6.10.16

Distinguished Gentleman's ride, uma tragédia em 3 actos

Participei recentemente no Distinguished Gentleman's Ride (DGR) do Porto. O movimento DGR toma a forma de passeios simultâneos organizados por todo o mundo onde os participantes primam pelo vestuário elegante e pelos motociclos clássicos, e tem como nobre missão o combate ao cancro da próstata e ao suicídio masculino (podem realizar um donativo aqui).

DGR Porto 2016

DGR Porto 2016

ACTO I - A Grande Aventura

No ponto de partida estava instalado um ambiente de festa e centenas de motas reluzentes e interessantes encontravam-se alinhadas para inspecção geral. Um começo auspicioso! Arrancámos uns 400 e, apenas três cruzamentos a seguir, fiquei ao lado de um cavalheiro que insistia em acelerar repetidamente o seu motor de alta cilindrada para que toda a rua ficasse informada do diminuto tamanho do seu pénis. Os amigos do cavalheiro pouco dotado serpenteavam entre faixas e tentavam roubar a chave de ignição uns dos outros em andamento. Ao mesmo tempo, eu era constantemente ultrapassado pela direita e pela esquerda por cavalheiros extremamente atrasados para uma consulta médica onde exporiam a sua dificuldade em avaliar distâncias de segurança laterais. Só precisei de uns poucos minutos disto para cortar à direita e ir sozinho até um ponto de encontro mais à frente. "Cavalheiros"...

DGR Porto 2016

DGR Porto 2016

ACTO II - O Herói Vacila

Cinco quilómetros depois reencontrei-me com o desfile. E, infelizmente, com o cavalheiro da Suzuki barulhenta e os seus hiperactivos companheiros. Respirei fundo e centrei os meus chakras. Na paragem seguinte tentei racionalizar a má sensação que me assolava. Dois ou três palhaços não se sabem comportar na estrada: é normal. Um idiota decide sacar cavalo (a sério!!??) no meio da procissão: há sempre algum exibicionismo despropositado. Muitos querem furar para chegar à frente, mesmo que prejudiquem o conforto e a segurança dos outros: não estão habituados a andar em grupo, não sabem. Uma fatiota pipi e uma mota cara não se traduzem automaticamente em classe ou em boas maneiras mas há que ser tolerante e compreensivo e zen, somos todos humanos, certo?

DGR Porto 2016

DGR Porto 2016

ACTO III - Miséria e Desespero

Fui ver as motas para esquecer as pessoas mas rapidamente voltou a sensação de náusea pois eram quase todas desinteressantes, banais, BMW GSs com malas de alumínio, ou pura e simplesmente feias. Encontramo-nos numa autêntica situação de "o Rei vai nu" no campo das motas customizadas pois são na sua maioria ostentativas, derivativas e deselegantes, e ninguém o assume. Olhei à volta e fiquei verdadeiramente triste com a rarefacção do bom gosto, e a idolatração da aparência em detrimento da essência.

O passeio nem ia a meio quando decidi voltar para casa. A minha mota estava bloqueada no estacionamento por isso revi todas as motas estacionadas para ter a certeza que não me estava a enganar e a deixar a minha má disposição guiar o meu julgamento. Não estava. Não planeio participar no Distinguished Gentleman's Ride em 2017 e tenho pena que seja assim.

Nota: este é um relato da minha experiência pessoal, e não uma condenação do evento DGR Porto ou do movimento DGR global; recomendo a todos a participação num passeio DGR e na causa meritória que apoia.
    

27.9.16

O 10º Camping

Foi com mágoa e tristeza que faltei aos últimos Campings mas neste ano tudo se conjugou. Tinha meio fim-de-semana livre e estava mesmo a apetecer-me dar uma volta - a PX tem feito poucos quilómetros e raramente sai da zona do Grande Porto.

Em vez do habitual trajecto directo, decidi ir com calma a apreciar as estradinhas e o Sol, e a extrair a máxima diversão possível da viagem. Consequentemente fui junto com os enlatados até Espinho mas logo aí cortei para o mar e meti-me pelas estradas mais recônditas e invulgares que consegui encontrar.
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Acabei por ir dar a São Jacinto, onde apanhei o ferry para a Barra #multimodal. Junto à Ria há alguns caminhos de terra com piada e, quando apareceu uma tabuleta a indicar a presença de um caminho pedestre ao longo das dunas, pensei que tal poderia aumentar o nível de piada para níveis blogáveis. Assim foi.

O tal caminho aparentava ter reduzidos níveis de tráfego, mas era transitável. Algumas porções eram só areia. o que exigia a primeira mudança e auxílio vigoroso com os pés. Após 15 minutos de progresso lento mas regular, a vegetação começou a fechar e o caminho tornou-se um pouco mais vago. Mas ainda dava para passar.

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Até deixar de dar. Felizmente não tive que fazer tudo para trás pois achei um terreno baldio enfiado entre quintais de casas que levava à estrada. Continuemos para Sul.

Se alguma vez estiverem no meio dos pinhais na zona da Mira/Tocha, há lá umas longas rectas completamente desertas que têm piada. No entanto, se à entrada das ditas estradas estiver uma placa a anunciar piso degradado, fiquem informados que o piso está realmente degradado. Mesmo. Estilo estrada de montanha marroquina. Além disso, os buracos estão todos nos sítios onde as árvores fazem sombra, tornando-os invisíveis se estiverem a usar óculos de Sol. Eu avisei.

Antes da Figueira deparei-me com uma tabuleta para a serra, e achei que uma estradinha de serra seria o ideal para limpar os pneus, sujos da inesperada sessão endurista. Achei bem pois a paisagem serviu também para limpar os olhos e a disposição.

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Descida para a Figueira e um tirinho depois está-se no Tamanco, um pequeno e precioso oásis de tranquilidade no meio da surreal rotina diária.

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O camping do ScooterPT já foi, em tempos, um evento mítico na cena hardcore do scooterismo nacional. Actualmente é um acontecimento modesto e tranquilo mas que encaixou perfeitamente no buraquinho que eu tinha cá dentro. E houve piscina e francesinhas. Sucesso.
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Mais Camping na chafarica do Vasco.
    

12.9.16

Mudança importante no funcionamento da Horta

A Horta já existe há uns 16 (!!) anos e, nesse espaço de tempo, socorreu-se de vários formatos para transmitir a sua razoavelmente constante mensagem. No entanto, eis chegada a hora de mudar um pouco a mensagem sem mexer no formato.

Untitled Fazer o que for necessário para as coisas funcionarem

Os meus planos pessoais e profissionais foram actualizados e, se bem que eu adorasse trabalhar na Horta a tempo inteiro e ganhar a vida com isso, tal nunca acontecerá. O tempo que invisto neste humilde blógue é bem gasto porque me diverte e realiza, e porque tantos de vocês apreciam profundamente a Horta. Por outro lado, esta deixou de ser uma prioridade na minha rotina diária.

Assim, continuarei a meter postas aqui sempre que acontecer algo verdadeiramente significativo ou partilhável no Bunker ou no mini-Bunker. A grande maioria do conteúdo genérico, no entanto, será atirada sem cerimónia para o Face da Horta com um clique trivial, poupando bastante do meu tempo e concentração preciosos. É a tendência corrente; já ninguém quer ler um texto de 3000 caracteres quando pode ver um vídeo de minuto e meio.

Ide rolar, meus filhos, que eu também vou.
    

9.9.16

Há 15 anos - Leiria 2001

Lembro-me que começou a chover e por isso fomos todos para dentro de um ginásio/ armazém deserto. Pouco tempo depois estávamos a disparatar com os veículos lá dentro. As fotos têm apenas 480 pixeis porque era 2001 e a malta ainda usava modems.

Leiria 2001

Leiria 2001

Leiria 2001

Leiria 2001

Leiria 2001
Autor das fotos desconhecido
    

7.9.16

Ferramenta vintage da feira

Alguma vez vos aconteceu entrarem num parque subterrâneo mas não conseguirem ver a extremidade de um corno porque estão de óculos escuros? Pois, a mim também não.

Entretanto achei uma ferramenta antiga na feira, que julgo ser coleccionável. Creio que é de um fabricante antigo de enlatados de luxo, e vou metê-la no eBay a ver se dá um ou dois depósitos de gota.

Delage vintage wrench
   

15.8.16

Há 15 anos - Verão de 2001

A Horta inaugura hoje um tipo muito especial de postas. "Há 15 anos" trará à luz da exposição pública fotos de eventos e concentrações com década e meia de idade, naquela gloriosa época imediatamente antes das Vespas se terem  tornado "moda". Eram tempos de scooterismo primitivo e autêntico, ao contrário de hoje quando bastam 30 quilómetros e 3000 euros para alguém se tornar num Vespista.

Foi uma viagem de Verão épica, quase sempre a acampar. Eu e o Mexe fomos até Lisboa ao Vespa Clube, apanhámos os Vespistas do Norte pelo caminho, espiolhámos montes de sucatas, visitámos a colecção do Mário Rosa, e pusemos uma Sprint Veloce no lixo. Ainda não havia máquina digital, sequer.

"Verão 2001"

"Verão 2001"

"Verão 2001"

"Verão 2001"

"Verão 2001"
    

11.8.16

A seguir é a Lambegreta

Após oito anos de esforço consegui, finalmente, acabar a minha mota. Não é uma café racer da moda, é antes o oposto: é uma Sumol racer. O próximo projecto é colocar uma torneira de gasolina nova na DL, o que deve ser bastante mais rápido, aí uns 3/4 anos.

next project

E como sou proprietário de uma Lambegreta (ou duas), isso significa que posso gozar com os Lambegretistas impunemente.

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9.8.16

A Pior 50s Do Mundo

"Vendo uma 50s podre, sem documentos. Tudo o que se mexe está agarrado e tudo o que não se mexe está podre. Escusam de me dizer para a colocar no lixo pois foi de lá que ela veio. :)"

"Quero limpar o alpendre, vem buscar a tua Vespa." Há muitos anos, o meu pai arrastou para casa este putrefacto exemplar de 50s que encontrou depositado no lixo. Bastaram dois segundos para conceder o benefício da dúvida ao proprietário prévio e à sua reforma pragmática da peça em questão.

Carregada* às 17 horas da tarde, atirada para o mini-bunker às 19, vendida e colocada na carrinha do comprador às 22. Não posso dizer que vá ter saudades dela.

rotten Vespa

rotten Vespa

rotten Vespa

rotten Vespa

rotten Vespa

rotten Vespa

rotten Vespa

* coube com facilidade na mala de um Fiat Punto, em virtude da flexibilidade extra adquirida pela zona central do chassis nalgum canto esquecido de um campo de batatas ao longo de vários e húmidos anos
      

20.7.16

Eurolambretta 2016

Alguma vez ficam lixados com os Americanos que desataram novamente a comprar SUVs estupidamente monstruosos só porque a gasolina deles baixou para 50 cêntimos o litro? Pois, a mim também não. Entretanto, Lambe-gretas.

   

19.7.16

Dia de tó-colantes novos

Tó-colantes! A terceira melhor* invenção da Humanidade! Eu tenho um par deles novos, e o primeiro é do National Motorcycle Museum, nos States. É oval e tem cores bonitas.

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O segundo tó-colante está numa categoria tão elevada que mereceu montagem especial na tampa do porta-tralhas. Ichiban Moto é um pequeno construtor, também dos States, que cria vídeos hilariantes a gozar com a cena café racer e as customizações amadoras, e a generalidade das operações mecânicas. Se isso não fosse suficiente, os ditos vídeos conseguem ainda ensinar montes de técnicas e truques de oficina bastante avançados. Altamente recomendado!

Ichiban Moto rules

* as duas melhores invenções da Humanidade estão disponíveis apenas a subscritores da conta Horta Premium
   

18.7.16

15.7.16

Pestanas num Ape

Alguma vez venderam uma scooter antiga e o comprador disse que a ia registar só daqui a dois meses mas passdos dois meses nada aconteceu e passados três meses mais ainda nada e passados quatro meses adicionais ainda nada e depois basta mencionar as palavras "cancelamento de matrícula" para estar tudo tratado no dia seguinte? Pois, a mim também não.

Mudando de assunto, pestanas num Ape. Esta posta não representa aprovação expressa ou implícita, é apenas um registo de um momento significativo.

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14.7.16

Bob recicla óleo

Um litro de óleo velho tem o potencial de contaminar um gazilião de litros de água potável. Mesmo que não bebam água, certamente que bebem cerveja e esta é feita com... água! Assim sendo, e como somos todos scooteristas evoluídos e civilizados (pelo menos, desde que acabaram com os comentários no OLX), damos importância à reciclagem correcta do óleo usado.

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Fiz uma busca às cavidades do mini-Bunker e encontrei estas garrafas de óleo, desta vez não vazias. Dei um saltinho ao Ecocentro e foi só despejar para o contentor amarelo. As garrafas foram depois para o contentor do plástico. Simples. Se não tiverem um Ecocentro próximo podem expôr o dilema na vossa oficina preferida que é capaz de vos deixar adicionar um litrito ao bidão da reciclagem do dito estabelecimento de resoluções mecânicas.

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Não há que enganar, é o contentor amarelo-Apocalipse.
    

1.7.16

Abertura oficial da época

Bom dia. Informo que vi a primeira Vespa azul-cueca do Verão o que significa que a Época Scooterista (E.S.) está oficialmente aberta (O.A.). É de notar que a tendência de pintar o Capacete a Condizer (C.C.) está a evoluir para Reservatório Invulgar de Plástico a Condizer (R.I.P.C.).

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Consequentemente, realizei a Cerminónia Celebratória de Abertura de Época Scooterista (C.C.A.E.S.) que consiste na instalação de um pneu novo (S83, claro) e na lavagem do motor. #todobabado #nojeira #umafugaqualquer #nãoseideonde #deveserimportante #talvez #nãosei

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Para mais informo que o acessório oficial da nova época é este, o saco SIP Classic...


...e que a scooter oficial da nova época é esta, a Yamaha 04GEN.



É estilo uma 946 Armani só que ainda mais feia. Já agora, não garanto compatibilidade entre o acessório oficial e a scooter oficial. Ou então a scooter oficial pode levar com 3 ou 4 sacos ao mesmo tempo, quem sabe. Eu compraria uma mas o número de caracteres do nome não é divisível por 8 o que significa que eu não poderia actualizar a minha Tatuagem Indicadora de Status Scooterista (T.I.S.S.). * E isso é inaceitável.

*esta piada é acessível apenas aos possuidores de conta Horta Premium