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6.12.07

Instalações deficientes

É altura de estilhaçar a aura de felicidade e harmonia criada pelo lançamento do meu primeiro vídeo, e lidar com a realidade fria e agreste das instalações da Horta. O Bunker, centro de operações e suporte logístico essencial, inundou outra vez. À primeira chuvada forte, pimba! Fica o chão todo coberto de terra e lixo arrastados da rua. Felizmente desta vez os esgotos não foram envolvidos no assunto. Uma varridela rápida reuniu com facilidade meia dúzia de pazadas de terra, como ilustra a primeira foto.


Na segunda foto podemos testemunhar a preocupante degradação estrutural da minha base de operações avançada. Rachas horizontais atravessam as paredes de uma ponta à outra. É como se o raio do edifício estivesse a afundar pelo chão adentro. Algum aspirante a engenheiro civil bebeu de mais na noite anterior e faltou à aula sobre estabilidade de solos às 8 da manhã. Enfim, um gajo trabalha com o que tem. Lá se vai conseguindo fazer alguma coisa com piada.

5.12.07

[P Power] - o vídeo

O primeiro e melhor vídeo da Horta encontra-se agora online. 3,86 MB de deliciosidade visual e sonora, e os melhores 2 minutos e 44 segundos de sempre das vossas vidinhas patéticas. A Horta conversou em exclusivo com Bob, o director/ realizador/ produtor/ editor/ argumentista/ duplo/ camera-man/ senhora da maquilhagem deste filme épico.

Horta: Bob, pode dizer-nos qual é o tema desta sua obra?
Bob: PX RULES!!! A melhor Vespa alguma vez fabricada! Documentário hard da escola de Seattle fim anos 60 encontra-se com Reality TV dura e crua com um toque de neo-drama pós modernista.
H: Então estamos a falar de uma homenagem à PX, certamente. É estranho, pois a acção parece centrar-se no acto de conduzir e não na máquina em si.
B: Topa-me: melhor que uma PX, só andar de PX. Profundo, hein? Yah. Na boa. Tou lá. Onda nice. Pedro Abrunhosa.
H: Que dificuldades técnicas é que encontrou ao trabalhar neste meio nunca antes explorado por si?
B: Segurar o raio da câmara em posições esquisitas! Eu até teria tirado fotos das engenhocas McGyverianas que usei, mas nesse caso a máquina não apareceria na foto, topas? Foram, verdadeiramente, algumas das sucatices mais mal amanhadas, feias e perigosas de toda a minha carreira. Na cena do descanso a roçar, a máquina ficou presa ao pneu suplente com umas abraçadeiras da loja dos 300. A lente ficava a uns milímetros do chão quando o descanso roçava. Foi por isso que eu só o deixei "lamber" o chão suavemente- condução de precisão, meu. Na cena da suspensão, a máquina estava amarrada na ponta de uma bengala, segura pela bota! Na cena a seguir, pode-se ver a balançar um dos meus sistemas de estabilização de imagem que falhou. Hard core, meu. Topas? Na boa. Peace. Chill out.
H: E ficou contente com o produto final?
B: Yah, cem por cento, cinco estrelas, do top, ouve meu, 'tás a ver? Muito melhor que o Moped Dance, e quase ao mesmo nível que o Zundapp de 3. 'Tá bué da baril, mas deixo os prognósticos para o público.
H: Para quando a sequela?
B: Não tenho planos imediatos. Os três dias de filmagens de [P Power] deixaram-me esgotado, física e emocionalmente. Especialmente com o raio do Movie Maker a encravar todos os 10 minutos. É verdade que montes de cenas não foram incluídas na montagem final, ou aparecem muito cortadas, por isso há material de sobra. Muitas filmagens de TT foram para o lixo por terem ficado tremidas. Várias cenas na auto-estrada com a máquina amarrada ao porta-couves dianteiro também foram cortadas por serem assustadoras. Talvez para o ano, se o público mostrar interesse. Na boa. Props. Yo, broda.
H: Muito obrigado pelo seu tempo, Bob. Ficamos agora com esta magnífica obra de arte, [P Power], na sua estreia mundial.
B: Yah, tá-se bem soce. Ei, tens alguma coisa que se fume, meu? Na boa?

EDIT: Vídeo também disponível no Youtube.

4.12.07

P-Power party @ OdiCandles Power Performance


Esta foi a imagem capturada recentemente (pelo Ilde/ LTB?) nas instalações logísticas da conceituada organização OPP. Cinco pêxizers alinhadas milimetricamente, para deleite dos privilegiados observadores. "Esta é a minha garagem de sonho", dizia um. Quem somos nós para discordar...

Pegando na deixa, a Horta realizou um vídeo de homenagem à PX que se encontra em fase de acabamento, e cuja estreia mundial será amanhã, neste mesmo sítio e nesta mesma hora. Não percam!

3.12.07

We fix bike, no?

"BORIS IF YOU ARE READING THIS YOU WILL DIE AT THE HANDS OF MY MANY FULLY HAIRY RACE DRIVER MEN."

(Edit: parece que o Blogger desencravou, a Horta já tem ralentim de novo)

2.12.07

Automobilia em Aveiro

No Sábado fomos todos ao "2º Salão Automóvel Antigo-Clássico e Sport" ou, como eu lhe chamo, a feira de Dezembro. Às 8 da manhã, os Três Alternativos nas suas montadas P-Power e derivados, tomaram a direcção Sul. Se as primeiras edições da feira estiveram algo fracas, neste ano já se apresentava bem composta, e sem dúvida a merecer a visita. Um pavilhão tinha carros antigos, e o outro tinha a sucata. Passei 97% do tempo neste último. Não comprei nada de interessante, pois a crise é lixada.



Por lá andavam várias Vespas à venda com preços e qualidade de restauro habituais; alguns negociantes de peças novas e usadas; moooontes de amigos e conhecidos, nota máxima; a SX150 que eu vi em Matosinhos à venda por 1750 euros; e os malditos restauros vietnamitas do IC2, que merecem um parágrafo isolado.

Pude examinar de perto esses Viet-bodges, e digo-vos que são o vosso pior pesadelo. Quilos de massa em todo o lado, manchas de ferrugem a virem à superfície pelo meio da massa e tinta, parafusos e porcas ferrugentas nos sítios escondidos, amortecedores velhos disfarçados para parecerem novos, ventiladores com as alhetas todas amassadas, bujões de óleo enormes, tapetes da PX, acessórios e porcarias montadas que parecem de origem numa casa de banho, pneus CHing-Chong, inacreditável. Tenho pena de quem as comprar.

30.11.07

Vespino spotting

Aqui está um spotting especial para celebrar a chegada do fim de semana, um Vespino! Coisa rara pelas nossas paragens, hein? O banco está marcado "Vespino", o topo do guiador remete para a PK, os pedais (!!!) exibem o símbolo hexagonal da Piaggio, e por baixo das ranhuras da buzina à frente havia um espaço hexagonal para um símbolo da Piaggio em falta. As cores é que... bem... :-P

29.11.07

Ainda a Regularidade



Os meus colegas da Patocycles puseram no seu blog uma menção à "Patocycles/ Horta das Vespas/ Bob rules Mexe sucks Team", e à sua gloriosa participação na Prova de Regularidade Guimarães-Lisboa.

Isto não tem nada a ver com agradar aos patrocinadores. Para qualquer coisa relacionada com bicicletas, acessórios e assistência técnica, é lá que eu vou. Altamente recomendados à malta do Porto. E vocês não vão acreditar no tamanho da cadela que anda por lá! (o crédito da foto que aparece no blog é de jdteixeira)

28.11.07

Rotação de frota

A minha Rally 180 forneceu-me vários milhares de quilómetros de transporte relativamente fiável e extremamente divertido, enquanto a PX estava no estaleiro. Quando a PX regressou ao seu estatuto de Vespa número 1, a Rally ficou encostada com um pistão marado. Virei os meus esforços para a VBB e consegui desencravar-lhe os documentos e pô-la a andar. Consegui, finalmente e a muito custo, ter duas Vespas a andar.

Isso representa uma proporção de 1 scooter operacional em cada 6, o que é deveras desanimador. A minha frota tem mais potencial que isso, e merece uma proporção de operacionalidade superior a 1/6! Voltei os meus esforços para a Rally, fazendo-lhe um seguro, um polimento e algumas reparações essenciais. Na primeiríssima vez que ela trabalhou com o pistão novo, constatei que o quadro estava podre demais para continuar a andar. Depois de todo aquele trabalho, encostei-a de novo: ainda não era desta que tinha 3 scooters a andar.

Uma rotação de frota impunha-se. A minha Lambretta DL150, que esteve guardada na garagem de um amigo a acumular pó durante anos, já tinha sido transferida para a base avançada e iniciado o processo de operacionalidade. Numa decisão radical, passei a DL das escuridões inóspitas e selvagens do fundo da garagem cá para a frente, arrumei e varri tudo, e transferi cuidadosamente a Rally para o Bunker. Foram 5 quilómetros interessantes: de noite, a chover, sem kicks, e com o pistão novo na sua segunda sessão de funcionamento. Tinha que andar devagar por causa da chuva, do quadro podre e do pistão novo, mas não podia andar muito devagar para não deixar a Rally sem kicks ir abaixo nem deixar o óleo extra na mistura sujar a vela!

Correu tudo bem graças às minhas superiores habilidades de condução, e a Rally encontra-se agora depositada no Bunker para desmontagem e armazenamento a longo prazo, com vista a restauro forçado por motivos de podridão extrema em prazo a definir. Agora, é tentar expulsar os gremlins da DL e, quem sabe, pela primeira vez na vida, ter 3 scooters a andar ao mesmo tempo. Uma proporção de operacionalidade de 1 para 4 era mesmo bom...

27.11.07

ET two tone


Têm uma ET para andar no dia-a-dia? As laterais estão um pouco arranhadas? Querem dar-lhe um toque distinto e pessoal? Façam como este colega!

Uma lata de tinta em spray, um pouco de fita-cola, e aí está uma pintura a dois tons caseira que disfarça os arranhões e permite distinguir a nossa montada no estacionamento do supermercado. Acho que ficou fixe.

26.11.07

O último lote de pesquisas no Google

A Horta quer que os seus leitores comecem a semana relaxados e bem humorados, para serem produtivos e felizes. Desse modo, apresentamos um apanhado das mais recentes frases bizarras que depositaram os seus respectivos criadores no presente blógue depois de estes as terem inserido no Google. "A realidade é mais estranha que a ficção". Qual é a vossa favorita?
  • "xixi de cao nas rodas de mota"
  • "scooter 3000 euros velocidade maxima"
  • "compro documentos casal super boss"
  • "o que fazer com as lamas de estar"
  • "comprar mota enxada"
  • "fotos de vespistas modelo 2007"
  • "limpar parafuso vespa"
  • "vendo ape tuning"
  • "fazet ter hortinha costume"
  • "tinta usada na mesa de ping pong"
  • "construir bicicletas de madeira"
  • "pinturas em carrinhas tuning"
  • "clister a venda"

25.11.07

Exposição Vespa em Felgueiras

Ontem dei um pulo a Felgueiras para ver a "Exposição clássica de Vespas Nobrand-Felgueiras 2007", organizada pelo Vespa Clube de Portugal. Saí ao início da tarde, e soube mesmo bem fazer uma horita de estradas nacionais. Pouco trânsito, muitas curvas e paisagem. Um pouco de frio, mas nada de grave. O motor até agradece.

Chegado às piscinas municipais, estavam logo ali as Vespas à entrada. O carro Vespa 400 do sr. Pinheiro Torres, a GS150 do Mário das Vespas, uma P125X "30 anos", uma ACMA, uma 50ss, uma FNGL, e uma selecção variada dos modelos mais populares. Aí uma dúzia no total, mais alguns banners, posters e uma coleccção completa de miniaturas.

Para o caminho de regresso escolhi a auto-estrada pois estava a ficar escuro e frio. O céu estava limpo e cristalino, com uma mão-cheia de nuvens fofas espalhadas ao acaso. O pôr do Sol transformou-se numa exibição magnífica de tons laranjas intensos, que se reflectiam no lado de baixo das nuvens, contra o azul límpido. Mesmo à minha frente, durante um quarto de hora. E quando olhei para trás, uma Lua cheia de claridade e definição impressionantes tinha acabado de surgir por trás do horizonte, iniciando a sua escalada nocturna. Só esses quinze minutos valeram os 120 quilómetros.

24.11.07

Stander de scouters





Aparentemente, vendem scouters neste stander. Também vos devem poder ajudar se tiverem problemas na fruqueta ou no ralentim da vossa Sprinter.

23.11.07

A tecnologia dos feeds ao serviço da Horta

Recentemente fui apresentado ao Google Reader e à maravilha da internet que são os feeds. Em vez de gastarmos montes de tempo a visitar todos os nossos sites e blogs favoritos a ver se algum deles tem novidades, podemos simplesmente subscrever o feed e todas as novidades aparecerão centralizadas numa única página. Supimpa.

Basta procurarmos um link ou botãozinho que diga RSS ou Atom (dois modelos diferentes de feed ou subscrição), adicionar à nossa lista de subscrições, e esperar que as novidades e updates sejam comodamente apresentados no Reader. Depois podemos seleccionar essa informação com um único click, e enviá-la para a nossa página pública, criando o nosso próprio feed! Esta é a minha, e está lá o link para o Horta-feed, caso desejem subscrevê-lo.

Na coluna à esquerda repararão que a secção "Hortas" foi modificada, apresentando agora os últimos resultados do meu feed, seleccionados de todas as fontes nacionais e estrangeiras de que me consegui lembrar. Se quiserem sugerir alguma, estejam à vontade. Apenas verão material suculento de interesse ao Vespista clássico hardcore, e um ou outro cartoon ocasional do Dilbert. Já não precisam de esquadrinhar a net à procura da good stuff, basta darem um salto à Horta: é um autêntico p(Horta)l scooterista! (algo forçado, não?...)

22.11.07

Arrghhhh! Outro recorde! 3000€

Mas que raio... Estão a brincar comigo? Só pode!... Isto agora é todos os dois dias??!! Esta Vespa "50 TS" (WTF?) de 1978 está descrita como "Excelente estado, completamente restaurada".

Esta senhora de Viseu, para além de estar confusa acerca da designação correcta do modelo da sua Vespa e de tirar péssimas fotografias com o telemóvel, julga que uma 50s vale o mesmo que todas as contas do pintor, estofador, loja de peças e mecânico juntas. Nooooot! Ainda bem que as fotos são fracas e não permitem extrair muita informação, senão ainda me dava um troço e teriam que arrancar os meus dedos frios e rígidos do teclado. Mesmo a esta distância, dá para ver que alguém imaginativo pintou o topo do farolim para se parecer com o farolim de uma large-frame. Como uma TS. Aaaaahhhnnnnn????? Três mil euros???

Pinturas a dois tons que metam as jantes e o estofo ao barulho raramente são bem sucedidas. Esta não é uma dessas ocasiões. (obrigado ao Super-Bock pelo envio do link)

21.11.07

A cor branca e a última PX

Num estabelecimento comercial do Porto, encontra-se uma PX "edição especial 30 anos" na montra, acompanhada por uma automática e por uma PX das "boas". Parei para olhar um pouco e tirar uma foto. Estranhamente, o raio da edição especial parecia menos feia que nas fotos da Piaggio. De facto, até se apresentava minimamente aceitável para os meus padrões rigorosos.

De novo na rua, parado num semáforo, essa ideia teimava em não me abandonar: mas porque é que não parece tão feia? O que mudou? Tentei visualizar na minha mente a imagem da montra de onde tinha acabado de sair. O que está diferente? O que causa esta sensação tão forte de incongruência? Foi difícil concentrar-me, já que os carros atrás de mim apitavam incessantemente, entre gritos de "mexe-te, ó palhaço! Já está verde há dois minutos!", até que descobri: o exemplar da montra não tinha pneus de faixa branca, e isso faz um mundo de diferença.

Não é impressão, mania, desgosto ou tique. O meu subconsciente concorda comigo. Estou convencido que pneus de faixa branca ficam horrorosos em 93% das scooters em que são montados, e não peço desculpa a ninguém por isso. Habituem-se.

[O filme da semana é Mister Roberts. Já não se fazem filmes de guerra como antigamente.]

19.11.07

Parrot Power: video evidence

No seguimento dos comentários acerca da Vespa TT do Papagaio, o Guilherme enviou um vídeo do dito a descer umas conhecidas escadas à beira-mar, cá no Porto. Urban Vespa assault freestyle de produção nacional, só aqui na Horta!


Também redescobri no Youtube outro vídeo da Vespa do Papagaio a ser utilizada de modos criativos. Reparem nos pneus de taco cor-de-rosa, eu sabia que os tinha visto nalgum lado!


18.11.07

Recorde de preço na classe 50s

Foi estabelecido novo recorde de preço na classe 50s, partilhado ex aequo por dois exemplares: 2500 euros. Pois é, porta-chaves a 2000 euros já não incomodam ninguém, o número da moda é 2500. Para quando os 2800?

No exemplar rosa nem vou tocar, a bem da minha sanidade mental. O espécime azul, por outro lado, conseguirá proporcionar um parágrafozito aqui ao pasquim do je. Foi anunciado como "Restauro de qualidade, só visto. 2500 euros não negociável [sic]". Com uma data de fabrico de 1978, não estamos a falar de nenhuma raridade inatingível. A designação de restauro de qualidade também me confunde quando é óbvio que os frisos do chão apresentam comprimentos e localizações criativas. Ah! Já percebi! Os frisos foram chegados ao lado para dar espaço à fita cromada que corre ao longo do chão, e que passa para o guarda-lamas, contornando-o por completo. Os inegáveis ganhos estéticos compensam largamente, numa escala de várias ordens de grandeza, o desrespeito pela originalidade. Aliás, era assim que a Piaggio devia ter feito se percebessem alguma coisa do assunto. Agora sim, já concordo com o texto utilizado no anúncio: "só visto". Bllléerggghhh.

Reparem que não disse nada acerca dos pneus de faixa branca. Foi necessária uma dose massiva de auto-controlo. Mais auto-controlo, aliás, e já conseguiria mover objectos com a mente. Estilo arrancar frisos cromados olhando apenas para uma foto.

17.11.07

Ape spotting

A caça do dia da minha bem usada objectiva de 2.1 megapixel é este Ape 50 do Pingo Doce, estacionado à frente da sua base de operações. As laterais apresentavam inúmeras pancadas e arranhões, provas inequívocas de uso intenso e continuado. Deve ter piada andar de Ape; agora fazê-lo o dia inteiro, dia após dia, nem tanto.

[O filme da semana é The Blues Brothers, uma comédia de 1980 com dois dos meus comediantes favoritos, John Belushi e Dan Aykroyd. O filme está carregado até às bordas de citações inesquecíveis, perseguições de carros fantásticas, e actuações de lendas como a Aretha Franklin e o Ray Charles. Basta dizer que até sair a sequela, este filme deteve o recorde mundial do maior número de carros destruídos num filme. O final é deliciosamente apoteótico.]

16.11.07

100ª posta: DIY Ciclo-Tuga no seu melhor

Para comemorar a 100ª posta da Horta, aqui vão umas fotos enviadas pelo Coriscada. Salvé, colega. Enviem as vossas fotos, notícias, press releases, bitaites, sugestões, críticas e avultados donativos monetários para o email ao lado, a Horta agradece.
  • Motorizada e rodas de sucata: grátis
  • Eléctrodos e discos de rebarbadora: 10 euros
  • Fazer uns drifts de moto-4 num pátio cheio de estrume de vaca: priceless

15.11.07

Porta-luvas em 50s






Capturei este exemplar de 50s à frente do Edifício Transparente, ostentando um porta-luvas adicionado. Até estava com bom aspecto.

14.11.07

Alerta! Restauros vietnamitas!

Um pouco abaixo de Leiria tive o desprazer de encontrar estas duas Vespas em exibição proeminente ao lado da Nacional. Os sinais típicos que indicam a proveniência asiática destes "restauros" estavam lá, bem visíveis: a pintura de dois tons, os embelezadores cromados, a mistura de peças de vários modelos, as borrachas de descanso amarelas, a ausência de matrículas, etc. Em muitas comunidades scooteristas estrangeiras, o flagelo dos restauros vietnamitas é bem real e estes sinais indicadores são sobejamente conhecidos. Não comprem estas Vespas!

As probabilidades de um restauro de origem asiática ter um nível horrorosamente baixo de qualidade, e até de ser inseguro e perigoso de conduzir na estrada, são extremamente altas. Podem parecer bonitas e bem recuperadas a 5 metros de distância, mas por debaixo da pintura brilhante são um cancro mecânico e um jamboree de sucatice terceiro-mundista. O vosso pior pesadelo! Os únicos restauros asiáticos que se distinguem com qualidade semelhante à Ocidental são os do ScootRS. Quase tudo o resto é de evitar como a peste.

Os "Viet bodge" (sucatices Viet) são Vespas (e Lambrettas) italianas importadas para países asiáticos, normalmente o Vietnam, nos anos 50 e 60 quando foram vendidas novas. Durante décadas foram abusadas como veículos de carga e trabalho nas piores condições imagináveis, sendo mantidas a trabalhar graças a sucatices verdadeiramente horripilantes. Quando já deram tudo o que tinham para dar e mais ainda, são decapadas à mão, duas ou três porções de quadros diferentes são soldadas umas às outras no chão de uma oficina suja por um gajo descalço de cócoras, toda a chapa é coberta com uma camada espessa de betume para esconder os defeitos e as soldaduras, o motor que estiver no topo da pilha é ressuscitado com peças completamente gastas e perigosas, e tudo é finalizado com uma pintura nos tons da moda e com montes de acessórios brilhantes e borrachas coloridas.

Era apenas uma questão de tempo até algum comerciante mais empreendedor mandar vir algumas no contentor para Portugal e aproveitar a moda e a elevada procura. Cabe a todos vocês espalharem o aviso acerca dos restauros vietnamitas. Não comprem estas Vespas! "Mas são tão bonitas, e não podem ser assim tão mal restauradas!". Para terem uma ideia do que vos espera se adquirirem um destes poios polidos, peguem em 3000 euros em notas de 100, queimem-nas e peçam a alguém para vos dar um pontapé nos tomates com muita força. É ainda pior do que isso! Eu avisei.

13.11.07

Horta na Scooting


A revista Scooting deste mês traz uma menção ao melhor blógue Vespista da minha rua deste lado, entre o talho e a esquina, porque do outro lado também há uns muita fixes. A Horta é fixe, ponto de paragem obrigatório, Bob tem uns abdominais fantásticos, blá blá blá, a cena do costume. Mais à frente aparecem quatro páginas sobre a Regularidade e a Resistência made in Horta.

"É um pequeno passo para um Bob, mas um salto gigante para a dominação mundial."

12.11.07

Prova do Litro 07 e acessórios

É oficial, eu não me oriento em Lisboa. O terramoto devia ter sido há uns 20 anos atrás, para que hoje estivesse tudo ordenado em quarteirões paralelos e perpendiculares, fáceis de navegar. E as ruas deviam todas ter números. Ainda por cima à noite, no meio do trânsito de 6ª feira. Fónix! Aquilo só mesmo de GPS e lança-chamas.

Para a Prova do Litro deste ano, Bob esteve magnificamente bem instalado na zona mais chique de Odivelas Sul, graças à cortesia do Admin, da Rute, e da Luna. Pouco depois da chegada do ferry a Tróia, as baterias recarregáveis da minha máquina sofrem mega-tilt e eu fico a montante do rio da caca sem um remo. Salvou-me o LTB com o empréstimo altruísta da sua máquina poderosa. A prova em si foi espectacular, num cenário e meteorologia ideais, com muito mais a acontecer do que aquilo que eu conseguirei descrever. Por isso, nem farei um grande esforço.



Um pouquinho de geocaching, um jantar no italiano, uma visita aos amigos, risota com as fotos, sabotagens de cachimbos, o pessoal a carregar sobre o atrelado das castanhas sempre que este parava nas imediações, as sessões do costume de Jony-bashing, saltos nas tampas de esgoto, reflexões sobre o "stáche" do LTB, atravessar a ponte à noite, assinar a 50s(ucata) do PV na companhia do Professor Bambo, brincar com a cadela, deixar as PêXizes todas alinhadinhas, e muitos outros num fim de semana de quatro dias memorável.

Na segunda-feira de manhã ainda tive tempo para me embrenhar nos impenetráveis meandros da imprensa especializada nacional e receber outra oferta de emprego. À vinda fui almoçar com o Teletubbie Vespoclube de Leiria (TVL p'rós amigos), visitar uma SX150 na sucata, e depois foi sempre colado à traseira dos TIRs por aí acima. Até ultrapassei uns 2 ou 3, foi a loukura total. "Já dormi na valeta".

Edit: mais fotos aqui.

8.11.07

Diga não ao azul-cueca!

Caríssimos leitores, amigos, colegas scooteristas, pessoas que vieram ter a este blógue por engano já que o que realmente pretendiam do Google era instruções sobre como construir uma horta de legumes no terraço:

É com um sentimento de extrema gravidade que eu me pronuncio sobre o que considero ser uma autêntica doença que floresce insidiosamente no nosso meio, tendo já atingido as fronteiras do catastrófico. Não só os efeitos visíveis desta Peste Negra visual são, por si só, plenamente merecedores de longa série de horrorosos superlativos, mas a capacidade que esta praga possui de se propagar de maneira invisível e escondida é absolutamente aterradora.

Eu, Ranger Bob, farei frente à ameaça que todos vós ignoram miseravelmente e que nos ameaça consumir nas suas mandíbulas fétidas e pútridas. Lutarei com todas as minhas forças até ao meu último suspiro, plenamente consciente que nunca existiu nem existirá, em toda a História da Humanidade, causa tão justa e valorosa quanto a minha: parem de pintar as vossas Vespas de azul-claro!

Azul-claro, azul-bebé, azul-céu, azul-cueca. A Besta tem muitos nomes. Está no meio de nós e não há um que se indigne e lute. Todos a alimentam e propagam. Pois basta! A luta começa aqui e agora. Povo! O que há no azul-cueca que vos hipnotiza e arrasta para esse limbo de dor e sofrimento, onde o nervo óptico arde num fogo eterno de tonalidade azul celeste e o proprietário da scooter clássica vive num mundo irreal e odioso de falso contentamento?

Conheço a poderosa força que se encontra aprisionada dentro dos vossos genes do mau-gosto. Compreendo o sentimento de impotência e resignação que irrompe no vosso âmago perante a luta titânica que se avizinha. Confiem em mim, meus amigos, quando vos digo para lutarem; juntos, conseguiremos travar a Besta. Resistam aos vossos impulsos azul-cueca com toda a força do vosso ser. Distribuam os vossos esforços mutantes para outras tonalidades pirosas. O vermelho-chiclete-Gorila. O verde-chiclete-Gorila. O amarelo-chiclete-Gorila. Uma infinidade de tons metalizados e pérolas de máxima azeiteirice. Pinturas a dois tons. Estofos em couro. Pneus de faixa branca. Cromados! Céus, os cromados! Cromem os vossos descansos e tampas de ventilador abundantemente. Apliquem quilómetros de tubagens reluzentes às linhas puras e elegantes da vossa Vespa, transformando-a num escaparate disforme de canalizações brilhantes. Dispersem os vossos esforços maléficos por outras áreas do mau-gosto e conseguiremos roubar o poder à maldição degradante que nos aterroriza. O seu jugo infernal será quebrado e nós seremos livres, de novo. Livres!

Pois o Homem é capaz de realizações magníficas: a tecnologia, a filosofia, a poesia, a dança, a escultura, o amor. Porque não é capaz de ver mais cores? Porque não é capaz de vencer a Besta? Basta quereremos, irmãos. Digam não ao azul-cueca!

7.11.07

Scooter culture

Andamos tão preocupados com cromados, kits e pinturas metalizadas, que nos esquecemos da verdadeira essência da scooter. Transporte barato. É isso que ela é para a esmagadora maioria dos seus utilizadores, e não o último acessório de moda a tornar-se popular no bairro.

A foto de hoje ilustra essa essência, e revela-se fascinante de inúmeras maneiras. Algures na Ásia existe um país onde o código da estrada permite a circulação de um atrelado de dois andares feito com dexion, propulsionado por uma acelera controlada remotamente (do andar de cima, claro), e estabilizada por rodas de carrinho de carga, uma das quais furada. Notem que o dexion se espalha para cima da acelera, como uma era parasítica que asfixia a árvore que a suporta. Uma assimilação tipo os Borg.

Olhem com atenção para a extremidade esquerda do atrelado/ habitáculo/ sala de estar e verão um pequeno moto-gerador. No meio, verão uma lâmpada pendurada, uma pequena televisão, e o que aparenta ser um rádio "gueto blaster". E pensavam vocês que o triciclo das castanhas tinha pinta!... Conseguem imaginar o potencial desta configuração de veículo nas concentrações? Podemos levar meia dúzia de penduras, todas elas atléticas e com vinte e poucos anos. Podemos fazer filmagens magníficas do grande passeio. Podemos ver a bola e fazer pipocas (micro-ondas não incluído). Se chover, é só levantar os oleados. À noite, dormimos no terraço, longe dos bichos e por baixo das estrelas. Em viagem, podemos ligar o cruise control, virarmo-nos para trás em plena Nacional, e soltar um "Ó Maria, a minha sandes de couratos, sai ou quê?".

A estrutura parece já ter muito uso, o que valida o seu design. Até uma rodinha lateral furada não se revela problemática, graças a uma elevada redundância (muitas rodinhas). Com mais algum dexion e uma bola de espelhos, temos pista de dança móvel para as concentrações.

6.11.07

TT todos os dias

E na secção de Scooter Spotting desta semana, apresento-vos a Vespa TT que serve como transporte diário escolar a algum adolescente entusiasta dos formatos de competição fora de estrada.

Este exemplar parece-me ostentar um nariz de FL2, mas o resto é ireconhecível para qualquer pessoa que não possua um doutoramento em Arqueologia da Universidade de Pontedera. Os cortes radicais e os tubos de reforço não deixam dúvidas em relação ao que é anunciado pelo desaparecimento de grande quantidade de peças estéticas: esta é uma máquina de TT puro e duro. Os pneus de estrada são a única concessão a esta filosofia, e demonstram uso regular no ambiente urbano.

As cores são positivamento horríveis, com um misto de rosa vomitado em cima de um preto gorduroso. Também se pode observar um surto inexplicável de cor no amortecedor traseiro, e um boneco qualquer dos desenhos animados pendurado do cabo da vela (???). O motor apresenta uma tonalidade e textura típicas de uma tábua das obras. O autocolante "Mountain Biking UK" demonstra que o proprietário tem extremo bom gosto na selecção de revistas de bicicletas de montanha, ou que só comprou aquela porque trazia autocolantes.

Se é verdade que as crianças são o futuro, então o futuro do parque Vespista nacional será PKs e FL2s cortadas, misturadas com algumas LX em estado imaculado. Estas últimas pertencerão a raparigas, sem dúvida.

[A música do dia é Rescue Me. Sabiam que não é da Aretha Franklin? Pois, eu também não sabia...]

5.11.07

Tampas de válvula kuztom-gueto-pimp-tuning

Fiz estas para as minhas bicicletas, mas também funcionam nas Vespas e em qualquer outro veículo que faça uso de rodas pneumáticas: escavadora JCB, atrelado do barco, moto-enxada, Casal Boss de entrega de pizzas, etc. Peguem num par de dados, façam-lhes um furo com uma broca de 10mm, enfiem lá dentro uma tampa de válvula normal com super-cola, e presto Luigi! Tampas de válvula gueto-tuning instantâneas. AVISO: o possuidor destas tampas de válvula será objecto de infindáveis atenções e avanços por parte do sexo oposto.

Também podem realizar a mesma operação em bonequitos pequenos, basta usarem a imaginação. Ainda tenho aqui um mini-Hello Kitty para sofrer o mesmo tratamento. Na feira da Vandoma e semelhantes encontrarão montes desta matéria prima, pronta para dar aquele toque especial à vossa Vespa feia e cinzenta, com apenas cinco minutos de trabalho. O mundo será um sítio melhor se todos tivermos uma cabeça de estrumpfe sorridente ou um koala castanho empalados nos nossos pipos de válvula. Utopia? Creio que não.

4.11.07

O relato do fim de semana

A Sexta-feira foi passada toda no FestivalBike, em Santarém, a fazer uns networkings no mundo das duas rodas de propulsão humana. Se tudo correr como previsto, consegui arranjar um dos empregos com mais pinta na história da Humanidade.

Cheguei a casa às 10 da noite e dirigi-me apressadamente para o Plano B, onde também compareceram o Mexe, o "mito" Jony, o Sam, o Chef, o Paulo Viana e o Professor X. Tão apressadamente, de facto, que me esqueci da máquina fotográfica. "The Poppers" subiram ao palco para, de novo, me deliciarem com uma hora de acordes que conseguiriam decapar e polir um quadro de Vespa. Potentes! O Professor X cobriu a rectaguarda mas só apreciei um pouco da sua arte. Foi mais xixi-cama.


No Sábado realizou-se uma mini-tertúlia mecânica nas Oficinas Paperino, onde foi possível apalpar as últimas ofertas das mais conceituadas lojas teutónicas de scooters, e realizar trocas mafiosas envolvendo escapes JL.

Hoje, Domigo, é altura de relax. O dia está tão lindo que vou desligar o PC e fazer um "cruise" de bicla na Marginal e na Foz. Catch you later!

Update: ao fim do dia encontrei-me com o Chef e o PV no Castelo do Queijo, respectivamente em Carina original e 50s putrefacta. Esta última apresentava uma banhoca de tinta recente. Lá estivemos a disparatar sobre a prova do Litro e sobre como obter peças de Carina. No fim, tiveram os dois que empurrar as máquinas para que pegassem, ahaha!

2.11.07

Importação Motovespa




Apresento-vos outro pequeno achado da Feira da Vandoma, um distintivo de pano Motovespa por 50 cêntimos. Nem as várias vozes que ouço na minha cabeça foram capazes de teorizar uma explicação, por mais mirabolante e implausível que fosse, para a presença de um distintivo da marca Espanhola Motovespa na Feira da Vandoma, no Porto, cidade de Portugal.

Mesmo assim, ele lá estava. Escondido entre os bibelôs e as tomadas eléctricas. Mas não o suficiente.

1.11.07

É Natal. Mais ou menos.

Estamos de volta àquela época em que as ondas hertzianas são invadidas por anúncios a bonecas que urinam e pistas de carros com loopings mortais, e onde todos correm a comprar conjuntos de luzes de Natal que deixam de funcionar no Ano Novo. Ainda não determinei se passarei esta época deprimido com o espírito consumista prevalecente, ou imbuído de felicidade e vontade de ajudar o próximo. Depois aviso-vos.

Entretanto, se precisarem de comprar brinquedos, há uma loja grande atrás da Câmara que tem esta Vespa enorme na montra. Como restauro, é uma piada. Podemos facilmente ver que está cheia de massas, a pintura não é original, faltam os distintivos e os frisos de alumínio, os pneus estão carecas, e as rodas não parecem estar alinhadas indicando problemas de sinoblocos. Enfim, as sucatices do costume. Não obstante a sua condição de poio polido, a Vespa sorri incansavelmente aos transeuntes, alegrando a sua vida com um look pimpão e queriducho. I like.

31.10.07

Nabo!!!

Nas palavras traduzidas do próprio Steven Spielberg: "Fiz uma rotura de ligamentos e nem posso dizer que a tenha feito com honra numa mota potente. Caí da minha Vespa, uma Vespa que eu queria porque adoro o filme 'A Princesa e o Plebeu'. A razão pela qual eu adoro a Vespa é que, quando era um miúdo, sempre tive um poster de William Wyler, o grande realizador, por cima da minha cama indo de Vespa para a Cinecittà para dirigir o 'Ben Hur'. Ele foi fotografado duma janela do primeiro andar conduzindo a sua Vespa pela Via Veneto abaixo. E como eu sempre tive uma grande admiração por Wyler, também sempre quis ter uma Vespa para ser como ele."

Ok, é agora que fica interessante: "No ano passado, a minha esposa Kate ofereceu-me uma Vespa clássica cinzenta de 1962 e enviou-a para Long Island. Ao longo da minha vida já guiei motas de enduro, motas de cross, e sou bastante bom. Bem, tirámos a Vespa da embalagem, eu montei nela e dirigi-me a um pequeno monte no meu jardim. Dei um salto e quando aterrei, talvez devido em parte às rodas pequenas, o impacto não foi muito suave. O guiador virou bruscamente para o lado e eu voei de cabeça! A Vespa é um veículo perfeito mas, devo dizê-lo, para andar na estrada, não para saltar."

Doh! Deixa os saltos para os profissionais, tu sabes quem são, já trabalhaste com eles. Stunt. Men. Nabo!

EDIT: Hoje revi o filme "O Grande Ditador", do Charlie Chaplin. Este clássico hilariante é ainda mais divertido do que eu me lembrava. "Strange, and I thought you were an Aryan. - No. I'm a vegetarian!". O intemporal discurso no fim do filme é um clímax arrepiante e acerta na descrição da natureza humana. Altamente recomendado.

30.10.07

A pechincha do dia

A pechincha do dia é esta magnífica "Vespa 125 A.C.M.A." de 1978, que na realidade é só o quadro, pela módica quantia de 500 euros. Passo a transcrever o anúncio:

"500 €

Dados gerais: Sem garantia, 1 registo, Primeiro registo: Outubro de 1978, Azul, Gasolina

Descrição: Vendo chassis de vespa completamente restaurado e reforçado. A minha principal ocupação actual passa pelo restauro desta marca mítica! Possuo apenas este exemplar para venda, modelo LT roda baixa para 125cm3! Se precisar de mais informações não exite em me contactar!"

O vendedor colocou o seu nome, morada completa e dois números de telefone à disposição das multidões intermináveis de possíveis interessados. Farei uso de todos os picoNewton de força de vontade que conseguir reunir para ignorar o facto que alguém está a pedir 500 euros por um quadro axanatado, e concentrar-me no resto do anúncio.

"Vendo": logo aqui, prevejo 93% de probabilidades de dar barraca.

"chassis de vespa completamente restaurado e reforçado": e começa! Se está restaurado, ou seja, colocado em estado idêntico ao original, então não pode estar reforçado. Estar restaurado e reforçado simultaneamente faz tanto sentido como pintá-lo de azul-alface. Mas, lá no fundo, consigo compreender este desejo de reforçar os quadros das Vespas que chegam às nossas mãos. Não passa um dia sem que eu veja uma Vespa abandonada na berma, com o seu quadro partido a meio, resultado inevitável da fraqueza inerente a um chassis de desenho e construção medíocres, que apenas se conseguiu manter no mercado durante umas seis décadas, mais coisa menos coisa. O reforço é uma medida sensata. Decapagem? O quê, nestes quadros fracos? Nem pensar!

"A minha principal ocupação actual": daqui podemos concluir que o restaurador/vendedor em questão possui ocupações secundárias, que complementam a principal, e que estas ocupações são transitórias ou rotativas. Estilo hoje Vespas, amanhã serralharia naval, no dia a seguir alta costura, algo do género.

"passa pelo restauro desta marca mítica": também é uma surpresa descobrir que estamos em contacto com alguém que está efectivamente a restaurar a marca Vespa. Não sabia que eles estavam mal, acho que até têm vendido montes de automáticas, mas prontos... Ao fim de 60 anos, quem não precisa de um restaurozito? Olhe, aproveite para dar uma reforçadela, já que está aí. E quando vir alguém do Conselho de Administração da Piaggio, diga-lhes que eu quero uma Vespa S com motor 200, em preto-fosco, e 20% maior (na proporção 'actual' está um coche mota de gaja). Obrigadinhos. E quando acabar, se também puder restaurar a divisão de scooters da Innocenti, era fixe.

"Possuo apenas este exemplar para venda": pois, com estes preços foi logo o stock todo embora. É compreensível. Esperemos que seja uma situação apenas temporária, e que consiga passar lá por aquela sucata na França que tem o buraco na rede brevemente.

"modelo LT roda baixa para 125cm3": muitos de vós não possuirão conhecimentos avançados relativos a esta marca mítica, aos seus modelos e respectivos valores comerciais. Assim, estarão a pensar que 500 euros por um quadro axanatado poderá ser ligeiramente excessivo. Asseguro-vos que não, pois este é um quadro de um modelo LT, extremamente apreciado pelos coleccionadores e entusiastas. À semelhança do modelo LU de roda alta, o modelo LT ainda apresentava o problema dos quadros fracos que partiam sem aviso. Para contornar o problema, a Piaggio introduziu as rodas baixas no modelo LT que diminuem a altura da queda quando o quadro falha. Acreditem que é um pequeno pormenor que faz muita diferença. Eu não dava 500 euros por um quadro de roda alta, muito perigoso! Este modelo é para 125 cm3. Só precisam de obter esse motor, e absolutamente todas as outras peças que constituem uma Vespa, para estarem prontos a rolar na estrada numa linda Vespa clássica, sem preocupações ou problemas. Os documentos? Isso compra-se em qualquer papelaria ou tabacaria, sem stress.

"Se precisar de mais informações não exite em me contactar!": Não 'exitarei', não senhor!

[Ok, fui mauzinho nesta posta. Não tenho uma personalidade áspera ou cínica, mas de vez em quando lá tem que ser. Um gajo tem que deixar sair a ruindade senão fica cá dentro a moer e a fazer espécie, e um gajo fica todo lixado por dentro. Isto é saudável, é como um clister pó cérebro.]

29.10.07

Como lavar a Vespa - o método Bob

Lavagem da carroçaria:
- esperar pelo Inverno. Irá chover.

Lavagem do motor:
- esperar até à próxima abertura dos carters, todos os 60.000km.

Terei todo o gosto em responder a dúvidas que tenham acerca deste método pelo seguinte email:
couldnt_care_less@cheap_gs_4_u.com

28.10.07

Nuova Vespa S

Como regra geral, não gosto das Vespas modernas. Só quando a ET saiu de produção, uns 9 anos depois de ter aparecido, é que o seu design novo e moderno deixou de me incomodar. Tenho sérios problemas com as LX e GranTurismo, que demorarão igual número de anos a ser resolvidos. Mas a nova Vespa S agrada-me. Cada vez mais.

A Piagio tirou toda aquela tralha que engrossava o avental, e deu um aspecto muito mais leve e agradável a essa zona, como numa Vespa antiga. O farol rectangular ganhou um lugar instantâneo no meu coração, pois significa o desaparecimento do farol redondo inclinado para trás que se vê nas suas irmãs. Não consigo gostar daquilo, lembra-me sempre as novas Harley. A traseira é deliciosa, de novo leve e simpática, com um farolim bonito e retro na melhor maneira possível. Para finalizar, o remate do estofo com o tubinho branco, exactamente como se fazia nos anos 60.

Também aprecio o guarda-lamas cortado, expondo completamente a mola vermelha. Outro pormenor giro é a existência de kits de autocolantes para personalizar a Vespa S. O meu favorito é o target italiano, mas as riscas racing também me fazem cócegas. Desgosto bastante do painel de instrumentos cromado, mas não é nada que não se conserte com um pouco de gueto-tuning ;-). Fico ansiosamente à espera de ver uma ao vivo, e que apareça uma versão 150; isso seria muito à frente. Entretanto, podeis visitar o site vespa-s.com onde decorre uma competição de decoração da Vespa S. Há lá um par de ideias giras. Infelizmente, só italianos podem participar.

27.10.07

Novo recorde de 6000 euros

Há algum tempo atrás perguntei-me se demoraria muito a bater o recorde da Sprint dos 4950 euros. Pois foi quase instantâneo. Tenho procrastinado um pouco esta posta tentando salvaguardar o meu bem estar intestinal, mas hoje teve mesmo que ser.

"Completamente Restaurada" é a extensão total da descrição que acompanha o anúncio de venda desta Super de 69. Não é necessária mais informação, já que um "restauro completo" é a garantia absoluta de qualidade e valor... Certo? Ao olharmos para as fotografias, notam-se inicialmente a pintura e o estofo dos bancos não originais. Também lá está aquele farolim de plástico com o formato esquisito que não se parece com nada montado em Pontedera, e que eu abomino. Se olharmos com um pouco mais de atenção (isto é giro, não é?, parece que estamos no CSI) vemos a roda da frente com um palmo de ar por baixo. Mas porquê? A tampa do ventilador escondida quase na totalidade por trás do balon dá-nos a resposta: suspensão traseira marada. Provavelmente o amortecedor estará comprimido pela idade, e/ou a fixação do amortecedor no quadro estará deformada.



Passando rapidamente à frente dos pneus de piso duvidoso, eis que chegamos à dianteira da máquina. As Super não possuem frisos de alumínio no guarda-lamas, mas este espécime em particular exibe-os com orgulho. Com tanto orgulho, de facto, que o guarda-lamas se empina altivamente numa posição bizarra e não natural. O cubo da roda e a tampa central também exibem acabamentos não originais.

Olhando para a traseira, poderemos contemplar a pièce de resistance desta máquina completamente restaurada, e uma das minhas perenes favoritas, os sinoblocos fornicados. O desalinhamento da roda traseira salta à vista como um grande poio fumegante de origem bovina num relvado chique. Ei, mas sou só eu que ligo a estas coisas, certo? Com dois bancos em couro e a pega a combinar, só pode valer 6000 euros!

26.10.07

Foi você que pediu uma noite de sons scooteristas?

... No Porto? Sim, no Porto? A Horta apresenta, em primeiríssima mão, esta novidade mega-exclusiva de todos os sites Vespistas da minha rua exceptuando o da velhota do rés do chão esquerdo: o duo dinâmico "The Poppers" mais Professor X vem cá acima espalhar um pouco de amor.

'Peraí, mas se os Poppers são quatro tipos, então eles todos juntos são cinco e não podem ser um duo... Dois duos e um solo? Um dueto de duos e um roadie? Hhmmmm... Debruçar-me-ei sobre esta importante questão no próximo dia 2, no Plano B, na Baixa da Inbicta. Vocês estarão lá?

25.10.07

"48 anos jovem e ainda está p'rás curvas"

Aqui está um relato inspirador e cheio de boas vibrações, retirado do vespa.org.uk, e que reproduzo já traduzido para vosso deleite literário:

Esta 152 L2 [modelo específico Inglês de fabrico nacional] de 1959 ainda é propriedade e é operada pelo seu dono original, John Lees de Cheltenham, e ainda é usada com frequência para pequenas voltas no seu território habitual. Este ano verá o seu 48º aniversário, e a sua invulgarmente baixa quilometragem (55000 quilómetros) deve-se a anos de inactividade no passado e à auto-confessada falta de apreciação do John duma máquina que ele agora começou a perceber que é tanto maravilhosa como histórica. Está agora a ser usada mais regularmente do que sempre e a ser extremamente bem tratada.

A pintura cinzento-cogumelo é a original com apenas arranhões menores e um leve vinco no avental causado por uma discussão com uma sebe. Depois de ter perdido força, o motor sofreu uma revisão grande há uns cinco anos atrás, mas antes disso o cilindro nunca havia sido desmontado. De facto, a culaça tinha sido desmontada apenas duas vezes para uma descarbonização rápida. A primeira desmontagem foi há uns 43 anos atrás quando a máquina estava a perder força, soando rouca, e não aguentava a mudança maior.

Alguém que 'conhecia' de motores deu uma vista de olhos e, quando ele nem conseguiu meter uma agulha de tricotar pelo escape acima, sugeriu que uma descarbonização poderia ser uma boa ideia (Oh, a feliz ignorância da juventude!). Lá saiu a culaça e o escape recebeu um banho de soda cáustica. Os resultados foram maravilhosos e a força total foi recuperada.

A segunda desmontagem da culaça foi há uns 38 anos atrás e, devido à baixa quilometragem, nunca mais saiu até à recente revisão grande. O escape original durou 20 anos mas foi então substituído. Senso comum implicou que se serrassem várias polegadas da nova ponteira de escape para facilitar a remoção da roda traseira (contra bons conselhos), tudo sem aparente efeito negativo. O segundo escape é o que está em uso hoje em dia. Pneus novos foram instalados, claro, bem como uma roda suplente. O selim foi soldado e re-estofado. A embraiagem foi substituída na revisão grande, apesar de a original estar a funcionar bem. Os calços de travão dianteiros são novos mas os traseiros, incrivelmente, são os originais. Os sinoblocos que seguram o amortecedor traseiro no lugar foram renovados há uns 30 anos atrás, bem como o amortecedor dianteiro. Mudanças no código da estrada viram a adição de uma luz de stop traseira, mas todas as outras lâmpadas são as originais [ :-o ].

Todos os cabos (à parte o cabo da embraiagem) são os originais, e aqui reside uma história - o primeiro cabo de embraiagem partiu quando a máquina tinha apenas 2 anos de idade, e o segundo cedeu em 1989. E onde é que cedeu? A uma centena de metros de um entusiasta local da Vespa que tinha um stock enorme de peças suplentes. Dentro de meia hora estava de volta à estrada.

Os platinados mantiveram-se intocados durante 25 anos e foi apenas um problema difícil de pegar-a-quente que levou à sua descoberta e substituição. Isso na realidade não curou o problema, mas um novo fole de ar e uma vela diferente fizeram-no. Aqueles platinados poderiam ter durado para sempre!

A manutenção consistiu em contar o número de rodas e dar pontapés nos pneus, e na borradela ocasional de óleo e massa. O mais longe que esta Vespa já esteve de Cheltenham foi Abergavenny (uns 100 quilómetros) e o lugar que já visitou mais vezes foi a 'Severn Bore tidal wave' ao pé de Gloucester. A situação mais próxima do desastre foi um par de milhas de chiadeira horrorosa numa ocasião em que não foi misturado óleo com a gasolina (está tudo bem leitores, já podem abrir os olhos agora - Ed). A compreensão súbita da causa levou à adição do óleo e, de novo, sem aparente efeito negativo. "Whiskers" [?] pararam a máquina duas vezes, ficou sem gasolina duas vezes, e teve três furos. Bateu num pássaro (que recuperou) e assustou de morte o pêlo duma ovelha na Floresta Dean. Um pára-brisas e uns piscas foram modas - todos removidos há décadas atrás para se recuperar a aparência original.

"Isso lembra-me," diz John, "o óleo da caixa bem pode ser o original. Tenho que o mudar um dia destes!"

24.10.07

Carga larga



Já transportei na Vespa muitos objectos esquisitos e mal-jeitosos no meu tempo, mas nunca tinha levado um balon. Consegui não o deixar cair, nem estragar nada de importante. Fiquei feliz. Eu fico feliz com coisas pequenas. Aqui exibo o registo fotográfico.