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15.11.07

Porta-luvas em 50s






Capturei este exemplar de 50s à frente do Edifício Transparente, ostentando um porta-luvas adicionado. Até estava com bom aspecto.

14.11.07

Alerta! Restauros vietnamitas!

Um pouco abaixo de Leiria tive o desprazer de encontrar estas duas Vespas em exibição proeminente ao lado da Nacional. Os sinais típicos que indicam a proveniência asiática destes "restauros" estavam lá, bem visíveis: a pintura de dois tons, os embelezadores cromados, a mistura de peças de vários modelos, as borrachas de descanso amarelas, a ausência de matrículas, etc. Em muitas comunidades scooteristas estrangeiras, o flagelo dos restauros vietnamitas é bem real e estes sinais indicadores são sobejamente conhecidos. Não comprem estas Vespas!

As probabilidades de um restauro de origem asiática ter um nível horrorosamente baixo de qualidade, e até de ser inseguro e perigoso de conduzir na estrada, são extremamente altas. Podem parecer bonitas e bem recuperadas a 5 metros de distância, mas por debaixo da pintura brilhante são um cancro mecânico e um jamboree de sucatice terceiro-mundista. O vosso pior pesadelo! Os únicos restauros asiáticos que se distinguem com qualidade semelhante à Ocidental são os do ScootRS. Quase tudo o resto é de evitar como a peste.

Os "Viet bodge" (sucatices Viet) são Vespas (e Lambrettas) italianas importadas para países asiáticos, normalmente o Vietnam, nos anos 50 e 60 quando foram vendidas novas. Durante décadas foram abusadas como veículos de carga e trabalho nas piores condições imagináveis, sendo mantidas a trabalhar graças a sucatices verdadeiramente horripilantes. Quando já deram tudo o que tinham para dar e mais ainda, são decapadas à mão, duas ou três porções de quadros diferentes são soldadas umas às outras no chão de uma oficina suja por um gajo descalço de cócoras, toda a chapa é coberta com uma camada espessa de betume para esconder os defeitos e as soldaduras, o motor que estiver no topo da pilha é ressuscitado com peças completamente gastas e perigosas, e tudo é finalizado com uma pintura nos tons da moda e com montes de acessórios brilhantes e borrachas coloridas.

Era apenas uma questão de tempo até algum comerciante mais empreendedor mandar vir algumas no contentor para Portugal e aproveitar a moda e a elevada procura. Cabe a todos vocês espalharem o aviso acerca dos restauros vietnamitas. Não comprem estas Vespas! "Mas são tão bonitas, e não podem ser assim tão mal restauradas!". Para terem uma ideia do que vos espera se adquirirem um destes poios polidos, peguem em 3000 euros em notas de 100, queimem-nas e peçam a alguém para vos dar um pontapé nos tomates com muita força. É ainda pior do que isso! Eu avisei.

13.11.07

Horta na Scooting


A revista Scooting deste mês traz uma menção ao melhor blógue Vespista da minha rua deste lado, entre o talho e a esquina, porque do outro lado também há uns muita fixes. A Horta é fixe, ponto de paragem obrigatório, Bob tem uns abdominais fantásticos, blá blá blá, a cena do costume. Mais à frente aparecem quatro páginas sobre a Regularidade e a Resistência made in Horta.

"É um pequeno passo para um Bob, mas um salto gigante para a dominação mundial."

12.11.07

Prova do Litro 07 e acessórios

É oficial, eu não me oriento em Lisboa. O terramoto devia ter sido há uns 20 anos atrás, para que hoje estivesse tudo ordenado em quarteirões paralelos e perpendiculares, fáceis de navegar. E as ruas deviam todas ter números. Ainda por cima à noite, no meio do trânsito de 6ª feira. Fónix! Aquilo só mesmo de GPS e lança-chamas.

Para a Prova do Litro deste ano, Bob esteve magnificamente bem instalado na zona mais chique de Odivelas Sul, graças à cortesia do Admin, da Rute, e da Luna. Pouco depois da chegada do ferry a Tróia, as baterias recarregáveis da minha máquina sofrem mega-tilt e eu fico a montante do rio da caca sem um remo. Salvou-me o LTB com o empréstimo altruísta da sua máquina poderosa. A prova em si foi espectacular, num cenário e meteorologia ideais, com muito mais a acontecer do que aquilo que eu conseguirei descrever. Por isso, nem farei um grande esforço.



Um pouquinho de geocaching, um jantar no italiano, uma visita aos amigos, risota com as fotos, sabotagens de cachimbos, o pessoal a carregar sobre o atrelado das castanhas sempre que este parava nas imediações, as sessões do costume de Jony-bashing, saltos nas tampas de esgoto, reflexões sobre o "stáche" do LTB, atravessar a ponte à noite, assinar a 50s(ucata) do PV na companhia do Professor Bambo, brincar com a cadela, deixar as PêXizes todas alinhadinhas, e muitos outros num fim de semana de quatro dias memorável.

Na segunda-feira de manhã ainda tive tempo para me embrenhar nos impenetráveis meandros da imprensa especializada nacional e receber outra oferta de emprego. À vinda fui almoçar com o Teletubbie Vespoclube de Leiria (TVL p'rós amigos), visitar uma SX150 na sucata, e depois foi sempre colado à traseira dos TIRs por aí acima. Até ultrapassei uns 2 ou 3, foi a loukura total. "Já dormi na valeta".

Edit: mais fotos aqui.

8.11.07

Diga não ao azul-cueca!

Caríssimos leitores, amigos, colegas scooteristas, pessoas que vieram ter a este blógue por engano já que o que realmente pretendiam do Google era instruções sobre como construir uma horta de legumes no terraço:

É com um sentimento de extrema gravidade que eu me pronuncio sobre o que considero ser uma autêntica doença que floresce insidiosamente no nosso meio, tendo já atingido as fronteiras do catastrófico. Não só os efeitos visíveis desta Peste Negra visual são, por si só, plenamente merecedores de longa série de horrorosos superlativos, mas a capacidade que esta praga possui de se propagar de maneira invisível e escondida é absolutamente aterradora.

Eu, Ranger Bob, farei frente à ameaça que todos vós ignoram miseravelmente e que nos ameaça consumir nas suas mandíbulas fétidas e pútridas. Lutarei com todas as minhas forças até ao meu último suspiro, plenamente consciente que nunca existiu nem existirá, em toda a História da Humanidade, causa tão justa e valorosa quanto a minha: parem de pintar as vossas Vespas de azul-claro!

Azul-claro, azul-bebé, azul-céu, azul-cueca. A Besta tem muitos nomes. Está no meio de nós e não há um que se indigne e lute. Todos a alimentam e propagam. Pois basta! A luta começa aqui e agora. Povo! O que há no azul-cueca que vos hipnotiza e arrasta para esse limbo de dor e sofrimento, onde o nervo óptico arde num fogo eterno de tonalidade azul celeste e o proprietário da scooter clássica vive num mundo irreal e odioso de falso contentamento?

Conheço a poderosa força que se encontra aprisionada dentro dos vossos genes do mau-gosto. Compreendo o sentimento de impotência e resignação que irrompe no vosso âmago perante a luta titânica que se avizinha. Confiem em mim, meus amigos, quando vos digo para lutarem; juntos, conseguiremos travar a Besta. Resistam aos vossos impulsos azul-cueca com toda a força do vosso ser. Distribuam os vossos esforços mutantes para outras tonalidades pirosas. O vermelho-chiclete-Gorila. O verde-chiclete-Gorila. O amarelo-chiclete-Gorila. Uma infinidade de tons metalizados e pérolas de máxima azeiteirice. Pinturas a dois tons. Estofos em couro. Pneus de faixa branca. Cromados! Céus, os cromados! Cromem os vossos descansos e tampas de ventilador abundantemente. Apliquem quilómetros de tubagens reluzentes às linhas puras e elegantes da vossa Vespa, transformando-a num escaparate disforme de canalizações brilhantes. Dispersem os vossos esforços maléficos por outras áreas do mau-gosto e conseguiremos roubar o poder à maldição degradante que nos aterroriza. O seu jugo infernal será quebrado e nós seremos livres, de novo. Livres!

Pois o Homem é capaz de realizações magníficas: a tecnologia, a filosofia, a poesia, a dança, a escultura, o amor. Porque não é capaz de ver mais cores? Porque não é capaz de vencer a Besta? Basta quereremos, irmãos. Digam não ao azul-cueca!

7.11.07

Scooter culture

Andamos tão preocupados com cromados, kits e pinturas metalizadas, que nos esquecemos da verdadeira essência da scooter. Transporte barato. É isso que ela é para a esmagadora maioria dos seus utilizadores, e não o último acessório de moda a tornar-se popular no bairro.

A foto de hoje ilustra essa essência, e revela-se fascinante de inúmeras maneiras. Algures na Ásia existe um país onde o código da estrada permite a circulação de um atrelado de dois andares feito com dexion, propulsionado por uma acelera controlada remotamente (do andar de cima, claro), e estabilizada por rodas de carrinho de carga, uma das quais furada. Notem que o dexion se espalha para cima da acelera, como uma era parasítica que asfixia a árvore que a suporta. Uma assimilação tipo os Borg.

Olhem com atenção para a extremidade esquerda do atrelado/ habitáculo/ sala de estar e verão um pequeno moto-gerador. No meio, verão uma lâmpada pendurada, uma pequena televisão, e o que aparenta ser um rádio "gueto blaster". E pensavam vocês que o triciclo das castanhas tinha pinta!... Conseguem imaginar o potencial desta configuração de veículo nas concentrações? Podemos levar meia dúzia de penduras, todas elas atléticas e com vinte e poucos anos. Podemos fazer filmagens magníficas do grande passeio. Podemos ver a bola e fazer pipocas (micro-ondas não incluído). Se chover, é só levantar os oleados. À noite, dormimos no terraço, longe dos bichos e por baixo das estrelas. Em viagem, podemos ligar o cruise control, virarmo-nos para trás em plena Nacional, e soltar um "Ó Maria, a minha sandes de couratos, sai ou quê?".

A estrutura parece já ter muito uso, o que valida o seu design. Até uma rodinha lateral furada não se revela problemática, graças a uma elevada redundância (muitas rodinhas). Com mais algum dexion e uma bola de espelhos, temos pista de dança móvel para as concentrações.

6.11.07

TT todos os dias

E na secção de Scooter Spotting desta semana, apresento-vos a Vespa TT que serve como transporte diário escolar a algum adolescente entusiasta dos formatos de competição fora de estrada.

Este exemplar parece-me ostentar um nariz de FL2, mas o resto é ireconhecível para qualquer pessoa que não possua um doutoramento em Arqueologia da Universidade de Pontedera. Os cortes radicais e os tubos de reforço não deixam dúvidas em relação ao que é anunciado pelo desaparecimento de grande quantidade de peças estéticas: esta é uma máquina de TT puro e duro. Os pneus de estrada são a única concessão a esta filosofia, e demonstram uso regular no ambiente urbano.

As cores são positivamento horríveis, com um misto de rosa vomitado em cima de um preto gorduroso. Também se pode observar um surto inexplicável de cor no amortecedor traseiro, e um boneco qualquer dos desenhos animados pendurado do cabo da vela (???). O motor apresenta uma tonalidade e textura típicas de uma tábua das obras. O autocolante "Mountain Biking UK" demonstra que o proprietário tem extremo bom gosto na selecção de revistas de bicicletas de montanha, ou que só comprou aquela porque trazia autocolantes.

Se é verdade que as crianças são o futuro, então o futuro do parque Vespista nacional será PKs e FL2s cortadas, misturadas com algumas LX em estado imaculado. Estas últimas pertencerão a raparigas, sem dúvida.

[A música do dia é Rescue Me. Sabiam que não é da Aretha Franklin? Pois, eu também não sabia...]

5.11.07

Tampas de válvula kuztom-gueto-pimp-tuning

Fiz estas para as minhas bicicletas, mas também funcionam nas Vespas e em qualquer outro veículo que faça uso de rodas pneumáticas: escavadora JCB, atrelado do barco, moto-enxada, Casal Boss de entrega de pizzas, etc. Peguem num par de dados, façam-lhes um furo com uma broca de 10mm, enfiem lá dentro uma tampa de válvula normal com super-cola, e presto Luigi! Tampas de válvula gueto-tuning instantâneas. AVISO: o possuidor destas tampas de válvula será objecto de infindáveis atenções e avanços por parte do sexo oposto.

Também podem realizar a mesma operação em bonequitos pequenos, basta usarem a imaginação. Ainda tenho aqui um mini-Hello Kitty para sofrer o mesmo tratamento. Na feira da Vandoma e semelhantes encontrarão montes desta matéria prima, pronta para dar aquele toque especial à vossa Vespa feia e cinzenta, com apenas cinco minutos de trabalho. O mundo será um sítio melhor se todos tivermos uma cabeça de estrumpfe sorridente ou um koala castanho empalados nos nossos pipos de válvula. Utopia? Creio que não.

4.11.07

O relato do fim de semana

A Sexta-feira foi passada toda no FestivalBike, em Santarém, a fazer uns networkings no mundo das duas rodas de propulsão humana. Se tudo correr como previsto, consegui arranjar um dos empregos com mais pinta na história da Humanidade.

Cheguei a casa às 10 da noite e dirigi-me apressadamente para o Plano B, onde também compareceram o Mexe, o "mito" Jony, o Sam, o Chef, o Paulo Viana e o Professor X. Tão apressadamente, de facto, que me esqueci da máquina fotográfica. "The Poppers" subiram ao palco para, de novo, me deliciarem com uma hora de acordes que conseguiriam decapar e polir um quadro de Vespa. Potentes! O Professor X cobriu a rectaguarda mas só apreciei um pouco da sua arte. Foi mais xixi-cama.


No Sábado realizou-se uma mini-tertúlia mecânica nas Oficinas Paperino, onde foi possível apalpar as últimas ofertas das mais conceituadas lojas teutónicas de scooters, e realizar trocas mafiosas envolvendo escapes JL.

Hoje, Domigo, é altura de relax. O dia está tão lindo que vou desligar o PC e fazer um "cruise" de bicla na Marginal e na Foz. Catch you later!

Update: ao fim do dia encontrei-me com o Chef e o PV no Castelo do Queijo, respectivamente em Carina original e 50s putrefacta. Esta última apresentava uma banhoca de tinta recente. Lá estivemos a disparatar sobre a prova do Litro e sobre como obter peças de Carina. No fim, tiveram os dois que empurrar as máquinas para que pegassem, ahaha!

2.11.07

Importação Motovespa




Apresento-vos outro pequeno achado da Feira da Vandoma, um distintivo de pano Motovespa por 50 cêntimos. Nem as várias vozes que ouço na minha cabeça foram capazes de teorizar uma explicação, por mais mirabolante e implausível que fosse, para a presença de um distintivo da marca Espanhola Motovespa na Feira da Vandoma, no Porto, cidade de Portugal.

Mesmo assim, ele lá estava. Escondido entre os bibelôs e as tomadas eléctricas. Mas não o suficiente.

1.11.07

É Natal. Mais ou menos.

Estamos de volta àquela época em que as ondas hertzianas são invadidas por anúncios a bonecas que urinam e pistas de carros com loopings mortais, e onde todos correm a comprar conjuntos de luzes de Natal que deixam de funcionar no Ano Novo. Ainda não determinei se passarei esta época deprimido com o espírito consumista prevalecente, ou imbuído de felicidade e vontade de ajudar o próximo. Depois aviso-vos.

Entretanto, se precisarem de comprar brinquedos, há uma loja grande atrás da Câmara que tem esta Vespa enorme na montra. Como restauro, é uma piada. Podemos facilmente ver que está cheia de massas, a pintura não é original, faltam os distintivos e os frisos de alumínio, os pneus estão carecas, e as rodas não parecem estar alinhadas indicando problemas de sinoblocos. Enfim, as sucatices do costume. Não obstante a sua condição de poio polido, a Vespa sorri incansavelmente aos transeuntes, alegrando a sua vida com um look pimpão e queriducho. I like.

31.10.07

Nabo!!!

Nas palavras traduzidas do próprio Steven Spielberg: "Fiz uma rotura de ligamentos e nem posso dizer que a tenha feito com honra numa mota potente. Caí da minha Vespa, uma Vespa que eu queria porque adoro o filme 'A Princesa e o Plebeu'. A razão pela qual eu adoro a Vespa é que, quando era um miúdo, sempre tive um poster de William Wyler, o grande realizador, por cima da minha cama indo de Vespa para a Cinecittà para dirigir o 'Ben Hur'. Ele foi fotografado duma janela do primeiro andar conduzindo a sua Vespa pela Via Veneto abaixo. E como eu sempre tive uma grande admiração por Wyler, também sempre quis ter uma Vespa para ser como ele."

Ok, é agora que fica interessante: "No ano passado, a minha esposa Kate ofereceu-me uma Vespa clássica cinzenta de 1962 e enviou-a para Long Island. Ao longo da minha vida já guiei motas de enduro, motas de cross, e sou bastante bom. Bem, tirámos a Vespa da embalagem, eu montei nela e dirigi-me a um pequeno monte no meu jardim. Dei um salto e quando aterrei, talvez devido em parte às rodas pequenas, o impacto não foi muito suave. O guiador virou bruscamente para o lado e eu voei de cabeça! A Vespa é um veículo perfeito mas, devo dizê-lo, para andar na estrada, não para saltar."

Doh! Deixa os saltos para os profissionais, tu sabes quem são, já trabalhaste com eles. Stunt. Men. Nabo!

EDIT: Hoje revi o filme "O Grande Ditador", do Charlie Chaplin. Este clássico hilariante é ainda mais divertido do que eu me lembrava. "Strange, and I thought you were an Aryan. - No. I'm a vegetarian!". O intemporal discurso no fim do filme é um clímax arrepiante e acerta na descrição da natureza humana. Altamente recomendado.

30.10.07

A pechincha do dia

A pechincha do dia é esta magnífica "Vespa 125 A.C.M.A." de 1978, que na realidade é só o quadro, pela módica quantia de 500 euros. Passo a transcrever o anúncio:

"500 €

Dados gerais: Sem garantia, 1 registo, Primeiro registo: Outubro de 1978, Azul, Gasolina

Descrição: Vendo chassis de vespa completamente restaurado e reforçado. A minha principal ocupação actual passa pelo restauro desta marca mítica! Possuo apenas este exemplar para venda, modelo LT roda baixa para 125cm3! Se precisar de mais informações não exite em me contactar!"

O vendedor colocou o seu nome, morada completa e dois números de telefone à disposição das multidões intermináveis de possíveis interessados. Farei uso de todos os picoNewton de força de vontade que conseguir reunir para ignorar o facto que alguém está a pedir 500 euros por um quadro axanatado, e concentrar-me no resto do anúncio.

"Vendo": logo aqui, prevejo 93% de probabilidades de dar barraca.

"chassis de vespa completamente restaurado e reforçado": e começa! Se está restaurado, ou seja, colocado em estado idêntico ao original, então não pode estar reforçado. Estar restaurado e reforçado simultaneamente faz tanto sentido como pintá-lo de azul-alface. Mas, lá no fundo, consigo compreender este desejo de reforçar os quadros das Vespas que chegam às nossas mãos. Não passa um dia sem que eu veja uma Vespa abandonada na berma, com o seu quadro partido a meio, resultado inevitável da fraqueza inerente a um chassis de desenho e construção medíocres, que apenas se conseguiu manter no mercado durante umas seis décadas, mais coisa menos coisa. O reforço é uma medida sensata. Decapagem? O quê, nestes quadros fracos? Nem pensar!

"A minha principal ocupação actual": daqui podemos concluir que o restaurador/vendedor em questão possui ocupações secundárias, que complementam a principal, e que estas ocupações são transitórias ou rotativas. Estilo hoje Vespas, amanhã serralharia naval, no dia a seguir alta costura, algo do género.

"passa pelo restauro desta marca mítica": também é uma surpresa descobrir que estamos em contacto com alguém que está efectivamente a restaurar a marca Vespa. Não sabia que eles estavam mal, acho que até têm vendido montes de automáticas, mas prontos... Ao fim de 60 anos, quem não precisa de um restaurozito? Olhe, aproveite para dar uma reforçadela, já que está aí. E quando vir alguém do Conselho de Administração da Piaggio, diga-lhes que eu quero uma Vespa S com motor 200, em preto-fosco, e 20% maior (na proporção 'actual' está um coche mota de gaja). Obrigadinhos. E quando acabar, se também puder restaurar a divisão de scooters da Innocenti, era fixe.

"Possuo apenas este exemplar para venda": pois, com estes preços foi logo o stock todo embora. É compreensível. Esperemos que seja uma situação apenas temporária, e que consiga passar lá por aquela sucata na França que tem o buraco na rede brevemente.

"modelo LT roda baixa para 125cm3": muitos de vós não possuirão conhecimentos avançados relativos a esta marca mítica, aos seus modelos e respectivos valores comerciais. Assim, estarão a pensar que 500 euros por um quadro axanatado poderá ser ligeiramente excessivo. Asseguro-vos que não, pois este é um quadro de um modelo LT, extremamente apreciado pelos coleccionadores e entusiastas. À semelhança do modelo LU de roda alta, o modelo LT ainda apresentava o problema dos quadros fracos que partiam sem aviso. Para contornar o problema, a Piaggio introduziu as rodas baixas no modelo LT que diminuem a altura da queda quando o quadro falha. Acreditem que é um pequeno pormenor que faz muita diferença. Eu não dava 500 euros por um quadro de roda alta, muito perigoso! Este modelo é para 125 cm3. Só precisam de obter esse motor, e absolutamente todas as outras peças que constituem uma Vespa, para estarem prontos a rolar na estrada numa linda Vespa clássica, sem preocupações ou problemas. Os documentos? Isso compra-se em qualquer papelaria ou tabacaria, sem stress.

"Se precisar de mais informações não exite em me contactar!": Não 'exitarei', não senhor!

[Ok, fui mauzinho nesta posta. Não tenho uma personalidade áspera ou cínica, mas de vez em quando lá tem que ser. Um gajo tem que deixar sair a ruindade senão fica cá dentro a moer e a fazer espécie, e um gajo fica todo lixado por dentro. Isto é saudável, é como um clister pó cérebro.]

29.10.07

Como lavar a Vespa - o método Bob

Lavagem da carroçaria:
- esperar pelo Inverno. Irá chover.

Lavagem do motor:
- esperar até à próxima abertura dos carters, todos os 60.000km.

Terei todo o gosto em responder a dúvidas que tenham acerca deste método pelo seguinte email:
couldnt_care_less@cheap_gs_4_u.com

28.10.07

Nuova Vespa S

Como regra geral, não gosto das Vespas modernas. Só quando a ET saiu de produção, uns 9 anos depois de ter aparecido, é que o seu design novo e moderno deixou de me incomodar. Tenho sérios problemas com as LX e GranTurismo, que demorarão igual número de anos a ser resolvidos. Mas a nova Vespa S agrada-me. Cada vez mais.

A Piagio tirou toda aquela tralha que engrossava o avental, e deu um aspecto muito mais leve e agradável a essa zona, como numa Vespa antiga. O farol rectangular ganhou um lugar instantâneo no meu coração, pois significa o desaparecimento do farol redondo inclinado para trás que se vê nas suas irmãs. Não consigo gostar daquilo, lembra-me sempre as novas Harley. A traseira é deliciosa, de novo leve e simpática, com um farolim bonito e retro na melhor maneira possível. Para finalizar, o remate do estofo com o tubinho branco, exactamente como se fazia nos anos 60.

Também aprecio o guarda-lamas cortado, expondo completamente a mola vermelha. Outro pormenor giro é a existência de kits de autocolantes para personalizar a Vespa S. O meu favorito é o target italiano, mas as riscas racing também me fazem cócegas. Desgosto bastante do painel de instrumentos cromado, mas não é nada que não se conserte com um pouco de gueto-tuning ;-). Fico ansiosamente à espera de ver uma ao vivo, e que apareça uma versão 150; isso seria muito à frente. Entretanto, podeis visitar o site vespa-s.com onde decorre uma competição de decoração da Vespa S. Há lá um par de ideias giras. Infelizmente, só italianos podem participar.

27.10.07

Novo recorde de 6000 euros

Há algum tempo atrás perguntei-me se demoraria muito a bater o recorde da Sprint dos 4950 euros. Pois foi quase instantâneo. Tenho procrastinado um pouco esta posta tentando salvaguardar o meu bem estar intestinal, mas hoje teve mesmo que ser.

"Completamente Restaurada" é a extensão total da descrição que acompanha o anúncio de venda desta Super de 69. Não é necessária mais informação, já que um "restauro completo" é a garantia absoluta de qualidade e valor... Certo? Ao olharmos para as fotografias, notam-se inicialmente a pintura e o estofo dos bancos não originais. Também lá está aquele farolim de plástico com o formato esquisito que não se parece com nada montado em Pontedera, e que eu abomino. Se olharmos com um pouco mais de atenção (isto é giro, não é?, parece que estamos no CSI) vemos a roda da frente com um palmo de ar por baixo. Mas porquê? A tampa do ventilador escondida quase na totalidade por trás do balon dá-nos a resposta: suspensão traseira marada. Provavelmente o amortecedor estará comprimido pela idade, e/ou a fixação do amortecedor no quadro estará deformada.



Passando rapidamente à frente dos pneus de piso duvidoso, eis que chegamos à dianteira da máquina. As Super não possuem frisos de alumínio no guarda-lamas, mas este espécime em particular exibe-os com orgulho. Com tanto orgulho, de facto, que o guarda-lamas se empina altivamente numa posição bizarra e não natural. O cubo da roda e a tampa central também exibem acabamentos não originais.

Olhando para a traseira, poderemos contemplar a pièce de resistance desta máquina completamente restaurada, e uma das minhas perenes favoritas, os sinoblocos fornicados. O desalinhamento da roda traseira salta à vista como um grande poio fumegante de origem bovina num relvado chique. Ei, mas sou só eu que ligo a estas coisas, certo? Com dois bancos em couro e a pega a combinar, só pode valer 6000 euros!

26.10.07

Foi você que pediu uma noite de sons scooteristas?

... No Porto? Sim, no Porto? A Horta apresenta, em primeiríssima mão, esta novidade mega-exclusiva de todos os sites Vespistas da minha rua exceptuando o da velhota do rés do chão esquerdo: o duo dinâmico "The Poppers" mais Professor X vem cá acima espalhar um pouco de amor.

'Peraí, mas se os Poppers são quatro tipos, então eles todos juntos são cinco e não podem ser um duo... Dois duos e um solo? Um dueto de duos e um roadie? Hhmmmm... Debruçar-me-ei sobre esta importante questão no próximo dia 2, no Plano B, na Baixa da Inbicta. Vocês estarão lá?

25.10.07

"48 anos jovem e ainda está p'rás curvas"

Aqui está um relato inspirador e cheio de boas vibrações, retirado do vespa.org.uk, e que reproduzo já traduzido para vosso deleite literário:

Esta 152 L2 [modelo específico Inglês de fabrico nacional] de 1959 ainda é propriedade e é operada pelo seu dono original, John Lees de Cheltenham, e ainda é usada com frequência para pequenas voltas no seu território habitual. Este ano verá o seu 48º aniversário, e a sua invulgarmente baixa quilometragem (55000 quilómetros) deve-se a anos de inactividade no passado e à auto-confessada falta de apreciação do John duma máquina que ele agora começou a perceber que é tanto maravilhosa como histórica. Está agora a ser usada mais regularmente do que sempre e a ser extremamente bem tratada.

A pintura cinzento-cogumelo é a original com apenas arranhões menores e um leve vinco no avental causado por uma discussão com uma sebe. Depois de ter perdido força, o motor sofreu uma revisão grande há uns cinco anos atrás, mas antes disso o cilindro nunca havia sido desmontado. De facto, a culaça tinha sido desmontada apenas duas vezes para uma descarbonização rápida. A primeira desmontagem foi há uns 43 anos atrás quando a máquina estava a perder força, soando rouca, e não aguentava a mudança maior.

Alguém que 'conhecia' de motores deu uma vista de olhos e, quando ele nem conseguiu meter uma agulha de tricotar pelo escape acima, sugeriu que uma descarbonização poderia ser uma boa ideia (Oh, a feliz ignorância da juventude!). Lá saiu a culaça e o escape recebeu um banho de soda cáustica. Os resultados foram maravilhosos e a força total foi recuperada.

A segunda desmontagem da culaça foi há uns 38 anos atrás e, devido à baixa quilometragem, nunca mais saiu até à recente revisão grande. O escape original durou 20 anos mas foi então substituído. Senso comum implicou que se serrassem várias polegadas da nova ponteira de escape para facilitar a remoção da roda traseira (contra bons conselhos), tudo sem aparente efeito negativo. O segundo escape é o que está em uso hoje em dia. Pneus novos foram instalados, claro, bem como uma roda suplente. O selim foi soldado e re-estofado. A embraiagem foi substituída na revisão grande, apesar de a original estar a funcionar bem. Os calços de travão dianteiros são novos mas os traseiros, incrivelmente, são os originais. Os sinoblocos que seguram o amortecedor traseiro no lugar foram renovados há uns 30 anos atrás, bem como o amortecedor dianteiro. Mudanças no código da estrada viram a adição de uma luz de stop traseira, mas todas as outras lâmpadas são as originais [ :-o ].

Todos os cabos (à parte o cabo da embraiagem) são os originais, e aqui reside uma história - o primeiro cabo de embraiagem partiu quando a máquina tinha apenas 2 anos de idade, e o segundo cedeu em 1989. E onde é que cedeu? A uma centena de metros de um entusiasta local da Vespa que tinha um stock enorme de peças suplentes. Dentro de meia hora estava de volta à estrada.

Os platinados mantiveram-se intocados durante 25 anos e foi apenas um problema difícil de pegar-a-quente que levou à sua descoberta e substituição. Isso na realidade não curou o problema, mas um novo fole de ar e uma vela diferente fizeram-no. Aqueles platinados poderiam ter durado para sempre!

A manutenção consistiu em contar o número de rodas e dar pontapés nos pneus, e na borradela ocasional de óleo e massa. O mais longe que esta Vespa já esteve de Cheltenham foi Abergavenny (uns 100 quilómetros) e o lugar que já visitou mais vezes foi a 'Severn Bore tidal wave' ao pé de Gloucester. A situação mais próxima do desastre foi um par de milhas de chiadeira horrorosa numa ocasião em que não foi misturado óleo com a gasolina (está tudo bem leitores, já podem abrir os olhos agora - Ed). A compreensão súbita da causa levou à adição do óleo e, de novo, sem aparente efeito negativo. "Whiskers" [?] pararam a máquina duas vezes, ficou sem gasolina duas vezes, e teve três furos. Bateu num pássaro (que recuperou) e assustou de morte o pêlo duma ovelha na Floresta Dean. Um pára-brisas e uns piscas foram modas - todos removidos há décadas atrás para se recuperar a aparência original.

"Isso lembra-me," diz John, "o óleo da caixa bem pode ser o original. Tenho que o mudar um dia destes!"

24.10.07

Carga larga



Já transportei na Vespa muitos objectos esquisitos e mal-jeitosos no meu tempo, mas nunca tinha levado um balon. Consegui não o deixar cair, nem estragar nada de importante. Fiquei feliz. Eu fico feliz com coisas pequenas. Aqui exibo o registo fotográfico.

23.10.07

Livro Vespa

Comprei um livrinho interessante dedicado à Vespa, na Livraria Bertrand: "Vespa", de Valerio Boni. O livro, de dimensão e preço reduzidos, conta a história da nossa marca preferida apoiando-se numa grande variedade de fotografias e imagens. O texto, em Espanhol e Inglês, quase assume a forma de legendas e faz um bom trabalho a suportar as fotos na sua transmissão da história e mística.

O livro aborda muitos tópicos, como o início e desenvolvimento da marca, o impacto social e internacional, os modelos mais modernos, os modelos especiais e de competição, as viagens épicas mais notáveis, o Ape, o Vespa 400, as cópias e clones da Vespa, e a publicidade. Muitas das fotos são inéditas, e também lá se encontram as velhas favoritas.


Digna de menção é a excursão realizada pelo autor numa Special: durante 24 horas, este Vespista convicto pilotou a máquina à volta da pista Pirelli sem paragens de qualquer tipo. Um selim triangular foi montado para facilitar os reabastecimentos em movimento, que eram realizados por uma P200 em andamento que se aproximava na recta, com uma mangueira. Será que o piloto também usava o mesmo esquema para aliviar a bexiga?... Outra foto gira é a de um Jony em full racing gear a dar pasta numa GTS do banco de trás. Este livro também está à venda no site vespashopping.com, mas eles querem 44 euros por uma t-shirt :-o. Tenho medo que me cobrem só pela visita, por isso não volto lá. Na escala Horta de 0 a 10, este livro recebe um F de fixe.