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7.4.09

Apes em Valongo

Quando pensamos em Apes vêm-nos à mente (à minha, pelo menos) imagens de máquinas muito antigas encalhadas em museus ou colecções, ou então de um velho e coçado Ape 50 ainda a serviço de algum agricultor idoso. Não existe uma terceira situação. Ou existe?

O Município de Valongo tem uma frota de Apes que anda na rua a fazer aquelas manutencões que as Câmaras Municipais têm que fazer. Já tinha visto um Ape 50 vulgar com as cores da dita entidade municipal mas fiquei surpreendido quando apanhei estas duas máquinas pertencentes à mesma frota. Não só são dos "grandes" com "volante", mas também aparentam estar novos e acabados de entrar ao serviço.

Ambos têm uma antena no tejadilho, será que é para um rádio CB? Um rádio CB teria montes de pinta, aí uns 600% mais que os intercomunicadores do Lidl... Vou manter-me atento a mais avistamentos destes gigantes da estrada e vou telefonar para a Câmara daqui a uns 10 anos a perguntar por leilões de Apes usados. Sweet.


(peço perdão pela mancha esquisita na foto, é o que dá usar máquinas fotográficas dos anos 60)

6.4.09

Segundas oportunidades

Há um monte de anos atrás acompanhei um amigo na sua viagem para ir inspeccionar um Ape antigo que estava à venda numa terriola esquecida. Bom estado geral, pequena avaria de motor, preço redondo. Por lá ficou.

Uma década depois acompanhei o mesmo amigo na mesma viagem com propósito idêntico. Ao longo dos anos o pequeno Ape continuou avariado, mudou de mãos, degradou-se, foi parar à sucata e foi resgatado duma morte inglória. Continua a dormir ao relento, à venda por pouco dinheiro, tentando corajosamente manter um pouco da sua dignidade de tempos passados.

Tanto o Ape como o meu amigo tiveram a sua segunda oportunidade. Provavelmente desperdiçada.



3.4.09

Com câmaras Antero à vontade eu acelero

Descobri recentemente (até que enfim aleluia!) a causa duma sucessão de furos deveras desconcertante que teve lugar durante o início do ano. Acho que furei mais nos últimos 6 meses que nos 6 anos antecedentes! O meu pneu Sava B14 sofria de algum tipo de herpes gangrenoso num dos flancos interiores que eventualmente furava as câmaras. Este pneu semi-novo, graças a este defeito de fabrico invulgar, foi assim relegado para funções meramente artísticas.

Eu ia ilustrar esta posta com aquela fotografia duma Sprint (?) azul-cueca com um atrelado azul-cueca que estava à venda nos classificados do costume, vocês viram-na? Ia photoshopar uma pilha de câmaras de ar no atrelado e lamentar-me acerca da necessidade de adquirir tal veículo para poder transportar a minha quota semanal de câmaras mas, misericordiosamente, não consegui re-encontrar a dantesca ilustração nas internétes.

Armado com um Sava B14 novo e decidido a colocar todas estas problemáticas pneumáticas à venda no OLX, procedi então à aquisição duma câmara de ar com o mais elevado nível de qualidade que é humanamente possível incorporar numa rodela toroidal de borracha, a câmara Antero.


As câmaras de ar Antero, como indicado na etiqueta dot-matrix-retro-chic, são armazenadas e/ou fabricadas na cave, como fino champanhe, para proporcionarem o máximo de sabor e frescura ao sortudo proprietário, ou seja, eu (parte-se do princípio que a cave das Indústrias Antero não inunda, claro). Assim, equipado com um pneu Eslovénio que está apenas um degrau abaixo do modelo Elegance disponível em gloriosa versão faixa branca, e com uma câmara de ar Antero armazenada e/ou fabricada num espaço fresco e afastado da luz solar directa, estou convencido que não furarei mais.

2.4.09

150... ... ... Sprint.

Julgava eu que a era dos mecânicos cegos a colocarem distintivos com luvas de boxe durante terramotos já tinha acabado... Aparentemente estava enganado, como me acontece amiúde, porque a malta continua a espremer toda a latitude e nuances espaciais possíveis duma tarefa simples como colocar os distintivos certos na posição certa, que é única, exacta e imutável. Ou não. Aparentemente este cavalheiro aproveitou (alguma da?) a furação já existente o que pode ter parecido uma boa ideia na altura mas que, digamo-lo com frontalidade, gerou resultados desastrosos.



1.4.09

Número redondo

Há alguns meses atrás surgiu no OLX um anúncio tão aterrorizante que eu saltei o protocolo habitual de postagem na Horta e apanhei imediatamente uma monumental bebedeira destinada a matar todos os neurónios relacionados com tão terrível memória. E funcionou.

Para meu desarranjo estomacal o dito anúncio regressou em força, como um zombie putrefacto que reaparece na sequela para aterrorizar um acampamento remoto à beira dum lago idílico povoado por adolescentes loiras em fato de banho, depois de ter sido aparentemente triturado no fim do primeiro filme pelas hélices duma lancha rápida pilotada por adolescentes loiras em fato de banho. Relutantemente agradeço ao Richards o "favor" de me enviar o link para o anúncio original, que me pôs a gritar como uma adolescente loira em fato de banho num filme de zombies.



O novo anúncio decide não mencionar o preço (o meu almoço agradece) o que poderá ser uma tentativa de compensar uma hipotética má reacção causada pelo belo número redondo de 10.000 mocas. A julgar pela tendência corrente do mercado que dita saldos de 30%, o valor real deve rondar os 7.000 euros o que já inclui o IRS (Imposto de Roubo do Stander).

Um esforço sobre-humano da minha parte para não me debruçar sobre os critérios de restauro ou de bom gosto utilizados foi, surpreendentemente, bem sucedido. Eu deveria ter pesquisado para me certificar que a VNL "gt 125" não tem guiador de Sprint mas não consegui: a combinação azul-cueca/ faixa branca/ jante cromada roubou-me a vontade de viver. O raio da Vespa parece uma scooter dos desenhos animados.

"Bart, se tivéssemos 10.000 dólares seríamos milionários." - Homer Simpson



27.3.09

Vai um recorde?

6.000 euros por uma Sprint?!!! É verdade que tem documentos, o que é um extra bastante raro, e também é verdade que está completamente restaurada em comparação com o restauro normal que se fica pelos 40% de completamento, mas... 6.000 euros? Consigo comprar meia PX com 6.000 euros!



Mesmo assim este "classico" [sic] é uma pechincha quando comparado com a Sprint de 8.500 euros. Podemos poupar 2.500 euros que, convenhamos, é uma bela maquia que poderá ser canalizada para a aquisição de algo que valha 2.500 euros: uma PK torta, uns documentos de Rally, um cabeçote de BBB ou algo valioso do género.

Às tantas, como também é de Setúbal, é possível que se trate da mesma máquina (a não ser que haja algo esquisito na água de Setúbal). Se for esse o caso a queda do preço atingiu os 30% em 5 meses o que, quando comparado com a Super dos 6.000 euros cujo preço demorou 12 meses a descer 25%, é um autêntico saldo. Pechincha!

26.3.09

Horta @ NexxNet

Apenas uma posta rápida para registar o aparecimento da Horta no site da Nexx, em relação à visita que eu lhes fiz. (se estiverem interessados no X30 está aqui uma apresentação feita por uns americanos)



25.3.09

The sound of barrote

Depois de todas as queixas relativas à banda sonora do vídeo dos treinos cronometrados da última Resistência de Abrantes, eis agora o vídeo dos treinos livres com esplendoroso som de motor. Estiquei o volume ao máximo por isso não quero queixas: não gosta, põe na borda do prato.

(não se esqueçam que no dia 4 há Resistência de 6 horas em Leiria)



24.3.09

Poser

Tenho recebido muitos pedidos dos leitores da Horta para explicar o que significa ser um poser. Bem, isso não é exactamente verdade, ninguém me pediu nada disso; no entanto é uma bonita maneira de começar uma posta. A veracidade dos factos não me é importante porque eu faço tudo por uma piada barata (o meu capacete cheira a chulé) e, além disso, a Horta é só fumo e espelhos. Fumo, espelhos e uma procura insaciável por protagonismo oco.

Voltando ao não-assunto em questão, este é o aspecto dum poser. Pode ser geralmente observado em cima duma mota alemã com pneus de asfalto e metade do catálogo da Touratech. O seu olhar de surpresa deve-se ao facto de ainda não ter caçado uma única garina apesar de estar em cima duma mota alemã com metade do catálogo da Touratech.

Desculpa lá LTB, tudo por uma piada barata.



23.3.09

23 de Março de 2009

Neste dia 23 de Março de 2009 a Horta deu o primeiro passo em não um, mas dois projectos do caraças. Daqueles mesmo para meter nojo. E tudo isto antes do pequeno almoço- hell yeah! Não me perguntem do que se trata porque eu não gosto de matar amigos.


Projecto Olhos Azuis - luz verde
Projecto Yankee -
luz verde


Materiais alternativos II: em busca do barrote

Agora que a Vespa de madeira é uma celebridade mundial, é então chegada a altura de colocar a pergunta mais importante de todas: tem barrote ou não? Rumores iniciais apontavam para um motor de "bn1" como sendo o propulsor escolhido. Não contentes com tão magra informação, os espiões infiltrados da Horta puseram escutas em telefones, assaltaram escritórios, arrombaram cofres e agrediram inocentes tentando descobrir as especificações do bicho. Afinal não era necessário pois há um folheto:


As especificações parecem consistentes com uma Vespa do início da década de 50 à primeira vista. Alega-se uma potência de 5cv às 4850 rpm, mas atenção que estes são cavalos de madeira com uma eficiência díspar da dos comuns cavalos de aço. A distância entre eixos superior em 40mm aos números de Pontedera é a primeira indicação de que uma máquina feroz se esconde sob o pacato exterior de celulose: esta distância extra sugere uma ciclística vocacionada para provas de arranque ou de velocidade, que sejam disputadas em linha recta - provas com curvas exigiriam uma distância entre eixos menor para aumentar a manobrabilidade. O diminuto volume do depósito, apenas 2.5 litros, corrobora a minha teoria "drag racer". O comprimento total ainda apresenta 20mm adicionais, mas isso deverá ser causado pela abundância de camadas de verniz.

Continuando a inspecção da lista de características, podemos constatar que a Vespa Daniela é construída com pau-rosa, ébano, faia, pau-cetim, jatobá, tacula, efizélia, sucupira, panga-panga e sicómoro. Ora o pau-rosa é muito utilizado na indústria da perfumaria sendo um dos ingredientes do Channel nº5; o ébano é uma madeira escura e rara, utilizada na marcenaria de luxo; a faia é rica em polifenóis de origem vegetal que inibem o ataque às plantas por herbívoros vertebrados ou invertebrados e também por microorganismos patogénicos; a madeira de pau-cetim é clara, com aspecto agradável e resistência mecânica de valor médio; o jatobá é utilizado por indígenas da Amazónia para curar diarreia, tosse, bronquite, problemas de estômago e fungos nos pés; a tacula é uma árvore Angolana cuja madeira tem veios de carmesim brilhante; a efizélia é uma madeira elegante que envelhece graciosamente; a sucupira tem uma secagem lenta com riscos de deformação e de abertura de fendas mínimos; a panga-panga tem uma tensão de rotura alta de 173 N/mm^2; e, finalmente, o sicómoro produz figos de qualidade inferior.

Podemos assim concluir que a Vespa Daniela é bem cheirosa, luxuosa, agradável, brilhante, graciosa, robusta, resistente a microorganismos patogénicos e curadora de micoses. Um veículo notável, sem dúvida, especialmente se não formos grandes apreciadores de figos e se analisarmos cuidadosamente as características da madeira panga-panga:


Esta madeira Africana encontra-se disponível em barrotes de 105mm, uma medida deveras impressionante quando comparada com um pistão de 200cc que dificilmente quebra a barreira dos 60mm! Sem dúvida nenhuma que a Vespa Daniela manda barrote. Mas por qual razão é que a ficha técnica lista um barrote de 54mm e uma velocidade máxima de 55km/h, ambos valores modestos e tranquilos? Tendo em conta que este tipo noticia uma velocidade máxima de 75km/h e uma capacidade do depósito dupla da da ficha, estou convencido que existe uma nefasta campanha de desinformação destinada a esconder a verdadeira performance deste meteoro de madeira. Entrevistas indicam um período de construção de 8 meses mas os anéis da madeira visíveis no avental revelam uma idade de 8 anos! Mais uma discrepância inexplicável.

Apesar deste esforço criminoso para manter em segredo a verdadeira essência do barrote, existe uma prova simples e incontestável que poderia pôr tudo a nu: um bom picanço à moda antiga. É certo que a Vespa Daniela, estando inserida numa categoria muito particular de scooters vintage realizadas em materiais alternativos, dificilmente arranjaria um competidor equiparado. Dificilmente mas não impossivelmente, pois o adversário ideal para uma Vespa de madeira é... a Lambretta de cartão (daqui)!


Estou convencido que a Lambretta teria a vantagem em provas lentas e sinuosas. Possuidora de baixo peso que lhe proporciona uma relação peso/potência invejável, despojada de balons para maior ventilação e calçada com uns pneus slick, a ágil Lambretta de cartão seria um enorme desafio para a massiva Vespa nesta situação. No entanto, o baixo peso da discípula de Innocenti torná-la-ia instável a altas velocidades ao passo que a pesada Vespa, com a sua longa distância entre eixos, ofereceria estabilidade e facilidade de controlo. Além disso o pistão de cartão da Lambretta não aguentaria as temperaturas elevadas da competição enquanto que o barrote de 105mm de pura madeira panga-panga, pouco susceptível ao ataque de fungos e insectos xilófagos, daria a proverbial ratada na Lambretta.

Temos barrote!

19.3.09

Scooter porn

Há dois tipos de scooter porn: a mecânica, e a orgânica.

Se clicaram em "orgânica" puderam visualizar uma página da publicação Motonotícia Casal nº 23 datada de Abril de 72, da responsabilidade da Metalurgia Casal, disponibilizada pelos colegas do Rodas do Viriato. Se me permitem citar um trecho da poesia "Quero" publicada na página 2...:

Quero,
Quero dizer o que se sente,
Quando numa cálida tarde de Verão,
Um homem e uma mulher se unem:
se penetram suavemente um no outro,
se sentem desfalecer
Só porque estão a nascer!...
(está calor aqui dentro ou é impressão minha?...) O Último Tango em Paris, apesar de ser um filme de 1972, só foi estreado em Lusoland 5 dias depois da Revolução dos Cravos, por isso não sei onde é que a Ana - a autora - foi buscar estas ideias mas macacos me mordam se a rapariga não era levada da breca. Ah carago era cada amassanço atrás das salinas! Mais chocante ainda é o facto dos executivos da Metalurgia Casal permitirem tais conteúdos arriscados na sua publicação, mesmo ao lado da Demonstração de Resultados do Exercício de 1971 que nos revela a despesa de 834 contos de réis em encargos com publicidade. Aliás, corre o boato que a iniciativa de criação do automóvel Casal tinha como nome de código "Projecto Pussy Wagon".

E como é preciso ilustrar esta posta, fui aos meus extensos arquivos de pornografia orgânica que metem scooters ao barulho, saquei um ficheiro à sorte, tapei os transfers e os puxadores do ar com o logótipo da Horta, e passei tudo para preto e branco. Se é a preto e branco, então só pode ser arte e nunca um artigo da Motonotícia.

18.3.09

World domination FAIL

Quando eu uso fita adesiva para tapar furos depois de ter furado o pneu sobresselente e me terem vendido uma câmara de ar de válvula direita sem eu notar e a Assistência em Viagem querer enviar o veículo para a oficina mais próxima ao Domingo e não o ocupante, eu certifico-me que a cor da fita combina com o layout da Horta. Isto é falhar com estilo.


Não tentem fazer isto em casa. Eu sou um profissional treinado.

17.3.09

A época começou

Quando se vêem andorinhas quer dizer que chegou a Primavera, certo? Pois quando eu vejo uma Vespa azul-cueca ao lado duma rosa com pneus de faixa bege fico convencido que a época começou.

E o tempo aqueceu de tal maneira que já posso voltar a dormir nú. É a nova época, senhores.



16.3.09

inserir título aqui

Há algum tempo atrás caiu-me esta foto na caixa do correio, enviada pelos colegas marafados do Vai5 - valeu, bacanos. Yo props represent, you da shizzle. Já vos disse que o Vai5 merece visita diária e regular de todos os interessados em análise sócio-política inovadora e fotos de motorizadas marafadas. Podeis e deveis lá ir, e digam que foi o Bob que vos mandou.

Quando eu vi a foto pela primeira vez, pensei logo "fosganhe-se lá prós restauros do garageiro da esquina com as legendas fora do sítio e os pneus terceiro-mundistas!" mas depois houve algo que fez clique. O que é que isso interessa!? Estas Vespinhas estão ao Sol, estão a passear, provavelmente na companhia de amigos, e não há muitos defeitos que eu possa apontar a isso. ...cerveja! Provavelmente houve consumo de cerveja e eu não sou apreciador. Mas fora isso, não há nada de errado com esta foto. E tu, quando é que foi a última vez que enviaste algo para a Horta? Têm que ser os gajos das motoretas, é? Cambada de apreciadores de cerveja...



15.3.09

Porque caem os aviões

Os aviões são desenhados, construídos, pilotados e mantidos de maneira a que seja praticamente impossível a um único erro ou avaria colocar em perigo a segurança do vôo. Existe uma série de linhas de defesa que protege o avião, como folhas à volta duma couve. E a coisa até funciona bastante bem.

Num assunto não relacionado, hoje de manhã saí para passear e até apanhei aquele semáforo à saída de casa que está sempre vermelho em verde. "Bom presságio", pensei eu. Bem, mais ou menos. Para os lados de Espinho, numa estrada estilo via-rápida, furou a traseira. Aquilo abanou um bocado, como sempre, mas parei sem problema. "Já tive a minha emoção para este fim de semana", certo? Errado.

Primeira linha de defesa contra um furo: o pneu sobresselente. Pois foi mesmo este que furou, já que o pneu "oficial" anda furado há um mês e eu tenho tido preguiça de lhe trocar a câmara. Lá se foi a primeira linha...

Segunda linha de defesa contra um furo: câmara de ar sobresselente. Vocês não pensaram que eu andava à selvagem, sem pneu para trocar, pois não? Aquando do último furo comprei logo uma câmara que foi atirada para o porta-luvas, onde já lá estava a minha velha bomba de ar. Juntos estes dois elementos faziam a vez do pneu suplente, com a única desvantagem de adicionarem alguns minutos à reparação. Pego na câmara de ar, tiro-a da embalagem, e olho para a válvula em todo o seu esplendor erecto e linear. Não acredito nisto, deram-me uma câmara com a válvula direita na loja! Lá se foi a segunda linha...

Terceira linha de defesa contra um furo: a assistência em viagem. Raras vezes utilizei a assistência em viagem, mas considero-a uma ferramenta imprescindível. É a última e a mais segura de todas as linhas de defesa, a salvação quando tudo falha. "Fáxabôr, quero assistência", "sim senhor qual é a matrícula?, e onde é que o senhor está?, e qual o seu contacto? Ok, então é um transporte para a oficina", "não não, é para a residência", "a sua assistência em viagem só cobre o transporte do veículo para a oficina mais próxima, e não os ocupantes", "EIN? Hoje é Domingo, as oficinas estão fechadas! E eu, vou a pé? Esqueça." Eu tinha uma assistência em viagem mega-xunga e nem o sabia. Lá se foi a terceira linha de defesa...

Para que haja um acidente de avião, uma cadeia de pequenas falhas deve suceder-se numa sequência bizarra, contornando as várias linhas de defesa uma a uma. É como os buracos num queijo Suíço alinharem de tal maneira que se consegue ver através do queijo. Qualquer uma destas linhas de defesa tem a possibilidade de quebrar a cadeia de falhas mas, contra todas as probabilidades, tal não acontece. O resultado é aviões amassados e o Bob encalhado numa via rápida.

Agora que o mal estava feito, comecei a pensar na aterragem de emergência. Como sair dali? Lembrei-me dum velho truque utilizado por um amigo durante o Período Mesozóico do BTT nacional: enrolar fita adesiva de caixote à volta da câmara de ar. A minha saca das ferramentas tinha um rolo de fita eléctrica verde e foi mesmo isso que fiz - não se riam! - , enrolar fita adesiva à volta do furo. E funcionou! A câmara aguentou pressão (bendita bomba de bicicleta com 25 anos de idade) e o Bob saiu dali para fora!

Durante 10 minutos, pelo menos, até aquilo dar o berro por completo. Suponho que o furo da câmara deve ter evoluído catastroficamente para um rasgão, mas não antes de eu ter saído da via rápida e ter conseguido chegar a um posto de abastecimento onde pude observar a equipa do F. C. Porto a ir dar um passeio matinal. Finalmente sem opções, fiz algo que nunca sequer contemplei, em 11 anos de scooterismo clássico extremo: liguei à minha mãe e pedi-lhe para me vir buscar. Espero que a PX ainda lá esteja amanhã...

12.3.09

Reunião especial do LICET

Ontem à noite houve reunião especial do L.I.C.E.T. (Lambretta Invicta Clube Extreme Team). O bacalhau com natas da última vez foi substituído por um quarteto de francesinhas enquanto se lidava com um certo cavalheiro da Capital interessado em abrir um "Lisbon chapter" do L.I.C.E.T. O pedido foi sumariamente recusado, e o cavalheiro foi recambiado de volta ao remetente.



Num assunto relacionado, cujo significado secreto é do conhecimento exclusivo apenas do núcleo duro do L.I.C.E.T., deixo-vos um karaoke da Nucha.



9.3.09

Granda frustra

É oficial, o meu sem-fim morreu após apenas 30 quilómetros. A minha previsão falhou por um factor de 1000 o que representa, digamo-lo com frontalidade, um falhanço fenomenal e estrondoso.

Fazendo as contas ao preço do sem-fim, obtemos um custo de 6 cêntimos de euro por quilómetro. Com mil raios, gasto menos em gasolina!