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11.7.11

PX Made in Taiwan

Com apenas 75mm de comprimento, mau estado geral e um farol vermelho, esta PX amarelada não está legal para andar na via pública. Suspeito que tenha um passado de competição por causa das suas rodas de raios em liga leve, porta-luvas selado e suspensão traseira radicalmente rebaixada.

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Os dizeres "made in taiwan" que se encontram em alto relevo no balon esquerdo provavelmente indicam um antigo patrocínio de competição; o velocímetro parece estar encravado nos 70 à hora, alguém sabe onde posso comprar outro? (não encontrei speedos de 6mm no site da SIP...)
   

8.7.11

Foto do dia

Foto de Sofia Torrão
 

Porcas e feias

Já vi velhotes a chegarem às concentrações, sacarem do paninho e começarem a polir diligentemente a Sprinter. Eu, por outro lado, passei os últimos anos sem sequer lavar a Vespa.

Posso ser porco mas não sou cego. Era óbvio que a PX começava a ficar imunda. O chão estava a quase a gerar o seu próprio ecossistema. Aos poucos comecei a pensar "meu, tenho que lavar a PX um dia destes"; depois de ter testado a PX nova durante alguns dias, passou para "meu, tenho mesmo que lavar a PX"; e depois de um raio duma gaivota se ter aliviado em cima do meu velocímetro, passou a "fónix é hoje!"

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Antes de secar ainda parecia pior...
Não acho que o facto de uma gaivota ter largado um poio em cima da minha Vespa seja sinal do Apocalipse - algumas coisas são apenas azar. No entanto, o facto de eu ter lavado a minha Vespa após vários anos de negligência higiénica quase total é um indicador claro da proximidade de 1000 anos de caos e sofrimento.

Já nem me lembrava que a tinta tinha brilho...

Continuando no tema das Vespas insalubres, pude observar em Aveio a Vespa Super Com Pior Aspecto De Portugal (V.S.C.P.A.D.P.). E, creio também, territórios de soberania partilhada. O mercado nacional das Vespas clássicas está mesmo a raspar o fundo do barril...

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"É só passar um paninho..."

Este exemplar estava estacionado na rua e a única razão que encontro para a sua localização (em vez de no fundo de um poço ou 2 metros abaixo do chão) é que teria um papel afixado com os dizeres "Vendo 1800 euros" e um telemóvel. O papel desapareceu pois alguém considerou o negócio atraente.

Ainda há tempo de a pintar de azul-cueca e ir curtir o Verão.
    

7.7.11

Foto do dia

GS160 MK1 1962
Foto de Mikael Strandberg
    

IberoVespa!

Já se sabe onde terá lugar o 15º IberoVespa! Armamar, para os lados de Viseu. As curvas prometem.

15º IberoVespa

O VCL criou um site específico onde poderão conhecer o local, estudar o programa e realizar a inscrição. E, com isto, é altura de ressuscitar esta posta.
        

5.7.11

Foto do dia

blown vespa
Foto de scott597
    

Pinasco-ifica o teu velho motor de 2 transfers

Jovem! Tens uma Vespa de dois banquinhos com um motor de 2 transfers e gostavas que ela andasse mais? Pois a Pinasco acabou de divulgar um press-release duma nova linha de produtos dedicados especialmente aos propulsores bi-transféricos a partir de 1960. Lá se vai o subsídio de férias!

Foto de Pinasco

A Pinasco desenvolveu kits de 177 cc tanto em ferro como em alumínio junto com escapes específicos para roda 8" e roda 10", cambotas de alta performance para substituir as originais com casquilhos, culaças de vela central específicas para VNB e GT, e carburadores específicos desenhados para obter os melhores resultados nestes motores. Poderão instalar todas estas modificações deixando o aspecto exterior do motor exactamente como original mas com a potência e fiabilidade Pinasco.


25030842 Kit de alumínio 177cc
25030804 Kit de ferro 177cc
25294887 Carburador Vespa 20/20 para 2 transfers
25560812 Escape cromado para roda 8"
25560813 Escape cromado para roda 10"
25243700 Culaça de vela central VRH
25070150 Touca de cilindro 2 transfers para vela central
25080900 Cambota para VNB/VBB/GL
25080901 Cambota para GT/GTR/SPRINT/TS
(as cambotas estarão disponíveis a partir de Setembro 2011)
   

1.7.11

Foto do dia

Imagem de LML.pt @ FB

A LML 200i está quase aí!

Bob conserta os seus piscas em directo!

Há já muitas luas que os meus piscas não funcionam. Primeiro foi problema de contactos, depois o interruptor avariou e tive que o consertar, e depois começaram a cair peças. Literalmente.

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Interruptor novo e uma peça velha que caiu da PX

Armado com um interruptor novo, um multímetro dos Chineses e uma vaga ideia que uma boa massa é essencial para o funcionamento correcto dos indicadores visuais de mudança de direcção, vou tentar reparar os meus piscas. No entanto, esta não será uma reparação normal pois vocês todos poderão acompanhá-la em directo! Hoje à tarde, a partir das 14.30 em ponto, eu detalharei em directo e ao minuto todos os passos do processo numa inovadora posta de Horta Reality Blogging© (H.R.B.)!

É fácil parecer-se um craque da mecânica se só mostrarmos os resultados positivos depois de estar tudo feito mas a Horta é cru e real e suja; todos os meus erros, burradas, dúvidas e azelhices estarão expostos para vossa apreciação, a apenas um toque da tecla F5. Desejem-me sorte e palpitem nos comentários ou no FeiçeBuque, vai ser assim bué interactivo, topam? Cá vai.

  • 08:00. Posta introdutória. ZERO piscas a funcionar. Início previsto dos trabalhos às 14.30. Carreguem no F5 para carregar as actualizações.
  • 14:30. Partida! Primeiro passo: espreitar dentro do guiador.
  • 14:32. Tampa do guiador está fora. Os fios do pisca descem lá para baixo, é necessário ganhar acesso à fiarada por trás do nariz.
  • 14:35. O porta-couves saiu com apenas 2 parafusos. O nariz está meio solto e abana. :-\
  • 14:37. É preciso esvaziar o porta-luvas para se ter acesso aos parafusos do nariz e, sim, está a faltar um deles. 
  • 14:43. Nariz fora. Já vejo fios. Meter fotos é muito complicado. 
  • 14:49. A ficha dos fios do interruptor não quer passar pela base do guiador. Já desapertei o guiador para ter mais espaço mas está difícil. 
  • 14:55. Demorei pouco mais de 20 minutos até pegar no martelo. E estamos a falar duma reparação eléctrica! A ficha já passou pela abertura da esquerda na base do guiador, tinha pouco espaço pois também lá estão uma bicha das mudanças e a bicha da embraiagem.
  • 15:04. A ficha do interruptor novo já passou pelo guiador, graças a WD40 e a umas pancadinhas estratégicas. Agora tenho que a fazer aparecer no nariz, não sei como... 
  • 15:07. Foi mais simples do que pensava. O interruptor novo já está no sítio, vamos ver se algum dos piscas acende... 
  • 15:11. Tenho UM pisca a funcionar bem, um que não pisca e dois mortos. 
  • 15:15. A limpar contactos e massas, sejam lá elas o que forem.
  • 15:20. Não funcionou, é hora de pegar no busca-pólos
  • 15:23. Ainda nada. O balon recebe corrente mas a lâmpada não. Toca a desmontar peças adicionais. 
  • 15:26. O meu multímetro diz-me que não há nenhum problema no pisca. Sou forçado a discordar. 
  • 15:32. Era a lâmpada que estava marada, duh. Já pus mais um pisca a funcionar mas o que funcionava antes morreu. O outro continua fixo sem piscar. 
  • 15:38. Woo-hoo!!! Os DOIS piscas de trás já funceminam, um da frente acende mas fica fixo e o outro foi o que caiu fora da Vespa. Vamos ver esse agora. 
  • 15:43. É má ideia reutilizar terminais mas eu sou um rebelde.
  • 15:53. Wow, faíscas
  • 15:56. Achei dois fios extras no porta-luvas, acho que a minha PêXizer já deve ter tido o besouro do "pi-pi-pi". 
  • 16:03. Veredicto final: DOIS piscas traseiros a funcionarem, DOIS piscas dianteiros que acendem mas não piscam. Alguém sabe porque é que isto acontece???
  • 16:10. O nariz já está de volta ao sítio, tenho que descobrir um parafuso para substituir o que falta.
  • 16:14. Não há, fica mesmo assim.
  • 16:18. Porta-couves no sítio. Ficou a abanar menos
  • 16:26. Guiador no sítio e dedadas gordurosas a serem limpas. Dêem-me 15 minutos e já meto algumas fotos.

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    O espaço que era ligeiramente menor que a ficha

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    Pior que um chapéu de um trolha

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    Eu sei para que servem todos estes fios. (cof cof)

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    Não estou orgulhoso do que fiz mas assumo-o com toda a frontalidade

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    Não esfreguem os interruptores com gasolina ou os símbolos desaparecem - perguntem-me como é que sei

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    Um pisca que não pisca é um pisca?

















  • 16:50. Banho, test-drive e lanche de croissants quentinhos. Bob over 'n out.
              

30.6.11

Foto do dia

vespa gs
Foto de Carlo Gatti Venturini
  

As mais recentes tendências dos fabricantes scooteristas

O mês de Junho foi fraco em novas tendências scooteristas: nada de faróis suplementares nas tampas das válvulas ou porta-couves cromados instalados nos retrovisores. Julho, no entanto, afigura-se pródigo em novas tendências de fabricantes scooteristas.

A LML acabou de lançar uma versão da sua popular Select II (baseada na chaparia da T5) mas com um motor 150 a 4 tempos. "Bidanaice", era só desmontar os piscas esquisitos à frente, tapar os furos e pintar de vermelho. Quem quer mandar vir um contentor a meias?

 Foto de uma Select II "normal" a 2 tempos - autor desconhecido

E parece que também faz TT.



"Night Vision" é o F.M.N.P.C.D.L.E. Indiano, aparentemente.

A Itália e a Índia são as duas super-potências scooteristas da actualidade e encontram-se em Guerra Fria global: a LML tem planos de "fabricar e exportar scooters automáticas leves (50cc e superiores) para a Europa até ao fim de Dezembro" (fonte). Até lá, enquanto os Indianos fabricam clones de Vespas com mudanças manuais para os Ocidentais, os Italianos contra-atacam fabricando Vespas automáticas verdadeiras para os Indianos. Eu acho que tudo isto é mais um sinal do Apocalipse e também acho que as aceleras LML vão ser parecidas com a Lambretta nacional.

Entretanto, em terras ainda mais Orientais, estão-se a meter scooters eléctricas em contentores destinados à Europa. Digam olá à Honda EV-neo:



Os fabricantes de carros são os novos fabricantes de scooters, já que a Peugeot também tem uma scooter com nome começado por "e". Disponível em Setembro de 2011, para roubar vendas à acelera LML que só chega em Dezembro.

Recapitulando:
  • as mais recentes tendências scooteristas são as mais recentes tendências dos fabricantes scooteristas
  • uma LML a quatro tempos é a nova T5
  • uma acelera LML será a nova acelera Taiwanesa
  • a Honda EV-neo é a nova Honda Vision
  • os fabricantes de carros são os novos fabricantes de scooters
  • as scooters eléctricas serão as novas scooters
  • e continuamos à espera que a LML 200 seja a nova PX 200.
Finalmente, comparando o vídeo da Honda com o vídeo oficial da "nova" PX, podemos estar certos de mais um aspecto do futuro: quer as scooters sejam eléctricas ou a gasolina, quer sejam automáticas ou com  mudanças de punho, existirá sempre uma morena sorridente de 23 anos de idade envolvida. Eu consigo viver com isso.

   

29.6.11

Foto do dia

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Foto de Pieter Vertongen
   

Rescaldo do teste da PX

Sempre que eu saía à rua com a "nova" PX era sujeito a uma barragem de admoestações que seguiam invariavemente a mesma fórmula: "Ei, essa não é a Vespa da revista Caras? E porque é que você não está a usar um capacete Agatha Ruiz de la Prada?"

Para tentar educar a mole de peões e automobilistas que reconheciam a 63-LO-82 como sendo a PX testada pelos meus ilustres colegas, fui à mala de ferramentas e peguei na minha fita isoladora em tom Azul-Cueca Irónico (mandei fazer 30.000 rolos nesta cor especial, avisem se precisarem de um). O balon dizia "Horta", mas o avental dizia "Esta já não é a Vespa testada pela revista Caras, esta é a Vespa em teste na".

2011 PX test-drive
Desfigurando propriedade da Piaggio Portugal

Calculando que esta publicidade rolante não duraria muito depois da PX da Caras sair das minhas mãos, decidi adicionar uma outra mensagem mais escondida, desta vez no interior do balon do motor.

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O próximo orgão de comunicação social a testar a 63-LO-82 vai ter uma surpresa! (talvez a revista Nova Gente?...) Dêem uma vista de olhos às revistas no consultório do dentista a ver se descobrimos por onde é que ela anda.

Entretanto, estive a reler o meu teste da PX (aquilo foi acabado às 2.30 da manhã e queria certificar-me que o nível de calinada era mantido a um mínimo aceitável) e reparei em algo interessante: eu aviso que o catalisador fica muito quente e que o veículo não deve ser estacionado no mato (mencionado no manual, até) e, dois parágrafos depois, aparece uma foto da PX estacionada no mato.

Doh

Se o bosque começasse a arder, suponho que o poderia tentar apagar com a minha máquina fotográfica.
    

28.6.11

Foto do dia

Moto Flea market
Foto de Matt O'Keefe
   

Xassos

De pé até às 2.30 da manhã a terminar o teste da PX. Hoje férias. Posta Sem Conteúdo Original (P.S.C.O.). "Xassos Urban Cup - Fontes". Resistência de charutos 50cc. Vejam aqui como foi há três anos.


XASSOS URBAN CUP 2011


Os “Xassos” já aquecem os motores.


A edição deste ano do "Xassos Urban Cup – Fontes", que vai ser intercalada pela Semanal Cultura de Santa Marta de Penaguião, traduz-se, uma vez mais, num acontecimento de elevado impacto turístico para a região.


Os "Xassos Urban Cup – Fontes", caracteriza-se por uma frenética prova de Resistência de 3 Horas, onde os participantes e as suas belíssimas motorizadas se divertem no circuito urbanístico da Vila de Fontes.


Fazendo parte do cartaz da mais concorrida Romaria do Concelho, a Nossa Senhora do Viso, o ambiente as cores, o cheiro que se mistura entre as bifanas, as tradicionais farturas com o óleo e a gasolina são ingredientes tão diferentes, mas tão característicos de uma verdadeira festa de verão.


A corrida tanto dentro como fora é vivida com muita intensidade. As máquinas dividem-se em duas classes: as “Xassos” e “Pro- Xassos", motorizadas que fizeram moda nas décadas de 70,80 e 90, e que fazem agora muitos acordarem o verdadeiro piloto que há neles.


Faz a tua equipa e participa na “Corrida mais Louca do Mundo".


As inscrições estão abertas.


Para mais informações contactar: animacaoviladefontes@live.com.pt


Consulta também no Facebook: Xassos Urban Cup - Fontes
     

27.6.11

Foto do dia

Vespa Ape
Foto via Francesco Rubini
  

Bob testa a "nova" PX de 2011

2011 PX test-drive
Há alguns anos atrás tivemos o desprazer de assistir à triste extinção da Vespa PX, terminando 30 anos de produção contínua. Se a Piaggio achou que os lucros do modelo não justificavam a continuidade da linha de montagem ou se estavam convencidos que não seria prático modificar o motor para cumprir as novas normas de poluição, nunca saberemos. Do que temos certeza é que a PX está novamente no mercado, para delícia de várias gerações de adoradores convictos desta scooter emblemática e de uma nova geração de Vespistas recém-convertidos que só agora descobrem o mito da PX.

As modificações acabaram por ser menores, não indo muito além de alguns retoques estéticos e à adição de catalisação no motor. Consequentemente, a PX de 2011 (código de modelo M741) vai-se revelar familiar a qualquer um que tenha experiência com a geração anterior. De qualquer modo, eis as minhas observações sobre o bicho divididas de modo exemplarmente racional e compartimentalizado. Foquei-me mais nas novidades e não nas vantagens e desvantagens gerais da PX em relação ao restante mercado das duas rodas (é extremamente prática na cidade, estaciona-se em qualquer lado, é fácil de modificar para levar carga, não tem espaço para capacete, as mudanças manuais podem ser cansativas no pára-arranca, esse tipo de coisa).

2011 PX test-drive

Motor. Em cima do motor notam-se imediatamente algumas caixas e tubagens que não costumam estar ali. Estes acrescentos basicamente fazem uma ligação entre a entrada de ar fresco do carburador e o catalisador (aquela banana entre o cilindro e o escape propriamente dito) para fomentar uma queima mais completa dos gases de escape (mas não aposto dinheiro nesta explicação).

Este Sistema de Ar Secundário (SAS, como aparece no manual) adiciona mais complexidade a um motor que era deliciosamente simples e fiável. A caixa superior possui uma lamela e um filtro de esponja que deve ser limpo com regularidade, sendo recomendada a substituição de um o-ring em cada operação de limpeza. Até chegar à vela se revela mais moroso, já que se encontra cercada por tubos e cabos. Para o utilizador médio que fará as revisões na oficina esta situação não tem relevância mas para os entusiastas da mecânica trata-se de um nível extra de complexidade que terá de ser suportado. Quando a minha PêXizer pára, sopro-lhe os giglers e ela fica boa. Aqui nem sei por onde começar a soprar. Já sei como se sente a minha mãe quando tenta sintonizar os canais da televisão...

E barrote, tem barrote? A resposta curta é "não". A resposta longa é que se trata de um modesto 125 que foi catalisado até às guelras. Quando recebi esta PX fiquei bastante desiludido pois tinha acabado de sair de uma PX com "pozinhos" e o motor com 300 kms ainda se encontrava muito preso. Foi frustrante abrir o acelerador todo e experimentar uma aceleração tímida e pedestre. A aceleração é bastante linear em todas as mudanças, como se o ventilador fosse muito pesado, sem o "disparo" típico de motores mais nervosos.

Com algumas centenas de quilómetros em cima, o motor começou a soltar-se e ganhou um pouco mais de ânimo. É um propulsor perfeitamente adequado para deslocações gerais e viagens tranquilas, mas não agradará aos sedentos de emoções; por mais que torçam o punho direito, não conseguirão ter grande efeito no delta vê. A melhor maneira de conduzir esta oitavo-de-litro é sem pressa - dar-lhe apenas um centímetro de acelerador e relaxar enquanto o motor desenvolve ao seu ritmo natural e relaxado.

Os cabos das mudanças foram obrigados a adoptar um novo trajecto com uma subida mais acentuada à saída do selector. As vibrações e o barulho são agradavelmente reduzidos, e pega com facilidade mesmo frio. O catalisador fica muito quente em operação, não estacionar em cima de mato seco!

2011 PX test-drive
Comportamento. Confesso que não testei o comportamento dinâmico e agilidade do veículo de modo aguerrido pois afinal trata-se de uma Vespa emprestada e sem um único arranhão, e eu sou uma pessoa responsável.  No entanto, o facto de ser um veículo novo sem folgas nenhumas e com os sinoblocos e suspensões em bom estado torna-o bem comportado nas curvas, mesmo que estas envolvam trilhos do eléctrico ou paralelo. Dentro dos limites óbvios da tracção e do bom senso, claro. A má reputação das rodas 10 neste campo não é 100% merecida.

A direcção é leve (no bom sentido) e previsível tanto a baixa como a alta velocidade. Os travões, tanto o hidráulico dianteiro como o mecânico traseiro, são extremamente eficientes e inspiradores de confiança, talvez até roçando o brusco. Ao comportamento dou uma nota boa.

2011 PX test-drive

Conforto e comandos. A manete do travão oferece resistência ao movimento logo depois de ter sido actuada, ainda muito longe do punho. O manual diz que a manete deverá começar a travar a 1/3 do curso, mas isto acontece bem antes. Eu até tenho mãos grandes mas, mesmo assim, o início da travagem dá-se com a mão esticada, numa posição desconfortável. A manete não ajustável afigura-se-me assim bastante primitiva (os travões de disco das BTTs costumam ser ajustáveis tanto na posição de repouso da manete como na posição de início de travagem).

A suspensão, normal segundo standards dos anos 80, é primitiva hoje em dia. No piso suave não há razão de queixa (duh!) mas, se o paralelo começar a ficar irregular ou o asfalto estiver muito coçado, então somos obrigados a abrandar bastante para não nos sentirmos martelados pelo piso. Estava à espera de evolução no conforto da suspensão após um quarto de século mas, infelizmente, tal não aconteceu.

O banco magoou-me as costas e o rabo em determinadas ocasiões. A espuma do banco parece ser mais rígida que a da geração prévia, e a rampa situada no centro - onde sou obrigado a sentar-me por causa dos meus fémures de mutante - não se dá bem com a minha zona lombar. No entanto, concederei o benefício da dúvida ao novo banco já que eu não possuo nem estatura média nem peso médio. Um piloto de corpo mais típico poderá ter uma opinião completamente diferente da minha. Ao conforto sou obrigado a dar uma nota apenas média.

Os controlos são suaves e fáceis de usar de modo geral. A mola do acelerador é mais forte do que aquilo a que estou habituado, mas isso só se nota se quisermos aceleração máxima de modo constante. A embraiagem é deliciosamente suave. Os ponteiros do painel de instrumentos são perfeitos, não abanam nada, mas as luzes avisadoras não se vêem debaixo do Sol. Sem o "pi-pi-pi" a avisar-me dos piscas, esqueci-me de os desligar ocasionalmente (e, com o "pi-pi-pi", provavelmente queixar-me-ia do barulho infernal). A tranca da direcção deixou de ter a posição "park", que permitia trancar a Vespa com os mínimos ligados.

2011 PX test-drive

Qualidade. A pintura, lisa e brilhante na sua generalidade, não é perfeita: existiam vários "ciscos" colados à tinta, quase todos na costura entre o chão e o túnel central. Mesmo assim, considero-a adequada para uma pequena scooter de produção em massa. Estou convencido que, com o passar dos meses, o standard da qualidade da pintura na nova linha de montagem subirá.

O batente esquerdo da direcção tinha algum problema pois deixava o guiador rodar em demasia até ao farol encostar no friso do avental. Creio que isto não se deve a um problema de fabrico, talvez os meus estimados colegas da revista Caras a tenham deixado cair... A tradução Portuguesa do manual é fraca, chegando até a dar indicações erradas na zona dedicada à rodagem do veículo (NÃO manter a velocidade constante). As ferramentas de origem também são "bué xungas" e devem ser substituídas.

Os amortecedores de marca Indiana, as manetes levemente rugosas e os carters com uma superfície cheia de "picos" são provas que as PX de 2011 são fabricadas de modo diferente das PX mais clássicas. Seria interessante saber quais são as peças que não possuem origem Ocidental... A verdadeira prova da mecânica é a durabilidade, e isso não consigo testar, mas confio na reputação e discernimento dos engenheiros da Piaggio neste campo. Daqui a um ano poderemos todos opinar sobre a fiabilidade deste último lote de PêXizers.

À qualidade dou uma nota boa. Não é um veículo de qualidade média mas sim um veículo de boa qualidade pontuado por alguns pormenores menos bons. Os acabamentos gerais (banco, plásticos, etc.) e a construção (nada de barulhos parasitas) são de alta qualidade.

2011 PX test-drive

Visual. É impossível atribuir nada menos que uma nota máxima ao aspecto visual da nova PX. Os comentários "ai que Vespa tão linda" sucederam-se interminavelmente. A pintura brilhante, os cromados reluzentes, a mistura do aspecto vintage com pormenores modernos, tudo se conjuga num pacote extremamente atraente. Há várias peças redesenhadas de que não gosto (basicamente tudo que seja plástico cromado) mas sei que estou em reduzidíssima minoria e, por uma única e rara vez, vou ignorar as minhas opiniões. Até retiro a minha avaliação inicial do esbelto banco (era qualquer coisa sobre diarreia de bebé, se bem me lembro).

Que cor devem comprar? Bem, se querem dar nas vistas, o vermelho; se não querem dar nas vistas, preto ou branco; se tiverem mau gosto, azul; e se tiverem muito bom gosto, é o azul também. A sério, o gajo que se lembrou de utilizar um azul semelhante ao das primeiras P dos anos 70 deveria receber um presunto de Natal até ao resto sua vida.


Consumo. Fiz 210 kms em cidade, sem preocupações de economia de consumo, e obtive uma média de 3.2 litros aos 100. Em seguida realizei uma viagem de 180 kms em estrada nacional e a média foi de 3.0 litros aos 100. É bom.


2011 PX test-drive

Conclusão. Gostei. O modelo M741 (designação correcta, se bem que ZAPMér seja mais sonoro) é um digno sucessor da extensa tradição do nome PX, independentemente das razões capitalistas que possam ter levado à sua ressurreição. É uma Vespa deliciosa, que poderia atingir a perfeição se tivesse 15% mais de potência e 15% menos de preço. Continuo a preferir as PXs mais antigas em termos de visual e de construção, no entanto, mas recomendarei a nova encarnação a um amigo sem hesitar.

Devem comprar uma PX das novas?
  • Se são Vespistas dedicados: não, porque já têm uma PX na garagem. Uma das "boas", feita no século XX, de preferência sem mariquices de arranques eléctricos e piscas cromados.
  • Se são Vespistas iniciados: sim, esta é uma Vespa autêntica e (presume-se) fiável que vos trará prazer durante muitos anos.
  • Se querem uma scooter para o dia-a-dia: não, a concorrência tem opções mais económicas com o mesmo aspecto clássico.
  • Se querem uma scooter vistosa/brinquedo para andar no Verão ou na casa da praia: sim, este é um veículo de qualidade e durável, muito divertido de conduzir, e que não deixará ninguém indiferente ao ser estacionado à frente da esplanada.


Como nota final, renovo os meus agradecimentos à Conceição Machado Lda. e à Ciclo-Foz: sem a sua colaboração preciosa este teste não teria sido possível. Se estão interessados em adquirir uma PX, a Original Vespa está a anunciar preços bastante atraentes no topo da página. Digam que foi a Horta que vos mandou. :)

Leiam o resto do teste à PX de 2011 aqui.

24.6.11

Foto do dia

Vespa 400 1957
Foto de SuperCarFreak
   

Viagem fotográfica pela PX de 2011

Estamos prestes a partir numa viagem fotográfica pela PX "nova"/2011/E3. Por favor mantenham os braços e pernas dentro do veículo. Se não gostarem das minhas fotos sobre-saturadas, a minha desculpa é que fiquei sem bateria e a luz estava muito forte. Obrigado por terem escolhido a Horta das Vespas para satisfazer as vossas necessidades blogófilas de índole scooterista.

2011 Vespa PX125

O velocímetro já conhecido é deveras elegante mas a escala de milhas por hora é praticamente inútil, suspeito que inclusivamente no Reino Unido. Os ponteiros são sólidos como rocha e não abanam nem um micron na estrada.

2011 Vespa PX125

Belo rabo! O farolim continua a parecer-me ter sido desenhado numa Sexta-feira às 17.30, mas os piscas já me agradam. Apesar de serem brancos, emitem luz laranja - bruxaria!

2011 Vespa PX125

O banco é consideravelmente menos feio ao vivo que nas primeiras fotos da feira de Milão. Ainda me estou a tentar habituar à rampa que existe ali no meio e a avaliar a compatibilidade da dita com os meus fémures descomunalmente compridos.

2011 Vespa PX125

Os novos punhos são agradáveis ao toque e ostentam a inscrição Vespa. Também possuem um anel de plástico cromado, e a única coisa boa que eu posso dizer acerca de um anel de plástico cromado é que é melhor que dois anéis de plástico cromado. Especialmente se forem plástico.

2011 Vespa PX125

Já descobri o que quer dizer SAS, é "sistema de ar secundário". É aquela caixinha extra por cima da touca do cilindro que tem um tubo que vai até ao escape. A sua função é fornecer oxigénio para os duendes do catalisador respirarem; sem o SAS, os duendes sufocariam e já não seria possível despoluir os dióxidos de carbonos.

2011 Vespa PX125

Mais uma visão das miudezas. Notem a mola dupla no descanso (a minha PêXizer de 87 só tem uma). Não sei se repararam há bocado mas o código do modelo é *ZAPM74100*, o que augura o fim da gloriosa época dos prefixos V__M. Já agora, o número de quadro é *00001578* o que sugere que a Piaggio pretende fabricar 100 milhões de "É-trêzers". Ou de ZAPMérs, como costumamos dizer nos círculos blogoculares scooteristas.


2011 Vespa PX125

A ZAPMér vem equipada com três Michelin S83 de fabrico Sérvio, pneumático esse que é o único oficialmente aprovado pela Horta. Também tem um travão de disco ou algo insignificante do género, pois os pneus são muito mais importantes. São ésse-oitenta-e-trézers!

2011 Vespa PX125

Os tipos do marketing devem ter achado que era importante os clientes não se esquecerem qual a marca do seu veículo, pois decidiram imprimí-la em letras grandes no bacalhau. A tentativa de capturar um pouco da elegância retro das primeiras Pês ao incorporar umas imitações dos frisos metálicos dos anos 70 não foi bem sucedida, na minha opinião. Adicionar plástico é mau.

2011 Vespa PX125

Se eles se deram ao trabalho de desenhar, imprimir e colar o autocolantezeco, o mínimo que eu posso fazer é sacar-lhe o retrato.

2011 Vespa PX125

Os emblemas Vespa são de "gel", um tipo de borracha flexível metalizada, e não de metal tradicional sólido. Isto significa que já não há furos nos balons e no avental para localizar os ditos distintivos.

2011 Vespa PX125

No porta-luvas encontram-se dois fios eléctricos que presumo servirem para alimentar acessórios do estilo GPS ou carregador de telemóvel. No entanto, o manual não lhes faz referência - procedam com cautela. O que não encontrei foi um "besouro" dos piscas, gerador do típico pi-pi-pi que acompanha a indicação de mudança de direcção (Update: leiam o comentário do PE). O autocolante exibe um esquema com características técnicas da homologação Italiana  ou coisa parecida.

2011 Vespa PX125
    
Detesto terminar numa nota negativa (a minha impressão geral da É-trêzer-barra-ZAPMér é muito boa, como discutirei na próxima posta) mas a tinta do depósito está a empolar e a descascar. Já ouvi duas vezes o comentário de "ah a PX do não sei quantas também fez isso" por isso parece ser um defeito comum, se bem que bastante inócuo.

Na Segunda-feira, a conclusão. E fotos de corpo inteiro da bicha.

Leiam o resto do teste à PX de 2011 aqui.