve um acidente de trabalho e partiu a clavícula. Assim, a Sprint continuará parada no futuro próximo. Daqui a um mês tentarei saber mais novidades.

Entretanto, todas as pecinhas pequenas resultantes da desmontagem tinham sido limpas e colocadas ordenadamente na bancada secundária do Bunker. Hoje em dia, o panorama é o da foto, desolador e problemático. A organização espacial lógica dos componentes diluiu-se graças a repetidas marteladas na bancada adjacente. Tudo está coberto por espessa camada de pó e algumas aranhas de dimensões consideráveis. Já não me lembro de onde é que são muitas das peças, nem como encaixam. Tirei montes de fotos durante a desmontagem que me dariam toda essa informação, mas o disco duro avariou e foi tudo com os porcos. Portanto, este é capaz de ser o ponto mais baixo de todo o processo. Só posso dar tempo às coisas para se resolverem, manter-me concentrado, dissolver os problemas grandes em problemas menores de resolução acessível, e não esquecer que isto é divertido. Ainda há pessoas que pagam a mecânicos para eles fazerem isto!!??... Ha!

15.1.08

Casal Carina S170 - fotos e história


A brochura publicitária da Casal Carina que constituiu 90% da minha informação durante muito tempo (scan da Horta); ampliação da tabela de características (ver mais características no manual do utilizador); foto existente numa oficina no Porto de uma adaptação não oficial para triciclo (existe a hipótese não confirmada que a Casal terá realmente produzido um triciclo Casal Carina, mas é pouco provável)


Publicidade da S170 (à esquerda cortesia António Valente, ao centro cortesia Hélder Pereira, todos via motorizadas50.com)


Foto de uma Carina "uniformizada" ao serviço da polícia (autor desconhecido; a mesma foto aparece num formato cortado no site da PSP); o Presidente Américo Tomás visita o stand da Casal na FIL de 1967, onde duas Carinas estão expostas (via motorizadas50.com)

No deserto de informação que é a história desta pequena scooter, eis que surge um oásis fresco e verdejante na forma de um pequeno livro: "A Metalurgia Casal, 1964-1974 - Elementos para uma cultura de empresa", de Manuel Ferreira Rodrigues, editado pela Câmara Municipal de Aveiro em 1996, 53 páginas. (este livrinho custou 3 euros e tal e adquiri-o na Livraria Municipal de Aveiro, www.bib-aveiro.rcts.pt/livraria.municipal/ [link não funciona], 234 406 483)

Nele o autor expõe com rigor a história completa da Metalurgia Casal, em paralelo com todas as circunstâncias económicas, políticas e sociais da época. Desenvolvimento de produtos, decisões estratégicas, intrigas comerciais, está tudo lá. A bibliografia é extensíssima, e inclui os arquivos da Casal e os arquivos pessoais do sr. João Casal. Entrevistas com o sr. João Casal e antigos responsáveis da empresa garantem a correcção e a profundidade da informação.

Um resumo das partes mais giras: a Metalurgia Casal é fundada em Dezembro de 1963. A empresa que lhe dá origem já importa motores Zundapp há algum tempo. O governo da altura, torcendo o nariz às importações, "convida" João Casal a fabricar motores em Portugal (sob licença alemã). E assim se faz em 64 com a assistência técnica da Zundapp, e para desagrado dos concorrentes Famel e semelhantes. O que acontece a seguir parece uma telenovela: a Casal quer produzir eventualmente a totalidade do motor, mas a Zundapp quer continuar a fornecer peças para contornar as restrições às importações. Quebram-se as relações e a Zundapp alia-se à Famel, apesar do desejo de nacionalização das autoridades responsável por esta mudança, enquanto a Casal passa a ser obrigada a fabricar motores completos, tendo agora como concorrência a Famel-Zundapp. O director técnico da Zundapp-Werke GmbH, Eng. Robert Erich Zipprich, manda os alemães às urtigas e vem trabalhar para Aveiro. Foram dois primeiros anos movimentados!

Em Junho de 66 inicia-se a produção do motor Casal, seguida alguns meses depois, pela Carina. As motorizadas apareceram apenas mais tarde porque a estratégia na altura era não fazer concorrência aos fabricantes de motorizadas que compravam os motores Casal. A firma vai crescendo e lançando novos produtos, e goza de sucesso no estrangeiro. Em 71, até se iniciam estudos sérios para a produção de um automóvel ligeiro nacional, mas o projecto não dá resultados. E é isto, o livro concentra-se nos primeiros 10 anos de actividade.

Só posso imaginar o que seria a Metalurgia Casal nos seus tempos áureos, com quase 900 trabalhadores, uma fundição, cantina, oficinas de maquinação e montagem, edifício da gerência, e escola de aprendizes. Praticamente todas as peças eram fabricadas nas instalações da Taboeira. Os pneus provavelmente seriam Mabor General de fabrico nacional. Os selins creio que seriam fabricados por uma empresa local. Muitas peças, incluindo peças de carroçaria, eram realizadas em alumínio injectado em vez de chapa, algo que provavelmente nenhum dos concorrentes se atrevia a fazer. A única foto de época que tenho das instalações é retirada do livro mencionado, e não se vê nada, apenas um tapete de ensaio- nota: tenho que fazer um para mim ihihihi (mais fotos na secção Casal de www.motorizadas50.com). Note-se que esta Carina de 66 das primeiras não tem protecção no guarda-lamas e parece estar pintada de branco.

A empresa fechou no fim da década de 90. Como sempre, apareceram alguns potenciais investidores mas a coisa nunca foi para a frente. Ouvi relatos que dizem que muitas peças sobresselentes estavam no chão, expostas aos elementos, e que muitas foram queimadas. Parte das instalações foi vendida e demolida, para se proceder à construção de grandes superfícies comerciais. A demolição foi feita sem preocupação em preservar a história e espólio da Metalurgia Casal, tendo sido destruídos arquivos, registos, e peças no mínimo interessantes.

O edifício principal e uma fila de armazéns ainda estão de pé. Os armazéns abandonados e as peças de plástico espalhadas pela erva alta têm uma qualidade fantasmagórica, e dão uma ideia da grandeza passada deste magnífico local. Ao lado encontra-se um concessionário da Suzuki. Creio que não se trata de coincidência já que o site http://www.veiculoscasal.pt/ se revela o site de um revendedor dessa marca.




Vista geral com concessionário Suzuki, edifício da gerência e fila de armazéns; Fila de armazéns; Local das instalações demolidas na actualidade

Nas minhas pesquisas em busca de mais informação, obtive algum (pouco) sucesso. Consegui achar os manuais de peças sobresselentes em baixo, infelizmente não para o motor M153 específico da Carina. Falei com um pica da época que me contou, com detalhes hilariantes e esbracejar de braços violento, como ele e os amigos iam pelos campos à noite, até ao terreno atrás da fábrica onde os cilindros com defeitos (alhetas partidas) eram amontoados para serem refundidos, tentando iludir os guardas; como passavam por baixo da rede e roubavam cilindros novos para poderem continuar os seus picanços. Falei com um velhote que tinha a Carina cinzenta da foto desde nova, com tudo de origem. Falei com outro que tinha mandado pintar a sua Carina na própria fábrica. Outro garageiro contou-me a história de uma pilha de tapetes de chão da Carina que ficaram a apodrecer no terreno da fábrica, para quem os quisesse levar. E recentemente foi vendida uma Carina zero quilómetros que estava esquecida num stand em Albergaria... Ainda tenho mais algumas pistas para seguir, e nunca se sabe quem pode ler isto na internet... The truth is out there...

Casal Carina S170 - lista de factos

Decidi transferir a secção dedicada à Casal Carina para aqui, não só para efeitos de backup, mas também pela facilidade de adição e revisão. A Horta continua dedicada à tarefa de centralizar toda a informação existente sobre a scooter Casal Carina S170, agora com a ajuda dum número crescente de entusiastas dedicados. Não é um trabalho fácil procurar aquilo que não existe, e ficarei eternamente grato a quem puder contribuir a este humilde esforço. Se você tem alguma informação sobre a Casal Carina, eu quero falar consigo!!

Possuo uma Carina de 1967, das primeiras, cujo único dono foi o meu avô. Nessa altura, a minha família morava (e em grande parte continua a morar) a alguns quilómetros da fábrica da Casal. Se considerar ainda que a Carina é a única scooter nacional, em regra geral ignorada e desconhecida, e para mais fabricada completamente em Portugal, tenho assim razões suficientes para me incumbir da hercúlea tarefa de preservar a memória desta máquina única para as gerações vindouras. O que, na prática, significa chatear velhotes na rua e fazer upload de meia dúzia de fotos. Aqui vai disto.


Eis uma lista de factos sobre a Casal Carina, de validade variável. Alguns são comprovados, outros são prováveis, outros são uma mistura de rumor/palpite/adivinhação.


  • A Casal Carina S170 é a única scooter nacional, e o primeiro veículo motorizado inteiramente fabricado em Portugal, cortesia da Metalurgia Casal S.A.R.L..

  • O motor da Carina entrou em produção em 26-10-1966.

  • A Carina entrou em produção em 18-11-1966.

  • Até ao fim desse ano, foram fabricadas 350 scooters.

  • Foram produzidas pelo menos 7000 Carinas. A minha de 1967 tem um número de quadro perto do 2000, e já vi uma de 1980 cujo número de quadro era perto do 7000.

  • A produção da Carina cessou em 198X (??).

  • A sua construção consiste num quadro tubular na metade dianteira do veículo, que sustenta uma forqueta mono-braço em muito semelhante à da Vespa, e um avental/chão numa peça única. O fim do quadro dá lugar a uma escora oscilante semelhante às das motas. Esta escora tem um motor Casal de aspecto típico fixo em posição central. A carroçaria traseira é constituída por duas grandes peças de alumínio injectado (direita e esquerda), que formam a cavidade do depósito ao serem juntadas. Na extremidade destas duas peças é aparafusada uma terceira, que constitui o "rabo" do veículo. Os dois balons laterais em chapa são planos. Muitas peças são de alumínio, como as jantes. Espero brevemente poder ilustrar esta descrição com umas fotos à maneira.

  • Talvez tenha existido uma Carina Sport de 100cc.

  • O motor a 2 tempos de 50cc é o modelo M153 (apenas montado na Carina?), um motor típico de motorizada com a adição de um carter molhado de corrente e de uma cobertura do cilindro para ventilação forçada.

  • A Carina é baseada fortemente na Zundapp R50/RS50, incluindo os motores "muito próximos" dos Zundapp. Basicamente o desenho foi copiado quando a Zundapp quebrou relações com a Casal e o seu director técnico veio trabalhar para Portugal.

  • A Casal Carina custava 9.990$00 quando saiu para o mercado.

  • Algumas mudanças ocorreram durante a produção. As primeiras forquetas não tinham amortecedor, que apareceu posteriormente. A articulação da forqueta também foi modificada para acomodar o amortecedor. Já vi forquetas com amortecedores de Vespa (como na foto): se realmente forem montagem original, é uma história interessante! Ouvi falar em mudanças nos carburadores, mas não posso confirmar.

  • Os balons esquerdos da primeira série não apresentavam ranhuras de ventilação à frente, que apareceram nas séries posteriores. Estranhamente, as imagens do manual do utilizador parecem mostrar balons sem nenhuma ranhura de ventilação. Série zero? (tentarei ilustrar brevemente)

  • As imagens do manual do utilizador também mostram apenas um amortecedor traseiro à esquerda. Não há amortecedor traseiro à direita (a minha tem), apesar de parecer existir o ponto de fixação no quadro. Outras particularidades parecem ser um filtro de ar "bexiga", e uma tampa da articulação de forqueta única. (de novo, tentarei ilustrar brevemente)

  • A cor de origem da primeira série era o branco (exclusivamente??). As séries posteriores aparecerem em cinzento metalizado e azul metalizado (confundido com verde em algumas fotos e ilustrações).

  • A primeira série apresentava um selim preto com o topo vermelho, e friso branco. As séries posteriores apresentavam um selim todo preto com friso preto. O friso de alumínio já não dava a volta toda ao selim (?), parando na traseira. A textura rectangular do estofo apresenta mais que uma variação.

  • Inicialmente, existiram dificuldades técnicas que obrigaram a interromper a produção e causaram "embaraços e... elevados prejuízos", nomeadamente a "entrada de poeira no volante magnético e filtro da Carina S 170".

  • O manual de utilizador, provavelmente referindo-se à primeira série como ilustrada, indica uma potência de 5.2 cavalos a 7000rpm. A minha brochura, onde já aparece uma Carina das séries posteriores, indica uma potência de 5.3 cavalos a 7500rpm. Poderá ter havido alguma alteração no motor, já que a velocidade máxima indicada passa de 60km/h para 80km/h, boa! A mistura indicada também passa de 1:25 para 1:30. A compressão mantém-se inalterada. O consumo indicado sobe dos 2.8l/100km para 3.5l/100km.

  • Também o volante magnético passa de "6V 18W" para "6V 25/4/5W". Outra mudança aqui? Provavelmente sim, já que a lâmpada do farol passa de 15/15W para 25/25W. A lâmpada do "farolim" passa de 24V/5W para 12V/4W. Antigamente pensava que realmente o sistema eléctrico possuía alimentações separadas a 6, 12 e 24 volt, mas deve ser tudo a 6 volt e mete-se a lâmpada que fizer a coisa funcionar. Faz menos "pouco sentido". O Coriscada informou que, segundo um filho de um trabalhador da Casal, "as lâmpadas do farolim são de 12V para não tirar intensidade ao farol".

  • A primeira série não trazia grade de bagagem nem protecção do guarda-lamas dianteiro. Estes acessórios já vinham incluídos em séries posteriores. Isso pode explicar a passagem do comprimento máximo indicado no manual de 1840mm para os 1900mm indicados na brochura. A largura diminui de 660mm para 610mm, não sei porquê. A altura do selim também desce 30mm mas uma delas é "aproximada".

  • O eixo da roda traseira, um veio de aço incorporado no próprio cubo de alumínio, tem tendência a partir.

  • As Carinas sobreviventes encontram-se predominantemente na região de Aveiro (local de fabrico) e na vizinha Águeda (capital nacional das 2 rodas).

  • Peças sobresselentes de motor ainda se encontram com facilidade, dada a parecença entre vários modelos de motor da marca e a sua difusão. Outras peças como borrachas, distintivos, faróis, interruptores, etc. só com muita dificuldade se encontrarão em estado novo.

  • Marca 120! :-)

Infelizmente, creio que esta página é a maior fonte de informação sobre a Casal Carina na internet. Não há muito mais para ver. No entanto, o site http://www.motorizadas50.com/ tem vária informação sobre a Casal e o modelo Carina, incluindo anúncios de jornal deste modelo e outras fotos e artigos publicados na época, bem como um resumo alargado do livro que mencionei. O site http://www.cybermotorcycle.com/ tem alguns posts sobre a Carina na secção da marca Casal. O blog http://www.rodasdeviriato.blogspot.com/ também já mencionou a Carina e merece umas visitas regulares (é actualizado diariamente!!!). Finalmente, o site http://www.scootermaniac.org/ menciona a existência de uma Carina Sport com 100cc, sem oferecer foto ou informação. Será que é verdade? Carina Sport de 100cc... O meu pote de ouro no fim do arco-íris...

14.1.08

Outra TT urbana

Bob phone home! Agora que a nave-mãe me devolveu a casa, posso continuar o meu trabalho em direcção ao domínio mundial armado com um PC e uma máquina fotográfica do início do século. E começo já com mais um capítulo do livro "Adolescentes com rebarbadoras" (outro aqui).


Por onde começar? Esta FL2 estava parada à frente de minha casa, a desafiar-me para eu a fotografar. Os cortes são bastante básicos (não confundir com discretos) mas o verdadeiro mérito está na escolha das cores e no banco modificado. Desconfio que a escolha das cores nunca existiu, e apenas foram usados restos de tinta que lá andavam na garagem, e que combinam bem se formos daltónicos à noite durante um eclipse total.

Mas a pintura é apenas superficial. O banco revela verdadeira capacidade de engenharia, habilidade manual, imaginação inovadora e um motor fraco que não aguenta com passageiros. Bastante descascada, esta FL2 apresenta um mini-farolim traseiro e guarda-lamas gueto. Estranhamente, os piscas dianteiros mantiveram-se apesar dos traseiros terem ido para um sítio melhor. No geral, esta máquina escapa muito à justa com uma avaliação positiva. Recomendo uns pneus de taco urgentemente para eliminar o factor poser.

31.12.07

Vespas no século XIX





Tenho-me baldado um pouco aqui à Horta. Essa tendência continuará até à segunda semana de Janeiro, quando voltarei a ter disponibilidade para prosseguir este importante trabalho. Até lá, deixo-vos com uma pérola da Horta antiga para começarem 2008 bem dispostos e mais cultos: sabiam que as primeiras Vespas foram construídas no século XIX com restos de aviões?

28.12.07

Um Vietbodge é posto a nú

Descobri um link para os que ainda não acreditam na sucatice suprema dos poios polidos importados do Vietnam. Encontram-se na net fotografias detalhadas das sucatices mecânicas realizadas pelos nossos amigos do Oriente, mas as visualizações das sucatices estruturais são raras.

Este tipo australiano teve o desprazer de restaurar um destes poios polidos e- Oh! Surpresa!- tanto o motor como o quadro foram para o lixo. Atentem bem nas fotos do quadro decapado que foi soldado a prtir de cinco (!!!) porções de quadros separados. Entretenham-se a inventoriar os quilómetros de soldaduras terceiro-mundistas que percorrem toda a extensão do quadro em múltiplas direcções. E as borrachinhas do descanso são amarelas, claro. É ver aqui.

24.12.07

Feliz Natal!

A Horta deseja-vos a todos um excelente Natal. Aproveitem-no bem, pois será o último. Segundo o meu plano de dominação mundial, para o ano estaremos a gozar a Grande Celebração Universal da Magnificência de Bob. É um pequeno preço a pagar para nos livrarmos da praga de Pais Natal pendurados nas varandas.

Entretanto, as prendas começam a chegar. Fui presenteado com uma pequena GS cromada com relógio de quartzo, o sonho de todos os Mods fervorosos. Irá fazer um par perfeito com o mesmo modelo de GS em branco e rosa que eu já possuía. Apenas mais uma adição para a deslumbrante frota miniaturizada de Ranger Bob. Ho ho ho!

21.12.07

"Mode from USA"

Aqui está uma foto da última Cafezada: o pneu suplente da Carina que por lá andava, da reputadíssima marca Kings Tire,- cof cof- ostentava a inscrição "Mode from USA". Qual o seu significado?

É difícil dizer. Se a ideia é identificar o país de fabrico como os Estados Unidos, então os Americanos que o fabricaram teriam acertado na maior parte da gramática. Assim, esta não faz sentido. A não ser que toda a companhia fosse constituída por indianos iletrados, à excepção do CEO. Duvidoso.

Suponhamos hipoteticamente que "mode" quer dizer moda. O pneu representa uma moda, então. E essa moda é... Pneus de borracha? Pneus redondos? Pneus de borracha redondos de tom escuro? Que giram? Não vejo nada que consiga agitar o mundo da moda... Temo que os fabricantes de acessórios e componentes para scooters de localização oriental/ asiática/ indiana estejam a produzir peças que são desenhadas e fabricadas por pessoas que não sabem falar Inglês convenientemente e que julgam que conseguem enganar os Ocidentais em algo tão básico como o país de fabrico. De certa maneira, é assustador...

20.12.07

Vespa na TV

Nada de especial: para quem tiver o canal Hollywood, no dia 23 às 22.00 horas vai dar o filme "Alfie e as mulheres" com o Jude Law, onde ele usa uma Vespa para andar de um lado para o outro. Na foto ele está com cara de mongo e tem um retrovisor empenado...

Para quem estiver interessado nas aparições do nosso veículo preferido no pequeno e grande ecrã, recomendo uma visita à Internet Movie Cars Database, onde podem procurar por Piaggio Vespa, por exemplo. Experimentem também procurar por Piaggio Ape.

19.12.07

Agarrou

Estive a fazer uns recados na Baixa e dirigia-me para Matosinhos. Tinha acabado de passar pelo viaduto dos Produtos Estrela quando um energúmeno dois carros à minha frente num Mercedes último-modelo decide atirar-se da faixa da esquerda para a saída do aeroporto à última da hora, numa manobra louca.

O dia estava frio e eu vinha devagar. Ainda tinha o Mercedes no pensamento quando o motor mudou completamente de rouco, sem aviso, como se tivesse ficado sem gasolina. Foi esse o meu pensamento durante uma décima de segundo. Logo a seguir a PX começou a travar sozinha, cada vez mais violentamente. Isto não é falta de gasolina- pensei eu- é um agarranço! Abri a mão esquerda para agarrar a embraiagem, e apertei-a com força ao mesmo tempo que o pneu traseiro começava a chiar. Tudo isto demorou menos de um segundo.

O motor calou-se e eu concentrei-me em encostar em segurança. Não tive problemas nesse departamento, felizmente. Mal cheguei à berma, larguei um pouco a embraiagem para garantir que o pistão ficava livre. Dei ao kicks e ela pegou sem problemas. Notava-se um pouco de dificuldade em aguentar o ralenti. Dirigi-me lentamente para casa, e sofri mais 3 ou 4 episódios semelhantes de paragens soft de motor. Até hoje, nos mais de 100.000 kms que fiz em Vespa, tinha agarrado apenas uma vez, na Rally 180 madura a cair de podre. Vindo da Horta antiga já com uns 15 minutos de auto-estrada, o motor estaria bem quente. Na VCI, na pequena descida antes dos radares, abri o punho completamente e deixei-a dar tudo o que tinha. Foi a primeira vez que puxei assim por ela. No fim da descida, o velho motor desistiu. Foi o meu único agarranço. Até hoje.

Chegado a casa, medi a compressão a quente: um perdigoto abaixo de 100 psi, comparada com os 125 psi de uma medição recente. Algo deve ter mudado dentro do cilindro. Como eu ia devagar e não estava calor, suspeitei do auto-lube. Comecei a coscuvilhar nas zonas mecânicas e libertei o tubo de alimentação de óleo: completamente seco! Sem óleo as coisas não funcionam. A causa não está no grupo térmico nem na injecção automática de óleo, mas sim no depósito de óleo. Não sei o que é: pode ser sujidade, um tubo dobrado, uma bolha de ar, alguma coisa esquisita e simples. Não estou tão chateado quanto pensei que iria ficar. Uma avaria mecânica grave em 60.000 kms é um ratio muito respeitável. Tenho pena que o meu esforçado pistão acabe a sua longa e brilhante carreira por causa de algo estúpido como o óleo não passar pelo tubo, mas guardarei um lugar de honra para ele na minha secretária.

Vou fazer mistura manual com o copinho, para já, e vou atestar o depósito de óleo até cima para conseguir visualizar se o nível de óleo desce ou não. O pistão, mesmo ferido, deverá continuar a rolar. Pelo menos estou a contar com isso, baseado na robustez impressionante da mecânica P. Depois, logo se verá. (Tunes, não te aconteceu algo parecido? Qual foi a causa?)

18.12.07

Video killed the radio star

Fiquei verdadeiramente surpreendido com todo o feedback posistivo que recebi logo depois do lançamento de [P Power], o primeiro vídeo da Horta. Os vossos comentários extremamente lisonjeiros estilhaçaram completamente, com requintes de malvadez, o recorde anterior de número de comentários. O vosso agrado foi transmitido com claridade e intensidade. O número de visitas aqui ao estaminé também disparou, mas o facto de eu ter postado o vídeo na ISBBS ajudou um coxe. ;-)

Os meus colegas da Patocycles também curtiram o vídeo e já me disponibilizaram uma câmara de filmar "de capacete" Oregon Scientific ATC-2000. Esta Action Cam pequena e leve pode ser montada num capacete, guiador ou de várias outras maneiras. Tem uma memória interna de 32MB, ou pode levar um cartão de 2GB possibilitando várias horas de gravação num formato até 640x480, descarregáveis via USB. É um brinquedo/ ferramenta deveras interessante, e seria excelente para gravar corridas ou algo semelhante. Consigo imaginar um Vespa Clube ou um grupo de amigos a juntarem-se e a comprarem uma destas. Vejam os vídeos que se podem criar neste site dedicado à Action Cam ATC 2K.

A fasquia subiu muito. Raras são as vezes em que a sequela suplanta ou sequer se compara ao original. O próximo não contará com a vantagem do efeito surpresa nem do factor novidade. O próximo terá que ser mais que [P Power]: terá que ser [P Porn]!

17.12.07

A minha cruiser

Eu já vos avisei acerca da posta ocasional centrada na minha outra fixação, bicicletas alternativas. Graças a uma sorte do caraças e através de peripécias apenas transmissíveis convenientemente em pessoa, consegui adquirir os restos de uma imitação nacional da Sirla das típicas cruisers americanas, por uns míseros 15 euros. Fiz-lhe uma pintura inspirada nos anos 40 com patina falsa, montei um cubo Sachs Torpedo de 3 velocidades com travão de contra-pedal que um velhote trouxe da Alemanha, adicionei um selim velho de 5 euros, mais algumas peças low-cost, um truque aqui e outro acolá, e ficou pronta: mega-cruising fun.

Quem tiver imaginação pode divertir-se muito com bicicletas. Existem tantos tipos e variações diferentes que as ideias para projectos aparecem em sucessão interminável. Os custos e prazos são uma fracção dos que exigem as scooters clássicas. Além disso, aqui no Porto a pequena cena de apreciadores de biclas exóticas começa a ganhar força. A minha próxima cruiser já está em doca seca e vai ser radical. Acreditem que vai virar cabeças na Marginal.

16.12.07

A venda de Vespas: uma tragicomédia dramática em 1000 actos

Ouvi duas histórias sobre negócios de vendas de Vespas que me fizeram rir. Não aquele riso saudável de verdadeira alegria, mas aquele risinho cinzento e frio que é a expressão física inevitável quando não podemos fazer nada acerca da situação.

História 1.
Um velhote tinha uma T5 à venda por 500 euros (perdi-a por 2 semanas, enfim...). Um comprador chega ao pé do dono, não sabia o valor pretendido nem perguntou, e ofereceu logo 1500 euros. O dono aceitou. Tem agora outra Vespa à venda por... 1500 euros.

História 2.
Interessado: "Boa tarde. Eu estou a ligar por causa do anúncio de venda de uma 50s a 450 euros".
Vendedor: "Olhe, eu já a vendi por 450 euros, mas se você me der mais pode vir cá buscá-la."
I: "Não vai dar, o meu limite é 400 euros."
V: "Pode ser, venha cá buscá-la."