Já alguma vez vos aconteceu fazerem duas ou três encomendas grandes de peças da Inglaterra e pagarem 20% de VAT e mais 17 euros de portes ou outro valor absurdo do género e depois eles decidem que são melhores que os outros e já não querem brincar e a libra esterlina cai 20% logo depois das ditas encomendas? Pois, a mim também não.
Entretanto, restauros. Se vos parece fácil, então estão a fazê-lo mal.
Alguma vez vos aconteceu pensarem que deviam ir à Automobilia porque já não vão há algum tempo e é muito fixe mas depois na altura não dá jeito ou não apetece e ficam com uma sensação desagradável de oportunidade desperdiçada e de preguiça mas depois descobrem que o bilhete para entrar era 6 (seis!) euros e ainda se lembram quando era só 3 euros e ainda bem que não foram chulados? Pois, a mim também não.
Mudando de assunto, tive que ir a Oslo assinar um negócio de exploração petrolífera (gasolina já com 3% de Castrol TT brevemente numa estação de serviço perto de si). A única máquina Piaggio com mudanças manuais que vi foi uma Cosa 200, o que é uma tristeza. Quase tão triste como só se poder andar de mota 3 meses por ano, por estarem tão a Norte.
Passando ao tema fulcral desta posta, quero que imaginem uma multidão de passageiros à volta do tapete de bagagem no aeroporto, como demonstrado com mestria gráfica e artística na ilustração seguinte.
Normalmente todos se chegam ao tapete para poderem ver as malas; se não o fizerem não conseguem ver nada, excepto nucas. Esta situação revoltante não faz sentido:
a visão das malas torna-se gravemente limitada para todos
quando a nossa mala entra no campo de visão, há pouco tempo para a tirar
se não estivermos na primeira fila, temos que nos esgueirar sem demora para apanhar um objecto grande, pesado e móvel
quando finalmente agarramos na bagagem, não temos sítio para a pousar pois todos se acotovelam junto ao tapete
stress generalizado e degradação da fé na Humanidade
Eu proponho que se mantenha uma distância de 2 a 3 metros para o tapete. Os benefícios são cristalinamente óbvios:
visão excelente e atempada da bagagem para todos
espaço totalmente livre para a operação de retirada da bagagem do tapete
bolhas de espaço pessoal invioladas
gatinhos fofinhos para todos
Há um teorema social estabelecido que fala disto mas a minha habilidade de Googlação revelou-se insuficiente e não o encontrei. Basicamente estabelece que os indivíduos farão aquilo que for melhor para eles próprios mesmo que isso prejudique o grupo ou comunidade onde se inserem o que acaba por os prejudicar no fim, contrariando a intenção inicial. O que descreve a vida moderna, basicamente. Suspiro.
Alguma vez vos aconteceu arrancarem de casa sem apertarem o fecho da camisola até acima numa manhã fria e depois apanharem todos os semáforos verdes até ao emprego não tendo a oportunidade de parar uma única vez para subir o fecho apanhando um frio descomunal durante o trajecto inteiro? Pois, a mim também não.
Entretanto, o nosso "dealer" de peças de scooter favorito - estrangeiro!, porque cá em PT ainda temos umas lojas à maneira com pessoal competente e dedicado, graças a São Piaggio - abriu um quartel-general novo. Confiram a festa de abertura!
Desde que vi duas Bajaj dos anos 70 por estrear enfiadas ao fundo de uma loja no centro do Porto, são poucos os achados que me surpreendem. Confesso, no entanto, que deparar-me inesperadamente com uma Vyatka soviética me fez levantar ligeiramente uma sobrancelha.
Essa sobrancelha manteve-se perfeitamente firme quando, apenas dois dias depois, me encontrei na presença de uma KTM Pony. Meh.
Também vi isto. Não sei o que é mas gostei bastante das suspensões, eram rijinhas assim p'ó desportivo.
Alguma vez vos aconteceu avariarem e ficarem tristes porque não têm a máquina fotográfica convosco, mas depois descobrem que a avaria é bastante mais grave do que parecia inicialmente o que significa que têm que se arrastar até casa antes de a poderem consertar e ficam contentes por afinal poderem tirar fotos para o vosso blogue scooterista? Pois, a mim também não.
Mudando para um assunto não relacionado de modo algum, o meu punho do acelerador (há quem o chame de tubo) partiu em andamento. Ainda pensei em puxar um cabo ou cordel directamente do carburador para ter acelerador mas decidi aumentar o ralenti no parafuso de ajuste já que não estava longe de casa. O ralenti era suficientemente alto para ter que desligar a Vespa nos semáforos mas não para ultrapassar os 40 km/h. Quando o semáforo mudava para verde, eu dava duas passadas, largava a embraiagem, e depois imitava um motor de rega durante dois minutos até chegar finalmente aos 40 à hora. Os automobilistas adoraram.
Um telefonema para a Ciclo Foz depois e obtive uma peça de substituição. A troca foi simples porque tive a boa ideia de colocar um cabo do travão da frente novo. É necessário remover o cabo do travão para tirar o punho do acelerador (porque passa através deste) e tentar recolocar um cabo velho e amassado no sítio seria um pesadelo.
O punho propriamente dito (o de borracha) não saiu com os meios limitados que estavam ao meu dispor na altura. Assim sendo, fui "topless" até ao emprego no dia seguinte e realizei o realojamento do interface manual lá.
Aproveitei estar com a mão na massa (consistente) e troquei o penso do banco.
Veremos o que dura mais: a capa rasgada do banco ou o meu rolo grande de fita adesiva industrial. Um deles vai ter que ceder. Ide rolar, meus filhos, preferencialmente com um ralenti ajustado e correcto.
Alguma vez vos aconteceu estarem a trabalhar na oficina, começarem a ver sangue nas ferramentas, perceberem então que se cortaram, esfregarem o sítio da fuga* com o pano nojento do óleo, enrolarem um bocado de fita isoladora no dedo e continuarem a trabalhar como se nada se tivesse passado? Pois, eu também não.
Bem, o que eu vos queria dizer é que finalmente as minhas soldaduras (soldações? soldagens? soldamentos? soldótipos?) deixaram de parecer bocados de ranheta seca e passaram a assemelhar-se a bocados de ranheta molhada. Uma grande evolução!
A razão básica para tão demorada evolução prende-se com a extrema violência intrínseca ao processo, ora confiram. Bué metal! \m/
Realizar 100.000 quilómetros numa Vespa é um feito. Sabe muito bem ver a fila de noves "dar a volta" em sincronia mecânica até ser substituída por uma fila de bolinhas perfeitas. É um feito invulgar mas não difícil. O que é difícil, isso sim, é fazer 200.000 quilómetros numa Vespa.
Horta Analog Xtreme Definition Super Hyper Graphix (TM)
...torna-se clara a existência de uma distinta e real possibilidade de ser a PX do PE a atingir a dupla centena de milhar de milhares de metros antes da minha PX. Ora isto deverá acontecer no início de 2019, daqui a 3 anos. O primeiro segmento de recta (até 99) é da responsabilidade do dono anterior da minha PX; a seguir a 99 podemos observar que o declive das duas linhas é semelhante o que me daria a vantagem. No entanto, a minha quilometragem começou a abrandar no início da presente década, ao passo que o PE continuou a fazer 500 quilómetros por dia ou lá o que é necessário para atravessar o rio Tejo e ir para o emprego.
Quem chegará primeiro à linha tracejada? Será que assistiremos a viagens-maratona no Inverno de 2018 para não deixar escapar o título? Ou será que o Zé João tem realmente uma Rally que já deu a volta por duas vezes? Façam as vossas apostas nos comentários e que ganhe o Vespista com o rabo mais insensível.
Aqueles javardolas adoráveis que foram de Lisboa à Croácia estão a limpar o disco duro e a meter vídeos grafico-digitais nas internétes. Ver exemplo abaixo.
Excelente: quando, apenas 2 minutos depois de avariares numa estrada nacional remota, pára um tipo com uma carrinha enorme a perguntar-te se pode ajudar porque ele também tem uma Rally. #irmandadevespista
Não, a sério! Quando podemos ir rolar de Vespa sem nos preocuparmos com decapitações na via pública temos o dever de reconhecermos que somos privilegiados. Eu sinto-me privilegiado, mesmo com uma PX meio decrépita: o estalinho era o vedante da cambota do lado da embraiagem que girava no carter (reparado), o descanso continua a lixar-me o chão (ignorado), e o banco já está plenamente rachado (assucatado).
Isto daria muito mau aspecto se eu fosse a uma actividade como a Scooter Parade, que lançou o seu vídeo oficial da edição de 2015. Tem montes de cenas filmadas com drone por isso é bom.
Quem tem 20 e tal anos e quer ser cool vai à Scooter Parade. Quem tem 30 e tal anos e quer ser cool, por outro lado, arranja uma bicicleta eléctrica Piaggio, montes de amigos divertidos com uma vibração hipster/modelo de moda e um gosto musical reprovável.
(os verdadeiros conhecedores compram bicicletas Lambretta - o motor não está de lado e por isso são mais estáveis)
Quem tem 40 e tal anos e quer ser cool depara-se com uma única solução: arranjar uma café racer e pilosidades faciais de curadoria artesanal simbólicas de lifestyle urbano retro-trendy. E depois vai ao Distinguished Gentleman's Ride, que é estilo a Scooter Parade mas para quem tem mais dinheiro para gastar em motociclos. Estava a ver este vídeo da D.G.R. (não dá para embeber) e vejo duas LML cor de pastilha elástica Gorila a descerem o passeio...
... e penso logo: "ai ai ai não se pode descer para a direita que bate!"
So much filter
Pimba no selector! Tenho quase a certeza que bateu mas o colega nem notou.
A seguir foi a vez duma PX e desta vez tenho a certeza absoluta que bateu.
Porque o colega olhou para trás para tentar descobrir a causa do barulho. Se querem descer um passeio de Vespa têm que o fazer para a frente ou para a esquerda; para a direita vai bater o motor. Se tiverem uma Vespa antiga, os cuidados deverão ser redobrados pois a extremidade por baixo da matrícula é ainda mais baixa e sólida que nas PX/LML e baterá em passeios de altura média, com garantia acrescida de tal em caso de existência de pendura. A Horta educa e molda as futuras gerações de scooteristas clássicos nacionais!
(Talvez um dia a procissão de 200 motas da D.G.R. colida com a procissão de 500 scutras do Scooter Parade e tenhamos um
revivalismo das lutas entre Mods e Rockers mesmo no meio do Porto. Eu
aposto nos scooteristas porque são todos 20 anos mais novos que os
motoqueiros clássicos e estes últimos não vão querer correr o risco de
arranhar os seus capacetes revivalistas dos anos 70 de 500 euros. As
imagens captadas pelos drones serão fenomenais.)
Se quiserem mesmo descer passeios despreocupadamente,então precisam duma scooter com características todo-o-terreno, tal como a Honda City Adventure:
Esta scooter é apenas um "conceito" mas talvez já se possam comprar conceitos de malas Touratech para ela. De qualquer modo estou certo que, caso veja produção, a City Adventure será um falhanço. Onde é que já se viram veículos todo-o terreno na cidade? Por acaso alguém usa um jipe enorme para ir às compras ou levar os putos à escola? Claro que não, seria totalmente ilógico.
Outra opção para subir e descer passeios seria um veículo de aluguer (é um segredo mal guardado que todos os veículos alugados possuem suspensões e chassis reforçados, pneus de baixo desgaste e motores modificados para aguentarem com altas rotações). Aqui no Porto pode-se alugar uma Super a partir de 25 euros e andar em contra-mão numa artéria movimentada sem custo adicional, estranhamente na mesma rua onde os colegas acima bateram com os rabos. #triângulodasbermudasscooteristainvicta #notazulcueca
Edit: não é a Super que está em contra-mão mas sim os carros. Talvez o fotógrafo esteja a entupir a faixa?
(a minha análise gráfica revela uma probabilidade de 90% daquela forqueta estar empenada para o lado)
Entretanto, no continente Asiático, a LML 2 tempos morreu e a LML pequenina nasceu.
Chama-se Star Lite, tem 125 cilindradas cúbicas transmissionadas automaticamente, e será uma excelente scooter de aluguer: como o motor está do lado esquerdo, pode descer passeios à vontade. Ide rolar, meus filhos, não andem à pancada e mantenham o motor limpo.