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11.7.08

A devassidão em foto

Lembram-se quando me apontaram uma arma à cabeça e me obrigaram a andar numa automática chinesa de plástico? Exacto, fui obrigado, eu nunca faria tal coisa de livre e espontânea vontade cof cof. Pois há uma foto disso na última Scooting. Ninguém notou?

Vai um caption contest?



P.S.: O barrote está a respirar, como um bom vinho...

24.6.08

Vários

-Na Sexta, encomendei o meu Pinasco. :-)
-No Domingo, fiz 150 kms de manhã. A vaca está a gastar uns 4 litros. :-(
-Hoje, vou aumentar o tráfego da Horta em 300%:
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Vemo-nos daqui a um par de semanas, que eu vou andar ocupado.

22.6.08

Mais uma

Com a chegada do tempo quente, elas começam a sair à rua. Pintura de dois tons ainda fresquinha, cromados de concorrência a brilhar, estofos novos. Ai não, é a malta da esplanada toda a olhar. As rodas estão alinhadas? O que interessa??!! Desde que apontem em direcção geral semelhante...



Depois de ter capturado o espécima supra-visionado no estacionamento do shópingue, dei um saltinho à Galeria dos Horrores da Horta antiga (aqui e aqui) e resgatei a minha colecção vetusta de fotos representativas daquele "bodge" que, sem dúvida nenhuma, tem um lugar perene no meu Top 3 de preferidos: a roda traseira descomunalmente torta. No campo do restauro de motociclos clássicos, a perpendicularidade sempre foi sobre-valorizada. Não concordam?...




21.6.08

Menos uma

Vai sair (ou já saiu, não sei) um filme chamado "Fool's gold". Mais uma chachada Hollywoodesca sem grande interesse. No entanto, há lá uma cena com uma Vespa que acaba num despenhamento Quadropheníaco, com explosão incluída e tudo. Podem ver alguns bocadinhos dessa acção no trailer, se saltarem para 1:45.



20.6.08

Para venda

A Horta faz aqui um favor a um amigo e anuncia-lhe estas motorizadas clássicas que se encontram para venda, uma Zundapp K S 50 de 1962 4 vel. de pé e uma Kreidler Florett de 1960 3 vel. de mão completamente restaurada.

Não são minhas, escusam de me fazer perguntas. Telefonem ao Sr. João pelo 917246827 e digam que fui eu que vos mandei. As máquinas encontram-se no Cartaxo.

"Esta Motorizada é na totalidade de origem Alemã. Faz parte do grupo das Zundapps de origem, conjuntamente com os modelos Falconete e Combinete. O cilindro do motor é picotado no seu interior para melhor lubrificação do êmbolo e segmentos, ao contrário do motor Zundapp fabricado em Portugal. Estas motorizadas tinham a sua zona no nosso país, a partir de Coruche e ao longo do Alentejo principalmente."

"Motorizada dos anos 60, usada normalmente por aquelas pessoas que faziam grandes viagens, e que teriam uma vida melhor. Era das motorizadas mais caras na época, e quem tinha dinheiro para as comprar era precisamente o pessoal que vivia bem. A este modelo sucederam outros com melhores performances até à Kreidler Florett mod. RS, com um motor sem turbina e com a cabeça do motor em grande que estabeleceu, montado num chassis da mesma marca, um recorde de 210 km/h. A partir daqui, todos os modelos traziam no guarda-lamas traseiro um autocolante que referenciava esse recorde, escrito em língua Alemã e com a inscrição de 210 km/h."
P.S.: Caríssima Portugália-PGA Airlines, quatro cubos de melão e uma raspa de ananás não constituem uma salada de frutas!

15.6.08

O Génesis em imagem

Uma vez, eu escrevi:
"Só posso imaginar o que seria a Metalurgia Casal nos seus tempos áureos, com quase 900 trabalhadores [1200 segundo novas informações], uma fundição, cantina, oficinas de maquinação e montagem, edifício da gerência, e escola de aprendizes. Praticamente todas as peças eram fabricadas nas instalações da Taboeira. [...] A única foto de época que tenho das instalações é retirada do livro mencionado, e não se vê nada, apenas um tapete de ensaio."
Pois neste momento, e para finalizar o 1º Ciclo Carina com estilo, posso apresentar duas imagens das instalações que se dedicavam ao fabrico de alguns dos veículos com mais pinta a serem integralmente produzidos em Portugal. São as duas únicas de que tenho conhecimento. Comoo sempre, se tiverem alguma informação que queiram partilhar, por favor guardem-na para vocês que eu não estou interessado- estou a brincar, topam?... Obrigado por terem acompanhado o Ciclo Carina na Horta, e por visitarem o estaminé.

Legendas não são necessárias, apenas um pouco de imaginação e reverência.



13.6.08

Símbolos da Carina

Com vontade e jeitinho, coisas bonitas acontecem. A Horta gostaria de mandar um passou-bem virtual ao Hugo Rodrigues ('padeiropt') que teve a iniciativa e o trabalho de reproduzir os símbolos da foto, indispensáveis ao restauro de qualquer Carina, e até agora indisponíveis. (o "S170" são dois símbolos separados a colar um por cima do outro, já que o fabricante não conseguiu colocar o preto e o cinzento simultaneamente)



Para os interessados deixo aqui o contacto do Hugo: hugo_picado2@hotmail.com. Aos pouquinhos começam a aparecer peças reproduzidas, graças aos entusiastas dedicados. Também já ouvi falar duns senhores que têm/fizeram (?) o molde para a peça de borracha por baixo do pneu suplente. Aos poucos vamos lá.

12.6.08

Entrevista a João Casal

Continuando o Ciclo Carina, a Horta atreve-se a desrespeitar aí umas 30 leis diferentes de copyright e a reproduzir uma excelente entrevista ao grande homem por detrás da ilustre Metalurgia Casal, o Sr. João Casal. Este artigo foi publicado originalmente na Motojornal nº1025, da última semana de Julho de 2007.

Nele somos levados numa viagem que percorre toda a história da empresa, desde o seu início até ao seu triste fim, passando por todos os problemas e desafios, pela Carina e pelo automóvel Casal, pela competição na Huvo e pela história do fundador. É a imagem vívida duma empresa magnífica e do seu visionário criador. Podem ver as várias páginas em tamanho grande aqui, aqui, aqui e aqui (cliquem em "original" para aumentar ainda mais).

[Edit: os links do Flickr estão mortos]




  

11.6.08

1 cavalo de potência

Quem me dera ter sido uma mosca na Taboeira, há algumas décadas atrás! Poderia ter assistido às reuniões dos engenheiros da Casal, e à tomada de decisões sobre os novos produtos. "Caros colegas, na semana passada decidimos produzir apenas 7 exemplares dum tricarro horroroso baseado na nossa scooter, a Carina S170. Como poderemos superar esse feito?"

Depois de algumas horas em intenso brain storming, alimentado a café forte e ovos moles de Aveiro, surgiu a resposta: uma bicicleta Casal!
 

Eu nunca tinha visto uma bicicleta Casal até me aparecer esta foto no ecrã, e creio que nunca mais verei. Aparentemente, esta é uma bicicleta Casal C26. O seu desenho imita a icónica Raleigh Chopper, para criança. Tem um punho rotativo Sturmey-Archer e forqueta com pernas duplas, como pontos interessantes.

Vários logotipos e denominações "Casal" estão presentes na traseira do selim, no guarda-corrente, e no quadro. Dificilmente será uma bicicleta da marca X com autocolantes Casal colados por algum puto nos anos 70. O tubo de selim exibe um cavalo empinado vermelho com a designação "C26", que provavelmente representa o modelo. O número de série deste exemplar ronda as sete centenas, indicando uma produção superior a simbólica.

Assim, a nossa boa amiga Metalurgia Casal atirou-nos outra bola curva. Que descobertas nos reserva o futuro? Uma bicicleta Casal C25 com suspensões e atrelado? Talvez uma Casal C27 para dois com motor auxiliar de bomba de rega? A mítica Carina Sport com 100 centímetros cúbicos? A resposta está a caminho, e cruzar-se-á connosco, mais cedo ou mais tarde...

10.6.08

Tricarina!

Desde épocas distantes que a história tem sido passada de geração em geração, sempre coberta por um véu de mistério e incerteza. A lenda do triciclo Carina consumiu as vidas de muitos entusiastas, que dedicaram vidas e fortunas à busca incessante de provas da existência desta máquina mítica.

Durante séculos, a Humanidade interrogou-se sobre este veículo de trabalho de três rodas baseado na scooter Carina. Verdadeiro? Falso? Apenas um protótipo ou alguma alteração caseira? Fabricado em número simbólico? Ou meras miragens criadas por uma mente desejosa de acreditar? Independentemente da resposta, uma única fotografia alimentava a esperança dos crentes, a desta adaptação realizada por um mecânico do Porto:


Muito recentemente, as chamas da fé no triciclo Carina foram bruscamente avivadas com uma brisa fresca e ríspida que veio da direcção do OLX, na forma dum avistamento desfocado e pouco nítido. Tal e qual a Memorial Day footage para os investigadores do Yeti, esta colecção de pixels borrados tornou-se na melhor prova da existência do triciclo Carina. O guarda-lamas invulgar, a forqueta Earles, as jantes esquisitas, todos eles pareciam gritar "agricultor-bodge!". Não obstante, o logotipo "Casal" losangular (20% de probabilidades de ser uma palavra verdadeira) escarrapachado na lateral da caixa de carga mantinha a esperança de milhões espalhados pelo planeta inteiro.


Há poucas horas atrás, uma onda de excitação colectiva varreu os círculos especializados quando surgiu a muito esperada confirmação, clara e inequívoca, da existência do triciclo Carina. Os atordoados cientistas debatem-se sobre o nome correcto a dar a este extraordinário espécime. Triciclo Carina? Tricarro Carina? TriCar-ina? Tricarina? Mal esteja terminada essa tarefa, décadas de apurado esforço de investigação terão que ser despendidas em todos os pormenores e características invulgares que se manifestam à proa e à popa do avental típico da S170. Darwin tem muito que explicar. Contemplem a Tricarina em todo o seu esplendor!
(Foto de jmls- muito obrigado, Sr. João!)

9.6.08

Publicidade de época da Carina

Hoje inicia-se um ciclo dedicado à Casal e à Carina que durará a semana toda, incluindo o feriado! Que pinta, hein? Um Ciclo Carina... É estilo um Ciclo Hemingway, ou um Ciclo Ingmar Bergman, ou um Ciclo Matisse... 'Ca luxo... A Horta, sempre a elevar a ciber-jaguncice scoterista a níveis culturais pateticamente baixos!

A bola é posta em movimento sem demora com este delicioso e raríssimo folheto publicitário da época, que incide sobre a recém-lançada Carina S170. Como sempre, podem clicar na foto e no ícone "all sizes" para verem um tamanho maior. Se eu não fosse tão preguiçoso, poderia analisar as especificações indicadas e salientar as variações existentes nestes primeiros exemplares. E fazer troça dos cortes de cabelo.






(Crédito: Hugo 'padeiropt')

8.6.08

Vespa World Days em Fátima

"Vasco Alves representante do Vespa World Days em Portugal, levou á [sic] mesa uma proposta proveniente da direcção Vespa Clube de Fátima para 2010, da qual após quatro horas de reunião foi votada e aprovada por unanimidade. Assim sendo, em 2010 a localidade de Fátima irá converter-se num quartel-general para receber o maior festival do mundo reservado aos proprietários de Vespas, sejam elas antigas ou modernas." - do site vespinga.com

Não há muito mais a acrescentar. Esperemos que a motivação seja pura e que a execução seja competente. Desejo aos responsáveis as melhores felicidades no cumprimento de tão hercúlea tarefa, e vemo-nos lá daqui a 2 anos, se tudo correr bem.



P.S.: Alguém me sabe explicar a diferença entre Vespa World Days e World Vespa Week ???

7.6.08

Medidor de compressão DIY

Quase tudo o que podemos comprar, também podemos construir, geralmente de maneira muito mais económica e divertida. O PE do blógue Vespa & Companhia prova-nos isso com o seu medidor de compressão DIY.



Inspirado pelo meu medidor de compressão e por este link fornecido aqui pelo Coriscada (Mr. Aveiro Sexy 1992), vai daí o jovem bota mãos ao trabalho e faz o seu próprio medidor. Ah valente! (lembrem-se só que os valores a quente e a frio são diferentes, e que se deve abrir o acelerador todo ao fazer a medição)

6.6.08

Manutenção adiada II

A seguir, troquei o sem-fim. De novo.

À vinda da Vespaniada, o sem-fim morreu ao fim duns 18 meses de bom serviço, e eu lá o troquei antes de ir à Automobilia. Depois de apenas 50 kms, esse sem-fim substituto deu o peido- acho que a culpa foi minha por ter rodado a roda sem a peça cilíndrica no topo do sem-fim que o segura em alinhamento.

Lá gastei mais 1 euro e 80, e instalei um substituto do substituto, desta vez apenas com óleo grosso. Já tive montes de stresses com sem-fins e bichas, e é por isso que adiciono sempre um "mas tem quase mais 10.000 kms em cima" quando a conversa recai sobre a quilometragem indicada da PX. De qualquer maneira, parece estar tudo a funcionar. A agulha do velocímetro oscila um pouco mas não treme- creio serem boas notícias.


Podem ver, da esquerda para a direita, o sem-fim que durou 18 meses, o que durou 50 kms, e o que lá está agora. O cinzento da direita é uma variação que me dizem também ser usado em certas PXizéres. Tem os mesmos 12 dentes, mas é ligeiramente mais largo. Não encaixou na minha scoota.

A seguir tirei a tampa do guiador (estava mal encaixada desde a Vespaniada) e aproveitei para pôr os meus máximos a funcionar. Tenho uma lâmpada XPTO e, não sei porquê, os contactos ao "rabo" da lâmpada deixam de passar corrente, mesmo que estejam encostados. Tenho que os raspar e limpar, mas mesmo assim o problema volta. Lá consegui pôr os máximos a funcionar, mas os médios desapareceram durante a operação. O fio castanho pura e simplesmente deixou de ter corrente...

Chegou a altura de confessar e partilhar um problema crónico, até hoje secreto, que a minha PX possui. As luzes passam-se. Vou a andar, geralmente à noite numa estrada sem qualquer iluminação e a 200 kms de casa, e a luz dianteira "morre". Fico só com os mínimos. No entanto, descobri que se der um toquezinho no travão (frente ou trás, tanto faz) os médios regressam. Ao largar o travão, os médios podem "morrer" de novo, não "fixando". O truque é dar repetidos toques no travão até aos médios voltarem e ficarem ligados de vez. Desligar e ligar as luzes no comutador geral também funciona ocasionalmente. Instalação eléctrica marada?

Imaginem uma Vespa, numa estrada solitária e deserta, a meio da noite. O farol perde intensidade. A luz de travão acende e o farol reganha a intensidade. O stop desliga-se e o farol morre de novo. As luzes desligam-se todas e renascem passado um segundo. De novo, o farol perde intensidade. O ciclo repete-se umas cinco ou seis vezes. Tenho a certeza absoluta de já ter entretido vários surpreendidos motoristas com a minha imitação nocturna rolante de árvore de Natal.

5.6.08

Manutenção adiada

Antes de ir aos Chaços, achei por bem realizar alguma manutenção há já muito tempo adiada. Como o meu cabo de embraiagem também tinha partido, acompanhando os dois cabos de mudanças que também falharam no espaço de 2 ou 3 semanas, senti que a PX me estava a dizer que precisava de alguma atenção. Para começar, troquei o pneu traseiro.


Eu não sou um grande fã da manutenção preventiva. Eu ando até dar problemas, depois faço mais 5.000 kms, e só depois é que mexo. Mas isso não é desculpa para andar com um pneu tão careca quanto o meu! "Façam o que eu digo, não o que eu faço". Portantos lá saiu o VeeRubber clone do S83 e lá entrou um Sava que estava guardado para a minha Sprint. É triste que o restauro da Sprint esteja tão parado que já começo a usar as peças para outras coisas...

4.6.08

Chaços no Marão

Domingo foi um dia de 300 quilómetros. A pacata Vila de Fontes foi invadida por um exército de chaços, e pelos pilotos respectivos com elevado nível médio de jaguncice. Eu estive lá para registar o facto.

Os motores castigados ecoaram pela serra num rugido colectivo de dor, adicionando uma agreste dimensão sonora ao espectáculo surreal. Pelas apertadas e serpenteantes ruelas da vila lançaram-se os pilotos, novos e velhos, profissionais e inconscientes, impressionantemente rápidos e dolorosamente lentos, lutando contra a morte e contra o tédio numa arena de velocidade revestida a paralelo irregular.


À primeira vista poderia parecer que eu teria sido o patrocinador principal dum dos chaços presentes, mas não. Se a estibordo os dizeres "Bob" estavam pintados em laranja néon sobre fundo branco, a bombordo encontraríamos os dizeres "Marley" em branco sobre fundo laranja néon. Este chaço em particular merecia a designação, estando num estado original atacado apenas pela garrida decoração efectuada com tinta de casa, e pela ausência de vários acessórios supérfluos que, mais que retirados propositadamente, devem ter caído de maduros. O velocímetro esventrado era o receptáculo ideal para armazenar o maço de tabaco.


Famel, Zundapp, Casal, Sis-Sachs, V5 Lotus, todos os grandes estavam presentes. Até algumas Japonesas e aceleras lá andavam. Uma Honda Vision 50 era pilotada por uma senhora. Um triciclo com pneus de moto-ceifeira, sofá e máquina de costura também participou, tendo conseguido realizar algumas voltas à pista sempre com um número variável de passageiros. Do ponto de vista do scooterismo clássico, a máquina mais interessante era o Vespino GL número 3 pilotado alegremente pelo Vasco e pelo Machado, que faziam bom uso dos pedais nas secções íngremes. As más línguas poderão dizer que ganhavam um cavalo de potência, eheh.



Eu ainda consegui ver um puto numa Famel acertar numa pilha de 4 pneus mesmo em cheio, o que me fez ganhar o dia (ele não se magoou). O espectáculo foi interessante da mesma maneira que uma trip de LSD durante um terramoto é interessante. Pelo menos deu para curtir as estradinhas do Marão (soberbas!!!) e treinar a fotografia de acção que bem precisa. A coisa deve correr um bocadinho melhor para a próxima agora que descobri como se dá mais pujança no flash. Olha as fotos aqui.

3.6.08

A fronha da Vespa S

A Vespa S já anda por aí a fazer sombra no chão de qualquer stander que se preze. Eu até nem desgosto do raio da bicha- e isto é um elogio enorme vindo de alguém tão pouco receptivo ao look automático como eu- mas aquele painel de instrumentos é revoltante. Existe algo de fundamentalmente errado com o conceito de plástico cromado!

Revisitando uma das minhas cansadas e pouco sofisticadas metáforas, é como um fumegante poio de vaca no meio dum extenso e senhorial relvado, tratado profissionalmente. Fica aqui o registo visual do meu desagrado em relação ao dito painel de instrumentos.

31.5.08

Como é que se diz "embrulhe-me dois" em Indiano?

Os colegas do 2strokebuzz chamam a atenção para este link onde se podem ver duas páginas de fotos da fábrica da LML. Dêem uma vista de olhos porque são o futuro, e porque daqui a 20 anos vamos estar todos a restaurá-las.

"The only proper scooter factory left on earth", e a produzir motores de quatro tempos, que vão salvar o dia quando os dois-tempos finalmente não conseguirem acompanhar a legislação.

30.5.08

Tugabodge @ Automobilia

Esta Vespa 50s, restaurada profissionalmente por um stander especializado com oficina e autocolantes e tudo, estava à venda na Automobilia. Notam algo de errado?

A forqueta está toda empenada para trás! Eu, que não sou especialista nem profissional, nem sequer completei um único restauro de Vespa e uso óculos, consigo notar que a forqueta está toda torta ao longe. E os senhores especializados que cobram bom dinheiro por este serviço não conseguem??!! Basta querer ver, é o que eu digo. É claro que esta Vespa rapidamente levou com um papelinho a dizer 'vendida', pois o Verão aproxima-se e um gajo tem que ir ao café, certo? Desde que tenha cromados e pneus de faixa branca...

Não só a forqueta estava consideravelmente dobrada para trás, mas também estava dobrada ligeiramente para o lado. De novo, o Bóber Pitosga não teve dificuldades em constatar tal facto simplesmente olhando para o veículo de frente, um procedimento altamente técnico só possível de realizar na fábrica em Pontedera. Mesmo que um mecânico experiente não detecte uma forqueta empenada durante o processo de desmontagem, algo inverosímil e assustador, o facto da roda ficar tão recuada dentro do guarda-lamas novo durante a montagem é uma pista flagrante e incontornável de que algo está seriamente errado.

Não visível na foto é a textura da perna da forqueta, repleta de crateras de corrosão que a tinta brilhante não conseguiu esconder, e que revelam uma vida passada bastante agreste. É necessária muita humidade para fazer uma cova de ferrugem num tubo espesso de forqueta!

O que vale é que vai deixar de haver gasolina e todos estes charutos vão ficar parados nas garagens e arrumos, fora de vista.

29.5.08

Avaliação sumativa!

Instalei uma panasquice que vos permite avaliar o interesse e qualidade de cada posta individual. Dêem uma volta a ver se está a funcionar, pf. Lembrem-se, usem o vosso poder para o Bem e não para o Mal.

E também há um panorama xunga do Bunker a embelezar o cabeçalho.

Almoço em Alcobaça

E com muito gosto que enviamos o cartaz do nosso 1º convivio VESPA MARAVILHA ALCOBACA esperamos as vossas comparencias

Não faço ideia quem seja o organizador desta actividade, ou se é algo recomendável. Mas como alguém teve o trabalho de me enviar a informação, o mínimo que posso fazer é retransmiti-la. Há alguns anos atrás, na época áurea dos Vespa Clubes Cogumelos que apareciam em todo o lado, é que se viam montes de folhetos a anunciar o 1º isto e o 1º daquilo. O fenómeno morreu um bocado, entretanto...

É já no dia 8, para quem estiver perto de Alcobaça, for aventureiro, e não acreditar no planeamento atempado. Bom passeio, coleguinhas.

27.5.08

Novo clube

Acabou de nascer um novo clube dedicado à Vespa em Sintra, com um nome deveras confuso. O "Clube Vespas HC Sintra" tem a sigla VHCS, que creio significar Vespa Hóquei Clube de Sintra. É ver aqui.

Então não era muito mais simples e bonito misturar a palavra "Vespa" com a palavra "hóquei"? Ficava algo do género "Vespoqueiros de Sintra". Se ainda não mandaram fazer os coletes, vão a tempo de mudar. Eu até cedo os direitos de autor e tudo! Têm é que me convidar para as provas de Hóquei-Vespa, ok?

Boa sorte, coleguinhas.

26.5.08

Fim de semana em cheio

Os Espanhóis partiram a louça toda no Festival Eurovisão, a sonda Phoenix realizou uma aterragem perfeita em Marte, e a Automobilia esteve apinhada de pessoas e sucata deliciosa.

Em relação a esta última, acho que não há muito a relatar. Andava por lá apenas um vietbodge, uma Super horrorosa; Tanto a OriginalVespa como a Vespa Garage apresentavam as novas LML; alguns charutos mais ou menos restaurados, e poucas Carinas; e todos os preços normalmente altos.

Todos? Não! Uma pequena aldeia de Gauleses... Espera lá, não é isto. Bem, a verdade é que o Jornal de Notícias relata "uma Vespa UNB de 125 cc, de 1960 [a] (12500 euros)", que eu não vi. Se tal for verdade, e todos nós sabemos que o JN nunca se engana, esta é a Vespa "normal" mais cara de sempre, batendo a Sprint (?) com side-car de 10.000 euros, e igualando a PX dos falsos 12.000 euros que não conta.

Mas a grande questão é: o que raio é uma Vespa UNB? É que se tiver alguma coisa a ver com a United News of Bangladesh, cheira-me a Vietbodge... E todos nós sabemos que o preço justo para um 'bodge é 3.500 euros. Certo?

22.5.08

Pinasco 178, ti amo

Nunca fui gajo de kitanços. Deus criou os motores 200 de propósito para os que querem andar depressa, logo não há grande necessidade de andar a ajavardar uma Vespa de fábrica. No entanto, quando levei o GPS à Regularidade, fiquei extremamente frustrado com as minhas velocidades na AE. Eu já sabia que o velocímetro marcava 10 a mais, mas os números nús e crús atiraram-me para uma realidade clara e deprimente: velocidade máxima de 89 nas descidas, e 70 à hora (ou menos, glup) nas subidas inclinadas? Inaceitável.

Há anos que tenho ouvido falar bem do Pinasco 175 (ou 177, ou 180 como lhe chama o fabricante). Ultra-fiável, boa força, construção de qualidade, consumos iguais ou inferiores aos de origem, pode ser montado com modificações mínimas, tudo coisas que foram sendo registadas e que se infiltraram inisidiosamente na minha psique. Gota a gota o copo foi enchendo e acho que lá para o Verão vai transbordar (era para ser no Natal, mas verificou-se uma derrapagem de calendário). Venha a mim o meu Pinasco, que eu passo montes de tempo nas AEs.



Falta só responder a uma questão. Qual a cilindrada correcta? A marca diz 180, mas toda a gente se refere ao bicho como o Pinasco 175, ou o 177. Para calcular o volume de um cilindro temos V= pi.r^2.h. Sabemos que o pistão tem um diâmetro de 63 milímetros, e que a cambota da PX125 tem os tradicionais 57 milímetros de curso. Substituindo e fazendo as contas, obtemos um valor de 177.68 cm^3. Arredondando para a unidade mais próxima, surge uma nova designação para este kit, a designação oficial Horta: Pinasco 178.

21.5.08

Venham a mim os chaços

A Horta vai à corrida dos Chaços! É já no primeiro dia de Junho, em Vila de Fontes ao pé de Santa Marta de Penaguião- sim, tive que ir ver ao mapa. Segundo o PR que eu recebi via CapsLockMail... :
FALTAM POUCOS DIAS, (1 JUNHO) - PARA QUE AS 'MELGAS' DOS OUTROS TEMPOS RODEM NAS RUELAS DA SIMPÁTICA VILA DE FONTES NO CONSELHO DE SANTA MARTA DE PENAGUIÃO.
SERÃO 3 HORAS SEM PARAR ONDE AS VELHAS GLÓRIAS DA INDUSTRIA PORTUGUESA MOTOCICLISTICA, (ZUNDAPP, CASAL, MACAL, FUNDADOR, SIS SACHS ETC ETC...) VÃO FUMEGAR DEIXANDO NO AR AQUELE CHEIRINHO DE OLEO DOS VELHOS TEMPOS...
A FESTA VAI SER GRANDE, COMEÇANDO LOGO NO SÁBADO COM O CRUZEIRUSBAR APRESENTARMOS O MENU CHAÇOS /'FRANCISINHA+BEBIDA+CAFÉ' JUNTAMENTE COM BAILE DOS CHAÇOS E KARAOK... VAI SER FORTE!!!
NO DOMINGO DEPOIS DAS CORRIDAS NÃO PODIA FALTAR UM GRANDE ESPECTÁCULO COM A ACTUAÇÃO DE GEORGES CANÁRIO (MUSIC) ACOMPANHADOS COM UM BELO PORCO NO ESPETO E ONDE NÃO PODIA FALTAR O FAMOSO VINHO DOS FAMOSOS VINHATEIROS DA REGIÃO... E QUE REGIÃO!!!
E MAIS SUPRESAS ASSIM VIRÃO...
POR ISSO O ESPECTÁCULO ESTA GARANTIDO, E PARA QUE ELE SEJA INDA MAIOR APAREÇA E CONVIVI... A VIDA É SÓ DOIS DIAS!!!
CONTO CONVOSCO...
ATENÇÃO: TODA A RECEITA CONVERTE PARA A COMISSÃO DE FESTAS DO VISO 2008.
COMPRIMENTOS
"Comprimentos" para ti também, colega. Não sou grande entusiasta das motorizadas nacionais, mas uma corrida é uma corrida. E com vinho e porco no espeto, então nem se fala. E o concerto de Georges Canário?! Ui, TOU LÁ, CARAGO! E vocês? Por apenas 15 euros é uma oportunidade fantástica para ficarem em tracção durante 3 meses. Toca a "pedir emprestado à meia noite" o chaço do velhote ao fundo da rua, atestá-lo de 98 octanas e bolas de naftalina, e ir açapar para Vila de Fontes. Gááááááááááááás!


19.5.08

As velas limpar?

Eu não limpo velas. Ando até elas apodrecerem e ponho uma nova. Às vezes nem isso. [som de flashback e desfocagem às linhas onduladas verticais]

Quando eu trabalhava na Maia há alguns anos atrás, a PX fazia 300.000 kms por ano. A manutenção era mais rara que uma gravata na concentração de Faro, e o balon do motor passava meses sem sair do sítio. Uma vez, ao entrar na Via Norte, o motor decide morrer, algo completamente inusitado e inesperado. Com uma naturalidade alarmante, calculei instantaneamente que devia ser a vela a desistir, depois duns 10.000kms sem atenção. E eu estava correcto. A folga entre os pólos era suficiente para lá montar umas prateleiras, a quantidade de carvão acumulado poderia suprir as necessidades energéticas da indústria metalúrgica Alemã durante 18 meses, e o desgaste do eléctrodo superior faria o Titanic parecer saído do stander. Vela nova, siga a Marinha, mais 10.000kms sem tirar o balon.

[som de flashback e desfocagem às linhas onduladas verticais de novo, regresso ao tempo presente] Eu peco muito por falta de manutenção. Mesmo que o oposto fosse verdade, uma coisa que nunca me apanhariam a fazer é limpar velas. Se o vosso motor estiver a funcionar bem, a vela tem obrigação de chegar ao fim do seu ciclo de 5.000kms sem problemas. Nem é preciso olhar para ela. Rio-me interiormente sempre que alguém fala em limpeza com gasolina e escova de dentes, ou queimar a ponta com um isqueiro. Isso é tanta treta! A minha avózinha tinha histórias melhores acerca de como comer fígado frito a fazer o pino durante a Lua Nova curava a micose.

Só há uma maneira de limpar uma vela, e essa maneira é abrasiva. O metal dos pólos tem que ser "decapado" para ficar limpo e reluzente. Onde é que a gasolina dissolve aquelas incrustações de carvão? Please. Boa sorte com o paninho e a escova de dentes. E em segundo lugar, as arestas dos pólos têm que estar afiadas. A electricidade adora arestas e vértices afiados para poder saltar, realizando o arco eléctrico necessário para iniciar o processo de combustão. Arestas arredondadas são "major turn off" para os electrões. É este o principal problema duma vela usada, sabiam? Arestas arredondadas.

Por isso, as velas não se limpam. Se sentem essa necessidade, é porque o vosso motor é panasca, e o carburador tem tendências "bi". Mas se forem tolerantes e americanos, sempre podem sacar do Visa e adquirir um limpador pneumático abrasivo destes ou destes. Aposto que não conheciam... Mas não se livram de serem gozados por mim, do alto da minha superioridade moral proveniente de recordes absolutamente graníticos de fiabilidade da PX, conquistados à força de maus tratos e milhentos quilómetros de abuso selvagem. Cambada de limpadores de velas.


(via Toolmonger)

16.5.08

Vai5

Tive o prazer de descobrir o blog Vai5 que, desde Março, nos presenteia com um fluxo constante de "fotos de motorizadas marafadas" e respectivos comentários.

Não estamos a falar dum blog pretensioso, com longos textos arrogantes e fotos todas pipis como este, não senhor. É uma página à homem, com a barba por fazer e cheiro a sovaco. Os comentários chegam a roçar o asiático com a sua acutilante filosofia proletária e simplicidade melodiosa de haiku. As fotos são agrestes e ásperas, autênticos disparos em movimento apoiados na anca. Imagens da estrada, sem estratagemas, sem adornos, sem falsidades. Bob gostar.



15.5.08

Vespaniada - da text... not!

Acho que não vai haver texto da Vespaniada. Sou preguiçoso como o raio, e além disso escrever postas longas parece-se demasiado com trabalho. Querem saber como foi, fizessem os 1500 quilómetros.

Mas sempre posso relatar que os Magníficos Sete que vieram por Trás-os-Montes a curtir a N206 e a gastronomia local deram um saltinho à Patocycles para se abastecerem de fornecimentos velocipédicos, e cumprimentar o Pato, Vespista recém-inaugurado. O jovem ficou tão sensibilizado que enviou prontamente posta para o seu blógue, foto incluída. Chéquem!

14.5.08

Vespaniada - da pics

As fotos já estão online no meu Flickr, ide lá. A ver se amanhã desenrasco aí um textozito para a malta. Entretanto fica aqui um clip da viagem de volta, com dois jabardolas a tentarem andar lado a lado, mexendo nos comandos do outro gajo.



7.5.08

Vespaniada

A Horta vai à Vespaniada! É já amanhã que me ponho na alheta. Acabei de trocar a vela e o óleo- meu, já se passaram 5.000 quilómetros!? Ainda não me recuperei do trauma que foi a mudança de óleo antes da Regularidade, mas isso é história para depois.

Deverá ser de arromba, a julgar pelos relatos no VespaGang. Acho que até vou de bigodinho, para meter nojo ao Little Tubbie Boy. E muitos de vocês estão feitos ao bife, por o encorajarem. As fotos do Ibero serão inspeccionadas atentamente e castigos apropriados serão dispensados.


6.5.08

A boa acção do dia

Boa em intenção, mas algo medíocre em execução. Quando parti um cabo de mudanças há pouco tempo atrás, pensei para mim mesmo: "Raios, ainda não comprei um cabo de acelerador para completar o kit de sobrevivência; se continuar assim vai dar molho". E deu.

Regressando a casa depois de um duro dia a tentar dominar o mundo, virei para o rio para ver a paisagem e descontrair um pouco. Parada na berma, meia desmontada, estava uma PX visivelmente avariada com um colega a pairar por cima dela tentando realizar algum tipo de reparação. Como um celestial anjo de guarda- ou abutre necrófago, vocês decidem- dei meia volta e ofereci a minha assistência mecânica. O jovem aceitou de bom grado, e foi com assustadora naturalidade que permitiu que um desconhecido total se aproximasse do seu veículo com uma chave de fendas e um alicate. Na terra dos cegos, e tudo isso.

O resto é bastante linear. Cabo de acelerador putrefacto com fracturas múltiplas. Kit do Bob tem muitos cabos mas não o de acelerador. Cabo de mudanças é muito grosso e não permite retorno. Falha miserável em recolocar aquela Vespa na estrada em condições. Lá se engendrou um cabo solto para o jovem puxar com a mão, e creio que ele deve ter conseguido realizar duas ou três curvas antes de sofrer algum acidente com maior gravidade. Desculpa lá, colega. Amanhã de manhã, não falha. São dois cabos de acelerador, fáxabor. Ah, e abraçadeiras.

5.5.08

Fui visitar a minha tia a Marrocos

Já voltei de Marrocos! Que raio de sítio mais confuso: como é possível misturar o deslumbrante e o miserável de maneira tão intensa? Ainda por cima não têm scooters, andam todos em Mobiletes putrefactas à noite, sem luzes, e com roupas da cor do asfalto. Algo que é perfeitamente legal, desde que não se ultrapassem os 20 quilómetros por hora (!!!!). Algo semelhante a uma Vespa PK foi o ponto alto da viagem. No plano rodoviário também se salientaram o camião com os 3 burros no segundo andar, o méne que subiu ao tejadilho em andamento para amarrar o tubo, as interpretações criativas das regras básicas de prioridade, e todas as ultrapassagens suicidas de quem não pode esperar para se reunir ao Criador. Se querem mesmo ver as fotos, é aqui.

Mas voltando ao trabalho de oferecer opiniões de valor humorístico duvidoso sobre assuntos de importância questionável, acabei de receber o programa final do World Vespa Week. Na Sexta-feira terá lugar a seguinte actividade:
  • " Hours 24.00 Sexy show Vespa "
Por favor digam-me que não é um daqueles shows de strip repugnantes com que os motoqueiros deliram todos na concentração de Faro e em todos os restantes ajuntamentos da categoria, e que conseguem, desafiando tudo o que é inteligente e decente, ocupar uma página dupla na Motojornal com fotos de strippers escanzeladas da Europa do Leste. Não pode ser!

21.4.08

"It's a classified ad, Jim, but not as we know it."

Segurem-se bem. A sério.

Uma PX125E por 12.000 euros.

Doze. Mil. Euros.


Quando eu vi aquele valor no topo do ecrã, fiz o proverbial double-take e esfreguei os olhos como fazem nos desenhos animados, terminando com um sonoro "Aaaaahhhnnnn????!!!!!". Só pode ser um erro, pensei eu. Ou uma piada. Para piada parece ser muito elaborada, com montes de fotos e um número de telemóvel. Erro também é difícil, não me parece que o homem venda aquilo por apenas 1.200 euros. Um email já vai a caminho com um pedido calmo e educado de confirmação de preço.

Rapidamente esquadrinhei o anúncio à procura de algum acessório escondido que inflacionasse o preço, como o diário secreto de Hitler, mas não o encontrei. Aparentemente, há alguém que julga que uma banal PX125 de 1985, com 42.000 kms e 2 registos, por estar pintada de fresco, ter dois banquinhos estofados a condizer e um par de pneus de faixa bege, vale 2.400 contos na moeda antiga. Sinto-me como Michelangelo à frente dum bloco gigantesco de mármore da mais finíssima qualidade, depois de lhe terem dado um real pontapé nos impronunciáveis.


O que é que se passa em Almancil? Isso é no interior do Algarve, não? Há alguma coisa esquisita na água? Há uma tradição da aldeia de se fumar crack ao Domingo ou algo do género? É um raio duma PX! É preciso viver nalguma realidade alternativa bizarra onde Salazar nunca morreu e Portugal foi anexado por uma Espanha devastada por 50 anos de guerra civil para sequer começar a vislumbrar a inflação necessária para colocar uma PX remotamente perto dos 12.000 euros. Estamos a falar dum veículo que custa um décimo disso e, até há pouquíssimo tempo atrás, podia ser adquirido novo por quase um quarto do preço. Meu, o teu estofador roubou-te como nem fazes ideia.

Eu adoro as descrições telegráficas: "vespa restaurada- ofertas$$$$$ para luispires@luispiresdecor.com". Aviso-vos já para não irem ao site sugerido pelo email de contacto. A música de entrada suga-nos a vontade de viver, e os erros ortográficos fazem o resto do trabalho empurrando-nos definitivamente ao suicídio. O dono parece aceitar ofertas, o que deixa antever a possibilidade do preço elevado ser apenas um ardil tuga para aparecer no topo da lista de ofertas. Espero que sim, temo que não.

Primeiro, ninguém restaura uma PX. As PX pintam-se ou arranjam-se. Se discordam de mim, tenho aqui alguns telemóveis antigos do tipo "tijolo" para vocês restaurarem. Segundo, a cor "branco metalizada" [sic] é gay. Terceiro, este veículo não tem caixa "semi-automática" nem pertence à secção dos "motociclos nacionais". E quarto, o motor completamente pintado de cinzento-andaime é mega-assucatado: foram porcas, pernos, bujão e tampa do selector. Não vale mais de 11.500, chefe.



Quando parei de me debater por exaustão nas areias movediças de sofrimento e dor para as quais fui atirado por este anúncio de venda, procurei por maneiras de fazer passar o tempo que faltava até à chegada da morte inevitável por asfixia, que me iria libertar deste tormento incomportável em brilhante tom de branco-frigorífico. Decidi listar o que é possível adquirir com 12.000 euros:
  • 100 compressores de 50 litros
  • 240 pneus de faixa branca de qualidade
  • 18.461 croissants de chocolate
  • 6 pacotes de viagem às Caraíbas com 7 noites, tudo incluído
  • um carro novo
  • uma Honda Hornet, uma Yamaha Banshee, e um empilhador de 2,5 toneladas usados
  • 8.500 litros de gasolina. Não, 8.400. Alto, 8.300. Hannn, 8.200? 8.100!
  • três Sprint Veloces restauradas com pneu de faixa branca e estofo a condizer, com apenas 600kms depois do restauro, e suspensão açapada
  • meia dúzia de Vietbodges fresquinhos do contentor, para vender à malta agora no Verão
  • 120 fins de semana a curtir à larga de Vespa
  • 1200 rebarbadoras baratas
  • 600 rebarbadoras melhorzitas
  • um trespasse de talho e charcutaria
  • um Bobcat de pá carregadora com 8000 horas, e ainda sobram trocos para o reboque
  • 30 Vespas 50s meio podres sem documentos
  • um Jaguar Daimler 4.0 com 230 cavalos, full extras, estado de concurso
  • um website decente em que o webdesigner gaste 15 segundos a googlar a ortografia correcta de "upholsterer"
  • 2 blogs de 6000 euros. ;-)
O que é que vocês podem comprar com 12.000 euros? Apitem nos comentários.

Eu odeio esta pessoa. Mesmo que o valor final se venha a revelar nada mais que uma estratégia de marketing parva, o homem estragou tudo. Da próxima vez que aparecer uma Sprint de 5000 euros genuína, com os sinoblocos tortos, o farolim errado e o escape ferrugento, já não vai ter piada nenhuma descascar na "dois banquinhos": Ah e tal o homem quer 5000 euros por uma Sprint axanatada, isso até é caro- MAS não se compara à PX de 12.000 euros. Nunca nada se comparará à PX de 12.000 euros. Está tudo estragado. Obrigadinho, Sr. Pires.

19.4.08

Edifício para - hhggggg!!- motociclistas

O Filipe enviou-me este link. (Porque é que eu não recebo mais colaborações? Uns links, umas fotos, umas notícias... Custa muito? Cambada de preguiçosos que nem deixam comentários. Tenho que ser eu a fazer o trabalho todo?! Mas isto é um público ou uma pintura a óleo?... Hhhhhrrr...)


Eu sempre sonhei viver numa casa tipo americana, com uma porta que desse acesso directo à garagem a partir do corredor. Pois os Japonenses (quem haveria de ser?) levaram esse conceito ao extremo e criaram um bloco de apartamentos para motociclistas, onde se pode pilotar a máquina desde a rua até dentro de casa! Os apartamentos são muito giros, lembrando uma estação espacial futurista- cliquem no link acima para verem as fotos.

Imaginem o prédio todo ocupado por Vespistas da velha guarda... Grandes churrascadas ao Domingo e manchas de óleo por todo o lado... Carago, isso é que era.

18.4.08

A prostituição de Bob

Já não bastava a devassidão, agora também me vendo. Qualquer pedaço de plástico colorido é suficiente para transformar a Horta de farol de rectidão em bordel sórdido. Pois deram-me isto na orgia recente de plástico chinês e, com tal feito, conseguiram uma posta na Horta. Conseguirei eu descer ainda mais?...


A Boxit é uma capa de protecção impermeável para telemóvel, ideal para quem está sempre a apanhar com água, neve, areia, terra e pancadas, e quer ter o telemóvel à mão. É um produto de qualidade, feito em Portugal, e aceita montes de modelos. O telemóvel pode ser utilizado sem dificuldade dentro da caixa, que possui uma membrana Gore áudio que permite a transmissão do som, sem passagem de água.

Existem vários acessórios, como o suporte de cinto já incorporado, e o suporte para guiador em separado (na foto). O Boxit custa 24€90, e o suporte de guiador 7€15. É mais barato que comprar um telemóvel novo! E flutua e tudo. Encontram-se vários produtos semelhantes no mercado, mas geralmente são imitações rascas. Por exemplo, basta deixar essas capas ao Sol para ficarem cheias de condensação. Segundo me disseram, tal não acontece no Boxit. Visitem o site aqui.

17.4.08

A devassidão de Bob

Aparentemente, escrever artigos para revistas com a expressão "convívio entre os participantes" repetida cinco vezes por parágrafo tem alguns benefícios. Recebi ontem um SMS que dizia algo do estilo "Vamos à Maia tirar fotos a umas scooters, queres vir?". A minha resposta: "Sim, mas é Gaia, e não Maia". Lisboetas... [encolher de ombros]

Chegado ao stander, a minha PX suja destoava no meio de todo o plástico chinês reluzente como... bem, como... uma scooter italiana com mudanças no meio dum stander de aceleras, quads e motas chinesas. A sessão de fotos decorreu mesmo ali na rua, e tanto a vasta gama de máquinas fotografadas como a actividade subjacente não eram totalmente desprovidas de interesse.


"Ok, agora fotos em andamento. Tu aí, anda cá!". Alguém me pôs nas mãos um casaco Bering, umas luvas Alpinestars e um penico CMS. O casaco estava muito curto, mas ninguém pareceu notar. "Pega naquela scooter, vai até ao cimo da rua e desce." - "O quê, esta scooter???!!!"


A minha "companheira", idêntica à da foto mas em cor de champanhe, era duma marca Ching Chong chinesa genérica. Um autocolante grande no guiador com avisos importantes estava escrito em Indonésio, ou alguma outra língua incompreensível. Não tinha mudanças. Não tinha mudanças!!! Depois de 34 anos de pureza e castidade totais, eu montei em cima da minha Ching Chong 150 a 4 tempos, torci o acelerador, e fiz-me à estrada sem nenhuma acção por parte da mão esquerda. Estava alegre e entusiasmado por estar a experimentar algo diferente, mas ao mesmo tempo sentia-me sujo por trair as minhas crenças, com um tipo de sujidade que não sai nem com duas horas de desinfectante hospitalar e uma grande pedra-pomes.

Subi um pouco, e desci até ao fim da rua. Subitamente, o motor parou sozinho e todos os botões deixaram de funcionar. A minha scooter morreu no meio do cruzamento, mesmo em frente ao café. Depois de alguns segundos a experimentar os botões pouco familiares, decidi empurrá-la rua acima, vestindo um blusão Bering resplandecente mas apertado, e umas luvas Alpinestars a condizer com protecções de carbono. Eu mereci...

Enquanto a Ching Chong 150 estava a levar um fusível novo, deram-me para as mãos (ou será "para o rabo"?) uma motorizada tipo Honda CG125 mas do mesmo fabricante oriental, porque "combina com o teu casaco". Boa! O karma acabou de me castigar há dois minutos atrás por andar numa acelera, e agora vou pegar numa coisa com mudanças de pé e rodas grandes! Suspiro... Realizei um esforço hercúleo para me lembrar das minhas aulas de condução, que ocuparam uns 90 minutos da minha vida há uma década atrás, e recordar-me que a primeira era para baixo. Arranquei com pouca elegância e, após alguns pregos, ganhei o mínimo de confiança para sair da rua... E perder-me nos dormitórios de Gaia! Enquanto me aproximava perigosamente perto do centro de Gaia, preso numa rede inexorável de sentidos obrigatórios e proibidos, dois pensamentos assaltaram-me: "Acho que esta mota não tem matrícula!" e "Acho que esta mota só tem um fundinho de gasolina!"- o karma de novo mostrava o seu desagrado pelas minhas escolhas erradas.

Logo regressei à base, onde constatei que afinal sempre tinha gasolina e matrícula. Servi de modelo para mais umas fotos dum acessório interessante, e regressei à minha velha amiga cor de champanhe, que "morreu" de novo mal me sentei em cima dela. Hhhhmmmmm... Talvez tenha sido melhor assim, pois o fluido de travões a escorrer pelo guiador abaixo não inspirava confiança. Depois do almoço fomos para Valongo experimentar as moto-4 e os ATVs, mas eu fiquei só a tirar fotos. Dois veículos do demo são suficientes para um dia. Três seria mesmo abusar.


16.4.08

GuetoPimped!

O protótipo foi avaliado, as correcções foram feitas, e o kit de faces transparentes Sprint número de série H00002 foi fabricado (tenho que lhe arranjar um nome, sugestões?). Ó p'ra ele a apanhar Sol como um descarado, pronto para ser montado em certo e determinado projecto ali p'rós lados de Águas Santas!

Permitam-me salientar o facto que este é o único kit de faces transparentes para velocímetros Vespa tipo Sprint no Universo inteiro, de que eu tenha conhecimento. O SpeedoKing tem algumas faces transparentes, mas só as tipo PX, que são lisas e "fáceis" de fazer. A face de cima da Sprint é curva. Not so freakin' easy, Yankees!

A SIP não tem, a Scooter Center Koln não tem, a Rollerladen não tem, o MRB Developments não tem, o Mauro Pascoli não tem, o Bob tem. In your face! Quem quiser um destes é bom que conheça o vizinho do cunhado do meu primo, que tenha uma irmã giraça e uma GS para dar à troca.