.


21.3.17

Do roubo de fotografias

(TL;DR: não reproduzam fotos na internet sem indicar o autor, e saquei 200 euros à Vespa Espanha)



Um dia tirei esta foto, e gosto bastante dela.

Passeio à Serra da Estrela

Nunca me dei ao trabalho de corrigir as cores mas alguém no Tumblr teve esse trabalho por mim, com a ajuda de um filtro xunga.


E 500.000 pessoas repostaram a foto passando esta a aparecer em todo o lado.




 

Sim, até o instagram Vespa Official! Onde é que está o meu nome? Em sítio nenhum. Onde está a compensação pelo uso da minha foto? Pois sim, já vai.

Cada foto tem um dono. Só porque uma fotografia (ou texto, ou música, ou ilustração, o que quer que seja) está na internet não nos dá o direito de fazermos o que quisermos com ela. Sei que é difícil interiorizar este conceito quando milhões de imagens são criadas diariamente com facilidade, e podem ser gravadas e re-postadas de modo igualmente simples. Imaginem que alguém se aproveita do vosso trabalho para ganhar dinheiro e reputação, e não vos pede autorização nem vos paga compensação... Já começam a perceber a coisa?

Se a Vespa Official quisesse criar a imagem acima para usar em publicidade ou semelhante teriam que contratar um fotógrafo com ajudante, e este teria que obter uma Vespa e um condutor, e teriam todos que se deslocar numa carrinha alugada para uma montanha depois de terem esperado pelo dia certo. Quanto é que isso custa tudo?

Não sou fotógrafo profissional mas já ganhei dinheiro com fotografias, já dependi de fotografar para realizar o meu trabalho e ganhar dinheiro, e investi uma quantidade significativa de recursos e tempo no material e experiência necessários à fotografia. É por estas razões que o roubo de fotografias me irrita e a vocês não.

São especialmente tristes as páginas de Facebook que postam exclusivamente fotos "achadas" na net mas sem qualquer indicação de autor ou proveniência, totalmente "órfãs". Porque dá muitíssimo menos trabalho fazer printscreen do que criar conteúdo original, e o que interessa são os likes. Já agora, o aviso "se o autor desta foto quiser que ela seja retirada pode contactar com xxxx" é um monte de fezes fumegantes.

"Ah, mas ninguém se dá ao trabalho de contactar o autor e pedir autorização para meter uma foto num blógue ou algo corriqueiro do género!" Errado. Tal já me aconteceu várias vezes, e costumo aceder desde que não haja benefício comercial descarado. A segunda melhor coisa a fazer é indicar o autor (sempre com link) e a fonte (o sítio onde vimos a foto pela primeira vez - esta é outra regra de etiqueta internética que é atropelada barbaricamente todos os dias). Caso ainda não tenham percebido, o pior a fazer é gravar a foto e repostá-la sem qualquer proveniência ou informação.

A SIP cometeu este mesmo erro, usar uma foto minha sem autorização ou crédito. O Ralf pediu imensa desculpa e, como compensação, deu-me uma entrevista. Garanto-vos que o gerente das redes sociais da SIP levou uma grande descascadela por isso. As grandes empresas sabem e compreendem que não podem utilizar o trabalho de um fotógrafo sem compensação.

Quase todas, pelo menos. Este Natal a Vespa Espanha colocou isto no seu Facebook:


Reconheci imediatamente a minha foto. Foi fácil porque já a tinha visto na conta de alguma organização Vespista importante noutro Natal. :\

Merry scooter Christmas

Inaceitável. Os tipos da SIP safaram-se com uma entrevista porque são malta scooterista à maneira, mesmo boa gente. Os tipos da Vespa Espanha, por outro lado, são meros vendedores de electrodomésticos. Levaram logo com uma mensagem:

Bom dia. No dia 22 de Dezembro vocês utilizaram uma fotografia minha nesta página de Facebook:
https://www.flickr.com/photos/hugojcardoso/4206444345
Para pagarem essa utilização, transfiram 200 euros para minha conta: IBAN PT50 XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Não utilizem fotos sem autorização prévia do autor no futuro.

Pagaram sem regatear e pediram desculpa. Porque roubar fotos é errado. Não o façam.
  

13.3.17

2.3.17

Update da PX com 19 quilómetros

Lembram-se daquela PX nova que só fez um quilómetro durante o Verão inteiro? Pois agora já apresenta um número não patético de quilómetros no mostrador.

Foto do agente 47

Mesmo assim, as minhas contas dão-me uma média de apenas 120 quilómetros por mês. O que é triste. Talvez daqui a 30 anos alguém compre esta PX cheia de pó com apenas 5000 quilómetros no mostrador e com o kit de ferramentas e manual de instruções intocados no porta-luvas. O que é bom.
    

1.3.17

Faísca 56

Fui visitar o Faísca 56, um jovem cheio de entusiasmo que passa o seu tempo a restaurar e modificar Vespas 50, e tirei umas fotos rápidas para partilhar convosco. Ide rolar, meus filhos.

Faísca

Faísca

Faísca

Faísca

Faísca

Faísca

Faísca

Faísca

Faísca
        

21.2.17

T5 problemática

Sabem o que é que quer dizer T5? Tens 5 meses para andar nela até avariar novamente.

T5 trouble

T5 trouble

T5 trouble

T5 trouble

A identidade do visado não será revelada para evitar envergonhar o dono do veículo. É o Rui Heinkel.
   

16.2.17

Dica de inspecção de óleo

Ora portantos é dia de trocar óleo. Ao remover o óleo antigo, é normal querer inspeccioná-lo para ver se estão presentes bocados grandes de metal, glóbulos pastosos de origem indeterminada, insectos variados, libras de ouro, ou a chave 10 que desapareceu há seis meses. Eu costumo enfiar o dedo no meio do óleo corrente e espreitar para a ponta do dígito à procura de contaminação. O problema é que o dedo já está todo porco e escuro por esta altura, e não há luz decente para se conseguir ver alguma coisa de jeito quando estou enfiado debaixo do motor. Como resolver?

oil inspection tip

Apanhei esta dica nas internétes. Se colocarmos uma amostra de óleo usado numa tampa de frasco - com o interior branco - poderemos analisar o óleo "à transparência", e qualquer partícula ou anormalidade será claramente visível. Suponho que a maioria das superfícies brancas e impermeáveis servirá para o efeito, mas curti a cena da tampa de frasco: limpa, simples e eficaz.

Ide rolar, meus filhos.
   

14.2.17

Bob constrói um rolo de ferramentas

Nem todos os projectos de construção da Horta exigem sete dias e sete noites de trabalho árduo e intenso, como armários de ferramentas ou velocímetros digitais: às vezes sabe bem uma rapidinha. Tal como um "tool roll" para as ferramentas da mota jagunça (para a Vespa tenho um saco de máscara de gás).

Roubei a máquina de costura à minha mãe, descarreguei o manual da net e gastei meia hora a lê-lo. Posso recomendar a Singer Serenade 18 como sendo uma bela peça mecânica dos anos 80 que, para gáudio colectivo dos apreciadores de maquinaria transalpina, é "made in Italy". E tem acelerador e marcha-atrás. Certamente que existirão clubes de máquinas de costura no futuro, com concentrações e restauros, e a SIP venderá agulhas de baixa fricção.

diy tool roll

Passei outros dois minutos a experimentar os comandos numa pobre tira de pano que se sacrificou em nome da Ciência, e partida!! Peguei num bocado dumas calças de ganga que deitei fora (tendo tido o cuidado de guardar as pernas pois a minha clarividência disse-me que iriam ser úteis passados um ou três anos), alinhei a colecção de ferramentas quase exclusivamente da feira, e visualizei o produto acabado na minha mente.

diy tool roll

O primeiro passo foi cortar tudo à medida, e fazer bainhas feias a toda a volta. Cada ferramenta terá um compartimento de largura específica e existirá um bolso grande à esquerda para velas e fita adesiva. O comprimento é 52cm e a altura é 21cm (dobrada, pois há uma aba superior que bloqueia a sucata no sítio).

diy tool roll

Da direita para a esquerda, fui colocando cada ferramenta no sítio e criando o seu compartimento próprio bem justinho e aconchegado. Com isso feito, reparei que ainda tinha ganga de sobra e espaço livre por cima do bolso grande, e consequentemente chapei-lhe com  um bolsinho adicional para miudezas.

diy tool roll

A caixa da sucata forneceu um cordão de couro que foi aplicado ao exterior com um ponto largo em zig-zag. Duas horitas de trabalho, custo zero, problema resolvido. High-five a mim mesmo!

diy tool roll
    

10.2.17

Bob constrói um velocímetro digital - parte 3

Coragem, está quase a acabar. (parte 2 aqui)

Montei o íman e o sensor com a ajuda dumas chapinhas da caixa da sucata. O íman prende numa porca da jante e o sensor na porca de cima da fixação do amortecedor. As chapinhas não ficaram muito bonitas mas um dia destes faço umas melhores...      Not!

P1280382

P1280384

A porcaria da moldura de cima esteve quase para não ser pintada porque eu não a conseguia separar do vidro! A borracha estava de tal modo fundida às duas peças que nem parecia possível desmontá-las, foi mesmo à bruta.

P1280399

O vidro está bastante arranhado e estalado, e o aro também está bom para reciclar. No entanto este é um projecto de custo quase zero e, além disso, peças novas iriam destoar com o resto da Vespa, suja e coçada. Decidi assumir a patine com frontalidade.

P1280425

Uma olhadela por trás, é aqui que está o segredo da coisa toda. Fiz uma tampa para tapar o buraco e evitar a entrada de pó, mas não ficou nada de especial. Açapei-lhe com fita adesiva que 'tá bom.

P1280427

O meu conta-quilómetros novo apesar de ser velho que era antigo quando o montei ao lado do meu conta-quilómetros antigo que era o original e que já foi novo. Medi o perímetro do pneu e deu-me 134 centímetros, que foram introduzidos no maquinómetro velodigital. Verifiquei a calibração com os marcos quilométricos na auto-estrada, e estava a marcar 1020 metros entre cada marco. Isso significa um erro de 2%, bastante bom! Quando tiver que trocar a pilha mudo a calibração para 133 ou 132 e fica perfeito.

P1280431

E, quando já estava praticamente tudo concluído, olho para o lado e descubro que me esqueci de colocar uma peça. Duh! #epicfail #bobsucks #reallife #realblog

P1290442

Toca a tirar tudo outra vez! Ainda bem que eu tinha fechado o aro metálico apenas ao de leve, exactamente a prever a possibilidade de reabertura. Depois do conta-quilómetros remontado, o aro estava bastante mastigado e não queria entrar na cavidade redonda da tampa do guiador. Tive que praguejar bastante para a coisa ir ao sítio. Tentem evitar dar pancadas no aro para o conta-quilómetros encaixar porque o aro deforma-se com facilidade, perguntem-me como sei. :\

Com os fios bem arrumados fica tudo com bom aspecto. Há muito espaço livre por cima do farol da PX nova e aí não chateiam nada.

P1280433

Terminado! Olha que giro, apanhei as quatro luzes ligadas. Foi uma coincidência total, nem fiz de propósito...         Not!

P1319353

Sinto um bocadinho falta de iluminação do ecrã. Pensei em fazer isso a princípio mas depois cocó. Há uns velocímetros de bicla baratos no eBay com iluminação "back light" mas não têm personalidade. Posso adicionar luz de várias maneiras diferentes, e talvez as experimente quando tiver que abrir o bicho um dia destes. Até agora está a funcionar bem, já apanhou chuva e sobreviveu, e sim, basicamente tive este trabalho todo para não ter que comprar uma bicha de conta-quilómetros nova. :)